Esta é a primeira parte da minha história. Penso como teria sido se eu nunca tivesse pego aquele avião no aeroporto de Guarulhos, as 06:25, sem nem um minuto de atraso.

Eu já tinha viajado de avião antes, então eu não tive problemas. Eu estava um pouco desnorteada com o fato de ter que me afastar dos meus pais, mas eu sabia que ia acontecer mais cedo ou mais tarde.

O primeiro vôo foi a parte mais legal da viajem. Tenho que confessar que apesar de tudo fiquei com medo, o que me possibilitou uma pequena amizade de cinco horas com um homem que estava sentado na poltrona ao lado.

Depois que chegamos ao aeroporto de Porto Alegre as coisas ficaram ruins. Lembro como se fosse hoje quando cochilei naquela dura cadeira e acordei com dor no pescoço. Não imaginava como escalas demoravam, mas apesar das más coisas, não me desanimei para minha nova vida.

Quando cheguei ao meu apartamento, eu só pensava em dormir. Olhava minhas malas e eu não tinha vontade nenhuma de fazer qualquer coisa. Lembro-me de ter mandado uma mensagem para minha mãe, que me ligou em seguida e me fez contar todos os detalhes da viajem. Perdi o sono. Resolvi dar uma volta e comprar comida, já que o restaurante da universidade só estaria aberto no dia seguinte, quando finalmente as aulas começariam.

Confesso que este pequeno passeio por Santa Maria foi a etapa crucial para que minha história acontecesse. Talvez se eu não estivesse com fome, não teria conhecido Pedro na fila do pequeno mercado. A verdade é que nosso encontro (acredito eu) tenha sido planejado pelo destino. Em principio, meu plano era comprar apenas um pacote de biscoitos e um refrigerante, mas os chocolates tentadores não couberam em minhas mãos e caíram no chão quando eu já estava no caixa. Lembro de recolher o refrigerante (que se eu tivesse aberto ali, provavelmente teria feito um estrago) enquanto duas mãos me ajudavam a recolher as coisas. Fiquei tão envergonhada que nem tinha reparado no garoto que me ajudou, e que mais tarde, teria se tornado meu grande amigo.

"Não precisa de ajuda para carregar essas coisas?" E estas foram as primeiras palavras que escutei dele.

Era obvio que eu precisava, mas preferi recusar, já que eu não queria mais parecer uma boba na minha nova universidade. Apesar de que, lembrando da situação, acho engraçado a forma como pensava ser a universidade, sempre achando que seria como na escola (no final das contas descobri que ninguém se importava com o que você fazia).

Quando voltei para o meu quarto, fiz tudo o que precisava: arrumei meus materiais para a aula do dia seguinte, organizei meus horários, guardei as roupas no armário e dormi.