O tempo das crivanas
18 Frio
Notas iniciais
— Então o seu pai descobriu. – Calil suspirou, fazendo subir vapor e embaçar seus óculos, escondendo os olhos cinzentos.
Ele não podia negar, estava com medo.
— Ia acontecer uma hora ou outra. – Dara estava bem mais tranquila.
— Mas isso não é bom. Ele deve estar irritado com isso. Na melhor das hipóteses deve estar pensando em me fazer sarpar para o mundo dos mortos.
— Calil. – A moça riu. – Eu sei que é assustador, mas meu pai é um homem muito pacífico. Ele era criança durante a guerra, mas sei que ele viu o bastante para ter medo da violência. E… De a quem ele associa essa violência. Ele não vai fazer nada além de reclamar e tentar me prender no meu quarto.
O rapaz passou alguns segundos num silêncio pensativo, olhando para o terreno vazio onde semanas atrás haviam dezenas de flores. Atualmente estava frio demais para aquela vegetação frágil. Mesmo o casal estava tão agasalhado que mal era possível ver sua pele.
— E se ele tentar isso? Te prender?
— Então eu fujo pela janela. Não há nada nesse mundo que me impeça de vir te ver.
Calil sorriu, sem nem mesmo disfarçar, e segurou a mão de Dara suavemente.
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