Notas iniciais
Dia 25. Palavra: Mortalha "pano ou vestimenta com que se envolve o cadáver de pessoa que será sepultada."

Calil contava histórias sobre a terra em que seus antepassados moravam e suas danças, trajes e comidas, sobre todas as plantas e animais e como a guerra tirou tanto deles. Dara ficou especialmente encantada com o relato sobre os mistérios da noite, os caninos vermelhos que uivavam para a lua, as suindaras que gritavam sobre as casas como se rasgassem uma mortalha e as flores gigantescas que nasciam nos brejos, com odores que podiam ser sentidos há muitos metros.

Mas apesar de conhecer tanto, Calil nunca tinha colocado um pé em Xabaz e esse foi um de seus grandes pesares durante toda a vida.

Mas agora, com os estudos das crivanas oficialmente adiados, sem nenhuma família ou moradia fixa, o rapaz poderia fazer essa viagem, uma trilha de alguns meses de pura aventura e conhecimento. E Dara… Ela iria junto, é claro que iria. Com ela, o rapaz não precisava de limites de terra ou de raças. Juntos, podiam alcançar o que fosse.

Mais nada importava, além um do outro. Nem mesmo as formalidades. Por isso quando ela saiu escondida de casa para encontrar Calil, durante uma madrugada ou outra, não se sentiu nem um pouco culpada ou indecente.

Notas finais
Uma curiosidade: A palavra de hoje me despertou imediatamente a lembrança da minha mãe dizendo que existia um tipo de coruja que tinha um grito igual o som de uma mortalha rasgando (e que sabia disso porque meu avô fazia caixões, wtf) e que diziam que quando essa coruja passasse perto da sua casa era mau sinal, que alguém estava para morrer ou coisa assim. Eu tenho uma fascinação por tytos (corujas com cara em forma de coração) e acabei de descobrir que a coruja da história da minha mãe é a suindara, isso me deixou tããão feliz! ♥