O tamanho do mundo
1 a liberdade de todos os caminhos
Notas iniciais
Hoje eu fiz diferente. Não olhei o asfalto cinza e rígido, e os carros sobre ele. Olhei para o chão.
Por esse novo ângulo, pude perceber um arbusto com flores tão lindas. Pequenos pontos cor de rosa explodindo da rigidez do cinza, como uma provocação à monotonia.
Vi também meus sapatos. O que mais me chamou atenção foi notar quantas coisas ele já presenciou; quantos caminhos já andou: aquele aniversário da Gabi (tem até a foto com os meninos), as fugidas da escola com o Matheus, as manhãs frias para as quais a sapatilha na protegeria...
No caminho de volta para casão chão me deu um sentimento de liberdade quase insuportável. Eu senti minha pequenez em oposição ao tamanho do mundo. E era tudo meu, poderia ir pela direita, esquerda, correndo ou parar.
As flores rebeldes ainda estariam lá, meus sapatos correriam mais algumas memórias, e eu tinha a liberdade de todos os caminhos.
Amanhã vou fazer diferente: vou olhar para o céu.
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