O significado da dor

19 Olhos de uma ruiva


Notas iniciais
nesse capítulo tem putarias lésbica

Rádios, jornais, revistas e a própria televisão deixaram todos os assuntos abordados e só sabem falar do famoso assassino vermelho, a mais nova celebridade. Causador de arrepios e excitante para mulheres carentes. Homens têm medo de sair para trabalhar e nunca mais voltar, mulheres têm medo de levar seus filhos para escola ou se despedirem de seus amados maridos, e aquele, ser o último beijo que elas darão neles.

Assassino Vermelho. Ele não tem uma cor de cabelo ou um signo, ninguém sabe o que pensa e nem como é, não sabem nem mesmo o seu nome. Apelidado pela imprensa, fazendo alusão ao tão bom velhinho que traz presente para as crianças todo natal. Seria apenas uma terrível coincidência todas suas vitimas serem atacadas no fim de ano ou um presente de natal adiantado? Isso se pudermos chamar isso de presente. "Pessoa nenhuma deveria ser comparada com a espécie mais desprezível do ser humano. Ninguém sabe seus conceitos, nem seus motivos ou sua infância, mas no momento em que ele entra em sua casa, estupra e mata, ele não é ninguém com moral suficiente para ter conceitos ou motivos. Isso se ele possuir algum motivo. Pessoas que matam por puro prazer não são doentes, elas sabem exatamente o que querem e o que sentem quando matam e é por isso que não haverá perdão assim que o assassino vermelho entrar naquele tribunal" uma jornalista qualquer falsamente revoltada, expondo sua falsa opinião e seu conceito de humanidade. Eu a escutava tagarelar palavras obvias enquanto esterilizava o bisturi que ia arrancar aqueles lindos olhos verdes.

Na cidade é frio e cinza, suas pupilas eram da mesma cor, no meio da íris azul, no meio do olho escondido em meio as pálpebras que estavam fechadas em um corpo morto dentro de um caixão a sete palmos da terra. Minha utopia não é justiça e não é vingança. Minha utopia é que um dia não existam mais pessoas como eu no mundo.

Um passarinho uma vez me disse que a justiça além de cega é uma tartaruga velha decrépita andando em linhas tortas lentamente e a vingança não é nada mais do que um prato que se come frio. Prato que uma tartaruga cega e lenta mastiga todo dia e cospe fora por ser frio e amargo como um jardim repleto de rúculas.

Hoje tomo meu último copo de saudade, hoje voltarei bêbada de vingança para casa, hoje beberei minha dose de calamidade, hoje cambalearei pela rua, e por favor, só hoje, faça com que a embriaguez me traga a sensação de esquece-lo. Estava cansada, cansada dele, cansada da verdade e cansada de olhar o céu e ver sempre o mesmo azul. O mundo perdeu o sentido, a vida perdeu o objetivo e eu perdi a fé.

"Ele matou todo mundo!

fim."

Estou sentada em uma poltrona de um azul medíocre assim como o restante da sala, não queria estar aqui, mas ao mesmo tempo preciso estar aqui. A sala não muito mais medíocre que a minha vida se encontra nesse exato momento, possui as paredes de um verde lima-limão enjoativo e de um tom amargo que eu diria ser idêntico ao meu humor, que ao meu ver, não deixa essa sala nada convidativa. Clock, Clock. Faz o relógio, que mata o silêncio enquanto eu tomo essa última xícara de chá de maçã, frio.

Viva meio morta eu sigo aqui. Morta meio viva eu persisto em estar aqui, não importando o dia, nem mesmo se é feriado ou inverno. Com a mesma filosofia inspirada em putas e bêbados de botecos. Sou fadada a viver jogando minha vida fora.

Assim que tomei meu chá esperei ela recobrar a consciência. Imaginava o que ela fazia com o Daniel, em cada pedido de misericórdia feito pelo olhar e mesmo assim ela continuou, continuou com a carnificina e continuou até ele morrer, roubando dele seu último suspiro deixando apenas o seu vômito tomar todo o pulmão. Fazia quatro meses que não o tinha a meu lado e ja sentia o afastamento, a indiferença surgindo em falar seu nome, ja sentia a culpa de superá-lo. Ela acordou. "onde estou?" "olhe direito que saberá" e ela abriu um sorriso medonho "o feitiço se voltou contra o feiticeiro, mas eu sei que você não terá nem metade da coragem que eu tive e não vai conseguir fazer nem a metade do que eu fiz com o fracote do seu namoradinho bonitão, a propósito que falta de educação ambos ter entrado aqui e nenhum ter me convidado para o casamento" como ela sabia do meu casamento? "você matou ele antes do casamento acontecer, se esqueceu?" retruquei "ah, verdade, verdade. Saiba que usei e abusei do pauzão dele por você. Que loucura de homem" as provocações não paravam "vamos princesinha, tire as amarras dos meus pulsos que eu brinco com você também. Não tenho preconceito de transar com homens e mulheres" sua voz me irritava, não respondi e fui até as amarras e prepotente ela falou "sabia que não ia resistir, princesa. Sabe por quê? Porque sou mais bonita, mais inteligente, mais quente e seu namoradinho se divertiu bem mais com a minha buceta" as apertei com tanta raiva que era possível ouvir seus pulsos quebrando e seus gritos de dor eram a melodia que meus ouvidos queriam ouvir. A raiva me possuía como um demônio e a sensação de quebrar os pulsos dela não satisfazia a minha raiva, mas não cheguei a apertar as amarras dos pés, não queria acabar com a graça de cortá-los fora. Ela percebeu que estava errada, fodidamente errada, eu era capaz de ir até o fim e fazer pior. Lagrimas desciam seu rosto, mas em momento algum foram de arrependimento, ela não se arrependia do que tinha feito, estava com medo que nem um ratinho "Mel... É assim que ele te chamava não é? Desculpe por ter botado o dedo na ferida. Olha, em momento algum quis mata-lo, foi um acidente, se isso te consola" sentia o deboche em cada palavra "o que vai me consolar é ver você debaixo da terra, filha da puta. Você não se divertiu com o Daniel? Duvido muito, e duvido muito você ter matado ele por "acidente". Vou matar você de propósito sua putinha e não é um discurso debochado que vai fazer eu sentir dó de você. Agora eu que vou me divertir nessa porra" abaixei suas calças brancas e depois abaixei a calcinha de renda "vai me estuprar?" ela perguntou assustada "não, to te dando sexo surpresa. Claro que to né sua retardada? Depois fala que é mais inteligente" minha boca foi ao encontro da vagina dela, com sede de sexo, e ela não resistia ou se debatia, apenas gemia e isso tornava tudo mais estranho. Rasguei sua blusa e ela achava tudo muito excitante e isso diferenciava a mente doente dela para uma outra qualquer. Enquanto tirava o seu sutiã eu chupava freneticamente seu clitóris e por estar me divertindo, eu tenho medo do que me tornei. Beijei a sua boca e parece que um fetiche dela estava se concretizando ali e naquele momento, pois ela respondia o beijo e seu beijo era gostoso e suave, era como morrer dormindo. Logo tirei minha roupa e sem desamarrá-la deixei que me chupasse sem deixar de chupá-la.