O significado da dor

11 Lembranças do passado


Durante uma vida toda, todo ser humano querendo ou não nasce e vive apenas para encontrar sua cara metade ou absolutamente tudo que ocorreu durante a vida e todos seus méritos foram interligados ao amor. Seria um puta sarcasmo da vida pensarmos que somos invencíveis e independentes e depois simplesmente sermos destruídos por um amor ruim. E mais sarcástico ainda é a vida, as pessoas e você mesmo prometerem a felicidade e ela nunca ser encontrada ou escorrer por entre os dedos. Pensar que pessoas são seus piores inimigos é algo muito ingênuo, pois o tempo nos fode como um ladrão com sede de estupro e nos larga la deitados olhando a morte cada vez mais próxima até que a vida, que nos deu a origem, faça o resto do trabalho sujo e termine com cada respingo de esperança, que sugue cada sonho e que arranque finalmente o ultimo respiro.

A dor é algo que muitos dizem sentir, mas poucos sabem explicar como ela funciona e os efeitos que nos causa. Ela é a pior das drogas. Ela não traz felicidade, ela a suga, ela não alivia a imagem do mundo psicodélico, mas sim piora. A dor não nos ilude, ela mostra a verdade e é por isso que tememos tanto ela e o pior é que ela causa um vício incurável e uma sede de angústia. É isso que é a dor, o resto é apenas resto que seria definido como histórias fofinhas.

O relacionamento entre duas pessoas pode ser algo imundo, cretino e hipócrita, assim como o mundo que criamos e vivemos. Sempre desconfio de homens carinhosos demais, pois quase sempre tem segundas intenções ou simplesmente fizeram algo imperdoável e acham que com simples carícias, que deviam ser característica principal, faça doer menos o erro. Ou talvez eu seja azarada o suficiente e trouxa a ponto de confiar cegamente em um homem que me prometia o mundo e me dava apenas lágrimas de decepção, mas a maior dor foi pensar o melhor de pessoas que não mereciam nem metade das verdades que você confiou apenas à ele. Não merecia nada além de mentiras cruéis, assim como ele. Era uma quarta, dia 22 de novembro, estava farta de ouvir pessoas falando que ele me traia e que era minha suposta melhor amiga, mas quem acreditaria em boatos absurdos e que pessoas escutavam de outras pessoas? Era aniversário dele e ele me deu flores, rosas vermelhas e cravos, qualquer um que me conhecesse o suficiente diria que eu preferiria fumar um baseado à ganhar rosas, detesto rosas e sou alérgica a cravos. Mas ele não sabia e junto das rosas ele me entregou um bilhete, que sinceramente, acho irrelevante, menos o final que era um simples e clichê "eu te amo a partir de hoje até o dia que pararei de respirar". A emoção tomou conta dos meus sentimentos e embaralhou meus pensamentos mais lúcidos."É verdade não é?" não precisava aprofundar em detalhes, ambos sabíamos do que se tratava "sim" a dor penetrou a pele e circulou pelo sangue e coagulou perto do coração. Eu morreria ali, mas minha curiosidade não deixou isso acontecer até a humilhação ser completa, mas eu ja tinha conhecimento de tudo " É ela não é?" "sim". A fúria tomou conta do meu corpo, me possuiu e escorreu como lágrimas, mas não simples lágrimas de tristeza, porque eu não o amava, mas lágrimas de raiva. A pura e sincera raiva que destrói impérios e reinos. Larguei os buquês no chão e pisei como se fosse a cabeça dele, destrocei os espinhos como se fossem a espinha dorsal e pulverizei cada átomo dos cravos como se fossem o coração dele, dava para ver que ainda me amava, mas do que me interessaria? Rasguei o bilhete até que cada palavra, verso, sentimento de forma se transformasse em apenas letras. O entreguei e virei, ele apenas por reflexo pegou meu braço e logo em seguida suplicou pelo meu amor, apelou pelo meu sentimento mais profundo e eu fiquei. " Você nunca me amou de verdade..." olhei com desprezo "mas..." "se me amasse não teria feito isso... NUNCA TERIA FEITO ESSA PORRA, ENTÃO QUERO QUE CALE A BOCA E ME DEIXE IR EMBORA. VOCÊ SUPLICA PELO MEU AMOR, MAS NÃO TEVE A DECÊNCIA DE ME AMAR" "você esta certa" "quantas vezes?" "uma" ele mentiu, eu sabia quantas vezes eram "e por que me traiu?" "esqueci que tinha namorada"as lágrimas desciam com mais intensidade e velocidade "MAS QUE PORRA É ESSA? NÃO TEM DESCULPA MELHOR NÃO?" e ele começou a chorar. Eu sou boazinha demais, vi ele chorando e senti compaixão, senti a mesma coisa de quando percebi que gostava dele. Peguei um lenço que estava na bolsa e limpei suas lágrimas. E foi um fim, o fim de qualquer coisa que eu senti e o fim de qualquer possibilidade de sentir de novo. Uma semana depois ele achou que poderia me comprar com chocolates e declarações em público. Era uma sexta-feira quando ele me deu a aliança gravado "vitale" que seria vital em italiano e me pediu em namoro, eu aceitei, mas não porque sentia alguma coisa, mas sim com desejo de vingança. Quando fizemos um mês de namoro, era ano novo, e enquanto os fogos eclodiam no céu, eu terminei, falei que não gostava mais e que não iria mais dar certo, mas não mais por vingança, de certa forma ele me fez amadurecer, mas sim de arrependimento por aceitar algo sem retribuir sentimentos. Isso é muito cruel e desolador.

Ele era meu primeiro namorado, um cara simples e com ideais socialistas. Era incrivelmente inteligente e foi isso que me atraiu. Falava português, inglês, francês e japonês, mas a língua do amor fui eu que ensinei. Ainda lembro de suas ultimas palavras quando me levantei e fui embora, "você pode ir embora da minha vida, mas nunca saíra do meu pensamento. Posso morrer, mas a ultima coisa que falarei será seu nome". Sou realmente azarada, podia ter o mundo, mas só semeei decepção. Podia ser lembrada por todos, mas serei apenas pelo pior homem. Sinceramente, pensei que primeiro namoro seria algo lindo e mágico, mas o que me restou foram apenas carcaças apodrecidas de memória. Não me lembro de seu nome e nem o que sentia por ele antes dessa merda toda acontecer só lembro de coisas irrelevantes.

"Jovem demais para amar e ingenua demais para ser amada" foram as únicas palavras pronunciadas pela minha mãe que realmente fizeram sentido para mim. Logo em seguida me mudei e finalmente me livrei dele e das lembranças dele.

Daniel seria diferente? eu não sei.