O significado da dor

4 Flores de setembro


"Daniel" é um nome comum, mas depois do encontro com aquele encantador flertador eu diria que todo Daniel citado numa história de amigos não seria mais um simples rapaz com rosto e cabelo indefinido e apenas o nome Daniel, mas sim um homem simpático, com um sorriso indescritível, cachos bagunçados e uma lista sem fim de flertes terrivelmente cômicos.

Tenho um receio de nunca mais ouvir aquela voz rouca e aveludada, que tiraria qualquer um do serio. As pessoas são engraçadas. Possuem medos cretinos, mas ao mesmo tempo uma coragem absurda. Estar apaixonada? Improvável, só acho amável essas tentativas de flertes e demonstrações de interesse. São elas que aumentam minha autoestima e me fazem ficar bem. Engraçado ele não ter pedido meu telefone, seria uma estratégia dele para brincar com mulheres ou apenas um esquecimento causado por nervosismo de estar diante de uma? sinceramente, eu prefiro a segunda opção.

Aqui estou eu no mesmo parque, no mesmo lugar e no mesmo banco. Talvez seja um tipo de paranoia, mas me sinto bem simplesmente acreditando que posso ser protagonista de um filme de romance que eu mesma dirijo. Depois de um tempo perdi as esperanças. Descendo os degraus da pequena escada que dava para a saída do parque consumida pelo sentimento de frustração causado por mim mesma por ser tão tola.

Parado perto do portão da saída com um terno velho, talvez usado apenas em casamentos e um buquê de rosas azuis, com os cabelos dessa vez arrumados (estava estranho). Senti meu coração acelerando a cada momento que chegava mais perto e sentia uma sensação boa de esperança. Esperança causada pelo momento, mas também poderia ser um sentimento qualquer que apenas a primavera ocasiona...

"Melissa" disse ele com um tom de alegria "estava me procurando?" perguntou ele com um tom extremamente convencido "talvez você tenha conquistado meu pobre coração com aqueles flertes" ambos rimos "e se eu e disser que essas flores não são pra você?" diz ele "eu ligaria, mas como eu disse, você me conquistou e não eu a ti" respondi quase sem voz, mas ainda firme. Cruzando os olhos pela ultima vez, estando estampada a decepção não só no olhar como na expressão do rosto, passei o portão e fui pra casa com os olhos encharcados de lágrimas.

Quase chegando em casa ouço uma voz rouca "Melissa! Espera! Você anda assim sempre ou esta fugindo de mim?" dessa vez não ri e nem me virei. Ele me alcançou e me segurou com as duas mãos, uma delas ainda segurando as flores, me olhou nos olhos e disse " você não me deixou terminar... Eu disse que as flores não são pra você, mas elas são. Olha eu esqueci de pegar seu telefone ontem então voltei para o parque com a esperança de que você estivesse aqui de novo... Voltei para te chamar pra sair" ele estava com os cabelos novamente desgrenhados e com uma mexa cobrindo o olho direito, ficou até charmoso..."por que não? Mas você vai assim?" " O que tem demais?" "você esta ridículo" falei soltando um sorriso "pois saiba você que irei assim mesmo" protestou ele.

E no caminho do restaurante, bar, quiosque, na verdade eu não faço ideia pra onde estamos indo, só estou seguindo ele.. "você tem uma ideia de restaurante aqui perto?" perguntou ele com uma expressão envergonhada "não, você que devia saber isso" "okay okay... Eu dou um jeito... Feliz senhora reclamona?" "sim, senhor ridículo".

Todos esses acontecimentos seriam obra do destino? acredito eu que não, não acredito que o destino determine nosso futuro e nos controla como bastardos, acredito em coincidência.