O significado da dor

9 Fechadura da porta


Olhos marejados, respiração aflita, coração palpitando, borboletas no estomago, sorrisos nervosos, formigamentos nas pontas dos dedos do pé. Caso você apresente esses sintomas recorra a um médico, caso o contrário irá se foder com o amor.

O amor é cruel como o funcionamento da mente de um psicopata e gentil como coração de mãe. A dor é um brinde que vem nesse pacote de decepções e sentimentos, mas não importa o quanto você sofreu, o quanto angustiante foi, a verdade é que vai tudo passar como um flashback quando você apenas lembrar do nome da pessoa e as lagrimas se esvairão pelo seu rosto, porque são as lembranças as coisas que mais machucam, são elas que não te deixam seguir em frente, são elas que te consumem até não virar nada além do pó. Quando amamos de verdade uma pessoa não aceitamos, mesmo acreditando, nas coisas horríveis que ela fez com você, apenas confiamos cegamente nela até se decepcionar profundamente com a confissão feita por ela...

Era uma manhã de setembro, para ser exato, dia vinte oito de setembro. Parecia estar tudo normal, mas só parecia. Ele chegou na minha casa com uma expressão não muito agradável "que foi?" perguntei assustada "nada demais relaxa... Só que vou viajar pra Suíça e ficar longe por um mês" "você promete escrever e manter contato?" "mas é claro..." "então por que está assim?" "vou sentir saudades" "awn eu também vou sentir... Tenha certeza que vou" "que gay você" "e quando você vai?" "amanhã".

A porra de um mês se passou e ele não cumpriu a promessa, ele entrou duas vezes e ficou cinco minutos em qualquer rede social. Mas eu perdoei, é isso o que eu faço, dou uma segunda chance quando a pessoa precisa. Ele volta hoje...

Vestida do mesmo jeito que estava no nosso "primeiro encontro". Uma hora de atraso e eu ja estava um pouco mais do que frustrada, na verdade extremamente mais, e então ele apareceu. Usando um cachecol e uma jaqueta de couro, ele estava lindo. Corri impulsivamente para a direção dele e quando ele me viu fez o mesmo, ele largou as malas no chão e pulei em cima dele, caímos no chão e o choque dos corpos com o chão fez um barulho escroto parecido com crânios sendo pisados e foi tão alto que todo aeroporto parou para nos olhar. "Nem acredito que estou aqui e com você" disse ele enquanto as lagrimas desciam pelo meu rosto "eu também não", ele limpou minhas lágrimas e demos um beijo, não como o primeiro, mas mais intenso e não existem palavras que descrevam aquele momento. Quando nos levantamos o aeroporto inteiro aplaudiu, crianças confusas, mulheres derramando lágrimas, algumas pessoas filmando. Agradecemos e fomos embora.

Assim que chegamos no apartamento dele, ele foi tomar banho enquanto eu fazia bolinhos. Enquanto assavam os bolinhos fui para o banheiro espionar ele pelado, mas quando fui olhar pelo buraco da fechadura ele abriu aporta e eu fiquei totalmente encabulada e mais vermelha que a parede da sala. " Ta tentando me espionar pelado, moça?" pergunta ele com o corpo molhado e apenas uma toalha na cintura que eu fiquei numa tentação de puxar "não, claro que não" ele percebeu que eu estava mentindo, porque arregalei os olhos e minha voz fica um oitavo mais aguda "sei sei" disse ele com um meio sorriso safado. Enquanto os bolinhos esfriavam eu me trocava, peguei uma blusa dele que ficou no comprimento de um vestido, girei a maçaneta e era cômico o barulho que ele fez esbarrando nos móveis para chegar até o sofá e fingir que estava fazendo qualquer coisa, enquanto eu ria ele rebateu "então você pode e eu não?". Ele estava deitado no meu colo e eu ficava brincando com seu cabelo "ei, por que você não escreveu?" "não deu, desculpe" "cara, você prometeu e eu fiquei esperando" o clima gostoso foi tomado por uma tensão horrível "porra Mel, o que você quer de mim? Eu ja pedi desculpas" "ta, ta, que seja Daniel" "quer saber? As vezes você me irrita tanto" "ah, agora a culpa é minha, foda-se vou embora" "você tem um dom de ver problemas onde que eu acho que ta normal" "ah então é normal você sumir por um mês, não dar noticias e nem porra nenhuma e depois voltar todo estranho achando que ta tudo bem" " você ta fazendo de novo..." "ta bom Daniel, ta bom" " eu tava passando um tempo com a minha mãe, eu tenho uma família e tenho uma vida" "eu sei que você tem uma família, eu só achei que fazia parte da porra da sua vida, mas me enganei" "Mel não fala assim" disse ele abaixando o tom "então só você pode falar o que quer? Você é um grande cuzão" ele ficou irritado de verdade "Porra é legal conversar com você, mas não o tempo todo... Entenda isso caralho" "agora virei suas amiguinhas... Pera, ta terminando comigo?" e minha voz sumia a cada palavra, elas saiam como pregos enferrujados "como vou terminar com você se a gente nem ta namorando? ou você esqueceu?" essas palavras saíram como flechas envenenadas e enquanto atravessavam meu peito, o veneno penetrava e me deixava cada vez mais debilitada e deitada la para morrer de sofrimento "é, esqueci" foi a ultima coisa que consegui dizer, com voz rouca quase sumindo, me virei e fechei a porta. Fiquei na frente da porta paralisada esperando ele abrir e pedir desculpas, mas isso não aconteceu e então me virei e fui, nenhuma vez ele tentou me impedir...

Deitada no sofá perto do telefone com um pote de sorvete na mão esperei ele ligar. Sendo atormentada por aquela frase e torturada pelas lembranças, as lágrimas desciam e ardiam como ácido sulfúrico. Esperei, esperei tanto por apenas um toque e o telefone não tocou.