O significado da dor

6 Bolinho com granulado colorido


Em uma bela manhã de setembro, enquanto os pássaros cantavam graciosamente, Daniel e eu desfrutávamos um formidável piquenique. O céu estava exuberante de cores, uma mistura de azul turquesa com anil e um rosa bem clarinho na região perto do sol que deixavam as nuvens próximas arroxeadas. Enquanto eu fazia uma coroa de flores, com as flores brancas e delicadas que achamos no jardim do parque ele comia um bolinho com cobertura cor de rosa com granulado colorido, assim como o céu.

Enquanto lambia a cobertura ele perguntou " Você lembra do seu primeiro amor?" " Vagamente...por quê?" " Eu só quero saber um pouco mais sobre a sua vida... Me conte mais" "Bom, eu me lembro que tinha sete anos, me lembro da sensação boa só de ver ele, da vontade de ir pra escola feliz, a troca de olhares tímidos e a animação quando ele ia falar comigo... O engraçado é que com você eu sinto a mesma coisa que sentia quando tinha sete anos e parece que ao invés de um garoto que eu nem lembro o nome direito, era você, um pouco mais novo e baixinho, mas era você" falei olhando para um ponto fixo na diagonal esquerda "e como era seu primeiro amor?" perguntei agora olhando pra ele " Hum... Ela tinha cabelos rosa claro com mechas roxo claro também, ela vivia com o cabelo preso com lacinhos, ela tinha um jeito fofo de se vestir que eu adorava, se vestia que nem a minha vó mas eu gostava, ela tinha olhos negros como o céu de noite, tinha a pele tão branca, mas tão branca que parecia um melão, mas em compensação vivia com as bochechas coradas, adorava fazer bolinhos com coberturas fofas e coroas com flores feias que achava no chão, tinha cara de bolacha, era um pouco alta mas eu ainda achava ela meio anã e se chamava Melissa" disse ele cutucando minhas bochechas " Eiiiiii, você esta falando de mim? Vou arrancar seus olhos e dar para os corvos engraçadinho. E eu não sou tão bochechuda assim" " É que você nunca apertou suas bochechas, parecem marshmallows rosadinhos". Coloquei a coroa de flores e falei para os bolinhos " Cortem-lhe a cabeça" "Oh meu deus! bolinhos fofinhos e assassinos" disse ele com um sarcasmo na voz comendo o bolinho.

Estávamos deitados na grama, ele deitado na minha barriga e eu fazendo cafuné. Espontaneamente ele se levantou, de modo que o sol refletisse nos seus olhos verde e azul, subiu em um banco e começou a gritar " Atenção Atenção, senhoras e senhores, espero não ter chamado a atenção de vocês em vão... Enfim estou apaixonado por uma garota e ela é a coisa mais doce do mundo..." interrompendo ele eu disse " Para caralho! Você ta me envergonhando" ele continuou "Essa dama de boca suja é a melhor coisa que aconteceu em minha vida e perde-la seria um erro imperdoável e mais imperdoável ainda seria não falar pra ela isso. Ela pode estar usando uma coroa com flores horríveis, mas ela é a minha princesa Peach e como qualquer encanador chamado Mario tenho o dever de protege-la ou come-la atrás do armário, aliás ela tem muita sorte de ter um Mario sexy pra caralho e com um cano muito grande" todo mundo riu " É mesmo" concordou uma menina la na multidão "Cala boca seu convencido, se eu tiver que subir ai pra te tirar eu vou te bater" "Boa ideia, aplausos para essa gentil dama" e de repente todo mundo começou a ovacionar "Vamos Mel, suba! Não esta vendo? O publico te adora" "você é um idiota" respondi sussurrando " Vamos, não seja tímida" incentivou ele com aquele sorriso que mexe com os meus sentimentos mais profundos e fode comigo " Esta bem" subi aos gritos " Beija! Beija! Beija" "Não vamos decepcionar a platéia" disse ele com um sorriso safado. Tirei a Blusa xadrez que ele tava usando de um jeito que a plateia ficou assanhada e louca, amarrei no seu pescoço e disse "Agora você é um super bobão" ele me levantou e me segurando no colo desceu os bancos e saiu correndo enquanto todos gritavam e eu gargalhava, depois de se distanciar um metro e meio da plateia, que agora estava se dispersando, ele me desceu e disse "você é pesada hein?" lhe mordi a clavícula e ele deu um gritinho fino, logo em seguida sai correndo e ele não muito atras de mim com a mão na clavícula gritou " Se eu te pegar vou morder mais forte" logo em seguida tropecei e cai de cara na grama e ambos começamos a rir feito idiotas.

Na volta para a minha casa ele pegou descaradamente uma flor da minha coroa e me deu. Ainda mancando um pouco da queda ele se ofereceu para me levar de cavalinho e eu recusei todas as vezes, ele me segurou a força no ombro enquanto eu socava as costas dele para me largar, me ignorou ate chegar em casa. Minha casa era simples e cheia de flores com um balanço na entrada. Ficamos nos balançando la até a noite surgir graciosamente, onde estávamos dava para ver perfeitamente o sol se pondo dando lugar a noite .

Ele reparou um galo na minha testa, também causado pela queda, e deu um beijinho "Ai, porra!" falei. Foi quase instantaneamente depois que reclamei que percebi o quanto ele estava lindo com uma mecha nos olhos, tirei a mecha de seus olhos e ele balançou a cabeça para bagunçar mais o cabelo. Mordi o queixo dele, mas não tão violentamente quanto mordi a clavícula dele no parque, e foi ai que nos beijamos. O tempo congelou e parecia que éramos os únicos no mundo, coloquei as minhas duas pernas em cima de uma perna dele e enquanto ele me puxava pra mais perto, com uma pegada forte e excitante, encaixei meus braços em sua nuca e deixamos fluir. Só paramos quando umas crianças pervertidas que andavam na rua pararam e começaram a gritar " Vai comer agora ou é pra viagem?" e saíram correndo, para falar a verdade eu acho que eles ouviram isso em algum lugar e não sabiam o significado de "comer". Mas mesmo assim os filhos da puta acabaram totalmente com o clima. Depois de me esperar entrar ele foi embora. Enquanto eu o observava ir (com aquela bunda perfeita) ele olhou uma outra vez para trás, percebeu que eu estava o observando ir embora e deu um sorriso quando percebeu que fiquei constrangida. Fiquei olhando até ele sumir na linha do horizonte.