O show final
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Notas iniciais
P.O.V : Carly
Quando a missão do meu pai, coronel Shay, acabou, ele decidiu que era hora de se aposentar. Ele se sentia culpado por ter perdido tantos acontecimentos importantes na minha vida e ter perdido também boa parte do meu crescimento por estar trabalhando.
Resolvemos sair da Itália e ir morar na casa que ele tem em Los Angeles. O Spencer continua morando em Seattle, ainda no Bushwell. Eu até cheguei a cogitar voltar para lá mas depois que soube que a mãe do Freddie foi transferida para trabalhar em um hospital em LA vi que realmente não tinha muito o que fazer na minha cidade natal sem meus amigos, já que a Sam também tinha se mudado e agora estava morando com uma ruiva que parece uma versão minha, só que menos normal e com tinta vermelha no cabelo.
Sam me contou que iria terminar os estudos em uma escola para artistas — a hollywood arts — e então conversei com Freddie e decidimos que seria lá que iríamos terminar nossos estudos também. Nós três, juntos de novo.
Combinei com o Benson de nos encontrarmos no aeroporto de Los Angeles e quando ele chegou eu estava conversando com a Sam no telefone e já ia contar da minha chegada e que a gente iria se encontrar hoje na escola, porém, enquanto a loira reclamava no telefone do horaria que eu estava ligando para ela, acabei me distraindo com o tamanho do bolo que o Benson carregava nas mãos. Era um bolo gordo de dois andares com muita cobertura.
O maluco fazia gestos suplicantes para eu me calar e não contar nada da surpresa, me fez soltar um riso frouxo. Não entendi o motivo mas encerrei logo a ligação com a Sam.
— Oi Fredward! Passou em um aniversário de criança antes de chegar aqui? — Nos abraçamos. — Não deu tempo de contar para Sam que estamos aqui em Los Angeles, e ainda me distrai com esse seu bolo. Vai alimentar quantas famílias?
— Obrigado pela parte que você diz que estava com saudade de mim, Shay. — O moreno ria enquanto tentava segurar um bolo gigante e suas malas. — Vou alimentar só uma loira mesmo e não queria que você contasse a novidade para ela, pelo menos não agora…
P.O.V : Freddie
Minha mãe foi transferida para trabalhar em um hospital em Los Angeles e a notícia coincidiu perfeitamente com a de Carly, que também estava de mudança para LA.
Antes de ir viajar fui comprar um presente para Sam, um bolo gordo gigante. Foi um pedido que ela fez quando fui visitá-la no ano passado.
Confesso que depois que a Puckett foi embora não tivemos muito contato. Ela me ligou uma vez para pedir ajuda com o site do seu trabalho de babá e eu escrevo para ela de vez em quando só para ter certeza que aquela loira maluca não está presa de novo.
— Ué Benson, tá se escondendo da Puckett?! Está com medo que ela esteja mais forte que antes? — A morena debochava da situação. — Ela está trabalhando de babá, deve estar mais calma, ainda mais se você chegar com essa maravilha comestível aí.
— A Sam?! Essa não se acalmava nem se trabalhasse em uma igreja! E eu não tenho mais medo daquela loira maluca. Acho que ela já feriu todas as partes possíveis do meu corpo.
— É, todas mesmo… até o coração. — Me encarou com um sorrisinho de lado. — Ou acha que o Spencer não me contou como você ficou quando ela foi embora?!
— É…e-eu…então, será que pode entregar esse bolo? Queria fazer uma surpresa para ela. — Estava com um pouco de vergonha de entregar o presente pessoalmente e também receoso em voltar a conviver com a loira. Foi difícil me acostumar com a ausência dela, e o medo de me apegar e passar por isso de novo me assustava.
— Não vai vir comigo entregar? — A morena pegou o bolo mas ainda me olhava confusa.
— Tenho que ajudar a minha mãe a terminar a mudança. Mais tarde eu vejo vocês na escola. — Disse cortando o assunto já me preparando para ir embora. — E depois me conta o que ela achou do presente.
[…]
P.O.V : Sam
8:00 AM
Eu, Carly e Cat chegamos na Hollywood Arts às oito, nossa aula começava às oito e quinze.
Olhando para aquele lugar imenso, cheio de gente estilosa, acabei me sentindo uma criancinha no seu primeiro dia de aula.
Esses sentimentos só se intensificaram quando avistei se aproximando da gente um moreno, com uma blusa azul listrada, uma calça jeans escura e um olhar cor de mel que brilhava mesmo de longe. Ele ainda usava o topete do mesmo jeito…impossível não reconhecer.
— Freddie? Não tô acreditando! — Foram as únicas palavras clichês que conseguiram sair da minha boca.
Confesso que já sonhei algumas vezes com o dia em que estaríamos os três juntos novamente, mas ver esse dia acontecer diante dos meus olhos, parece um sonho…uma alucinação.
— Vem comigo Carly, vou te apresentar para os meus amigos. — Cat dava gritinhos de felicidade enquanto arrastava a morena para junto de um grupo de adolescentes. Não dei muita importância, só estava prestando atenção em um sorriso familiar que estava bem na minha frente.
— Sam! — Nos abraçamos um pouco constrangidos. — E aí, como você está? — Nos soltamos e ele ficou segurando minhas mãos e me encarando com um sorrisinho de canto no rosto.
— Eu tô…bem…tô ótima, e você? — Sentia minhas mãos suando e aquilo estava me deixando um pouco agoniada.
— Eu tô bem também…tô ótimo. — Ele soltou minhas mãos e colocou as dele no bolso enquanto dava uma olhada nos arredores da escola.
— A Carly me contou que vocês dois se mudaram para Los Angeles…aliás…valeu pelo bolo, nerd.
— Acho que se eu chegasse aqui sem ele você me lançava de volta para Seattle, né?
— Querido, não iria ser para Seattle, iria ser para outro planeta mesmo! — O clima ficou mais descontraído entre nós. — É… vamos entrando então, quero conhecer logo essa tal de Hollywood arts. — Fomos caminhando e por mais que eu quisesse fingir indiferença, estava louca para saber se ele tinha vindo estudar nessa escola…por mim, se ele tinha mudado de cidade por mim…
[…]
— Sabe onde é a nossa sala, Sam? Carly e aquela sua amiga ruivinha sumiram e…nos deixaram sozinhos aqui.
— É…esse lugar é gigante, deve ter umas trinta salas só nesse andar, sem brincadeira. — Resolvi me sentar na escada no pátio. — Vamos esperar elas voltarem então…senta aqui — Ele se sentou ao meu lado. O pátio não estava muito movimentado.
— Bom…me conta de você. — Disse ele num tom descontraído, tentando puxar assunto.
— Tudo na mesma, Benson. Continuo com a ficha criminal suja, ainda amo frango frito e odeio gente… exceto crianças porque as mães delas me dão dinheiro. — Consegui tirar um riso dele e aos poucos íamos quebrando aquele clima estranho entre nós. — E você, pelo que me parece, continua o mesmo nerd sem namorada de sempre, certo?
Ele ergueu as sobrancelhas e me olhou meio malicioso. — Interessada na minha vida amorosa, Puckett?
— Esse com certeza é meu interesse número dois mil. — desviei o olhar e quis ir direto ao ponto. — É… mas me conta, por que você veio morar aqui?
— Minha mãe recebeu uma proposta para trabalhar em um hospital daqui de Los Angeles… e a Carly me contou que iria morar aqui também e eu...eu achei que seria legal estudar em uma escola de artes, sabe?!
— Ah, claro, você veio para ficar perto da Carly…— Meu rosto corou na hora, foi um arrependimento instantâneo ter dito aquilo, como se eu estivesse enciumada.
— N-não…não só por ela…eu não queria ficar em Seattle sozinho e também…essa escola é incrível, não iria perder essa oportunidade.
— Aí Benson, um homem desse tamanho com medinho de morar sozinho? — Ri provocando ele. Irritar o nerd ainda era meu passatempo favorito.
— Ah, então você reparou que estou mais forte? — Se virou de frente para mim tentando dar ênfase nos músculos.
— É…você está mais barrigudinho mesmo. — Desviei meu olhar dos brações dele. Realmente o tempo tinha feito muito bem para o meu ex.
O moreno se levantou e foi até o armário guardar os materiais. Fui atrás e ele se virou para mim com um ar de deboche. — Mas me conta Puckett, já arrumou outra pessoa que te suporte?
— Às vezes aparece um maluco aqui, um foragido da polícia ali, mas um nerd igual você eu geralmente dispenso. — Ele fechou a porta do armário e ficamos em uma distância nada segura. Os risos foram se cessando e se transformando em bochechas coradas.
— Você não sente falta? — Arregalei meus olhos com aquela pergunta e agora ele me encarava com um semblante sério.
— Da…ge-gente? — Tentei controlar minha respiração ao máximo, mas dentro de mim eu sentia uma escola de samba inteira tocando. A posse de indiferença foi destruída minha dicção, que entregava meu espanto com aquela pergunta.
— Daquele tempo, de tudo…— Ele se aproximava mais.
— É…— Me afastei um pouco dele. — Acho que eu sinto falta daquela sensação de que tudo ainda era possível.
— Sei…tipo, de quando a gente não sabia direito quem era nem quem iria ser. Se eu quisesse ser um encanador, eu podia ser.
— Você ainda pode ser um encanador, se quiser. Mesmo eu achando que como um apertador de botões você é melhor.
— Bestona, você entendeu o que eu quis dizer. — Seguimos andando pelo pátio do colégio e ele me olhava de um jeito que minhas implicâncias soavam como pingos de água gelada em um corpo quente. — Cada ano que passa a vida vai afunilando um pouco mais, sabe? Estamos no último ano da escola e se não tomarmos uma decisão agora, não tomamos mais. — Ele parou de frente para mim e eu senti mais uma vez meu rosto corar.
— Decidir…o que?!
— Nossa carreira… o que mais seria? — Ele olhava no fundo dos meus olhos.
— SAM! — O clima foi cortado quando Jade me chamou. — Não tinha acreditado quando a Cat disse que você vinha estudar aqui! — A morena me abraçou — Vou te mostrar tudo! Nossa sala de música, a de teatro, os nerds que vamos jogar tomate na hora do intervalo…
— Acho que já me arrependi de ter juntado as duas pessoas mais assustadoras que eu conheço no mesmo ambiente. — Cat cochichou para Back.
— Ela não tentando acabar com a minha vida igual a Jade, tá ótimo. — Disse Tori
— Tenho um carinho especial por morenas com cara de bobona, muitos anos de convivência com a Carly. — Dei uns toquinhos no ombro de Tori e sai rindo.
— Ah, também te amo Sam. — Disse Carly enquanto íamos para sala.
[…]
P.O.V : Freddie
A galera da Hollywood Arts foi muito receptiva com a gente, estávamos em um papo super legal — tirando os planos de Sam e Jade para atacar os nerds. Eu até teria ficado mais assustado se não convivesse com a loira raivosa desde criança — até sermos surpreendidos com um grito de Tori ao chegar na sala de aula.
— O QUE? BICHO?! TEM ALGUM BICHO AQUI? — Gritou Carly assustada após o escândalo de Tori.
— PIOR QUE ISSO. ELA. — Disse a morena apontando para uma menina muito parecida com ela, e me parecia muito familiar…
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