O show final
14 Back to Seattle
Notas iniciais
1 semana depois…
O cheiro daquele lugar me era familiar, quase reconfortante. As árvores ainda estavam lá, algumas mais envelhecidas, revelando que o tempo, sem pedir permissão, havia passado. O prédio alto, imponente como sempre, continuava a ser o centro das atenções na rua. O letreiro, intacto, parecia me dizer que aquele ainda era o bom e velho Bushwell.
Quando deixei essa cidade, a mais de um ano atrás, naquela noite fria, só eu e minha moto, pensei que tivesse deixando também um pedaço de mim de tudo que já fui um dia.
Esse prédio nunca foi de fato a minha casa, mas foi nele que eu vivi os melhores momentos da minha vida, e ao lado das pessoas que eu mais amo. De certa forma, esse lugar foi e sempre será o meu lar.
— O Spencer mandou mensagem dizendo que está descendo para nos ajudar com as malas. — Disse Carly saindo do carro.
— A gente vai ficar três dias ou um mês, Carlotta? — Perguntei rindo do tamanho da mala da morena. Parecia que o guarda-roupa inteiro dela estava ali.
Freddie tirou a mochila do porta-malas e ficou ali, sorrindo feito bobo, com os olhos fixos no prédio.
— Que saudade da minha casa!
— Oh, mané! Você se mudou daqui não tem nem um mês. — Eu e Carly rimos, enquanto ele revirava os olhos, sem graça.
Decidimos gravar cenas do nosso filme de conclusão de curso no estúdio do icarly. E no final daquela semana fomos todos do nosso grupo para Seattle.
— Alguém me dá uma força aqui? — Jade perguntou, claramente irritada. — Essa droga de mala está presa!
— Acho que é o carro do Beck ali. — Carly apontou, vendo um carro fazendo uma manobra perto do de Freddie.
— CHEGUEI! — Spencer veio correndo e nos abraçou.
Jade, ainda de braços cruzados e com o semblante fechado, continuava apoiada no carro de Freddie.
— E eu já vou subindo. — Se direcionou com a sua pequena mala para dentro do prédio.
— Vamos, eu ajudo vocês. — Spencer pegou algumas malas e rumamos para dentro enquanto Beck e André seguiam atrás de nós.
[…]
— E era aqui que gravávamos o icarly. — Saímos do elevador e chegamos no terceiro andar do antigo apartamento da Carly, mais conhecido como o estúdio do programa.
— Uau, ainda está tudo igualzinho, né? — André girou lentamente sobre si mesmo, analisando cada cantinho como se estivesse descobrindo um novo planeta.
— Sim. O Spencer não quis mexer em nada. — Carly deu uma risadinha, meio nostálgica. — Ele falou que, sempre que eu quisesse voltar, tudo ainda estaria aqui, esperando por mim no mesmo lugar. — Seus olhos brilharam, já ficando marejados.
Eu me aproximei dela e a puxei para um abraço apertado, sentindo a mistura de emoções no ar
Foi uma ótima ideia gravar as cenas do filme aqui. — Freddie ajeitou seus equipamentos com cuidado, como se fosse um tesouro. — Ah, como eu sentia falta do meu cantinho…
— Cantinho nerd! — Soltei uma risada, mexendo nas coisas de Freddie, e estiquei a mão para ele. — Me passa o meu controle.
— Toma, mandona. — Ele me entregou com um sorriso meio de canto de boca.
— Aqui é perfeito para gravar! — Beck examinou a tela verde com um olhar empolgado. — Isso vai ser super útil para...
Jade revirou os olhos com força e interrompeu Beck, soltando um risinho sarcástico.
— Você não pode ver uma novidade que já se anima, né?! — Ela deu de ombros, claramente irritada.
— Jade…
— CALADOS! — Carly gritou, interrompendo a conversa. Ela cruzou os braços e lançou um olhar fulminante. — Já não basta eu ter que aturar a Sam e o Freddie, agora vocês dois também?! — Ela franziu o cenho, parecendo mais uma professora irritada. — Viemos aqui para gravar o nosso trabalho, e é isso que vamos fazer. FOCO, GENTE!
— Eu tô com a morena! — André se levantou com um sorriso triunfante, fazendo Jade bufar em resposta. — A gente já tem o roteiro, né, Jade? — Ele olhou para ela, esperando uma resposta, e ela, com a cara fechada, apenas assentiu. — Agora só falta decidir quem vai ser o casal protagonista.
— Bom…a gente tinha decidido que seria… — Freddie olhou para a morena, claramente inseguro, como se sentisse a tensão no ar entre Beck e Jade, sabendo certamente que aquilo não seria possível mais. Ele hesitou, antes de mudar de assunto. — Acho que a gente precisa decidir de novo…
— Todo mundo na internet só fala em Seddie, então eu acho…
— Nem pensar, Beck! — Eu o interrompi, sem dar margem para discussão.
— Ele tem razão, Sam! — Exclamou Carly. — Eu e algum deles ou você e outra pessoa…sei lá, não iria combinar. — Deu um riso sem graça.
— Por mim. — Freddie deu de ombros.
— E quem vai gravar, Freddonho? — Eu o fitei com um olhar desafiante, cruzando os braços, sem esconder meu sarcasmo.
— Eu posso cuidar disso. — André se posicionou atrás da câmera com uma confiança exagerada, como se estivesse assumindo a direção de um grande filme de Hollywood.
— Bom…se for o melhor pro filme, tudo bem. — Disse me dando por vencida.
[…]
— Você e eu…só nós dois aqui. — Freddie foi se aproximando, seu tom de voz quase desinteressado, mas aquele sorriso torto que só ele sabia dar estava lá, como sempre, mas no momento sendo cedido ao Nathan, seu personagem.
Ele parecia pensar em tudo, menos na cena que estávamos gravando. Eu olhei para o moreno e senti uma onda de irritação subir. Como ele conseguia ser tão…indiferente perante a isso? Perante ao que estávamos fazendo?
— Você sabe…— eu quase engasguei com as palavras, meu rosto queimando — isso é tudo o que eu sempre desejei…— Não conseguia olhar nos olhos dele enquanto falava.
Gravar uma cena romântica com o meu ex — e amigo — era a coisa mais constrangedora que eu já fiz na vida, mesmo levando em consideração que eu já fiz muita coisa constrangedora, mas que nem de longe me deixou tão incomodada como eu estava naquele momento.
— Sam, é nessa hora que a Jennette passa os braços ao redor do pescoço do Nathan. — Resmungou André.
— Para enforcar ele? — Dei um riso sarcástico que fez o nerd revirar os olhos e bufar.
— Não, Sam, para beijar! Olha o roteiro. — Disse Beck saindo de trás da câmara e me entregando os papéis.
— Nem pensar! — Franzi o cenho ao ler aquela melação em forma de cena.
— Vamos logo, Sam. Não é tão difícil me beijar. — Freddie disse, tentando dar o tom mais provocativo possível. A situação estava mais ridícula a cada segundo.
— Não vou te beijar, bobão. No máximo…se você der sorte…a Jennette que vai beijar o Nathan. — Eu revirei os olhos, forçando um sorriso. Sabia que o tom de irritação na minha voz estava mais do que evidente.
— E quem interpreta o Nathan? — Freddie perguntou, com aquele sorriso de lado de quem sabia exatamente o que estava fazendo. — Ah, e quem interpreta mesmo a Jennette? — Ele parecia se divertir com a situação e com a minha cara fechada que provavelmente estava corada.
De raiva ou de vergonha? Nem eu mesma sabia.
— Tomada 2. Ação! — André gritou, com a claquete já levantada.
Eu respirei fundo, e as palavras saíram, não do jeito que eu queria, mas o suficiente para me manter na personagem.
— Esse é o nosso lugar. Nosso tempo. Você e eu. — As palavras soaram mais forçadas do que eu gostaria, e senti meu rosto esquentar de novo. Não dava. Eu não conseguia, era mais forte que eu.
— E não te preocupa o que vem depois? — Naquele momento eu me tornei um pouco Jennette e me permiti sorrir de orelha a orelha com o tom da pergunta. Do Nathan, não do Freddie.
— O que vier está bom, desde que seja com você. — Eu disse, chegando mais perto e envolvendo meus braços ao redor de seu pescoço, e também tentando não rir. Mas quando olhei pra ele, vi o olhar de total confusão, e de repente, não consegui mais me segurar. Eu ri. Ele estava com uma expressão tão estranha, parecia que ia desmaiar a qualquer momento. E aquilo, por mais ridículo que fosse, me fez perder totalmente a compostura.
Ele tentou disfarçar, mas não conseguiu. A gente estava no meio de uma cena romântica e, ao invés de estar imersa em emoção, eu estava quase caindo de tanto rir.
Nós deixamos nos envolver por aquele momento de risos e quando percebi ele já estava segundo a minha cintura e estávamos extremamente próximos um do outro.
— Foco, galera! Vamos de novo, com mais emoção! — André disse, visivelmente frustrado. Os olhos dele eram um misto de cansaço e impaciência, como o de todos os presentes no estúdio.
Na hora que me dei conta de como estávamos, da proximidade, dos toques, me afastei rapidamente e fui tomar um gole de água, cessando os risos e fazendo ele — pela primeira vez na noite — corar tanto quanto eu.
Pensar que a anos atrás eu provavelmente falaria àquelas breguices deitada no sofá dele e sem nenhum roteiro decorado. Pensar que a anos atrás provavelmente estaríamos assim nos fundos da escola: abraçados, rindo de alguma besteira que dissemos e no final dando um beijo apaixonado.
Estávamos atuando.
Era um momento dos personagens.
Isso não terminaria em beijo.
E não, não estávamos apaixonados. Pensei.
— Tomada três. Ação! — André gritou mais uma vez, a paciência dele e de todos no estúdio estavam no limite. Já era tarde e não tínhamos conseguido gravar quase nada.
Eu respirei fundo, espantando aqueles pensamentos e tentando manter o tom calmo, mas parecia que tudo em mim queria cair na risada — uma risada de nervoso às vezes. Eu olhei para Freddie, vi que ele ainda estava tentando parecer sério e entrar no personagem.
— Eu já te amo há três verões, querido, mas eu quero mais…— fui caminhando em sua direção — podemos ser próximos assim para todo o sem… — Eu dei uma pausa. Não estava conseguindo mais. — Como eu posso dizer isso olhando pra essa cara dele? — Freddie revirou os olhos e se afastou bufando.
Imediatamente, as palavras morreram na minha boca e eu interrompi a gravação, soltando uma gargalhada nervosa e fazendo ele também sair do clima do personagem.
— E aí, galera, será que dá para fazer direito? Última tentativa! — André disse, já batendo a claquete. — Se concentrem! — Ele sabia que a cena era um desastre, mas ele também estava se divertindo com a nossa incapacidade de seguir o script.
— Não dá! Esse roteiro está péssimo! — Eu bufei e rumei em direção ao puff no canto do estúdio, me jogando nele.
— O meu roteiro está ótimo, Sam! — Jade finalmente se desencostou da parede, descruzando os braços com aquele olhar desafiador. — O problema é você e o Freddie que não conseguem separar os personagens da vida real.
— Então porque você e o Beck não tentam? — Eu me levantei bruscamente e fitei a morena com um olhar desafiador.
— Não me mete nessa! — Resmungou Beck saindo de trás do tripé e me encarando com um semblante cansado.
— FICA TRANQUILO QUE EU NUNCA…NUNCA…— Jade quase explodiu, se aproximando de Beck, que deu um passo para trás, tentando fugir da tempestade. Ela estava com os olhos tão arregalados que parecia que ia queimar tudo ao redor dela.
— CHEGA! — Carly gritou, interrompendo a briga. Sua voz alta fez todos nós pararmos e encararmos ela. — Pessoal, vamos lá! Não podemos ser tão antiprofissionais assim! — Ela bufou, exausta, as palavras saindo como um desabafo. — Eu tô cansada, viajamos por horas! Será que dá pra gravar logo isso?!
Eu mordi os lábios. Carly estava certa. Não podíamos deixar coisas tão ridículas — embora embaraçosas — afetarem nosso trabalho. Mesmo que no caso de Jade e Beck seja um pouco mais complicado.
— Vamos tentar mais uma vez, com mais intensidade! A química de vocês tem que aparecer, pensem que é nosso trabalho final! — André disse, olhando para gente com aquele olhar de quem já não aguenta mais, mas ainda esperava que fizéssemos nossa parte.
Carly, com aquele sorriso cansado e aquele olhar de quem sabia que a coisa não ia andar, me deu um empurrãozinho.
— Vai… — A morena me empurrou para o centro do estúdio. — Só tentem mais uma vez! Vai ser rápido!
— Vamos dar uma pausa, vai… — Todos se deram por vencidos e foram se sentar pelo estúdio. — Vou descer pra comer alguma coisa. Isso aqui tá me dando fome! — Falei me afastando rapidamente, fazendo qualquer coisa para sair daquele lugar.
— 20 minutos de pausa! — André disse, se jogando em um puf.
[…]
— Sim, Cat, chegamos bem. — Estava ao telefone com a ruiva tentando distrair a cabeça. — Já estamos gravando, quer dizer, tentando…Sério amiga, está um desastre…— Gargalhamos. — Fizemos uma pausa agora….Eu estava me sentindo sufocada, sabe, já é meio complicado voltar para Seattle, para a casa do irmão da Carly, e ainda ter que gravar cenas românticas com o nerd, é tão estranho…Não Cat…É que o roteiro está uma melação insuportável, não tem nada a ver com fazer par romântico com o Benson…
— Não foi o que pareceu… — Eu estava com a cara enfiada na geladeira, procurando algo para comer enquanto desabafava com a Cat no telefone, quando ouvi passos atrás de mim. Me virei rapidamente ao ouvir o som da voz dele.
— Cat, depois a gente se fala. — Desliguei o telefone sem pensar e o encarei. Seus olhos cor de chocolate estavam fixos em mim, como se tentasse ler cada detalhe da minha expressão.
— Sam…— A voz dele estava baixa, quase um sussurro, como se estivesse em conflito consigo mesmo, e ele parou atrás de mim, hesitando antes de continuar.
Eu peguei um pedaço de pizza da geladeira, tentando ignorar o fato de que o moreno estava ali, perto demais.
— O que foi agora, Freddie? — Respondi exalando impaciência.
— Eu só queria saber se a gente podia conversar sobre… — Ele hesitou, desviando o olhar, como se as palavras não quisessem sair. Seu tom estava ainda mais suave, tentando se conter.
— Conversar sobre o quê? — Dei de ombros, tentando manter a calma e controlar minha respiração que começava a ficar irregular.
— Você sabe! — Ele falou, com uma urgência que me pegou de surpresa. Seus olhos estavam implorando, e algo dentro de mim vacilou, meu coração acelerando sem que eu quisesse. — Precisamos conversar sobre tudo! Tudo o que aconteceu desde que eu fui para Los Angeles! Sobre o que vem acontecendo com a gente.
O nó na minha garganta apertou, e eu senti um peso se formar dentro de mim. Ele estava mexendo com sentimentos que eu não sabia como controlar. Mas, ao mesmo tempo, o medo de tentar de novo me consumia. Medo de que as coisas voltassem a ser complicadas, como antes. Medo de abrir uma ferida que, até então, parecia cicatrizada.
— E o que vem acontecendo com a gente, Freddie? — Minha voz saiu mais dura do que eu pretendia. Ele permaneceu em silêncio, como se estivesse procurando as palavras certas. — Essa porcaria de filme que está mexendo com a nossa cabeça.
Eu dei um passo para trás, sentindo a pressão aumentar. Minha respiração estava mais rápida, mas tentei manter a postura.
— O filme? — Ele riu, mas o som estava seco e sarcástico. — Então você vai fingir que nada aconteceu? Vai ignorar tudo e fingir que não sentiu o mesmo que eu no dia do baile? Ou no dia que estávamos na sala de música? Ou que quase nos beijamos na cozinha da minha casa? — Ele respirou fundo, se aproximando. — Vai mesmo fingir que a gente nunca aconteceu?
— Não foi exatamente isso que você estava fazendo um pouco antes de eu ir embora de Seattle? — As palavras saltaram da minha boca antes que eu pudesse controlar. Me arrependi instantaneamente de ter soltado aquelas mágoas antigas no meio de tudo aquilo.
O silêncio tomou conta entre nós dois, pesado e denso, e eu podia sentir o peso das palavras não ditas se acumulando no ar. A decepção era clara nos olhos dele, e eu sabia que ele queria algo mais. Algo que eu não sabia se poderia dar. Algo que eu tinha medo de dar, com receio de que tudo terminasse em frustração novamente.
— A gente realmente precisa conversar. — A voz dele foi mais firme, como se tentasse impor uma verdade que não podia mais ignorar.
— A pausa de vinte minutos acabou. — Respondi, já me virando para entrar no elevador.
— Vai fugir de novo? — Ele entrou no elevador também, a tensão entre nós dois se tornando quase palpável. — Vai ser covarde e desistir do que sente, de novo?
As portas se fecharam entre nós e só o som das nossas respirações quebrava o silêncio. Meu olhar estava fixo nele, e eu sentia a pressão das palavras que ele havia deixado no ar.
— Engraçado, esse lugar me traz a lembrança de um término mútuo…disso você não lembra, né? — Eu desviei o olhar, forçando um riso sarcástico, mas ele estava sem humor.
— A única coisa que eu lembro é de você fazendo uma coisa por medo…só para agradar a Carly. — A voz dele se elevou, e eu podia ver que o moreno estava se segurando para não gritar.
— O cara que lambe o chão que a Shay passa está me dizendo que eu errei por ouvir um conselho dela? — Gargalhei, sem qualquer alegria. — Pensa que foi até bom, freddonho, porque você ficou totalmente livre para viver sua paixãozinha por…
Antes que eu pudesse terminar, ele se inclinou para frente, e, num movimento rápido, me puxou pela cintura e grudou nossos lábios, me calando com um beijo. Seus lábios tocaram os meus com uma urgência silenciosa, como se tudo o que não havia sido dito, todas as palavras engolidas, todas as inseguranças que compartilhamos, finalmente tivessem encontrado seu lugar para existir. No começo, o beijo foi suave, cheio de tentativas de reparar o que estava quebrado, de desculpas implícitas e arrependimentos que não sabíamos como resolver, mas com a certeza que aquilo significava muito mais do que palavras poderiam dizer. À medida que o tempo passava e o beijo se estendia, o moreno começou a passear com as mãos pela minha cintura e quadril, enquanto eu o arranhava na nuca, e a intensidade aumentou. E, naquele momento, algo em mim cedeu, como se finalmente estivéssemos nos entregando ao que sabíamos ser de verdade e eliminando qualquer insegurança do passado.
Fale com o autor