Notas iniciais
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Acordou no chão frio do quarto. O dia já tinha clareado e os pássaros estavam cantando no céu azul. Eles me enganaram, pensou ele, tenho que descobrir onde eles estão. Levantou-se e abriu a porta que dava para o outro cômodo. Não havia nada lá. Deu um grito de raiva; pegaram a sua mulher. Com uma fúria sem limites, pegou a estante e derrubou-a no chão, deitou no sofá e pensou no que fazer. Teve uma ideia; pegou os livros do chão e começou a analisá-los. Maioria livros de psicologia e direito. Sabia que os colocaram ali propositalmente: sequestradores não liam livros de psicologia nem de direito. Apanhou uma das almofadas e colocou atrás da cabeça. Aonde quer que Marie esteja, estava sentindo a falta dele. Talvez estivesse sentindo medo, mas sentia a falta de Pete.

— Não se mexa! Se levante devagar e ponha as mãos aonde eu possa ver!

Seu coração parou. Colocou as mãos para cima e se levantou da cama.

— Como é o seu nome? – disse à mulher que apontava a arma para ele.

— Quem é você?

— Perguntei qual é o seu nome! Me responda!

— Pete.

— O que está fazendo na minha casa?

— Sua casa? – Pete não estava entendendo: a casa parecia abandonada.

— Sim, o que está fazendo aqui?

— Raptaram a minha mulher e...

Pete contou a história toda à mulher. À medida que ele foi contando, ela ficou desconfiada. Quando terminou, ela olhou para ele e disse:

— Vire-se, por favor.

Ele se virou e ela o revistou.

— Como é o seu nome?

— Jane. Sou detetive na delegacia da cidade. Posso lhe ajudar a encontrar sua esposa.

— Muito obrigado! Espero que não vá...

Uma música tocou em algum lugar da sala. Pete procurou de onde vinha a sua origem. Afastou a almofada do sofá e encontrou um telefone celular que estava recebendo uma ligação.

— Espere – disse Jane –, não atenda.

— Por quê?

— Pode ser um truque. Podem estar querendo saber se você já acordou. Deixe tocar.

— Ok.

— Está com fome? Quer tomar um café?

— Pode ser.

— Me acompanhe.

Jane levou Pete até a cozinha da casa, um lugar que ele não tinha reparado antes; aparentemente os sequestradores também não. Era uma cozinha elegante: micro-ondas, geladeira, chão quadriculado, cafeteira, oito cadeiras dispostas ao redor de uma mesa central. Sentou-se enquanto Jane preparava o café.

— Quer adoçante? – perguntou Jane.

— Gostaria.

Colocou o café em uma xícara em cima de um pires e deu para Pete tomar. Quando bebeu o primeiro gole, sentiu uma sonolência muito forte e não se lembrou de mais nada.