Escutei a risada dele e abri os olhos, e ele estava em pé, diante de mim.

Eu o olhei, e vi seu grande pé vindo em direção a minha cabeça, senti uma forte dor, e então tudo escureceu.

Algum tempo depois acordei, estava caída no chão frio, me levantei rápido, olhei pela janela que exalava o brilho do sol avisando que o dia havia chegado. Olhei para os lados, e não encontrava meu agressor. Será que ele havia finalmente ido embora? Não. Ele não faria isso.

Minha cabeça doía, eu mal conseguia enxergar. Fechei os olhos para melhorar a dor, e então ouvi um barulho. Era ele, ele estava de volta.

Ele veio até mim e sorriu:

—Dormiu bem? — Disse ele com a voz debochada.

Eu apenas o encarei e ele me deu um soco na boca, e eu logo vi o sangue manchando minha calça.

—DORMIU BEM? — Disse ele gritando, de maneira agressiva.

—Não te interessa. — Respondi tremendo.

Logo senti um golpe em meu olho e em seguida outro na boca:

—Chega, eu digo. Dormi, muito bem. — Eu estava mentindo, só queria que aquela dor parasse.

—Que bom.

Ele se levantou e saiu novamente. Como eu estava com as mãos amarradas não conseguia limpar o sangue e então permaneci ali, apenas olhando a janela e imaginando o que estaria se passando em casa.

Meus olhos se fecharam e eu adormeci novamente. Sonhei que voltava para casa e que tudo se resolvia. Estava tudo muito bom até a hora que sinto uma mão puxando meu cabelo. Acordei assustada. Ele estava la, e eu não havia indo embora.

—Trouxe comida, querida.

—Não me chame assim. Como quer que eu como, mal consigo me mexer. Minhas mãos estão amarradas.

Ele sorriu.

—Eu sei. E vão continuar assim. Se quer comer, coma. Mas sem suas mãos. -Ao dizer isso, ele apenas se virou e sumiu.

Eu me abaixei, aquilo estava horrivel. Mal conseguia comer. Comer sem as mãos era uma tarefa e tanto.

Eu estava lá comendo quando ele entrou rapido e me puxou pelo braço:

—Maldita. Descobriram que estamos aqui, temos que ir.

—Não, me deixe aqui. Por favor. -Disse eu implorando, assim como implorava para não apanhar do meu pai quando fazia algo errado.

Ele não me escutou, e apenas me jogou no porta mala. E então tudo ficou em silêncio. Pensei que talvez ele estava pensando em me deixar ali e fugir, estava errada. Logo ouvi a porta do carro abrir, e o motor ser ligado. Eu estava me afastando mais alguns km de minha familia. Novamente.