O senhor do tempo
24 O julgamento
Diante do seu pai irado com o olhar em fogo e sede de vingança, sentado no seu imponente trono de ouro, e sob os olhares perplexos dos seus pares, assombrados com aquela inacreditável traição, estava Diana, de cabeça erguida com o olhar desafiador e o semblante duro, esperando o veredicto da sua sentença, sem demonstrar arrependimento ou culpa. Junto a ela, receosos Alex e Jessica que já sabiam o que aconteceria a seguir.
— Traição! Esse é o pior dos crimes que podia cometer contra o seu pai e senhor, Diana! – Júpiter vociferava, com sua voz de trovão, fazendo o ar tremer a sua volta. — Qual será a punição que terá para que sirva de exemplo?
— Traição! Traição! – Os outros repetiram como um coro.
Diana sabia que estava sozinha, não havia ninguém para defendê-la, seu destino estava selado, mas esperava que Enlil tivesse fugido, assim livre, para tentar evitar a iminente guerra.
— Entregue à para que o mensageiro do mundo inferior, que a leve para Eres. – Hera, a esposa do seu pai opinou, cheia de ira.
— Não pode entregá-la a eles, os nossos inimigos, pai – seu irmão Apolo a defendeu, Diana percebeu a dúvida nos olhos do seu pai.
— Você não pode fazer isso com a sua filha — uma voz feminina fez se ouvir.
— Latona, há muito tempo não a víamos entre nós – Júpiter observou, surpreendido a chegada da ex-amante, a mãe dos seus poderosos filhos gêmeos.
— Sei que não sou bem-vinda nessa casa – respondeu, olhando de soslaio para a esposa dele.
— Mas, Diana precisa ser punida pela traição que cometeu, se juntando aos inimigos – determinou Júpiter, resoluto da sua decisão.
— Se não há outra solução, deixe-a no esquecimento, prenda no limbo, entre o nosso mundo e o mundo inferior – Latona opinou.
— Acho que será uma boa decisão! Que ela seja banida para o Limbo e fique no Esquecimento até o final dos tempos! Que seja feito! – O senhor decretou.
— Mas, espere! Antes quero dar um presente a minha filha – Latona se aproximou de Diana, e nas suas mãos surgiu um lindo pingente de turquesa preso em um cordão da mais pura prata. – Isso é para você não se esquecer – sussurrou no ouvido da filha, que não entendeu.
— Uma condenada ganhando presente – desdenhou a rival.
— Faça! – Júpiter ordenou para Caio, que desembainhou a espada e a cravou, sem piedade no ventre de Diana, que se curvou e desapareceu no ar.
— Não! — Alex berrou, quando a espada cravou na barriga de sua mãe, assistindo com os olhos de pavor, projetou para frente na tentativa de impedir, mas Jessica o deteve com todas as suas forças.
— É preciso, Alex – Jessica cochichou no ouvido dele, que aceitou, resignado.
Aquele ato chamou a atenção de todos sobre eles.
— Alex, é melhor vocês irem agora! – Latona murmurou junto a eles, o chamando pelo seu verdadeiro nome, para seu total espanto.
— Jane! – ele disse o nome da avó, pelo qual a conheceria no futuro, e assentiu com a cabeça.
Sem vacilar, ele segurou a mão de Jessica, concentrou-se no seu tempo e usando toda a sua energia, desapareceram no ar.Todos assistiram surpresos tal ato de audácia e pelo poder do jovem estrangeiro, que conseguiu escapar das barreiras mágicas do lugar e desaparecer assim na frente todos.
— Quem era ele? Como conseguiu fugir daqui? – O senhor questionou, abismado.
— Ele é o nosso futuro, senhor – respondeu Latona, com um sorriso enigmático, pensando que Jane era um belo nome.
Viajar no espaço-tempo era bem difícil e atribulado, seria como se entrasse em um redemoinho e escorre-se por um buraco escuro, rodando e rodando, sem conseguir distinguir nada a sua volta, parecia que seus átomos eram desmontados e, por um momento, desfeito no meio do nada e se deixava de existir, para em seguida ser recomposto, novamente. Era um imenso desgaste de energia, por isso, assim que tocaram os pés no chão e tiveram consciência da sua existência, com as cabeças ainda girando, os pensamentos confusos. Jessica teve um enorme desejo de vomitar, mas não pode já que precisou amparar Alex, que desabou no chão, exausto, completamente, sem forças.
— O Porsche prateado? – O manobrista que havia se voltado para fazer essa pergunta, arregalou os olhos ao ver o casal, que antes usava roupas atuais, vestindo trajes romanos antigos e, agora, era a garota que apoiava o rapaz.
Jessica e Alex haviam voltado para a frente do Club Olimpios, a pouco instante daquela entidade misteriosa aparecer e atacá-los, fazendo eles voltarem ao passado, na tentativa de fugir.
— Sim – Jessica respondeu, impaciente, querendo que o rapaz sumisse dali naquele momento.
Foi o que ele fez, virou-se, sem comentários, seguiu em frente para buscar o carro, pois já estava acostumado a ver todos tipos de situações muito estranhas, desde que começou a trabalhar naquela boate.
— Vai acontecer daqui a pouco, ele vai chegar – Alex anunciou, pois, aquela cena já ocorrera antes. – Eu estou muito fraco para lutar. Fuja, Jessica! – mandou com a voz débil.
— Não sem você – ela declarou, passando o braço dele sobre o seu ombro, e abraçando seu tronco, o obrigando a ficar de pé, com o resto das suas forças, que lhe restava. — Precisamos sair daqui! – Nesse instante, sentiu a temperatura cair, ficou confusa, tinha que pensar rápido.
— Não, Jessica. Você pode morrer – Alex insistia, mal conseguindo ficar de pé.
— Vamos voltar para a boate. Acho que ficaremos seguros lá – disse, já arrastando Alex, enquanto frio aumentava e as luzes a sua volta começavam a apagar. – Venha, Alex! – Ela não queria entrar em desespero, mas já sentia dificuldade de respirar.
Alex tentava andar o mais rápido que conseguia, mas seu corpo parecia pesar uma tonelada, era a mesma sensação de Jessica.
Alguns passos diante, já podiam ver fila e a porta de entrada da boate guardada pelos seguranças brutamontes, talvez a única salvação, porém era como estivesse a quilômetros de distância. Ninguém parecia enxergá-los, mesmo a poucos passos dali.
— Vamos, Alex! – Ela o incentivava, com as suas últimas forças, era como andar e respirar em uma piscina de gelatina. – Nós fomos conseguir – Mas sabia que não conseguiriam, estavam caindo, perdidos, o mundo a sua volta ficando turvo, não havia mais salvação. Então, o brilho do fogo em um lampejo cortou a noite e seus pulmões se encheram de ar, imediatamente. Mas, Jessica estava muito tonta e cansada, seus olhos insistiram em se fechar.
— Como eles estão? – Debilmente, ainda de olhos fechados, com a cabeça pesada, Jessica ouviu a voz feminina perguntar, ela reconheceu Diana.
— Eles estão bem, só desacordados – O homem era Enlil, ou melhor, Gabriel, seu nome nos tempos atuais do pai de Alex.
— Não se como isso pode acontecer bem na frente de minha casa? – Jessica se lembrava vagamente da outra voz masculina. – Exatamente, o que aconteceu?
— Não sabemos – disse Gabriel. – Mas o que parece algo muito poderoso e antigo. Eu o repeli, e ele fugiu quando o ataquei, pois não era a mim que ele queria, mas sim Alex.
— Você acha que seja algo do mundo inferior? – Diana inquiriu, preocupada.
— Pode ser, por isso precisamos proteger Alex – Gabriel advertiu.
— Por que eles estão vestidos assim, como para uma festa fantasia? Não tivemos festa à fantasia hoje – a outra voz masculina, que era de Dionísio, o dono do Club Olimpios, questionou.
— Perguntaremos a eles quando acordarem. – Outra vez o mundo se apagou para Jessica.
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