O segredo dos seus olhos
7 Se preparando para virar a página
Notas iniciais
14 anos atrás no passado.
Pedro estava deitado entre as raízes de uma árvore gigante com lágrimas escorrendo em seus olhos. Lívia amava Felipe , e não ele .
Mas então por quê se sentia tão apaixonado por ela desde pequeno?
E por quê em seu peito ferido doía uma dor aguda e amarga?
Cheia de Angustia ...
Inferioridade...
Solidão...
Sofrimento ...
E desprezo por se sentir tão inferior ao irmão.
Ele queria tanto lutar para conquistar o coração de Lívia , mas em seu intimo sabia que isso era impossível mesmo se quisesse .
Não se podia haver esperanças quando o olhar de Lívia era sempre um olhar de ódio rude e grotesco , que parecia não sentir nada por ele .
Pedro se deixou afogar em suas lagrimas sufocantes até adormecer...
O Mestre Elias andava sobre a floresta verde de Belarrosa ouvindo os pássaros cantando e carregando um maço de ervas que havia colhido quando ouviu entre as árvores um choro. Um choro de um adolescente .
Ele já sabia de quem se tratava só de sentir a energia que emanava daquele espírito para saber quem era.
–Aí está você , Pedro. – disse ele magnânimo e com um sorriso em seu rosto.
Pedro, primeiro esfregou os olhos molhados e não acreditou no que eles viam. Ele viu um senhor de idade aparentando paz em seu semblante , trajado de branco , com um brilho incomensurável nos olhos que ele pensou já ter visto alguma vez , talvez em sonhos ; pensara .
–Xiii, tô ferrado. Eu já morri?
–Não . Você não está desencarnado ainda , Pedro . – E ele estendeu sua mão para ele. — Vem comigo, Pedro. Você precisa de ajuda , vem. – E Pedro triste e cansado de sofrer tanto aceitou pegar a mão do Mestre.
Ele ainda chorava quando eles chegaram na casa do velho senhor.
E o Mestre resolveu lhe perguntar:
–É uma casa? Ou é comida o seu sofrimento ?
–Não. – disse fungando. – É o amor!
– Bom , então tome esse chá que vai lhe fazer muito bem.
Pedro pegou a caneca com ambas as mãos , soprou e depois bebeu.
É e claro que ainda estava pelando de quente. E o gosto parecia ser muito ruim , mas o Mestre Elias o incentivava a tomar mais até terminar de beber todo o conteúdo da caneca.
Pedro ainda chorava quando disse:
–Eu queria tanto estar morto, senhor... Não tenho alguém para me amar . Parece até que eu não sirvo para ser amado por ninguém, nem pela Lívia. EU NÃO AGUENTO MAIS!
– Pedro, acho que ser amado por alguém não é difícil . Tente primeiro se amar! E isso que é difícil .
– E se eu cair de novo ? Se eu não confiar em mim mesmo?
–Você está indo tão bem , meu filho. Você , agora , ama o Felipe como seu irmão. Mas você precisa se amar . Quando você se amar de verdade , você acabará abrindo um espaço para o amor verdadeiro. E aí , será só alegria para você, meu filho.
– Mas o que eu faço com o que eu sinto pela Lívia?!
–Se quiser fazer algo por ela faz um verso sereno, componha um música para ela ou escreve tudo em um diário. Mas eu quero te fazer um pedido.
–Pode me falar. – disse Pedro sentindo se bem melhor e à vontade com aquele bondoso senhor .
– Eu quero que você me conte tudo sobre esse seu novo amor que irá chegar para você algum dia . Quando você falar dele , Pedro , você sentirá a felicidade. E eu estarei aqui sempre para ouvi-lo .
Pedro sentiu seus olhos caindo de sono. E o Mestre vendo o cansaço do jovem pegou uma coberta e trouxe duas almofadas para ele descansar um pouco em seu sofá .
–Fique tranqüilo. Eu farei para que seus sonhos sejam bem tranqüilos .
–E-e- eu te agradeço muito. – E Pedro fechou seus olhos e se pôs a dormir profundamente.
O Mestre Elias ergueu uma de suas mãos e fez um passe de cura no menino.
– Isso vai passar.
No dia seguinte Pedro foi tomar banho no rio límpido de Belarrosa. A água estava fria , muito bem vinda para o seu corpo suado e sujo depois daquela confissão de amor que o fez correr para bem longe de todos que ele amava. Ele nadou até se sentir limpo . Limpo para enfrentar o novo rumo que sua vida tomaria.
Ele vestiu-se e foi ver o Mestre para agradecer por toda a hospitalidade que teve.
E depois de ele agradecer por tudo Elias o abraça .
–Pedro... vai em paz. Tem gente esperando por você!
–Mas o que posso fazer para agradecer o senhor ?
–Muito simples. Se quiser vir aqui, venha. Estou sempre aqui . Mas quero um de seus bolos , viu?!
Pedro retribui o abraço e ouve ele sussurrar em seu ouvido como se dirigisse para o seu coração.
–Lembre-se de que seu caminho vai estar aberto se você vai segui-lo , isso só dependerá de você.
– Obrigado. – E Pedro deixa cair lagrimas em agradecimento pelo senhor que muito parecia um avô.
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