O segredo do céu

2 A escola... um pesadelo!


Notas iniciais
E estou de volta com um novo cap desta série incrível que eu gosto tanto! Aproveitem!

A morte do meu avô não me saía da cabeça. Fazia já quatro meses que tinha morrido mas eu ainda não conseguia esquecer, tinha sido algo que me chocou completamente. No meu aniversário não consegui aguentar as lágrimas, mesmo com toda a gente a tentar animar-me com presentes. Eu tinha agora seis anos.

O meu pai propôs a ideia de mudarmos de casa, eu tentei recusar mas a minha mãe e a minha avó acharam que era a melhor ideia, e acabei por ir, contrariado.

O local onde vivíamos agora não tinha o mesmo “toque” do outro. Antes vivíamos rodeados pela natureza e agora vivíamos na cidade, não conhecia ninguém.

Comecei a ter aulas nessa cidade, mas a escola já não me fazia ter o mesmo sentimento de antes, já não me interessava aprender, só queria livrar-me de tudo e ir ter com o meu avô, onde quer que estivesse. Ele com certeza teria alguma coisa para me dizer, algum conselho para me dar, eu ainda não suportava a ideia de ele ter…

As últimas palavras dele ainda ecoavam na minha cabeça, ainda não conseguia entender o que ele me queria dizer. Não falei a ninguém sobre isto, o meu avô tinha-me dito isto a mim e era eu que devia descobrir o que aquela mensagem significava.

Levantei os olhos e deparei-me com a escola á minha frente – mais um dia a aturar o pesadelo que era a escola. Com a morte do meu avô tinha-me tornado um menino que chorava por tudo e por nada, tornando-me assim motivo de chacota para os alunos e para a professora. Todos os dias era gozado e cada vez inventavam novas maneiras, mas eu suportava tudo. Nada daquilo era comparado á dor de ter perdido o meu avô…

Abri a porta da sala e dirigi-me ao meu lugar no fundo da sala, logo que notaram a minha presença os outros garotos começaram a gozar comigo: “Olha já chegou o chorão…”, “Vai buscar uns baldes para a sala não ficar inundada com as suas lágrimas…” – coisas assim.

Tirei as coisas da minha mochila, preparando-me para a aula, mas fui interrompido por uma mão que atirou com as minhas coisas todas para o chão. Olhei para ele e rapidamente o conheci: Mikael – aquele que mais gozava e se metia comigo, era o pior de todos. Ele deu um sorriso enquanto olhava para mim:

-Então que vais fazer — vais chorar?

Não, respondi para mim. Não era um chato qualquer que me ia fazer chorar. Dobrei-me para apanhar o que ele me tinha atirado, mas foi uma má ideia – ele aproveitou para me puxar a cadeira e acabei estatelado no chão com toda a gente a rir-se de mim. Lágrimas começaram a aparecer no canto dos olhos, mas fiz o máximo para as evitar. Levantei-me calmamente e apanhei as coisas. Sentei-me na cadeira e então a professora chegou. Chamava-se Teresa e eu odiava-a mais que todos os outros. Apenas ela sabia que me encontrava assim por causa da morte do meu avô, mas ainda assim incentivava a que gozassem comigo e sempre se juntava às gargalhadas, mesmo sendo adulta as suas ações eram de uma criança.

Os olhos dela encontraram-se com os meus, abriu um largo sorriso e os seus lábios mexeram-se (aí vinha):

-Já a chorar logo de manhã? Quando chegares á tarde já teremos a sala toda inundada! Tragam baldes crianças!

Gargalhada total. Todos se começaram a rir na minha cara. Tentei ao máximo ocultar a minha raiva e as minhas lágrimas. Era apenas mais um dia naquela escola, que a lição que me tinha dado era a seguinte: “O ser humano adora ter pessoas inferiores a eles para se poderem divertir á vontade com elas mostrando como são ridículas, ou seja, o ser humano precisava de alguém a quem dirigir o seu desprezo, para se poder sentir feliz”.

A aula começou. Tentei ao máximo me concentrar para me conseguir esquecer de tudo. Estávamos a aprender a fazer letras e eu até estava a gostar, mas claro que o que é bom não dura para sempre, então mais tarde ou mais cedo alguém começava a gozar comigo para animar o ânimo da sala. Eu ignorava o melhor que podia, tentando apenas me concentrar nas letras. Embora ainda estivesse no início eu já adorava escrever e, com algum esforço, já tinha conseguido fazer o meu nome, algo que mais ninguém ainda tinha feito (motivo de ódio e por isso novas maneiras de gozar comigo).

Mas nada disso me importava quando estava a escrever. Era fantástico! Uma nova forma de falar e onde eu me podia expressar ainda melhor! Juntando letras dava para formar novas palavras e as possibilidades eram imensas!

E o dia passou assim, nada de diferente. Ao toque de saída, desatei a correr tentando evitar o máximo de insultos e de rasteiras. Saí da escola sem sequer olhar para trás e corri em direção a casa.

Após algum tempo cansei-me de correr e decidi parar. Falta pouco para chegar a casa mas preferi dar uma olhada á volta. As pessoas passavam por mim atarefadas, sem se quer tirar os olhos dos seu caminho – cada uma tinha os seus problemas e tarefas, que eu desconhecia completamente. Havia tantas pessoas no mundo, com tantos problemas diferentes e que ele desconhecia completamente. Era nestes momentos que eu via como o mundo era grande e que eu era só mais uma pessoa do mundo. Mas eu não queria ser apenas mais uma pessoa. Queria mostrar ao mundo do que era capaz, e então todos os que gozaram comigo na escola iam se arrepender profundamente…

Segui o meu caminho até a casa, com a confiança redobrada. Deixei de me preocupar com as pessoas á minha volta. Provavelmente nunca as iria voltar a ver e, se as visse, não as reconheceria, pois não fizeram parte da sua vida…

Depois de virar a esquina cheguei finalmente a casa (embora eu considerasse a minha antiga casa sendo a verdadeira). Abri a porta e fui recebido por um cheiro que vinha da cozinha. Atirei com a mochila e fui em direção á cozinha e espreitei o que a minha mãe fazia – massa á bolonhesa. Um dos meus pratos preferidos. A minha mãe ao notar a minha presença deu um largo sorriso e então disse:

-Vai arrumar as tuas coisas e depois vem para a mesa.

Fiz exatamente o que ela me disse. Quando voltei á cozinha, a minha mãe, o meu pai e a minha avó já estavam sentados. Sentei-me ao pé da minha mãe e comecei a comer alegremente. Ela virou-se com um sorriso para mim:

-Então a escola foi boa?

Engoli um garfo de massa e virei-me para ela:

-Bem, como sempre! – Não podia contar á minha mãe nada do que me faziam, então sempre respondia com um sorriso que estava tudo bem…

Quando acabámos de comer, ajudei a minha mãe com os pratos e então fui em direção ao meu quarto. Não tinha sono por isso abri a janela e fiquei a olhar para fora. Estava frio. Várias correntes de ar fizeram-me arrepios mas continuei com a janela aberta. O céu estava lindo. As ruas estavam silenciosas, tudo parecia tão calmo…

Não sei quanto tempo fiquei ali, mas só voltei á realidade quando um floco de neve me caiu em cheio na mão. Olhei para cima e vários outros flocos começaram a cair. Estava a nevar. Eu amava a neve. Era tão misteriosa e bonita ao mesmo tempo…

Dei uma última olhada para a neve e então fechei a janela. Lembrei-me das palavras do meu avô: “Cada vez que olho para a neve sempre peço que é um pedaço de céu que está a cair”. Dei um sorriso. Era mesmo verdade…

Notas finais
E então gostaram? Não esqueçam de dar o vosso apoio para esta série! Comentem a vossa opinião eu adoro ouvir! Até á próxima!