O segredo da Família Campbell
1 Será que ela está pronta?
Notas iniciais
– Helena... – me deparo com aquela cara pálida e feia do tio Bob puxando meu cobertor. – são 7:30 você vai se atrasar.
Ao me levantar e atravessar a porta do meu quarto, tanto Tio Bob quanto Kai,pareciam determinados, mas não felizes.
– Onde está? – grita Kai, revirando a gaveta. – Onde está o papel da minha inscrição?
– Está aqui na sua frente,seu grande idiota. – responde tio Bob mostrando onde estava o tal papel.
Por alguns minutos observei Tio Bob assinar umas papeladas para a nossa matrícula e percebia o quanto ele estava nervoso, Kai tomava seu café e lia o jornal atentamente que geralmente é muito raro.
– Vá se arrumar ! – Diz Kai me empurrando até meu quarto. – Nós vamos nos atrasar por sua culpa, Helena!
– Isso seria maus-tratos infantis, Kai! – Grita tio Bob lá da cozinha , enquanto preparava aquelas maravilhosas panquecas.
– HA HA HA, você nunca perde uma piadinha.
– Foi um momento oportuno, desculpe querida. – Tio Bob solta aquela gargalhada que muitas vezes é mais engraçado que a piada.
– Só observo essa zoeira. – Diz Kai espiando.
– Preciso de mais café. Alguém quer mais? – oferece Tio Bob,pairando sobre mim a cafeteira.
Sinto o cheiro do café,forte,escuro e oleoso, o tipo que todos nos preferíamos. Só o cheiro já me anima.
–Não,obrigado. – Respondo.
Tudo já estava pronto, eu com aquele sorriso falso de '' Estou bem '' .
Quando entramos no carro percebo que Kai se desanima e logo fica de mau humor.
– Vamos tio, estamos em cima da hora.
– Helena, estou no limite. – diz tio Bob meio irritado e apontando para a placa de limite.
– Você nos atrasou, escreve naquele diário idiota até tarde e depois não quer se acordar ! – reclama Kai super irritado .
– Você precisa se acalmar tudo irá ficar bem. Não me solte as patas !
– Você finge que está tudo bem Helena, mas não está e nem vai ficar ! Você foge do passado mas um dia o passado bate na sua porta e você desmorona! – Kai sai do carro batendo a porta com muita força e me deixando assustada.
– Ele está em negação,tente entendê-lo. –Colocando a mão no meu ombro Tio Bob tenta me acalmar.
Naquele momento desço do carro , respiro fundo e finjo que nada aconteceu como tenho feito muito ultimamente.
O sinal toca e eu vou em direção a minha aula, todos me olhavam com aquele olhar de pena, não sou galinha pra estarem me olhando assim.
– Ah meu Deus, Helena, você está bem? – Temy me abraça tão forte que me esmaga. – Não atende minhas ligações, não responde meus emails , eu fiquei preocupada.
– Eu estou bem , eu precisava de um tempo sozinha, espero que entenda.
– Sou sua melhor amiga eu devo me preocupar com você, eu realmente sinto mui... – Temy tenta terminar de falar e eu a interrompo.
– Não,Temy vamos esquecer isso. É nosso último ano no ensino médio chega de tristeza vamos aproveitar !
– Concordo plenamente ! – Diz Tamy me conduzindo até a sala de aula.
Quando chegamos na sala de aula escolhemos nossos lugares como sempre na janela do fundo onde podemos ver os garotos populares treinarem.
– Olha se não é a Temy dente de sabre. – Uma voz completamente irritante vem no canto da sala de aula.
– Quem foi que falou isso? – Encarando todo mundo Temy peita todo mundo.
Quando a gente menos espera aquele palito rosa sai do meio de um grupo de pessoas. Era a Rose a garota mais popular da escola e também a mais arrogante.
– Ah, olha vê se não é Rose a ''bárbie de plástico.'' –
Diz Temy zombando e peitando Rose.
Eu e o resto da turma gargalhamos ao mesmo tempo.
– Bom dia turma. – A professora de matemática cumprimenta a classe com um tom agradável .
A aula passa devagar e o tédio domina tudo. O sinal toca para o intervalo , eu e Temy saímos bem rápido pois os minutos do intervalo eram muito bem contados.
Na minha escola havia três jardins e foi bem dividido pelos próprios alunos, o primeiro jardim era para os nerd's, o segundo para os maconheiros desinteressados e o terceiro era para os populares eu e Temy não sabíamos onde nos encaixávamos então ficávamos perambulando pela escola.
– Ele é tão lindo espero que fique na nossa turma ! – Fala um grupo de garotas enquanto passam por nós.
– De quem elas estão falando? –Perguntei.
– Deve ser algum garoto que entrou na escola. Carne nova no pedaço as piranhas já querem abocanhar. – Afirmou Temy.
Seguimos para a sala de aula sem muita conversa. Quando eu menos espero vejo Kai entrando no banheiro.
– Oque você quer ? – Pergunta Kai tentando se afastar de mim.
– Onde está? – Pergunto enquanto mexo em suas roupas. – Onde está a maconha Kai Smith Campbell?
– Eita, ela falou meu nome todo a porra ficou séria. – Kai me afronta, ainda tentando me afastar.
– Você não vê que isso está te destruindo?– Tento faze-lo entender que aquilo acabaria com a dor por um tempo mas depois a dor se intensificaria.
–Eu estou bem ! Porque você não se preocupa com a sua droga de vida . Deixa que da minha cuido eu ! – Kai saí furioso, batendo a porta do banheiro com força.
Naquele momento eu não o reconheci. Eu precisava o ajudar de alguma forma.
– Helenaaaaaa ! – Grita Tamy do outro lado do corredor saltitando que nem um grilo.
– Porque tanto entusiasmo ? – Indago.
– Ah ! Tem um garoto novo na escola. – Suspirou Tamy olhando para o espelho do corredor, arrumando seu cabelo ruivo e cumprido. – Eu ainda não o vi, mas dizem que ele é muito lindo,Rose já vai atacar,garanto !
– Estão todos falando nesse tal garoto, o sinal já vai tocar.
A aula começa dois períodos extremamente chatos de física,quando eu sento no meu lugar e abro meu caderno havia algo escrito ''OLHE PARA A RUA.'' e ai tive certeza que alguém estava lá me observando,vestia uma capa preta bem grande , a professora me chamou a atenção mas eu retorno a olhar não havia mais ninguém ,depois desse bilhete tinha uma seta quando viro a folha estava escrito ''TESSA'' era o nome da minha tia isso era bizarro. O sinal toca e Tio Bob estava esperando na frente da escola como meus pais sempre faziam. Por alguns minutos eu tento imaginar eles lá dentro e quando eu entrasse no carro recebesse um beijo da minha mãe e infinitas perguntas do meu pai,mas eu tinha que voltar pra realidade na qual isso nunca mais aconteceria.
– Como foi a aula? – Pergunta Tio Bob.
Kai me joga um olhar.
– Foi normal. – Respondo. – Preciso que você me deixe na casa da Tia Tessa.
– Tudo bem. ''Mas não volte tarde para a casa''– Tio Bob tentando ser responsável. – E ai me saí bem?
– Até que você está melhorando. – Kai Cutuca tio Bob.
Desço do carro e assim que chego na porta na porta da casa da tia Tessa sinto cheiro forte de incenso e nas portas havia sal e nas janelas também, tio Bob dizia que ela era supersticiosa mas não sabia que era tanto assim.
– Helena, que surpresa agradável . – Ela me abraça, deixando o cheiro de incenso em mim.
– Faz tanto tempo né ? Você está bem ? – Pergunto enquanto me sento no sofá.
– Estou bem, só um pouco cansada, os anos não tem sido generosos comigo ! – Ela responde me dando um xícara de chá.
– Tia você está muito bem, não reclame ! – elogio. – Bom estou aqui por que uma coisa muito estranha aconteceu...
– Henry eu presumo. – Diz ela sorrindo.
– Oque? Henry? Quem é Henry?
–Minha cara, há coisas que você desconhece forças maiores,coisas que você nunca imaginaria ,está na hora de você saber a verdade, você não veio aqui em vão é seu extinto. Sua mãe poucos dias antes de morrer entregou algo ao seu tio Bob, um diário, Leia e depois me procure, você vai entender. – Diz ela tomando seu chá tranquilamente, enquanto eu corro até minha casa.
– Será que ela está pronta?
– Tenho certeza, Henry !
Fale com o autor