O sangue do Olimpo
3 Capítulo 3
Notas iniciais
Pov. Leo
Leo se surpreendeu. Ao ver Athena Paternos parecia ser feita de ouro liquido.
Reyna se aproximou.
–Eu recebi a mensagem de Annabeth e...- ela olhou para na Annabeth nos braços de Leo.- Ela está bem?
–Viva- disse Frank sem encarar Reyna nos olhos.
–Onde está o Percy?- ela perguntou.
Logo ela percebeu e se calou surpresa demais.
–Eu sinto muito. — ela disse. Sem ser necessariamente a alguém. Ela pareceu abalada de verdade.
Leo decidiu ir falar com o treinador Hedge e deixar Annabeth descansar. Ela precisava de ambrosia e néctar.
Então ele a deixou na enfermaria que ele havia construído e o treinador apareceu. Surpreso demais.
–Eu acabei de saber do Percy. — ele estava chorando. Ele suspirou. — Era um bom rapaz. Não merecia isso. Se bem que eu acho que ninguém merece ir para o Tártaro. Agora me deixe cuidar dela. Sai da frente Valdez!- ele falou empurrando Leo para o lado. — Deixe o mestre trabalhar.
–Ela vai ficar bem?- perguntou Leo.
–Obviamente! – ele tentou sorrir. –Agora, acho melhor você ir lá para cima. Eles estão discutindo sobre o que vai ser feito.
Leo assentiu. Olhou para Annabeth e apertou sua mão. Era verdade que ele tinha medo dela. Mas ele gostava de Annabeth como amiga. Assim como de Percy.
Leo teve raiva dele quando soube o que ele fez com Calipso. Mas pensando bem, Percy tentou libertá-la e também não teve escolha. Se não fosse por ele estariam todos mortos. Ele se sentia péssimo por um dia ter sentido raiva. Ele era uma boa pessoa.
Subiu as escadas. Todos estavam reunidos.
–Como pretendem levar a estatua daqui?- perguntou Reyna enfurecida. –Não posso fazer um pegáso levar tanto peso!
–O Labirinto. –sugeriu Hazel.
Reyna pareceu pensar na ideia.
–De jeito nenhum! — Falou Nico assustado, todos os encaram e ele se recompôs. -Mesmo que o labirinto esteja se refazendo não acho que a estatua iria passar pelos corredores ou como ele pode estar agora. Além do mais os caminhos do labirinto são incertos e muito perigosos.
–Tem razão. — disse Hazel chateada- Deixa para lá.
–Não foi uma ideia ruim. — disse Nico a confortando, enquanto Frank apertava sua mão. – É só que... não tenho experiências muito boas com ele.
Era estranho que Nico mostrasse algum afeto por alguém.
Reyna passou os olhos pelo grupo.
–Mais ideias?
–Eu podia ir.- Falou Frank, sem muita animação.-Talvez conseguimos montar um espécie de trenó, ou...
–Frank Zang, você precisa estar aqui. É um dos sete da profecia, precisam de você aqui.
Nico suspirou.
–Eu não sou.- disse ele.
Leo o encarou.
–Tecnicamente falando. — todos perceberam Leo naquele momento. — somos seis agora. Nico... acho que agora você é um dos sete.
Nico paralisou. Todos olhavam para ele.
–Leo, você sabe que eu não...
–Precisamos de você. — disse Hazel.
–Podemos dar o navio para eles.- sugeriu Piper.
Leo ficou indignado. Não podiam fazer isso.
–Piper, o Argo II é a nossa melhor arma!- falou Leo.- Não podemos fazer isso.
Podia ser egoísta de sua parte não querer deixar qualquer um pilotá-lo, mas ele estava certo e sabia disso.
–Eu posso pedir ajuda aos espíritos dos ventos.- disse treinador Hedge entrando na sala de controles. –Eles têm uma grande divida comigo. Eu e Reyna iremos levar a estátua e vocês irão para a Grécia. É a nossa melhor opção.
–Alguma objeção?- perguntou Reyna.
Ninguém disse nada. Então ela se levantou e saiu da sala. Deixando os seis semideuses e o treinador.
–Só tem uma coisa que me incomoda. Se o festival de Spes é aqui duas semanas, e Gaia precisa de sangue de dois semideuses para despertar...Como foi que Clítio chamou? O sangue do Olimpo? Será que não estamos fazendo justamente o que Gaia quer, indo para Atenas? Se não formos, e ela não puder sacrificar nenhum de nós, não seria impossível ela despertar por completo?
–Jason, se não formos podemos perder a chance de detê-la. Nossa batalha está em Atenas. Gaia pode nos capturar em outro lugar ou usar o sangue de outros semideuses.- disse Nico.
–Não ela não pode. — falou Annabeth se apoiando na parede com dificuldade e ofegando. Piper se levantou, e Leo que estava na porta, ajudaram-na a se sentar.
–Annabeth! Você tem que descansar. — falou Piper.
–O que quer dizer?-bufou Nico. Ele não a encarava nos olhos, estranho, pensou Leo.
–Gaia não quer qualquer semideus. Ela quer semideuses especiais. Filhos dos três grandes.
Seus olhos estavam muito vermelhos. Ele queria consolá-la, mas não sabia como. Ela estava péssima, mas Leo não esperava outra coisa.
–Como você sabe disso?- perguntou Nico em desafio.
–Por que Gaia me disse. Não tinha entendido até agora. Ela estava blefando conosco. – um arrepio passou pelo seu corpo- E... eu acho que Percy não está... vocês sabem.
Nico se remexeu na cadeira.
– Eu não o sinto mais vivo.- disse Nico em um sussurro quase inaudível.
Mas todos ouviram, sem dúvida nenhuma.
–Isso quer dizer que Jason, Nico, Hazel não estão seguros. — falou Leo, tentando ignorar Nico. Mas era difícil, a probabilidade de que ele estivesse vivo era pequena mas existia. –Mas... Por que ela precisa de dois semideuses filhos dos três grandes? Gaia tentou capturar a todos nos, isso não faz sentido!
–Não sei, Leo. – ela falou frustrada.- Eu não sei o que ela quer. Temos que ir para Atenas o mais rápido possível.
–Posso fazer uma pergunta Annabeth?- perguntou Nico.- Por que você deixou ele lá em baixo?
A sala prendeu a respiração.
O que deu nele! Pensou Leo.
–Eu não o deixei lá em baixo. Ele me empurrou lá dentro. Alguém tinha que fechar as portas e ele não me deixaram fazer isso. POR ACASO VOCÊ ACHA QUE EU IA O DEIXAR LÁ!- ela tentou se levantar mas falhou. Lagrimas escorriam dos seus olhos, mas ela não parecia se importar.
Nico se levantou e não disse nada. Suas mãos tremiam de raiva. Annabeth se levantou também e Piper e Hazel foram atrás dela ajudá-la.
–O que foi isso?- perguntou Frank.
–Não sei.- disse Jason, rápido demais.
–Jason? –Leo chamou. Ele estava muito apreensivo.
–Vocês realmente acham que Percy está vivo?- perguntou Jason.
–Eu espero que sim.- disse Frank indo para um mundo distante.
–Você acha que temos alguma chance contra Gaia?- perguntou Leo a Jason.
–Espero que sim.
Pov Frank
Frank estava tão preocupado que não conseguia dormir.
Já fazia três horas que ele estava tentando e nada. No Argo II eles não tinham muito tempo para dormir, pois alguém tinha que fazer a vigia e outro alguém tinha que pilotar o navio.
Frustrado, Frank se levantou e se dirigiu até o convés do navio.
No caminho ele notou que a porta do quarto de Percy- Não de Nico- estava aberta. Frank teria passado reto, por algum motivo ele tinha um pouco de medo de Nico, mas viu que o menino arrumava uma mochila.
–Nico?- falou Frank batendo na porta.
Nico pulou e olhou assustado para Frank por um segundo e voltou a ser o menino inexpressivo e indiferente.
–Ah, oi Frank.- disse ele.
–O que está fazendo?- Frank perguntou.
–Nada, apenas organizando minhas coisas. — ele deu os ombros.
–Às quatro da manhã?
–Não consegui dormir. O que você está fazendo acordado?
–Também não consegui dormir. Parece que você vai fugir. –declarou Frank.
Nico estava escondendo alguma coisa. Talvez Frank não entendesse muito bem de expressões, principalmente se tratando de Nico di Ângelo. Só que dessa vez, tinha algo errado.
–Por que eu fugiria?- perguntou Nico.
–Por que estamos indo para uma viagem suicida? Além do mais, seu histórico não é de gostar muito da companhia dos outros.
Nico deu um sorriso triste.
–Desde de quando você liga?
–Tem razão. Mas a Hazel liga. Você não pode fugir, precisamos de você. Ela precisa de você.
Ele suspirou.
–O que está escondendo Nico? –perguntou Frank.
–Percy Jackson não está morto. — ele disse.
–O que? Por que você mentiu? Disse que não o sentia mais vivo! Annabeth precisa saber disso!
–Não!
–Por que não? Ela é a namorada dele!- falou Frank.- Acho que o Argo devia saber.
–Frank, você não tem ideia...
–Então me fale!
–Olha, estão torturando-o de uma maneira doentia! Não posso alimentar a esperança dos outros. Ele não vai mais ser o mesmo.
Frank parou. Não queria imaginar o que estava acontecendo com Percy.
–Você estava indo salva-lo? Sozinho?- perguntou Frank.
–Sim.
–Péssima ideia. Como você ia conseguir ir até a Grécia?
–Viagem nas sombras.- disse Nico desconfortável.
–Nico... Por que você quer ir atrás dele?
–Eu tenho que cumprir a minha promessa.
Aquilo arrepiou Frank. Primeiro, desde a profecia, promessa era a palavra que ele menos gostava. Depois que Nico di Ângelo, odiava Percy Jackson.Pelo o que Percy havia lhe dito antes de cair no Tártaro.
–Tecnicamente falando você cumpriu a promessa.- disse Frank.-Você disse que os encontraria na frente das portas da morte.
Ele não respondeu. Apenas olhou para a parede branca.
–Achei que o odiasse. — disse Frank.
Nico levantou os olhos negros exaustos.
–Não o odeio. Já o odiei. Não desejo o destino de Percy a ninguém. Ele fez coisas ruins e boas. Sinto uma divida com ele. – ele deu os ombros.
–Eu também. — disse Frank. –Acho melhor ir dormir. Nos vamos ajudá-lo também, se quer saber. Todos nos. Sei que nunca trabalhou em time antes, mas podemos tentar.
–Quem sabe. — disse Nico.
–Se quiser ir embora, não tem problema. Ninguém vai impedi-lo. A escolha é sua.
Então Frank se retirou do quarto indo até o seu. Acho que ele nunca ia esquecer a conversa que acabara de ter com o filho de Hades.
Pov. Annabeth
Já haviam de passado dois dias e Annabeth estava muito melhor.
Isso é, fisicamente.
Ela estava deitada em uma maca na enfermaria. O treinador a deu alguma coisa para dormir e não ter sonhos. Tudo o que ela precisava.
A única coisa que ela não queria era acordar,mas ela sabia que não podia dormir para sempre.
Então ela abriu os olhos e as lembranças voltaram, dando um tapa na cara dela.
Percy estava vivo. Ela sabia disse. Ele tinha que estar.
Annabeth não queria passar por isso de novo. Mas dessa vez, ela sabia onde Percy estava ( se estivesse vivo) e sabia que ele estava sendo torturado. Isso era o pior. Ele pulou no Tártaro por ela e ainda deixou-se ficar no Tártaro por ela.
Nico disse não sentir mais a vida em Percy. Isso a estava torturando. Ele não podia estar morto. Não era uma opção.
Annabeth pos se a chorar. Ela não queria parecer fraca nem nada, apenas não aguentou.
Piper entrou e ela enxugou as lagrimas.
–Atenas Paternos, Reyna e Hedge já foram. Nos iremos planejar o que fazer, você vem?- perguntou ela. – Se não estiver se sentido bem, vamos entender. Não precisa ir.
–Claro, vou sim. — ela falou ignorando a última parte.
Os semideuses tiveram que cruzar o mar Jônico ao encontro da África. Na Tunísia. Tendo um desfio da rota, eles perderiam um dia para voltar a ela.
Annabeth subiu as escadas juto com Piper, se apoiando no corrimão.
–Acho que ir por terra é uma péssima ideia. — Annabeth ouviu Leo dizer.
–Depois da última vez... — começou Hazel.
Então eles perceberam ela e Piper.
Annabeth tentou ignorar os olhares sobre ela.
–Uma ideia é seguir pelo sudoeste pelo Mar Jônico. É mais um trajeto mais longo, mas mais seguro do que por terra- sugeriu Annabeth.
Annabeth odiava a sua própria ideia. Mar a lembrava de Percy. Droga,pensou ela. Além de ser o trajeto mais demorado. Porém ela tinha que chegar até Atenas e se fossem por terra, não iam conseguir.
–É uma boa opção- disse Jason analisando o mapa no telão a frente deles.
–É a melhor até agora.- murmurou Nico.
Ela não o tinha notado até aquele momento. Uma onda de raiva subiu pelo seu corpo.
Mas a raiva não era dele. Era dela mesma. O que ele tinha falado mexeu com ela e tocou em um ponto sensível.
–Acho que vamos pelo mar então.- disse Leo.
O telão a frente deles tremeluziu. Todos o encararam curiosos.
–Deve ser um problema técnico, eu vou...- começou Leo.
Ele se interrompeu quando Percy Jackson apareceu no telão. Annabeth não sentia-se mais respirando. Olhar aqueles olhos verdes de novo era tudo o que ela poderia querer.
Mas logo ela percebeu que ele tinha mais cortes do que dá última vez que o vira. Alguns eram bem feios e profundos.
–Percy... – ela sussurrou e ele olhou pra ela.
–Annabeth... — eram impressão dela ou os olhos deles estavam marejados?- Tenho uma mensagem rápida a vocês e eu não tenho tempo para explicações. — ele falou rapidamente.- Jason, estão atrás da sua irmã, tem que avisar Thalia. Por algum motivo, Gaia precisa do sangue de filhos dos três grandes. Dois gregos e dois romanos.
Ele estava desesperado.
–Está pedindo para nos não irmos até ai?- perguntou Frank.
–Gaia não precisa do sangue dos três grandes necessariamente. É que por algum motivo funciona bem melhor, só que ela precisaria de mais sangue do que se usasse nosso sangue. Ou seja, mesmo se não vierem ela vai dar um jeito.- Annabeth percebeu que a última coisa que ele queria era que os sete fossem até Atenas.- Eu também estou confuso sobre essa questão.Mas o ponto é se não vierem até Athenas, Gaia irá matar as pacas.
–O que!- gritou Leo.- Como descobriu isso?
–Ela pretende...
Nesse momento uma criatura surgiu por trás de Percy.
–PERCY ATRAS DE VOCÊ!- berrou Annabeth.
Ele olhou para trás e se esquivou no último segundo. Ele não tinha a contracorrente em mãos. Ele berrou antes de cair chão, e a mensagem se dissipou.
–Percy não, de novo não...- ouviu um sussuro sair de seus próprios labios. Tudo o que ela queria era se trancar em um quarto e chorar.
Annabeth estava em choque para fazer ou falar qualquer coisa.
–Eles não podem matar as pacas!- gritou Leo.
–Se ela matá-las, nenhuma alma irá para o submundo. Os mortais não poderiam morrer. Serão seus escravos, em m mudo de dor e sofrimento. — Falou Hazel.
–Eu estou pouco me ferrando para os mortais! Não é só isso que seria destruído...
–Ogígia também seria destruído. –suspirou Nico.
–Como você sabe sobre... – Leo parecia totalmente e completamente confuso e sua ira tinha desaparecido.- Você não deveria...
–Calipso. Simplesmente sei.- Ouvir a voz de Nico di Ângelo provocou um acesso de fúria em Annabeth.
–VOCÊ ME DISSE QUE ELE ESTVA MORTO! QUE NÃO O SENTIA MAIS VIVO! Como pode fazer isso comigo!- Annabeth avançou em Nico, mas Leo a segurou.
–Leo me solta!- berrou ela se debatendo. Ela só precisava socá-lo naquele momento.
–Annabeth! Se acalme!- disse Hazel.
A fúria não passou, mas ela viu que não havia motivo em tentar matar Nico.
Nico encarava o chão. Ele parecia totalmente envergonhado a se sentar.
–Temos que avisar minha irmã. Agora. — disse Jason.
–Eu mando uma mensagem para ela- disse Annabeth e Piper ao mesmo tempo.
Elas se encaram e assentiram ao mesmo tampo, iam falar com Thalia. Annabeth não suportava dividir o mesmo cômodo que Nico.
Quando desceram as escadas, Jason as acompanhou.
–Annabeth, o que foi aquilo?- perguntou Jason.
Ela não ia responde-lo naquele instante.
Então os três mandaram a mensagem a Thalia, que por sorte estava bem, mas algo estava errado e Annabeth podia sentir.
Assim que a noite chegou, o Argo II navegou noite adentro.
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