Notas iniciais
Sem mais mistérios...

Vegeta estava chocado com a notícia, tão chocado que não conseguia falar nada. Simplesmente olhou para a Bulma e a deixou sozinha no quarto. Imediatamente ele foi para o seu próprio quarto, sentou na cama e ficou pensando em tudo o que aquela notícia implicava. Um filho dele, um guerreiro saiyajin nasceria, talvez mais forte doque ele, de alguma forma os planos dele estavam dando certo, ele reviveria a suprema raça saiyajin, a começar por aquele filho tão inesperado, não sabia se estava feliz, mas com certeza não estava triste. Lembrou do próprio pai o Rei Vegeta, que sempre foi tão severo com ele, mas no momento da morte confiou o futuro dos saiyajins a ele. Pensou que tipo de pai ele seria, considerando a frieza que ele tinha no coração.

De repente sentiu medo terrível. Sabia que em pouco mais de 2 anos, os andróides chegariam, seu filho seria uma criança ainda, pensou que ele poderia ser morto na batalha, assim como Bulma. Eu perderei os dois na batalha, eu não estou forte o suficiente, serei aniquilado e minha família morrerá devido a minha fraqueza, Vegeta pensou. Em pânico, Vegeta constatou que havia pegado leve esse tempo todo, o amor por Bulma o enfraqueceu, e justo esse amor estava gerando mais um motivo pra ele viver, mas ele não seria capaz de defendê-los quando fosse preciso e perderia tudo mais uma vez.

—Droga! Como pude ser tão fraco? Perdi tanto tempo, agora como vou poder recuperar isso? Como vou superar o poder do super saiyajin?

Ele estava treinando no limite da sala de gravidade, mas não percebia nenhuma mudança significativa. Sim, estava mais forte e mais veloz, o corpo mais rígido, mas nem em sonho aquilo poderia ser chamado de poder do super saiyajin, além do mais, ele já havia visto Kakarotto como super saiyajin, a aparência dele mudava, o cabelo ficava loiro, os olhos verdes e a energia do corpo poderia ser vista a olho nu por qualquer pessoa tamanha a quantidade do poder que fluía dele.

Cego pelo pânico que o dominava, Vegeta lembrou-se da nova nave. O velho havia terminado naquela tarde mesmo e por algum motivo contou para ele, nem teste pra ver se funcionava direito havia sido feito. Vegeta concluiu que a melhor coisa a fazer caso quisesse proteger sua família era fugir dali para treinar de verdade, sem pegar leve, de preferência em algum lugar bem inóspito. Vestiu suas roupas de batalha que a muito tempo estavam guardadas e com muito esforço foi até o quarto de Bulma, ele não contaria a sua decisão, pois ela com certeza não entenderia e o impediria de partir. Mas ele não poderia deixar de olhar para aquele rosto mais uma vez.

Ocultou seu ki e ficou do lado de fora do quarto pairando em frente a janela. Bulma estava dormindo, mas seu rosto estava abatido e ela parecia ter chorado bastante.

— Bulma, eu prometo que superarei o poder do super saiyajin e protegerei você e nosso filho. – Vegeta disse essas palavras baixinho, mais pra ele mesmo doque para ela e logo partiu voando até a nave. Programou-a para uma viagem rumo à uma parte do universo que ele ainda não conhecia e partiu sem demora.

Somente o Dr. Briefs ouviu a nave partir porque ainda estava acordado, ficou espantado de pensar no que tinha levado o rapaz fugir àquela hora da noite.

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Bulma acordou com uma dor de cabeça terrível, teve pesadelos a noite toda, ela estava enjoada e indisposta, resolveu que não faria nada durante a manhã, somente na hora do almoço procuraria Vegeta, pois ela ainda queria ouvir algo dele, não estava satisfeita com o silêncio.

Após descansar bastante se sentiu um pouco melhor e resolveu levantar, tomou seu banho e desceu para a cozinha. A mãe estava lá como sempre preparando seus doces o pai lia seu jornal tranquilamente sentado à mesa.

— Não foi trabalhar hoje, papai? – ela perguntou dando um beijo na testa dele. – tem alguns testes que precisam ser feitos na nave.

— Não minha filha, não há teste algum a ser feito. – ele respondeu calmamente.

— Papai, eu sei que abandonei o projeto, mas a nave só vai ficar pronta depois que fizer os últimos testes, sem isso não é seguro deixar que ninguém a use.

— Você tem razão minha filha, mas não há mais nada a ser feito com aquela nave. – a voz dele soou um pouco triste.

A Sra. Briefs já havia largado seus doces e ficando ao lado da filha, colocou as mãos nos seus ombros.

— Filha, o que o papai está querendo dizer, é que a nave não está mais aqui.

— Como assim mãe? Como não está aqui? O que aconteceu?

— O Vegeta partiu com ela ontem a noite. — foi o Dr. Briefs que respondeu.

Bulma não pôde acreditar no que ouvia, aquilo era impossível. O Vegeta havia partido? Saiu correndo e foi até a sala de treinamento, ela estava vazia, correu até o quarto dele e nada. Olhou ao redor e tudo estava como antes, a cama feita e tudo organizado, começou a sentir um medo crescendo no peito, instintivamente abriu o guarda roupa e pôde ver que todas as roupas que haviam comprado juntos estavam lá, exceto a sua armadura de batalha.

Bulma recuou alguns passos e sentou na cama dele, sentia um silêncio absoluto ao seu redor. Deitou-se na cama e apoiou a cabeça no travesseiro, sentiu aquele conhecido e adorado cheiro entrar-lhe pelas narinas, ela viu a imagem do rosto dele formando-se a sua frente, aquele olhar tão penetrante, estendeu a mão para tocá-lo, mas assim como se formou a imagem se desfez. Bulma encolheu-se na cama abraçando os joelhos e um grito explodiu na sua garganta enquanto começava a chorar descontrolada.

O pai e a mãe que a haviam a seguido até o quarto dele, ao ouvi-la gritar daquele jeito entraram e sentaram na cama um de cada lado e a abraçaram muito forte. Ambos choraram junto com a filha, era só o que podiam fazer.

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Nos dois meses seguintes, Bulma não deixou o quarto de Vegeta nem por um minuto. A Sra. Briefs transferiu os objetos de uso pessoal da filha para lá e a acompanhava o máximo que podia, pois a filha estava negligenciando-se demais e ela não queria que de alguma forma aquilo prejudicasse o bebê. Durante o dia ela tentava animar a Bulma, planejando coisas para o quando o bebê nascesse, convidando-a para fazer compras e insistindo que ela começasse a decorar o quartinho do bebê, mas a Bulma simplesmente a ignorava. Ficava o tempo todo deitada na cama, abraçando aquele travesseiro, chorava a maior parte do dia e o resto do tempo ficava calada. As vezes sentava-se a frente da janela e olhava o céu por horas a fio. Comia o mínimo possível só porque a mãe insistia muito, não queria se cuidar e nem nada. Passava o tempo todo tocando as roupas de Vegeta, sempre as levava até o rosto e aspirava o cheiro, quando fazia isso chorava por horas e horas.

A paciência da Sra. Briefs era imensa, nem por um momento criticou ou forçou a filha a abandonar aquele ritual de auto destruição que havia imposto a si própria, ela sabia que sua filha era forte, uma hora ela iria se levantar e quando o fizesse não cairia mais.

No seu íntimo, Bulma queria com todas as forças acreditar que logo ele voltaria, que era somente um medo repentino pela obrigação de ser pai que havia feito com que ele fugisse, mas logo ele cairia em si e voltaria para ela. Aos poucos, esse pensamento foi sendo trocado por outros, ele de fato não era nada dela, era simplesmente um amante, aquela história toda de “unido” deve ter sido somente para enganá-la para fazê-la ficar na mão dele. Mas porque ele faria isso depois de ter tido tudo o que queria de mim? Será possível que havia alguma intenção de me iludir e enganar propositalmente? Ela pensava desconsolada. O que ele ganhou com isso afinal? Com isso em mente ela lembrou que a primeira atitude dele depois de terem transado foi sumir, então era isso, ela agora tinha a resposta, ele a havia usado, mentido e enganado da pior forma possível, não havia outra explicação. Com a gravidez, ficou claro que ele não poderia continuar brincando com ela então a única coisa que pôde fazer foi fugir.

Agora os sentimentos de Bulma estavam pontuados pelo ódio, ela havia sido usada e jogada fora como um lixo, nunca houve nada verdadeiro ali, nenhum sentimento, ele só a quis para satisfazer seus desejos, nada mais, isso explicava muita coisa, a distância durante o dia, o pedido para que ela ficasse sem silêncio em relação ao “casamento” dos dois, a propostas pervertidas que ele fazia na cama e ela aceitava a todas achando que era a mulher mais amada e desejada do mundo.

— Como fui tonta.

Sentenciando isso, Bulma decidiu que já era hora de superar aquela idiotice, não ficaria mais trancada no quarto dele, iria retomar sua vida. Nesse momento, lembrou que desde a partida dele, não havia nem sequer lembrado da própria gravidez, ela esteve aquele tempo todo negligenciando a si própria e ao filho. Decidiu que não seria covarde como o Vegeta havia sido, criaria aquele filho sozinha, dedicando a própria vida para que a criança nunca sequer sentisse a falta de um pai.

— A primeira coisa a fazer, é livrar-se de tudo o que pertenceu ao infeliz.

Dizendo isso, Bulma levantou-se e começou a atirar as roupas do Vegeta pela janela, elas caíram amontoando-se numa pilha no lado de fora.

— O que está fazendo minha filha? – era a Sra. Briefs perguntando atônita.

— Só uma pequena limpeza mamãe.

Bulma amontou as roupas, os calçados, o travesseiro, os lençóis e ateou fogo em tudo, quando as chamas estavam bem altas jogou o colchão também, o fogo ficou abafado, ela pensou que fosse parar, mas começou a pegar fogo por baixo, logo havia formado chamas enormes. Bulma ria enquanto atirava mais coisas no fogo, arrancou as portas do guarda-roupa e jogou no fogo também, depois a cama, as cortinas e por fim todos os móveis que estavam no quarto. A Sra. Briefs achando que a filha tivesse enlouquecido de vez a tentava impedir.

— Minha filha, pelo amor de Kami-sama! O que está fazendo? Vai incendiar a casa toda?

— Não mamãe, temos que nos livrar de tudo que o alienígena usava, vai saber que tipo de bactéria do espaço ele trouxe pra gente.

A Sra. Briefs sabia que era uma maneira muito peculiar e típica da Bulma mostrar a sua dor, mas ficou aliviada pela filha finalmente tomar alguma atitude.

Enquanto as chamas ardiam, Bulma olhava para elas tranquilamente. Sua expressão era calma, mas por dentro um ódio terrível ardia, naquele momento ela prometeu a si própria que nunca mais se enganaria com um homem, nunca mais.

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Depois de incendiar tudo o que pertencera ao Vegeta, Bulma foi seu quarto, tomou um longo e demorado banho. O volume no ventre dela ainda era pequeno, mas já era possível percebê-lo, então resolveu que dali em diante seria uma grávida elegante, nada de desleixo. Passou o resto da tarde fazendo compras junto com a mãe, trocou todo o seu guarda-roupa, uma peça mais linda que a outra.

Nas semanas seguintes, ocupou-se em decorar o quarto do bebê e fazer compras. No último exame pré-natal o médico anuciou o sexo, seria um menino. No íntimo Bulma desejava uma menina, mas ficou feliz assim mesmo, ela teria um filho e criaria ele para ser um homem de sucesso e espírito nobre. Instantaneamente essa última palavra trouxe a lembrança do Vegeta, com aquela postura arrogante dele, mas rapidamente ela afastou a lembrança.

Ao saber da gravidez da amiga, Chi-chi foi visitá-la, ela ainda não sabia que Vegeta havia partido e se espantou quando descobriu. No íntimo ela não conseguia acreditar que um saiyajin poderia ter feito aquilo.

— Mas ele fez, Chi-chi, ele fez. – Bulma sentenciava calmamente – e não sei como todos nós fomos trouxas de esperar alguma atitude diferente daquele miserável.

Embora Bulma disesse tudo sem alterar nada em sua voz, Chi-chi sentia o ki da amiga arder com o rancor, mas não seria ela que a julgaria, afinal ela tinha todo o direito de se sentir assim, era ela que tinha sido abandonada grávida pelo homem que amava, ninguém, por mais que tentasse, poderia saber o que ela estava passando. Resolveu mudar de assunto, perguntando coisas triviais da gravidez, passaram a tarde conversando agradavelmente, Chi-chi deu várias dicas de como cuidar do bebê e prometeu que a ajudaria no que fosse necessário, mesmo que a amiga fosse rica, um ombro amigo era algo que todo mundo precisava, e ela sabia que mesmo que não parecesse Bulma estava precisando muito de um ombro amigo naquele momento.

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Os meses se passaram rapidamente, e logo ela completou quarenta semanas, o parto seria dali alguns dias. Um dia após o almoço enquanto descansava no deck da piscina, Bulma sentiu a bolsa romper, ela calmamente chamou os pais que desesperados a levaram para o hospital. Foi um parto rápido e tranquilo, mas nem por isso menos doloroso ou emocionante. Ao pegar o bebê no colo, Bulma constatou duas coisas, a primeira é que era um bebê saudável e robusto e a segunda é que ele era a cópia fiel do Vegeta, a única diferença era a cor do cabelo, ao invés daqueles fios negros que sempre a seduziram, o pouco cabelo que o bebê tinha era loiro acinzentado, levemente lilás como os do pai dela. Todos perceberam a semelhança dele com Vegeta, mas ninguém ousou dizer nada.

— Filha, ele é o bebê mais lindo que já vi na vida! – a voz do Dr. Briefs mostrava toda a sua emoção. Ele era o único capaz de falar, já que a Sra. Briefs ria e chorava ao mesmo tempo. – que nome vai dar para ele?

— Papai, seu neto vai se chamar Trunks e será firme e inabalável como um tronco, com as raízes bem fincadas na terra. – dizendo isso, Bulma de um leve beijo na cabeça de Trunks e pensou ter visto um sorriso naquele pequeno rosto.

Notas finais
E assim Bulma tornou-se mãe solteira... reviews?