O romance proibido
5 A detenção
Notas iniciais
(POV Hanna)
Naquela manhã acordei com uma baita dor de cabeça, mal conseguia me levantar. Fiz tudo com bastante esforço, me arrumei e desci para o café da manhã, provavelmente eu não iria conseguir assistir as aulas do dia, e eu nem ia achar ruim, afinal, não teria que ver o professor Snape.
— Que cara é essa? – Caio me perguntou na mesa do café.
— Cara de quem está morrendo de dor de cabeça. – falei tentando ser um pouco positiva.
— Se fosse você eu ia até a ala hospitalar, talvez com um remédio você melhore logo. Eu até vou com você. – ele se prontificou a ir comigo.
— Não precisa, irei sozinha e depois devo voltar para meu dormitório, se der avise a alguns professores sobre minha ausência.
Falei e me retirei até a ala hospitalar. Madame Quinn estava de prontidão e me deu alguns remédios com a promessa de que eu ficaria bem em questão de minutos, fez algumas recomendações antes de me dispensar:
— Vá para seu dormitório, descanse e evite ficar nervosa, esse tipo de dor não é normal querida. – ela me disse e colocou mais uns comprimidos em um copinho e disse para eu tomar qualquer coisa.
— Obrigada madame Quinn, farei tudo isso.
Fui para o dormitório e fiquei a tarde toda descansando. Dormi por alguns períodos quando uma garota do dormitório me entregou um pergaminho no fim do dia, dizendo que o Caio tinha deixado com ela.
Abri o pergaminho e nele continha uma caligrafia muito bem desenhada a qual eu reconheci ser do professor Snape.
“Boa tarde senhorita Lauren,
visto que não compareceu a nossa aula de hoje e não tive oportunidade de entrar em contato com você, estou enviando esse bilhete para que compareça hoje às 18:30 nos meus aposentos para me ajudar com algumas atividades para cumprir sua detenção.
Desde já, Severo Snape”
Bom, se ele queria me ver naquela hora eu teria que me apressar, faltavam apenas alguns minutos e eu não queria chegar atrasada e ter mais um motivo para ele me criticar.
Tomei um banho rápido, coloquei minhas vestes e soltei meus cabelos. Sai correndo pelos corredores torcendo para não me atrasar, corri o máximo que pude e finalmente consegui chegar na hora. Bati na porta e aguardei.
— Entre! – ouvi a voz forte do professor Snape.
— Com licença professor, eu vim para cumprir minha detenção. – eu disse entrando na sala.
Era uma sala grande e bem escura, toda em tons cinza e preto, em um canto haviam várias estantes com muitos livros de poções e feitiços. No canto havia uma mesa e atrás da mesa uma porta, do outro lado da sala haviam duas poltronas em frente a uma lareira que estava acesa.
— Claro, eu não iria deixar passar. Sente-se aqui. – falou ainda sentado em sua poltrona.
Ele apontou para a outra poltrona que estava em frente a uma mesinha.
— Você precisa escrever comigo cartas de recomendação dos alunos do último ano. – falou me entregando uma pena, pergaminho e tinteiro.
Eu apenas assenti e comecei o trabalho. Quanto mais rápido eu terminasse melhor para mim e eu evitaria mais dores de cabeça. Recomendações de madame Quinn, na verdade eu nem deveria estar ali.
— Não está bom! – ouvi ele falar rispidamente.
— Como não? Foi assim que nos ensinaram. – disse perplexa, não acreditando que mais uma vez ele estava me criticando.
— Não é assim, será que nem isso você sabe?
— Já disse que foi assim que nos ensinaram. – falei rispidamente para ele.
— Está errado. Vocês trouxas ou no maj como chamam aqui nunca conseguem aprender nada! – Snape falara isso um tanto quanto alto demais.
Eu me levantei, meus olhos estavam cheios de lágrimas, me sentia muito humilhada. Todos esses anos em Ilvermorny eu nunca havia sido tratada daquela forma. Foi quando juntei toda coragem que tinha dentro de mim e fiz a pergunta que eu não parava de fazer a mim:
— Por que você me odeia tanto?
Essa foi a única pergunta que consegui fazer, eu não sabia o que eu tinha feito para merecer aquilo. Será que aquele ódio todo que ele sentia por mim tinha sido pelo simples fato de eu ter esbarrado com ele no term?
— Não te odeio, agora saia daqui. – ele disse enquanto caminhava até a porta do dormitório dele e abria para que eu pudesse sair.
Eu não iria sair até ser respondida, permaneci parada ali, eu era bem teimosa quando eu queria e naquele momento eu queria uma resposta. Estava lutando para não chorar só que outro sentimento me invadia ao mesmo tempo, eu queria me aproximar dele, sentir ele bem perto de mim só que eu não podia.
— Eu não vou sair até que me explique, o que foi que eu te fiz. – foi a única coisa que consegui falar.
Ele fechou a porta, se aproximou de mim, não muito mas o suficiente para que eu pudesse sentir o perfume que vinha dele. Eu fiquei completamente tonta, era o melhor perfume que eu já havia sentido.
— Você não me fez nada. – ele falou se aproximando mais.
— Então por que me trata assim? – perguntei olhando aqueles olhos fixamente.
— Porque você desperta o pior em mim!
(POV Severo)
— Você não me fez nada. – falei me aproximando dela.
— Então por que me trata assim? – ela me olhou fixamente com aqueles olhos verdes, eu queria por tudo beijá-la.
— Porque você desperta o pior em mim! E eu preciso me afastar de você agora. – falei chegando um pouco para trás.
Ela se aproximou e eu sabia que não ia conseguir controlar se ela chegasse mais perto. Era completamente novo aquele sentimento para mim.
— Não chegue mais perto Hanna. – falei um tanto quanto ríspido mais ela não me ouviu.
(POV Hanna)
Como eu poderia despertar o pior dele? Naquele momento eu não sabia o que fazer ou dizer, eu queria muito sentir o corpo dele ao meu, mais eu não podia! Era aluna dele e era óbvio que ele não me queria como eu o queria.
— Não chegue mais perto Hanna. – ele foi ríspido ao dizer isso e eu simplesmente não ouvi.
Meu corpo falou mais alto, minha mente e principalmente meu coração. Me aproximei dele, a distância de um braço meu estômago parecia estar dentro de uma caixa de borboletas.
— Eu acho que sinto algo por você professor. – acabei dizendo sem saber o motivo, talvez o perfume dele tivesse embaralhado meu cérebro.
Pude ver que ele se assustou com minha declaração estúpida e idiota, ele não disse nada, ficou apenas parado, sem nenhuma reação. Respirei fundo e disse novamente outras palavras idiotas:
— Sei que você e eu não podemos ter nada, nem sei o que está acontecendo comigo, eu nunca nem namorei, eu sou mesmo uma idiota, você nem gosta de mim.
Disparei essas palavras tão rapidamente que tive a certeza de que ele não estava compreendendo nada, me afastei dele e fui em direção a porta.
— Fique!
(POV Severo)
— Eu acho que sinto algo por você professor.
Aquela declaração fez meu coração parar, meu cérebro não parava de pensar diversas coisas. Fiquei ali parado, sem nem ao menos conseguir dar a ela uma resposta. Uma resposta que ela merecesse. Então ela continuou dizendo coisas tão rápidas mais que eu conseguia absorver cada palavra.
— Sei que você e eu não podemos ter nada, nem sei o que está acontecendo comigo, eu nunca nem namorei, eu sou mesmo uma idiota, você nem gosta de mim.
Ela foi em direção a porta, eu não poderia permitir que ela saísse daquela forma, segurei em seu pulso suavemente e disse:
— Fique!
Ela voltou a me olhar, por um momento senti que ela estava feliz com minha atitude. Soltei o pulso dela e caminhei até a poltrona. Fiz um sinal para que ela sentasse na outra poltrona.
— Eu não sei o que acontece comigo, quando estou perto de você eu fico enraivecido. Te vi com um aluno esses dias e senti ciúmes de pensar que ele poderia ser seu namorado. – falei, queria ser honesto com ela.
— Ciúmes de mim? Então gosta de mim? – ela me perguntou.
— Acredito que seja mais que isso. – falei me levantando da poltrona.
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