☽♛O rito das Luas - Os quatro reinos♕☾
11 ♕ 10. — Um anoitecer sombrio.
Notas iniciais
O anoitecer chegou no reino dos homens, era uma noite agradável e envolvente, a lua estava começando a aparecer, estrelas já davam indicio que brilhariam pelo céu sem ressalvas, e o clima era reconfortante, não estava quente, não estava frio, estava perfeito, e a brisa que tocava as peles alheias prometia os envolver como em um abraço carinhoso.
— Está ansiosa princesa Kim? — o jovem da guarda perguntou com um sorriso sincero estampado em seu semblante — Esse é seu último encontro de hoje, com o príncipe dos sombrios.
— Vais deixá-la ainda mais ansiosa assim Yang. — O príncipe Kim falou dando uma mordida em um caramelo élfico que o fazia ficar parecendo um cachorro, orelhas, rabo, focinho e patinhas fofas. — Olhem só para isso, — ele contemplava as patinhas. — Que fofura, no bilhete do príncipe diz que esse doce revela nossa aura animal, eu sou um cachorro? Mong, mong!
Os três sorriam e a princesa encarava seu irmão encantada.
— Sim, Seung, você parece sim um cachorrinho, fofo, lindo e arteiro. — Eles sorriam ainda mais e o príncipe Kim ia voltando a sua forma original. — Não coma seus doces de uma vez, você ficará mal, e nem se atreva a mexer nos meus, — O príncipe Kim sorriu, pois essa era sua real intenção. — Separei uns para você também Yang, o Hyunjin me disse que teria mais de dois de cada, então você também poderá os comer.
— O senhor Changbin me deu um chocolate élfico também, presente do próprio príncipe Hwang.
— Esse é esperto, ganhando a todos pela barriga e pelo encanto.
— Seung, não seja assim irmão.
— Mas eu não estou reclamando ou falando mal, eu adorei, na verdade.
A princesa terminava de ajeitar seus cabelos, ela estava belíssima, jantaria com o príncipe sombrio e ficaria umas horas com ele, ela estava muito ansiosa, pois de todos os reinos o que menos sabia sobre era justamente o do príncipe em questão.
— Se me permite dizer, mais uma vez vossa alteza está belíssima. — O jovem da guarda e amigos dos príncipes disse sorrindo.
— Me chame de vossa alteza mais uma vez que derrubo você Yan Jeongin.
— E se eu fosse você tomava cuidado Yang, ela aprenderá a usar o machado bárbaro e o arco e flecha élfico, logo ela será a mais forte de nós três.
Eles sorriam e a princesa se pôs de pé.
— Ainda bem que sabes disso, Seung, — ela disse encarnando seu irmão mais novo. — Yang, estou pronta, quando quiser poderemos ir.
[...]
O príncipe dos sombrios estava pronto, ele não sabia ao certo o que sentir, mas com certeza ansiava por esse encontro.
Ele estava trajado lindamente, desta vez todo em tons preto e branco, e em seu rosto de traços fortes mechas de seu cabelo caiam de leve próximo aos olhos, o que dava a ele um ar ainda mais misterioso.
— O rei Lee tem razão, antes mesmo que as luas escolham, o coração da princesa o escolherá. — A Dilys ajeitava a gola do príncipe e sorria para ele. — Você está belíssimo, Lee Minho, não tem como não cair em seus encantos.
— Está encantada por mim, Dilys?
— Não acredita que esteja?
— Tenho certeza que você não tem olhos para mais ninguém desde que viu o servo do príncipe Hwang, como é mesmo o nome dele? — O príncipe fez uma cara travessa para sua amiga. — Ah sim Caladylon, um belo nome para um elfo tão belo não acha?
— Você quer ir ver a princesa com um olho roxo?
— E você não deveria me tratar com respeito?
Os dois sorriram e ela deu um soquinho no ombro do seu amigo.
— Agora me diga, seja verdadeiro, você gostou dela, não gostou?
— Tive uma boa impressão, sim, ela parece ser bem mais legal do que imaginei, mas gostar? É cedo para isso não?
— Não... — ela disse simplista, agora arrumando as mangas do príncipe dos sombrios. — E o amor à primeira vista?
— Não disse, esse Caladylon te encantou mesmo, — a Dilys fez que ia bater no príncipe Lee e ele se defendeu sorrindo. — Não acredito em amor à primeira vista, mal acredito em amor, e eu torço sinceramente para que nenhum de nós quatro se apaixone por ninguém até as luas decidirem o que será de nós.
— Realmente, um príncipe frio é o que você é Lee Minho, a princesa é linda, até eu caí nos encantos dela, impossível você não ter gostado nem um pouquinho dela, mas tens razão também, qualquer sentimento poderá ser destroçado com a escolha lunar.
— Pois é, espero que a princesa pelo menos não sofra. — Ele pegou sua bússola e colocou em um de seus bolsos. — Acho que estou pronto.
— Está sim, e está perfeito.
— Aproveite a noite, já falei com o Gun não precisam me esperar voltar, eu ficarei bem, o rei deixou que vocês ficassem livres e interagissem com o reino, ou entre os criados, aproveite, chame o Caladylon para um passeio noturno.
— Quer saber do que mais? É exatamente o que farei príncipe Lee.
Os dois sorriram e batidas foram ouvidas nas portas do aposento do príncipe.
— Príncipe Lee, é o Changbin, — a Dilys abriu a porta e fez sinal para que ele entrasse. — Boa noite, vossa alteza, vim buscá-lo para o seu jantar com a princesa Kim Soo-min.
— Boa noite, Changbin, já estou pronto podemos ir.
O Changbin se curvou levemente e o encarou.
— Por favor, me siga.
Eles começaram a andar por entre as passagens secretas, o príncipe não fazia ideia de onde estava sendo levado e quis cortar a tenção.
— Changbin?
— Pois não vossa alteza?
— Você pode por favor me chamar apenas de Lee Minho, Lee ou Minho, como preferir?
— Se desejas assim, posso chamá-lo de Minho.
— Ótimo, perfeito mesmo, nem meus criados me chamam de vossa alteza, ou príncipe Lee, não gosto disso.
— Igual a Soo-min e o Seungmin, eu também os chamo pelos nomes, quando estamos fora de presenças importantes.
— A princesa é mesmo surpreendente, eu tinha uma visão errada dela.
— Acredito que se estiver aberto para isso, ela o poderá surpreender ainda mais Minho. — Ele parou em frente a uma porta e encarou o príncipe. — Chegamos, a princesa logo virá ao seu encontro.
Ele abriu a porta e eles estavam em um belíssimo terraço que dava para uma estufa belíssima e bem grande, o que encantou muito o jovem príncipe.
— Changbin, antes que eu vá, preciso te pedir um favor...
[...]
Ele não precisou esperar muito, e o jovem Yang se aproximou.
— Anuncio a entrada da princesa Kim Soo-min.
O príncipe que estava contemplando a estufa se virou no mesmo instante que a belíssima figura da princesa se fez presente, ele não queria admitir, mas a achava muito linda e naquela noite sua beleza estava ainda mais acentuada, no lugar de uma tiara com pedras incrustadas ela usava uma tiara de flores, ele já havia notado o apresso da princesa pelas flores, mas a forma como ela as usava para acentuar sua beleza era algo que o cativava.
Ele logo se aproximou da princesa.
— Boa noite, Soo-min, — ele se curvou e pegou a mão da jovem, a beijando em seu dorso. — Você está encantadora.
— Boa noite, Lee Minho — Ela acenou para ele e seus olhares se encontraram, deixando os dois presos um no outro por um tempo. — E você está belíssimo esta noite.
O príncipe sorriu, o jeitinho da princesa não parava de o surpreender.
— Obrigado Soo-min, está com fome? Vamos jantar?
— Sim, estou, vamos jantar, depois tenho algo para lhe mostrar.
— Ah, é? E o que seria?
— Mostro depois — ela sorria um tanto tímida, a presença do príncipe dos sombrios a deixava sem ação. — Venha Minho, vamos nos sentar.
Ele puxou a cadeira para ela que sorriu pela gentileza e se sentou, e ao contrário do que ela esperava, ele assim como o príncipe Bang fez pela manhã, ignorou as etiquetas sentando-se bem ao seu lado e ela não poderia negar, adorou que ele fez assim.
— Vamos comer algo delicioso e aproveitar para nos conhecermos melhor, também tenho algo para te mostrar depois do jantar.
Ela sorriu para ele, ficando curiosa, e eles começaram a comer.
[...]
— Nossas culinárias não são tão diversas assim, não é? — o príncipe falou ao comer um pedaço suculento do faisão com purê que havia sido servido. — Mas preciso confessar, o tempero desse faisão está divino, eu preciso aprender como os cozinheiros o prepararam.
A declaração do príncipe animou a princesa Kim.
— Vai me dizer que você cozinha Minho?
Ele sorriu largo, então pegou um pedaço de algo que a princesa não conhecia ainda e levou a boca dela, que se assustou com o gesto e arregalou seus olhos.
— Me permite? — ela acenou que sim levemente — Então abra sua boca.
Ela abriu lentamente e ele lhe serviu, ela completamente sem jeito começou a se sentir quente, mas foi tomada por uma explosão de sabores que julgou como completamente perfeita e se pôs a degustar.
Ela fechou seus olhos demonstrando o fascínio pela comida que saboreava e o príncipe amou a visão que teve, sorrindo em resposta e esperando ela voltar a si.
— Pelos céus, que delícia Minho, o que foi o que acabei de provar?
— Chamo de quiche, e esse que experimentou é de camarão.
— Foi você quem o fez?
— Uhum, fiz especialmente para você.
— Me sinto honrada, e muito maravilhada, você cozinha muito bem Minho.
— Obrigado.
— Minha vez, — A princesa pegou um pedaço de pernil, passou em um molho roseado e levou a boca do príncipe que a encarava com um belíssimo sorriso. — Ande Minho, abra a boca, vou lhe servir como fez comigo.
Ele corou levemente e a princesa notou, corando em seguida o que o príncipe julgou ser adorável, então ele abriu um pouco sua boca e ela o serviu.
Ele apreciou cada segundo da explosão de sabores que sentiu a encarando em seguida.
— Carne tenra, molho agridoce, que perfeição princesa.
— Gostou mesmo?
— Sim, gostei muito.
— Pois de tudo o que tem servido aqui esse foi o único que eu mesma fiz, por ser mais rápido, preparei entre um encontro e outro.
O príncipe estava admirado, aquela princesa realmente não era nada do que ele acreditava que seria.
— Agora sou eu quem me sinto honrado, está uma perfeição, muito obrigado Soo-min.
Eles sorriram e continuaram o jantar, tomavam vinho e seguiram conversando, falando sobre as coisas de seus reinos que eles tanto ansiavam conhecer.
[...]
— Agora que terminamos, finalmente irei te mostrar o que queria.
O príncipe se levantou e ajudou a princesa puxando sua cadeira para que ela também se levantasse.
— Venha comigo Minho.
Ela começou a andar e ele a seguiu, e logo eles adentravam a enorme estufa, o que deixou o príncipe ainda mais encantado.
— Nossa, aqui é perfeito Soo-min. — ele olhava a tudo com encanto.
— Assim que soube do nosso destino, eu quis o trazer aqui Minho.
— Ah, é? E posso entender o porquê disso?
— Claro, uma vez ouvi uma conversa dos nossos pais, e seu pai se orgulhava das suas habilidades, do jeito que estudava a sua magia e como usava seu estudo com plantas para aprimorá-la e isso me deixou muito feliz, pois eu também adoro saber sobre plantas, flores, como funcionam e para que servem, minha mãe quis me impedir por dizer que se soubessem desse meu interesse eu poderia ser chamada de bruxa, mas eu não ligo, eu adoro conhecer sobre as plantas.
Se faltava algo para que a princesa Kim Soo-min cativasse de vez o príncipe Lee, agora, já não faltava mais nada.
— Então presumo que aqui é o seu lugar de estudos.
— Sim, faço anotações segundo os testes que consigo fazer.
— Fantástico.
— Minho?
— Hum?
— O que me diria se eu lhe pedisse para me ensinar um pouco do que sabe? Você se ofenderia?
— Me ofender? Por que me ofenderia Soo-min?
— Não sei, por achar que quero tomar posse do conhecimento que possui, eu juro que não é nada disso, eu só gostaria de aprender algo contigo e...
O príncipe não se aguentou e segurou nas mãos da princesa.
— Sabe do que mais? — ela o olhou tímida. — Você é muito fofa Soo-min. — eles sorriram e ela tomou um rubor inegável. — Claro que será uma honra para mim poder te ensinar o que sei, e podemos começar agora mesmo se quiser, mas não aqui, e não com plantas.
A princesa sorriu para ele.
— É sobre o que você quer me mostrar, Minho?
— Exatamente, vem comigo Soo-min.
O príncipe sem pensar pegou em sua mão e saiu a levando com ele.
— Mas Minho, aonde vamos? Devemos voltar para onde o Changbin está.
— Não se preocupe, pedi um favor a ele e o Changbin já deve estar nos esperando.
Nesse momento ele abriu um portal na frente deles e a princesa pôde ver o lago do outro lado e assim como o dito pelo príncipe, tanto o Changbin quando o Yang já estavam lá.
— Minho, isso é um... — Ela estava boquiaberta, encantada e muito animada.
— Um portal? Sim, é um portal Soo-min, — ele estendeu sua mão para ela, que a segurou firme sem hesitar. — Vamos contemplar as estrelas princesa.
Eles atravessaram o portal e a princesa se virou apenas para ver a passagem se fechar atrás de si.
— Uau... nossa, isso foi incrível! — Ela falou completamente empolgada e o príncipe sombrio não conseguiu manter a pose e o sorriso que deu foi captado logo pela Soo-min, que o achou ainda mais belo sorrindo.
— Que bom que te encantou, fiquei com receio de que tivesse medo.
— Medo? Estás sem juízo Minho? Eu amei de verdade, obrigada pela experiência.
Ele se aproximou dela que o olhou atenta.
— É assim que costumo fugir sempre do meu rei.
Os olhinhos dela brilhavam e ela sorriu ainda mais.
— Ah, quem me dera poder fazer isso, eu fugiria muito mais do que já faço. — Ambos sorriram. — Mas como o Changbin e o Yang vieram para cá? — Ela os encarava acenando para eles que estavam a uma distância considerável para dar espaço aos príncipes, e eles acenaram de volta sorrindo para ela.
— Eu pedi que o Changbin usasse um encantamento de portal que eu havia preparado para ele.
— E dá para fazer isso?
— Dá sim, é mais complicado, admito, mas acredite em mim mesmo que você não possua magia alguma, ainda, sim, poderá se beneficiar dos poderes dela.
— Fascinante! — Ela caminhava ao lado dele pela beira do lago e eles se sentaram em uma pedra. — Então Lee Minho, o que vais me ensinar essa noite?
— Ah, sim, espere um instante, por favor.
Ele virou-se e levou uma de suas mãos ao bolso e pegou algo como a princesa reconheceu ser uma bússola.
— Uma bússola?
— Sim, uma bússola.
— É, realmente eu não sei usar uma apesar de já ter visto algumas vezes.
— Certo, mas essa não é uma bússola comum Soo-min.
Ela o olhava intrigada.
— Ah, não é?
— Não... — Ele deu um leve toque na pontinha do nariz da princesa que ruborizou de imediato o fazendo sorrir ainda mais. — Muito fofa... — ele sorriu para ela. — mas enfim essa é uma bússola Lunar, com elas conseguimos rastrear estrelas, e o posicionamento das luas dos quatro reinos principais.
— As nossas luas...
— Exatamente, e com um encantamento que desenvolvi recentemente poderemos vê-las como se elas estivessem nesse céu agora mesmo e é isso que vou te mostrar.
— Por favor, me mostre Minho.
Ela tinha os olhos brilhantes ainda mais atentos nele e ele sorriu abafado.
— Chegue mais perto por favor. — Ambos se ajeitaram, ficaram tão próximos que a princesa jurava conseguir ouvir os batimentos acelerados do príncipe e ele jurava o mesmo em relação ao coração da princesa. — Olhe com atenção.
Ele abriu o objeto pequeno e envolveu a princesa em um meio abraço para guiá-la na leitura, ela estava ruborizando e encarou inevitavelmente o rosto do príncipe que estava tão perto do seu, ele era lindíssimo e emanava uma aura sedutora.
— E agora Lee Minho?
— Agora olhe para onde a bússola está indicando, para isso siga a sombra maior dentro dela. — A princesa olhou seguindo exatamente o que lhe foi dito, se encontrando na escuridão. — Encontrou?
— Uhum...
— Agora na mesma direção olhe para o céu.
Ela assim o fez e as estrelas ressaltavam brilhantes, a princesa imaginou estar tendo alucinações, mas ao encarar o príncipe ele também parecia contemplar a mesma beleza.
— Minho, isso é lindo...
— É o céu dos sombrios que você está vendo agora.
— Nossa, é um céu belíssimo, tem um toque sombrio nele, mas que não é ruim ou assustador, é apenas intrigante e esplendido.
— É assim como o vejo também, muitos temem a nós os sombrios, mas, na verdade, brilhamos muito mais do que se aparenta, basta apenas olhar de fato e verá.
As palavras do Minho fizeram a princesa sentir uma corrente elétrica passar pelo seu corpo, ela entendia exatamente o que o príncipe dos sombrios queria com aquilo, ele queria mostrar que seu povo era imponente e tão belo quanto ao dos outros príncipes e movida por uma ternura que ela não soube explicar ela aproveitou a proximidade deles e depositou um breve e suave selar na bochecha do príncipe.
Aquilo o pegou de surpresa, uma belíssima surpresa e ambos sorriram sem se afastar.
— Sempre sonhei em conhecer nem que seja um pouco dos outros reinos, e isso foi perfeito Minho, muito obrigada.
— Não me agradeça, ainda lhe mostrarei as luas, e quanto aos seus anseios por conhecer os reinos, pode ter certeza que em breve você poderá.
Ela entristeceu um pouco e ele notou.
— Não tenha tanta certeza assim, logo estarei me casando com um príncipe a escolha das luas, e depois disso a minha chance de poder me aventurar cessará de vez, pois uma princesa deve agir como tal e sempre esperar pelo seu príncipe, não é?
— Você acredita mesmo que será assim?
— E você não?
— Não... e falo muito sinceramente, e digo isso não só por mim, mas pelo que vi dos outros príncipes também, seja qual de nós formos o que as luas escolherem para ti, não te privarão de seus desejos, e falo com convicção por mim mesmo que se eu for o escolhido, tu serás minha companheira pelas aventuras que eu também pretendo ter...
Ele deixou um carinho no rosto da princesa se virando para olhá-la de frente e continuou falando.
— Sei que somos novos, e também sei que isso em nada nos agradou no início, mas podemos fazer disso algo realmente bom para nós, então torço para que as luas escolham o melhor para ti, e se essa escolha for eu, eu serei seu marido, seu amigo, e tudo mais que quiseres que eu seja, e essa é a minha promessa para ti.
A princesa estava emocionada e nitidamente mexida, aqueles príncipes eram muito melhores do que ela os julgou e agora ela permitia se sentir até um pouco sortuda por ser ela quem irá receber um deles.
— Não sei quem a lua escolherá Minho, e a minha promessa é valida para os três, seja qual for o meu futuro esposo, eu o honrarei e lutarei ao seu lado para que ele seja feliz e realizado.
Ela estava tímida, não podia fazer uma jura só para ele, mas fez o melhor que pôde.
— Só por favor, não deixe de ser feliz e realizada junto ao escolhido está bem?
— Está sim. — Mais uma vez o rubor a tomou e o Minho pôs-se a rir.
— Pode me mostrar as luas agora Minho?
— Queres muito as ver, não é?
— Quero sim.
— Certo Soo-min, então vamos contemplar as luas.
Ele voltou a ficar ao seu lado, e agora que ela já sabia como olhar a bússola lunar, ele limitou-se a ficar apenas assim, sem a envolver novamente, o que, no fundo, ambos sentiram com certo pesar.
O príncipe abriu o objeto, só que dessa vez em quatro partes.
— Agora busque o encontro das sombras e assim que achar o seu centro olhe para o céu.
Ela assim o fez e o príncipe aguardou atentamente.
— Encontrei.
Ela levantava seus olhos para contemplar o céu e ouviu a voz grave do príncipe dizer.
— “Contemplemur lunas” ...
— Contemplemos as luas... — ela repetiu a tradução do latim dito a pouco pelo príncipe e seus olhos estavam marejados pelo encanto das luas no céu.
— Haviam quatro reinos, e em cada um deles uma lua abençoava um povo específico — a voz grave do príncipe Lee soou começando a recitar a história antiga.
— A lua mais colorida abençoava a vida, e a natureza dos elfos, a mais brilhante abençoava a força e a rigidez dos diamantes dos bárbaros, a lua negra abençoava a sabedoria e a imensidão dos sombrios, e a lua branca abençoava a glória e a honradez dos homens. — A princesa falou o seguindo na história.
— Essas luas representam o todo, e de tempos em tempos duas delas se tornam uma só trazendo consigo a paz sobre todos os quatro reinos, é o que garante que eles coexistam com respeito entre eles e será assim sempre e para todo o sempre.
Os dois que olhavam para as luas se encararam quando a história terminou.
— É isso que somos, não é? Uma garantia de paz e união entre os quatro reinos e tudo que os rodeia.
— Ou essa é só uma bela história de uma princesa que se apaixonou por três príncipes diferentes e se sentia incapaz de escolher entre eles.
— Aí ela pediu ajuda das fadas e agora estamos aqui.
Eles riram da segunda versão criada pelo príncipe e uma lágrima correu os olhos da princesa.
— Sinto muito Minho, me desculpe por tirar você dos seus estudos, sei que o foco é algo importante para um contemplador e estudioso, e-eu... eu não queria isso.
— Nenhum de nós queríamos Soo-min, mas pare com isso, a culpa não é sua — ele limpou sua lágrima. — Eu não a culpo, e sei que o Bang e o Hwang também não.
— Está bem...
— Vem, levante-se, vamos voltar, nosso tempo deve estar acabando e eu quero comer um doce antes de voltarmos para o quarto.
Ele a ajudou a se levantar e acenou para o Changbin, que de longe estava encantado com a forma que o príncipe sombrio tratou a princesa.
Eles voltaram e comeram um “manjar dos reis” que era como os sombrios chamavam aquela iguaria, era um doce em formato redondo como uma lua cheia e haviam sempre quatro sabores, um representando cada reino.
A princesa amou os quatro sabores e sorriu quando o Minho confessou que o que mais gostava era o do reino dos bárbaros por ser de frutas vermelhas que eram suas favoritas.
— Príncipe Lee, Princesa Kim, preciso informar lhes que está na hora da princesa voltar aos seus aposentos, já está ficando tarde e ela deverá descansar.
Ambos sorriram para o Changbin e se puseram de pé.
— O bom que é amanhã serei eu mesmo a tomar o café com você Soo-min.
Eles sorriam e o Yang interveio.
— Na verdade, altezas, não terão encontros amanhã.
— Não? Por que Yang?
— Vosso pai, o rei, pediu que os príncipes tomassem café com ele e a tarde os três passariam juntos, o rei também quer que eles se conheçam melhor, como manda a tradição, e a noite vocês jantarão os quatro juntos.
— Entendi, não me parece tão ruim assim, vai ser bom ter um momento só nós quatro, não é Minho?
— É sim, tens razão, Soo-min.
— O rei acabou decidido isso agora a noite, os outros príncipes já estão sabendo, e os encontros de vocês retomarão a normalidade em seguida, aí, sim, vocês tomaram o café juntos.
Os príncipes acenaram demonstrando que entenderam.
— E devo salientar que depois desse ultimo dia já será os jogos, está quase tudo pronto e os príncipes devem se preparar, mas acredito que o rei explicará melhor pela manhã.
— Bom, príncipe Lee, — ela sorriu pela careta que ele fez — Minho, muito obrigada pela noite agradabilíssima, e por me mostrar mais sobre como são os sombrios de fato, eu adorei te conhecer um pouco melhor.
— Eu que agradeço seu nítido interesse em me conhecer e não em me julgar, isso é raro para nós os sombrios, e me deixou muito contente. — Ele pegou novamente a sua bússola lunar — Aqui Soo-min, para você, sempre que quiser olhar os céus, as estrelas e as luas, use-a e aqui na lateral mostra os reinos você pode escolher qual quer ver, guiando a sombra dentro dela para a indicação escolhida por você.
Ela pegou o presente muito feliz.
— Obrigada Minho, agora preciso ir. Boa noite!
— Boa noite, princesa Soo-min.
Ele se curvou já buscando a mão alheia e deixou em seu dorso um selar quente e lento, que deixou a princesa tímida por se sentir ruborizar.
Eles se olharam nos olhos uma última vez e ela se foi.
Naquele anoitecer sombrio, a princesa se conectou com o real motivo de tudo aquilo, ela entendeu que as sombras que cobriam o povo do príncipe que esteve com ela eram uma sabedoria intensa e justamente por serem tão sábios eram tão temidos, as sombras nem de longe eram algo ruim e a princesa lutará para que o máximo de pessoas vejam a sabedora dos sombrios como se deve, como o algo extraordinário que é.
E o príncipe dos sombrios entendeu que havia pessoas que o verão pelo que ele realmente é e não pelo o que dizem ser e aquela sensação para ele era como a de ter o mais maravilhoso tesouro já visto.
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