☽♛O rito das Luas - Os quatro reinos♕☾
9 ♕ 08. — Um amanhecer bárbaro.
Notas iniciais
O dia amanhecia particularmente belo para todos no reino dos homens, o sol no horizonte trazia um belíssimo laranja ao céu azul que tinha algumas nuvens branquinhas, bem lindas e o lugar onde o príncipe Bang se encontraria com a princesa Kim já estava todo arrumado, e a vista que teriam era de um belíssimo céu sobre o vasto verde dos campos e mais a frente as casinhas e o vilarejo, tudo misturado a lindos tons de verde.
Tudo em uma vista distante, pois o castelo era na parte mais alta do reino, mas que trazia um charme inegável àquele cenário.
As ordens eram que apenas o chefe da guarda e o jovem Yang poderiam ficar no lugar onde os príncipes se encontrariam, de longe para não os atrapalhar em nada e assim seria feito.
Os criados do príncipe, Magni e Vallira estariam livres para conhecer o reino, se assim desejassem, mas triam que estar a postos quando a manhã dos príncipes terminasse para que eles atendessem seu príncipe da melhor forma.
Como dito na noite anterior, as seis da manhã o Changbin bateu na porta dos aposentos do príncipe Bang.
— Bom dia, Magni, vim buscar o príncipe Bang para o encontro com a princesa Kim.
— Oh, bom dia, Changbin, entre por favor meu príncipe está terminando de vestir-se — o jovem bárbaro encostou no chefe da guarda como se fosse cochichar algo e o Changbin se inclinou para ouvi-lo — Ele trocou de vestes três vezes acredita? Para quem estava relutante acho mesmo que caiu facilmente nos encantos da princesa Kim.
Ambos sorriram, o Magni era descontraído e o Changbin já havia gostado muito dele.
— Eu entendo, a princesa Kim é encantadora mesmo.
Os dois olhavam o príncipe Bang terminar de se aprumar, ele estava belíssimo, mais simples que no jantar, mas igualmente belo, e toda sua força era sempre deixada em evidência com trajes imponentes e as peles que davam um charme ao príncipe.
— Bom dia, Changbin já estou pronto, agora me leve até a princesa por favor.
— Bom dia, príncipe Bang, — o chefe da guarda fez uma reverência e sorriu pela empolgação do príncipe. — Por favor, me siga, eu o levarei até ela.
Diferente do que o príncipe Bang imaginou, eles se embrenharam por passagens secretas que certamente poucos deveriam conhecer e após andarem um pouco o príncipe foi deixado no local comum aos príncipes onde sempre tomavam o seu desjejum, juntos, e por um momento o príncipe olhou bem o lugar, era esplendido, bem diferente da sua realidade mais rústica, mas aquilo não o incomodou em nada e seu pensamento era que facilmente ele se adaptaria àquela vida.
— E onde está a princesa Changbin? Ela irá demorar?
— Creio que em seus aposentos ainda, não era certo que ela chegasse primeiro e ficasse a sua espera, não acha?
— Sim, é claro, se alguém deve esperar esse alguém sou eu sem dúvidas, mas será que ela se demora ainda?
— Acredito que não, o Yang já vai trazê-la.
— Certo vou esperar contemplando a vista, é belíssima...
O príncipe diferente do que o chefe da guarda esperava subiu no balaústre de concreto e se recostou no pilar, deixando uma de suas pernas penduradas para fora da área onde estavam.
O Changbin sorriu, aquele era mesmo um jovem de espírito livre.
— Anuncio a entrada da princesa Kim Soo-min. — O jovem da guarda anunciou.
O príncipe Bang sorriu largo ficando de pé na estrutura onde estava sentado e encarou a entrada por onde a princesa em breve passaria, o que nada demorou e ao olhar para a beleza daquela princesa o príncipe dos bárbaros se sentiu animado, era reconfortante para ele poder contemplá-la.
— Bom dia, Soo-min! — Ele fala saltando de onde está e parando em frente a ela que sorri um tanto sem jeito. — Você está muito bonita esta manhã.
Ele estendeu sua mão e ela esticou a sua própria para que ele seguisse o cumprimento e ele o fez, pegando a mão alheia e depositando um selar em seu dorso.
— Tão galante Bang Chan, — ela sorria para ele que a encarava ainda curvado e com um sorriso que revelava sua covinha. — Bom dia, você também está muito bonito.
Os dois se encararam e entendendo a particularidade do momento em que estavam sorriram ainda mais.
— Venha Soo-min vamos tomar o nosso café da manhã, tenho perguntas para fazer a você.
— Vamos Bang, eu também quero te perguntar algumas coisas, então vamos aproveitar bem esse momento.
Eles seguiram para a mesa posta, havia uma fartura inegável ali que revelava comidas típicas dos dois reinos e os príncipes adoraram o que viram.
— Sente-se princesa. — O príncipe Bang sorriu pela carinha que ela fez ao ser chamada assim — Você é fofa sabia?
— E desde quando os bárbaros apreciam pessoas fofas príncipe? — Ela deu ênfase a palavra príncipe propositalmente uma vez que eles haviam combinado não usar esses tratamentos entre eles.
— E é vingativa também, gostei... — Ele sorriu se sentando ao lado da princesa Kim e não na outra ponta da mesa como seria o correto dito pela etiqueta real. — Como meu rei sempre diz querida Soo-min, somos bárbaros por sermos livres, e não por sermos animais selvagens como todos julgam, e sim, uma mulher para mim deve ser quem é, e se ela for fofa para mim é perfeito também.
A princesa sorriu, ela sempre se agrada das respostas que o príncipe dos bárbaros dá a ela.
— Me desculpe se pareceu que eu o julguei, não foi minha real intensão, mas admito que tenho muita curiosidade sobre as mulheres do seu povo Bang Chan, a Vallira, por exemplo, ela é linda, tem presença forte, ela tem músculos — a princesa sorriu e o príncipe Bang a achou ainda mais adorável. — Quero te perguntar isso desde que a vi, as mulheres do seu povo lutam também? Elas carregam armas e sabem usá-las?
— Olha só seus olhinhos brilhando, você tem o espirito de um bárbaro pelo que vejo, bom, respondendo sua pergunta, além de serem muito lindas, as mulheres do povo bárbaro sabem sim lutar, vão em guerras se preciso for, temos uma guarda montada apenas por mulheres, mas tem as que preferem lutar em meio aos homens, nós não as impedimos, na verdade, precisamos que elas sejam assim, na verdade, nós realmente gostamos que elas sejam.
Ela o olhava atentamente, ele falou e pegou um pão para comer, então ela lhe serviu suco de uvas verdes.
— Experimente esse suco Bang Chan, tenho certeza que irá gostar.
Ele bebeu e seus olhos se arregalaram.
— Pelos deuses é uma delícia, — ele bebericou um pouco mais. — É uva? Mas está leve e tem um toque mais cítrico...
— Sim é de uva verde, eu adoro. — Ela sorriu e ele lhe deu um pedaço de leitão com abacaxi e mel.
— Experimente isso nesse pão de centeio, acredito que você irá amar.
Ela assim o fez e o sabor agridoce a fez derreter, estava divino e ela amou.
— Nossa, isso é de fato delicioso, — Ela disse ainda de boca cheia e os dois sorriram.
— Olhe só para nós dois, nossos pais iriam querer cobrar nossos modos, não é?
— É sim, mas eles não estão aqui estão?
— Tens razão, eles não nos verão assim, o que é perfeito para mim.
— Para mim também, mas agora me diga, se eu te pedir para me ensinar a usar um machado você me ensinaria?
Os olhos do príncipe brilharam, aquilo era mais do que ele podia esperar vindo da princesa dos homens.
— Um machado? — Ele fala com um sorriso de lado — O rei Kim vai odiar essa ideia não vai? É para afrontá-lo que me pede isso?
— Não Bang Chan, eu realmente sempre achei o uso do machado algo belo e intrigante, e saber que as mulheres bárbaros também os usam me encantou, eu realmente gostaria de aprender e não se preocupe, meu pai, o rei, gostará muito mais de saber que estou aprendendo com você do que emburrada por não querer me casar tão nova.
— Então você também é contra isso?
— Pelo que pude notar, todos nós quatro somos.
— É também notei isso, temos anseios e sonhos e um casamento assim foi um susto para nós, um empecilho para nossos futuros idealizados.
— Exatamente Bang, foi terrível saber que o meu futuro me escapava por entre meus dedos, eu quero poder me aventurar pelos reinos, sei que existem outros fora do tratado e seria fascinante conhecê-los.
O príncipe dos bárbaros a encarou ainda mais firme e se aproximou dela levando uma uva a sua boca e ela ruborizou irremediavelmente com o gesto.
— Por isso a princesa deve estar mais calma, por notar que seus pretendentes compartilham de seus desejos, e isso é bom, seja com quem for que fique poderá sair com vosso marido em aventuras.
— Não, eu não poderei príncipe, — ela falou irônica levando um pedaço de melão para a boca do príncipe, retribuindo o gesto e o deixando um tanto sem jeito, mas sem perder a pose. — Com o casamento estarei presa para sempre, meu marido até poderá ir, mas eu? Deverei ficar e esperar, pois é isso que se espera de uma boa princesa, e isso é irritante.
Ele a encarou se compadecendo da realidade cruel imposta a povos diferentes do dele.
— Se as luas me escolherem Soo-min, eu a levarei comigo, — ele a olhou bem no fundo de seus olhos — é uma promessa.
Os dois se encararam por um tempo longo demais e assim que caíram em si desviaram os olhares um tanto constrangidos pela proximidade recente.
O príncipe Bang pigarreou limpando sua garganta, e a princesa tossiu pelo leve engasgo que teve.
— Me diga quando começará a me ensinar usar o machado Bang Chan, para eu ajeitar tudo com o rei.
— Pode ser amanhã mesmo, eu irei te ver na parte da tarde então podemos treinar na floresta, perto do lago onde o Changbin nos levou.
— Oh, vocês já foram ao lago? — O príncipe acenou positivamente — E você gostou de lá?
— É lindo, e tem um espaço perfeito para treinarmos.
— Então estamos combinados assim?
— Claro Soo-min, darei o meu melhor para ensiná-la como manusear bem um machado, será uma bárbara de fibra não tenho dúvidas.
Os dois sorriram e seguiram comendo juntos, os assuntos foram fluindo e ambos se divertiam muito em poder se conhecer melhor.
[...]
— Príncipe Bang, princesa Kim, devo-lhes informar que a princesa Kim deve se retirar agora, — O Changbin anunciou se aproximou deles que estavam agora no balaústre contemplando a bela vista que tinham. — Por favor princesa me acompanhe, eu a levarei aos seus aposentos e após o almoço vossa realeza encontrará o príncipe Hwang, — ele se virou ao príncipe dos bárbaros a tempo de o ver fazer uma careta devido à menção do príncipe élfico. — Príncipe Bang, por favor acompanhe o guarda Yang, ele o levará de volta aos seus aposentos e depois o príncipe falará com o rei Kim.
— O rei quer falar com o príncipe Bang? Sabe do que se trata Changbin?
— Ele vai me pedir um relato do que fizemos essa manhã para passar ao meu pai, o rei bárbaro. — O príncipe Bang estava tranquilo, então a princesa também ficou. — Não se preocupe Soo-min esse café da manhã foi muito agradável e eu apenas falarei isso ao rei.
A princesa se levantou sorrindo.
— Bom tenho que ir, tenha um excelente dia príncipe Bang, e não se esqueça...
— Da sua primeira aula com o machado amanhã? Não me esquecerei acredite em mim estou ansioso para isso.
O chefe da guarda sorriu, como suspeitava vendo tudo de longe os dois príncipes se deram muito bem.
— Perfeito! Obrigada pela maravilhosa companhia Bang Chan e pelas iguarias do seu reino, esse foi o café da manhã mais delicioso que experimentei.
O príncipe fez uma longa reverência e segurou a mão da princesa depositando em seu dorso um selar longo seguido de um olhar envolvente.
— Eu que agradeço Soo-min, há tempos que não me divertia tanto pela manhã, sua companhia foi um deleite para mim.
Ela recolheu a mão que o jovem príncipe ainda segurava, o reverenciou com um belo sorriso no rosto e saiu dali, deixando para trás um príncipe nitidamente mexido pelos encantos da princesa que em sua opinião era mais perfeita do que ele poderia imaginar.
— Até amanhã princesa, e venha com uma roupa mais leve para treinarmos.
— Está bem príncipe Bang, até amanhã.
Aquele amanhecer bárbaro havia sido uma experiência nova para os príncipes que julgaram como algo muito precioso poder estar na companhia um do outro, e ambos já ansiavam pelo próximo encontro.
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