Enquanto tomava café da manhã de terça-feira, às seis horas, no restaurante do hotel, recebemos a visita do senhor Charles.

— Bom dia brasileiros! — Cumprimentou-nos ele — Como foi o passeio nestes últimos dias?

— Excelente! — Respondeu Paulinho — A gente não pode ficar mais?

— Querem ficar mais? — Admirou-se ele — Você também quer, Regis?

— Quem não quer! — exclamei animado.

— Você! Tava doido pra ir embora.

— Não sabia que seria tão divertido.

— Posso ver com Mark — o alegou. — Se quiserem ficar mais uns dois dias.

— Não! — Negou mamãe prontamente — A gente agradece. Gostamos muito! Mas creio que está na hora de retornarmos ao Brasil.

— Quem sabe o Regis se aventure em outra missão espacial e então volte aqui — brincou Charles.

— Pelo amor de Deus! — implorou mamãe aflita —Nem brinque com isto!

— Brincadeira!

— Devo devolver-lhe algum dinheiro? — Especulou mamãe.

— Está tudo certo! Espero que tenham realmente gostado daqui.

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Enquanto terminava de arrumar as malas, no apartamento do hotel, alguém bateu na porta e mamãe correu a atender. Era a doutora Wendell, que nos cumprimentou em Inglês e entrou. Como ninguém entendia nada do que ela dizia, se dirigiu à mim, que conseguia decifrar suas palavras, devido ao aparelhinho em meu pescoço.

— Missão cumprida? — Perguntou-me ela.

— Gostei muito deste passeio — confirmei — Acho que tudo valeu a pena.

— Que bom! — Riu ela — A gente fica muito feliz por você.

— Descobriu algo sobre minha saúde?

— Nada de novo — negou ela. — Creio que terá que se acostumar com sua infância prolongada.

— Já estou me acostumando.

— E a namorada?

— Creio que irei perdê-la pra outro — respondi triste.

— Gosto muito de você, garoto! — Abraçou-me ela, com carinho sincero — Estarei torcendo por você.

— A senhora foi muito boa comigo — Aleguei. — Obrigado!

Deu-me um beijo no rosto, depois deu a mão à mamãe e meus dois irmãos, beijando-os também na face e sorrindo se retirou.

Acabamos de pegar nossas bagagens, inclusive a miniatura da nave Challenger, que ganhei de Charles e nos retiramos do hotel.

Na recepção, encontramos com doutor Marcelo e sem precisar acertar nenhuma conta, nos dirigimos ao hall de entrada, onde Judith já nos esperava para o translado até o aeroporto, em um carro grande, tipo Blazer.

Às oito horas, já no saguão de espera do aeroporto internacional de Orlando, encontramos o fotógrafo do parque de Disney, que após nos cumprimentar, me disse:

— Mickey me pediu que lhe trouxesse um presente.

E me entregou uma caixa de uns quarenta centímetros de cumprimento, por uns trinta de largura e dez de altura. Abri-a imediatamente: era um álbum de fotografias, com mais de trinta diferentes fotos muito belas, as quais fizemos no dia anterior, na terra de Mickey.

— Muito obrigado de verdade! — Agradeci-o feliz da vida, dando-lhe um abraço surpresa, que até ele não esperava — É o melhor presente de toda minha vida!

— Nós é que ficamos felizes de verdade, com sua honrada visita a nossos parques — o Alegou. — Esperamos que retorne algum dia.

— Como eu gostaria! — Insinuei em uma dicção forte.

— Então venha! Procure-nos e teremos o enorme prazer em lhe conceder todas as visitas, sem nenhum ônus!

— Podes crer que eu virei! — Exclamei rindo.

O agradecimento à simpática Judith, que tanto nos ajudou nos Estados Unidos, foi também um tanto emocionante, principalmente para mamãe, que estaria perdida sem ela. Tadinha de mamãe: não sabia sequer, pedir um cafezinho, naquele país de língua tão diferente.

Quase nove horas, após o demorado trabalho de vistoria de passaportes, bagagens e outras tantas burocracias, estávamos todos acomodados, a bordo de uma aeronave do Delta Air Lines, todos na mesma fila de poltronas, sendo, eu na janelinha do lado direito da nave; a meu lado, no meio, Henrique e no corredor, mamãe. Na mesma fila, do lado esquerdo, na janela Paulinho e no meio o doutor Marcelo. A outra poltrona ficara desocupada.

A aeronave decolou às nove horas e cinco minutos, com destino ao aeroporto de Cumbica, em São Paulo, com escalas em Nova Yorque e Rio de Janeiro. Pelo menos, não teríamos que trocar de avião em nenhum ponto.

Se a viagem fosse sem escalas, deveríamos estar em Cumbica, antes das vinte e uma horas, mas devido às duas longas paradas, só chegamos às vinte e duas horas e trinta minutos.

Como tivemos muita sorte no desembarque, até rápido, antes das vinte e três horas, já estávamos dentro de um táxi, correndo apressado, em destino ao terminal rodoviário da Barra Funda, onde, graças ao horário de pouco movimento e avenidas de trânsito rápido, conseguimos chegar pouco antes das vinte e três horas e trinta minutos; tempo muito corrido, mas suficiente para embarcarmos no ônibus leito, das Empresas Reunidas Paulista, que sairia em apenas dez minutos, com destino sem escalas, à Penápolis.

Mal, muito mal mesmo, tivemos tempo de agradecer e nos despedirmos do doutor Marcelo, que logicamente não viajaria conosco, pois residia em São Paulo e estava mesmo era com vontade de chegar à sua casa.

Embora a viagem de avião em primeira classe seja confortável, eu não conseguira dormir e então, cansado e devido o conforto de viajar deitado em ônibus de primeira categoria, não vi nem mesmo a saída de São Paulo. Acho que mesmo antes de chegar ao Cebolão, inicio da Rodovia Castelo Branco, já estava dormindo, na poltrona dupla com mamãe e só acordei, sendo chamado por ela, chegando à estação rodoviária de Penápolis, pouco depois das seis horas da manhã.

Como nossa casa não era tão distante da rodoviária (oitocentos metros) seguimos caminhando; cada um de nós, carregando um pouco da bagagem, que também não era tanta assim. Não compramos praticamente nada na América, pois nem mesmo dinheiro havíamos levado, nos sacrificando apenas com os mil dólares, que recebemos de ajuda de custos. Parecia pouco, mas graças ao prestígio em ser um menininho famoso, muitas das nossas atividades por lá, não tivera ônus, fazendo o pouco se tornar muito.

Notas finais
Agora acabaram-se os passeios. Quem sabe o menino Regis consegue fazer sua vida voltar ao normal.