O retorno do menino do espaço
12 Disneylândia
Naquela tarde, após o almoço, estive com minha família, que já estavam bem familiarizados, visitando o parque espacial que existe no grande complexo do centro espacial e descobri que o local é muito bonito, com parque de diversões infantil e parque ecológico, preservando inclusive, espécies animais em risco de extinção, podendo ser visitado por civis do mundo inteiro, que se hospedam ou não, no mesmo hotel em que nós estávamos.
Visitamos também, uma base de lançamento de foguetes, denominada Pe Trinta e Nove (P.39), a qual foi responsável por lançamento da Colúmbia e Challenger (é a mesma nave, que foi rebatizada). Naquela época essa missão se chamava ésse te ésse cinquenta e um éle (STS-51L).
Na manhã de sábado, saímos do hotel pouco depois das sete horas, em companhia de Judith, que embora um pouco arrastado, falava fluentemente nosso idioma, seguindo à passeio aos parques da Disneylândia.
A viagem de carro, do centro espacial até Orlando, durou cinquenta minutos.
O primeiro local em que fomos foi na própria cidade de Orlando, o Sea World Adventure Park, que apresentava principalmente espetáculos com baleias e golfinhos, em esplêndidos shows acrobáticos, nos gigantescos tanques tipo piscina.
Ali ficamos até às dez e meia da manhã, depois seguimos para o Discovery Cove, que fica junto ao Sea world. Neste local, eu, Paulinho e Henrique, aproveitamos para nadar e abraçar os golfinhos; os quais alem de serem muito inteligentes eram mais dóceis do que nosso cachorrinho Jerry. Naquele momento sim, me senti o menino mais feliz de todo o mundo, junto com aqueles bichos, que até pareciam fazer parte de meu complicado destino.
Só quando sai dali, me lembrei de nosso cachorrinho e como não teria o visto, perguntei a Henrique:
— Onde foi parar o Jerry?
— Morreu! Já faz três anos!
— Como? — Me entristeci — Ele era muito novo!
— Atropelado por um carro.
Dali seguimos para Walt Disney World. Um enorme complexo que combina quatro parques temáticos espetacu-lares (incluindo el Magic Kingdom), dois parques aquáticos, um complexo desportivo, una zona comercial, restaurantes, bares, campos de golfe, instalações para desportes aquáticos, tênis, spas e vinte hotéis temáticos.
Ali chegamos às quatorze horas, onde, embora sem muita vontade, paramos de nos divertir e fomos almoçar, em um belo e grande restaurante à beira de uma gigantesca piscina. Embora mamãe exigisse, eu, Paulinho e Henrique, preferimos não almoçar, mas sim nos deliciarmos com saborosos lanches, tipo Mac Donald.
O pior foi depois do lanche, pois mamãe não nos deixava divertir, alegando ter que esperar pelo menos uma hora, para se fizer a tal digestão, evitando ter que nos transportar dentro de lindos caixões brancos, devido uma cruel congestão alimentar.
Assim sendo, enquanto aguardávamos os tais sucos gástricos, formado pelos ácidos nucleicos ou clorídricos em nossos estômagos, dissolver os pesados lanches; já que caminhar ajudaria muito, passamos a visitar os centros comerciais e só às três e meia da tarde podemos continuar nossa obrigação de criança (ser feliz); mas era até difícil saber o que fazer, pois o local é maior do que muitas cidades e cheio de diversões, principalmente aquáticas, onde eu e meus irmãos, voltamos a nadar, em piscinas de água aquecida e outras de água salgada.
Um local tão bonito e divertido, onde qualquer criança sonharia em morar por lá. Muito mais bonito, do que o parque construído pelos avançados humanos de Suster. Eu até esquecera a saudade do Brasil e se pedissem para passar um mês por lá, creio que toparia sem pensar duas vezes.
Na saída daquele excelente complexo de diversões, ainda seguimos para a Universal Orlando, indo direto para o parque aquático Wet`n Wild, aonde chegamos, já às vinte e uma horas e embora não quisesse aceitar, cansados, ficamos apenas para assistir uma tradicional e magnífica queima de fogos de artifício muito colorida, que parecia ser realizada dentro do Oceano.
Chegamos de volta ao Hotel, no complexo espacial, às onze e meia da noite. Agradecemos Judith, que era excelente amiga e já no apartamento, mamãe disse:
— Corre tomar banho, Regis!
— Não mamãe — recusei — A senhora está mais cansada do que a gente, então vá primeiro.
— Jura que é isso o que você quer?
— A gente te ama! — Aleguei.
— É isso aí! — Consentiu Henrique.
Ela riu e não perdeu tempo. Correu ao banho.
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Acordei às nove horas da manhã de domingo. Estava com a mesma roupa em que cheguei do passeio na noite anterior, deitado na cama de casal. Meus dois irmãos, também estavam de roupas do passeio, deitados em suas camas e mamãe já havia se levantado.
Levantei-me em silêncio e segui ao banheiro, encontrando-a na sala de estar.
— Bom dia Regis! — Cumprimentou-me ela — Dormiu bem?
— Nem tomei banho!
— Quando saí do banho, os três estavam dormindo tão bem, que resolvi deixá-los em paz. Afinal, tomaram muito banho durante o dia.
— Vou tomar banho agora!
— Faça isso! Fará se sentir muito bem.
Realmente foi o que fiz. Tomei um banho bem demorado, só saindo do banheiro, já com os dentes escovados e cabelos penteados, meia hora depois. Segui até o quarto, aonde vesti apenas uma cueca e tornei a me deitar.
Mamãe acordou meus dois irmãos, pedindo que fossem tomar banho, para que fossemos tomar café, o qual, como na maioria dos hotéis, era limitado somente até às dez horas.
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Devido todos nossos atrasos, resultado do cansaço do dia anterior, só conseguimos chegar a nosso passeio, quase meio dia, onde começamos pela Main Street, que é a rua principal e entrada do parque, passando pelo castelo de Cinderela. Quando chegamos, estava acontecendo um belíssimo desfile, com a presença de todas as personagens Disney. Todos mesmo! Desde Mickey e sua turma, até Cinderela, Capitão Gancho, Peter Pan, Pato Donald, João Bafo de Onça, Huguinho, Zezinho e Luisinho… e Todos os outros.
Eu esperava estar no passeio, apenas como mero menino espectador, mas, de repente, alguém do parque, me convidou para seguir à frente do desfile, junto com Mickey e Minie, que eram os anfitriões. Vestiram-me em uma roupa especial, semelhante à astronauta da NASA e me deixaram à vontade, naquela diversão especial.

Embora me sentisse um menino normal... Não era tanto. Estava ficando cada dia mais famoso, devido às especulações da mídia, do mundo inteiro.
Às duas horas da tarde, estava na Frontierland (a Terra da Fronteira), dos índios e cowboys e onde se encontra a famosa “Big Thunder Mountain Railroad”, a montanha-russa em forma de trenzinho, que passa por uma mina do velho Oeste e Splash Mountain, onde você cai de uma montanha direto na água. É lógico que mamãe não queria ir, por medo de cair na água, mas acabou não resistindo; afinal, devido a esse medo da água, já perdera diversos passeios. Porém o medo foi só no início, depois que estava molhada, acho que se divertiu tanto quanto nós, crianças.
Dali seguimos para Fantasyland (terra da fantasia) onde se encontram: “Peter Pan´s Flight” (o voo de Peter Pan); onde você tem a sensação de voar sobre a Terra do Nunca; um local magnífico, que parece ter parado no tempo; onde toda criança se sente assim como eu: um menino que parou de ficar adulto.
O Carrossel da Cinderela, as Aventuras de Branca de Neve, as xícaras gigantes do País das Maravilhas e o espetacular Mickey´s Philharmagic Orchestra (um filme em terceira dimensão “3D”, tecnologia de vídeo avançada, absolutamente fantástica, a qual não existe no Brasil e nem mesmo no planeta Suster), onde você parece fazer parte do filme, em tela de cento e oitenta polegadas.
Devido nossa chegada muito tarde ao parque, acabou o tempo e quando saímos da Terra da Fantasia, já era noite e nós ainda não tínhamos almoçado, então, mamãe e Judith, apesar de todos nossos protestos, decidiram retornar para o hotel. Por fim, conseguimos em comum acordo, parar numa fantástica lanchonete, antes do retorno.
Acabamos por chegar ao hotel, somente às onze e meia da noite e combinamos de sairmos bem cedo, na manhã seguinte, de volta ao parque.
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Às seis e meia da manhã de segunda-feira, acordei na mesma cama com mamãe e pulei imediatamente. Puxei o lençol de Paulinho e Henrique:
— Acorde gente! Já está tarde!
Os dois se espreguiçaram, mas não relutaram. Acho que, apesar do cansaço, estavam tão animados quanto eu. Voltei até mamãe e chamei:
— Acorde mamãe, senão vamos nos atrasar.
Ela virou de lado, observou o horário no sintonizador de canais da televisão e reclamou:
— É muito cedo Regis! Volte pra cama.
— Não é cedo mamãe! — Neguei — Combinamos com Judith, às oito horas.
— Está bem! Vá pro banho, que vou levantar.
Entrei no banheiro e embora Paulinho estivesse escovando os dentes, tirei a roupa e tomei um banho tão rápido, que até ele criticou:
— Isso foi banho, Regis?
— Não podemos perder tempo! — Neguei, me enrolando na toalha e já preparando o creme dental.
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Às nove horas daquela manhã, já estávamos na Tomorrowland (Terra do Amanhã), onde o tema é o futuro e onde se encontra a Tomorrowland Árcade, um centro de diversões de alta tecnologia, tal que daria inveja às mais avançadas tecnologias do senhor Frene; a “Space Mountain”, uma montanha-russa toda no escuro, onde mamãe relutou para entrar conosco, mas acabou por ir e não se arrependeu e o Tomorrowland Indy Speedway[1]. Ali eu percebi que realmente não tinha dezessete anos; que realmente havia parado no meu tempo e estava com apenas nove anos de idade. Ou será que meus irmãos e até mamãe (incluindo Judith), se sentiam também com apenas nove anos de idade?
Ao meio dia e meia chegamos a Adventure Land (Terra da Aventura), local que tem como atrações a Jungle Cruise, um passeio vestido a caráter, por uma selva tropical, visitando os Pirates of the Caribbean (Piratas do Caribe), em uma viagem demorada, onde termina numa batalha entre piratas. É lógico que mamãe estava apavorada, pois a batalha parecia tão real, que realmente nos assustava, principalmente porque, talvez já sabendo de nossa visita, eu fôra sequestrado pelo capitão Barbossa.
Devido o trauma por sempre me perder para o senhor Frene, mamãe se desesperou ainda mais, só que como era fictício e o pirata Jack Sparrow, percebendo o medo real de mamãe, tratou de me salvar imediatamente das mãos do capitão, me entregando e dando um beijo real, no rosto de sofredora mãe, deste menino que então sim, prefere mesmo jamais crescer.
Duas e meia da tarde, ainda sem almoço, chegamos a Liberty Square (Praça da Liberdade), que tem como prin-cipais atrações à famosa “Haunted Mansion”, ou mansão assombrada, com seus mil fantasmas, alguns assustadores, outros atrapalhados e até alguns bonzinhos.
Nesta mansão, com tantos fantasmas, tinha certeza de que encontraria meu fantasminha predileto, “Gasparzinho” e toda sua turma; mas tal foi minha surpresa, pois não havia sinal de nenhum deles.
Embora inesquecível o passeio ao castelo, o mais divertido foi também o Riverboat, onde pegamos o barco Liberty Belle e fomos dar uma volta demorada pelos rios do parque.
Enquanto mamãe seguia em uma parte do barco com Paulinho, eu seguia com Henrique. Então lhe perguntei:
— Por que no meio de tantos fantasmas, a gente não viu o Gasparzinho?
— Ele não é personagem Disney[2]. Por isso ele não tava lá. Queria ser ele?
— Se eu fosse um desenho, queria ser o Riquinho[3]?
— Por quê? Gosta dele?
— Ele é bonito!
— Se você fosse um desenho, seria o Reginaldo[4]! — Insinuou com sarcasmo meu irmão, dando ênfase no nome — Ou então a Branca de Neve.
— Eu não, owh! Sou homem! — exclamei convicto. — Poderia me casar com ela! Ser seu eterno príncipe encantado. O senhor Luciano já me chama mesmo de príncipe!
— Chama mesmo? — Riu ainda com sarcasmo, Henrique.
— Ou pelo menos chamava. Há alguns anos. Príncipe francesinho.
— Por que francesinho? Não gosta de tomar banho?
— Eu hem! Tomo banho duas vezes por dia!
— Teve gente que foi dormir sem tomar banho anteontem!
— Verdade! Eu, você e Paulinho. Mas eu pelo menos tinha tomado banho pela manhã.
Uma grande pena, foi na pressa em sair de Suster, ter deixado por lá minha câmera de vídeo e meu relógio de pulso. Se estivessem comigo, poderia ter registrado muita coisa bonita. Sabia que devido nossas condições financeiras, outro passeio destes talvez não se realizasse nunca mais. Cheguei a acreditar, ter valido o sacrifício de ter ido ao planeta do senhor Frene, em troca deste passeio e que, como já citei: o parque do senhor Frene, não chegava nem aos pés dos parques da Disney. E olha que estávamos no parque de Orlando, sabendo que existem outros, inclusive na Califórnia.
Às cinco horas da tarde, chegamos a Mickey´s Toon Town Fair (Cidade do Mickey), que é onde fica a casa do Mickey Mouse, da Minie, o barco do Donald e a fazenda do Pateta. É ali que se reúnem todos os personagens da Disney e onde um fotógrafo do próprio parque, gentilmente nos acompanhou, realizando outro de nossos sonhos de crianças: a oportunidade de sermos fotografados com cada um de todos os personagens.
E este foi também o último de nossos passeios aos parques da Disney. Às oito horas da noite, acenamos dizen-do adeus e mesmo relutando, retornamos com dorzinha no peito, para a última noite, no hotel do centro espacial Kennedy.
[1] Desculpe-me a omissão de maiores detalhes sobre os passeios em Orlando e Disneylândia. Caso detalhasse melhor, o livro teria mil páginas.
[2] Gasparzinho é personagem Harvey Comics.
[3] Personagem em desenho de Hanna Barbera.
[4] Amigo não muito confiável de Riquinho.
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