O resgate da minha alma
1 Lucy, estou contando sua história meu amor.
Notas iniciais
Lucy nasceu na Irlanda e é bem diferente do estereotipo irlandês conhecido. Olhos azuis, cabelos negros como o carvão, corpo praticamente inteiro tatuado, fumante, e extremamente dependente do mesmo. Ela tem 21 anos, mas aparenta ter 17, tem uma beleza implacável, de dar inveja em outras garotas irlandesas, mesmo não sendo ruiva de olhos claros. Atualmente Mary mora no Brasil, e a cor branca de sua pele surpreende as pessoas quando ela passa na rua, aliás talvez ela chamasse atenção pela sua beleza. Ela não era como as brasileiras, ela era magra, típico corpo de modelo, porém ela tinha dito a si mesma que nunca iria ser modelo, principalmente pelo fato de que suas tatuagens e hábitos maus humorados estragariam com qualquer chance que ela tivesse.
Lucy ia todos os diaspara o trabalho, e diferente do que se esperava de uma mulher tatuada e "mau humorada", Lucy trabalhava como professora de Violão Celo. Lucy adorava ouvir música clássica, pois essa era a única coisa que se lembrava de sua infância, as tardes que passava ouvindo música clássica com seu pai. As vezes lembranças como essas deixavam Lucy frustrada, mas algumas vezes a confortava com pensamentos bons. O pai de Lucy morreu quando ela tinha 10 anos, morreu no Irã, servindo no exército em momentos difíceis. Assim que soube da morte de seu pai, ela fugiu de casa e nunca deu um sinal de vida para sua mãe que até hoje deve pensar que Lucy se suicidou.
Desde quando Lucy fugiu de casa tem feito "bicos" para sobreviver, porém assim que atingiu a maioridade, conseguiu um emprego fixo de musicista num teatro próximo a seu apartamento. Lucy era o que podíamos chamar de antí-social, ela não gostava de conversar com seus vizinhos ou colegas de trabalho, ela só costumava trocar palavras com seus alunos, que geralmente não tinham mais de 15 anos- ainda eram inocentes o suficiente para não julga-la por sua aparência nada comum -, e seu melhor amigo, no qual passava todo o tempo junto- enquanto não estava no trabalho é claro -. Eles eram vizinhos, porém se conheceram pela internet, já que Lucy tinha essa falta de vontade de falar com vizinhos. Milhões de vezes ele a perguntava por que ela não gostava de seus vizinhos sem nem ao menos conhece-los, ela evitava responder, pois o real motivo era que quando seu pai morreu, deixou muitas pessoas tristes- Lucy sabia disso pois conseguiu ir ao enterro de seu pai sem ninguém notar sua presença no local -, e ela não queria que as pessoas deixassem de viver suas vidas para lamentar sua morte.
Lucy era o tipo de garota individualista e perfeccionista que chegava a irritar, seu amigo odiava isso nela, porém ele aceitava esses defeitos que ela tinha, pois assim como ele, ela aceitava seus defeitos, então ele não costumava reclamar dos defeitos de Lucy, pois aparentemente seria deselegante e até mesmo constrangedor. Colin era o nome dele, ou melhor é o meu nome, eu queria que vocês soubessem quem é a Lucy, pois ela não teve oportunidade de contar sua história, e eu sinto que é minha obrigação contar a história dela., ou melhor colocar aqui tudo que eu sei sobre ela.
Lucy realmente se suicidou como sua mãe pensava, mas não foi naquela época, foi bem depois disso. Lucy morreu no dia do seu aniversário de 22 anos. Eu não vi seu corpo, no dia me senti tão mal que aliás não consegui sair da cama. No dia fatídico eu estava no apartamento dela a esperando com um bolo de seu sabor favorito — nozes, com recheio de creme, do jeito que ela gostava — e depois de tanto tempo esperando, decidi liga-la. Um médico atendeu, ele estava com a voz fria e eu me lembro até hoje de suas palavras:
-Alô? Lucy?
-Não, aqui é o dr. Fernando. Lucy sofreu um grave acidente e morreu. Me desculpe meu filho…
Ele não era meu pai! Não tinha o direito de me chamar de filho, porém não liguei para isso naquele momento. Só estava pensando no fato de que Lucy estava morta. Eu não falei mais nada na ligação, ele desligou pouco tempo depois, talvez já tinha passado por uma situação como essa e sabia que eu tinha ficado em choque. Eu deitei na cama, e naquela noite não jantei, e não dormi, no dia seguinte também não comi nada e não sai da cama, tinha até mesmo desligado o celular para ninguém me perturbar. Ainda não tinha aceitado o fato.
Lucy tinha uma história complicada, mas ela era tão jovem, ela ainda tinha muito a viver. Eu nunca pensei que teria que vê-la num cachão. Eu era mais velho que ela, na verdade era para ela me ver num cachão, e não o contrário. Eu fui no funeral, como Lucy não queria ter amigos para que estes parassem sua vida para lamentar sua morte, já era esperado que ninguém fosse além de mim. Quando cheguei lá, todos seus alunos estavam sentados, eu vi sua mãe lá, e a reconheci pois tinha os mesmos traços que a filha. porém ela não me conhecia então não fui cumprimentá-la. Eu tinha feito um discurso, e eu discursei para Lucy, porém eu poderia ter feito algo melhor, ela era tão especial para mim e eu fiz o que nós tínhamos parecer superficial.
Depois daquele dia eu parei de me alimentar direito, tudo me lembrava Lucy, e ela aparecia em todos os meus sonhos. Era estranho reencontrar ela, sentir o cheiro dela, e saber que tudo não passou de uma ilusão. Cada dia que se passava ficava difícil acordar nas manhãs para trabalhar, então meu chefe me deu um mês de folga para me "recuperar", mas era obvio que eu não iria me recuperar. Eu procurei outras garotas, mas quando olhava para ela via o rosto de Lucy em seus corpos, eu sabia que tinha que esquece-la, mas eu não queria, e mesmo que quisesse, não conseguiria.
Anos depois eu continuei na mesma. Não tinha para onde ir, e minha própria condição mental me perturbava, era uma tortura diária. Então minha mente nunca irá me libertar do fato que eu amo Lucy, mas nunca consegui dizer para ela. Talvez ela me correspondesse, porém eu nunca saberia. Depois de tantos pensamentos perturbadores decidi escrever essa carta, que na verdade não passa de uma carta suicida. Estou deixando esse mundo para encontrar Lucy, pois não aguento mais viver sem ela, se o que eu passo realmente pode ser chamado de vida. A única coisa que gostaria de dizer é: Lucy meu amor, nos encontramos no céu.
Naquela noite Colin cometeu suicídio e seus vizinhos ficaram chocados com a história, porém sabiam que ele estava num estado sem reversão de depressão profunda. Os mesmos sabiam que agora ele estava com sua amada em um lugar melhor, e onde quer que ele esteja com ela, eles sabiam que os dois seriam felizes, um tipo de felicidade que poderia durar para sempre.
Notas finais
E como você chegou no fim da história, obrigado por ter lido ❤
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