O reino das rosas.
41 Liberdade.
Notas iniciais
Jennifer correu o mais rápido que pode rio acima, até finalmente avistar o garanhão branco de Sir Caliot pastando ao lado de uma bela e límpida cachoeira.
Jennifer então não pensou duas vezes e adentrou na caverna que ficava escondida atrás da enorme queda d’água, onde ela finalmente avistou Luzia, terminando de repor as suas vestes, e Sir Caliot afiando a sua espada com uma pequena pedra de amolar.
Luzia! — Gritou Jennifer preocupada. — Você está bem? — Perguntou a garota azarada ao se aproximar e se ajoelhar em frente a bela, porem maltratada mulher.
Senhorita Jennifer? O que faz aqui? — Perguntou Luzia meio que confusa.
Eu vim salvar você! Você está bem? — Perguntou Jennifer extremamente preocupada e assustada.
Luzia não compreendeu o desespero da pobre garota, mas ao perceber a preocupação da jovem menininha, a bela mulher sorriu gentilmente e ao acariciar os cabelos dourados de Jennifer, respondeu — Não precisa se preocupar, minha doce criança. O Sir Caliot sempre foi muito bondoso comigo. Veja, ele sequer me machucou. — Falou Luzia ao mostrar os seus braços e pulsos para Jennifer.
Isso é muito bom, eu acho... , mas o que você estava fazendo aqui? — Perguntou Jennifer curiosa e confusa.
Ela estava esperando por vossa chegada, oh bela e astuta princesa Jennifer. Duquesa Diana me ordenou que levasse você e a senhorita Luzia até o vilarejo mais próximo ao norte onde ela poderá partir em segurança. — Explicou Sir Caliot.
Luzia percebeu uma certa malicia na voz do cavaleiro e como já conhecia bastante bem os planos da duquesa, falou — Não precisa me acompanhar, oh meu bom cavaleiro. Ficarei bastante feliz se vocês dois me acompanharem apenas até metade do caminho. — Pediu Luzia temendo alguma armadilha, emboscada, plano, ou qualquer artimanha da jovem duquesa.
Então, que assim seja feito. — Concordou Sir Caliot sem argumentar.
Jennifer não entendeu nada, mas apenas concordou e confiou em Luzia e no nobre cavaleiro.
E então, as duas belas moças, e o galante cavaleiro, partiram em direção ao vilarejo mais próximo. E como prometido, ao chegarem na metade do caminho, Sir Caliot parou o cavalo e ajudou as duas moças a descerem do belo animal.
Aqui está bom, minha bela senhora? — Perguntou Sir Caliot fingindo ter um falso respeito para com Luzia.
Está sim, meu belo, bom, e galante cavaleiro. — Respondeu Luzia fingindo estar agradecida.
Ótimo. O caminho será um pouco longo e cansativo, mas com um pouco de coragem e determinação, não duvido que você chegará lá. Aqui! Tome um cantil cheio com agua para ajudar a lhe refrescar um pouco a sua longa viagem. — Ofereceu Sir Caliot educadamente.
Obrigada, meu bom Sir. — Agradeceu Luzia ao receber o pequeno cantil decorado com uma gravura de cavalo.
Jennifer pensou bastante nas possibilidades de emboscadas da duquesa durante todo o percurso. (Afinal, a àquela altura do jogo, Jennifer já havia percebido que Diana sempre tem um segundo plano em mente e outro já preparado.)
Então, ao perceber o caminho, e o cantil de agua oferecido por Sir Caliot a Luzia, um pensamento assombrou a mente da pobre garota azarada, que pensou: “Diana nunca abriria mão de um brinquedo dela ao menos que já não o desejasse mais! E mesmo assim, ela não o daria a ninguém... Ela o destruiria! ”
Então, ao finalmente perceber a artimanha do maligno plano de Diana, Jennifer olhou para os lados e pensou rapidamente ao avistar alguma das flores amarelas das quais ela havia ajudado a baronesa a colher.
E então, em um raciocínio muito rápido, Jennifer falou — Oh, Sir Caliot, veja! São as flores que a baronesa Margaret tanto deseja. Por que o senhor não colhe algumas para presenteá-la com um belo, grande e bonito buquê? Ou melhor, você poderia oferece-las a duquesa Diana. Ela ficará é muito feliz em presentear a baronesa com tal presente.
Sir Caliot ficou um pouco desconfiado da ideia, mas ao se virar e avistar as flores com os próprios olhos, perguntou — Será que isto deixaria a minha duquesa e baronesa feliz?
Acredito que sim, Sir. A duquesa sempre me falou do gosto e da paixão dela por belas flores. — Mentiu Luzia sabiamente.
Então colherei algumas flores para ela. Peço para que me espere aqui, senhorita Jennifer. — Falou o cavaleiro ao montar o garanhão branco e cavalgar até o pequeno campo de flores.
O plano das flores foi bastante oportuno, pois deu tempo suficiente para Jennifer abraçar Luzia rapidamente e sussurrar — Luzia, não vá até o vilarejo que ele falou! Provavelmente é alguma armadilha ou há alguma emboscada no caminho. Também não beba da agua do cantil que ele lhe deu! Provavelmente está envenenada.
Luzia ficou bastante surpresa ao perceber o raciocínio logico da pequena garota, e ao cariciar os seus pequenos e curtos cabelos dourados novamente, a bela mulher falou — Oh minha doce, querida, e esperta Jennifer... Eu sobrevivi durantes anos como escrava do barão Luiz, da baronesa Margaret, e da duquesa Diana. Ninguém sabe, ou conhece, melhor do que eu como pensa e age aquela maldita de cabelos vermelhos. Eu já sabia que a agua estava envenenada desde o momento em que ele me ofereceu e entregou a agua com o cantil. Acredite, o Sir Caliot ou a duquesa Diana nunca dariam um cantil tão bonito assim para alguém como eu. Sem falar que eu suspeitei de uma emboscada nesta tal vila desde o início do plano.
Jennifer percebeu a astucia da bela mulher, e ao relembrar do pedido, perguntou — Foi por isso que você pediu para ser deixada na metade do caminho?
Exato, minha doce garotinha. E no momento que ele percebeu que o primeiro plano dele falhou, ele partiu para o segundo que é tentar me envenenar. — Explicou Luzia calmamente.
E o que você vai fazer agora? Como irá sobreviver? — Perguntou Jennifer preocupada com o bem-estar da pobre e bela Luzia.
Eu roubei algumas moedas de prata do bolso do Sir Caliot sem que ele percebesse, e ao leste daqui existe um pequeno vilarejo, longe o bastante das perversas e malignas garras da duquesa. Eu partirei para lá e comprarei um cavalo, agua e comida com a prata roubada. E depois.... Bem, depois eu vou viver a minha liberdade bem longe desta terra amaldiçoada. — Respondeu Luzia bastante confiante e segura ao cuspir na grama como uma demonstração de desgosto.
E para onde você vai? — Perguntou Jennifer curiosa e bastante esperançosa pela nova amiga.
Talvez para o reino dourado.... Ou para algum lugar o mais longe o possível daqui. — Respondeu Luzia com um sorriso de felicidade no rosto.
Ótimo. Eu te desejo toda a sorte do mundo Luzia. — Falou Jennifer ao abraçar e beijar fortemente a barriga da bela mulher.
Luzia: — Obrigada, minha doce e bela Jennifer. Você aprendeu bastante e suficientemente bem para poucos dias de servidão. Eu espero que você viva bastante para se tornar uma bela e magnifica mulher. E sobre a duquesa Diana, tome cuidado com ela. Nunca confie demais naquela garota.
Não se preocupe Luzia. Se ela tentar fazer alguma coisa comigo, eu mesma a derrotarei e a matarei com a minha espada. — Falou Jennifer com um sorriso bobo de felicidade de criança.
Ótimo! Agora disfarça que o Sir Caliot está retornando. — Falou Luzia ao dar um beijinho rápido na testa de Jennifer.
Certo. — Concordou Jennifer segundos antes do cavaleiro retornar com a mão cheia de um belo e perfumado buquê de flores amarelas douradas.
Pronto senhoritas. Vocês acham que este buquê satisfará a duquesa e a baronesa Margaret? — Perguntou Sir Caliot ao mostrar as belas flores perfumadas.
Sem dúvidas, meu bom Sir. Mas agora eu tenho que ir. E obrigada novamente pela bela e confortável viagem. Que tenham um bom dia! — Agradeceu e acenou Luzia ao se despedir de Jennifer e de Sir Caliot.
Lhe desejo o mesmo, bela dama. — Falou o cavaleiro ao pegar Jennifer e colocar a pequena garota por sobre o belo cavalo.
E então, Jennifer e Caliot retornaram até o castelo da baronesa onde encontraram Diana se aproximando do portão, montada em sua enorme cabra negra.
Onde está Penélope? — Gritou Jennifer ao avistar a duquesa vermelha.
Em casa, feliz e aconchegada ao peito da mãe. Também lhe recompensei, e a família dela, lhe dando uma boa quantia de dinheiro. — Mentiu Diana sem nenhum pingo de remorso ou culpa no coração.
Jennifer não acreditou naquelas palavras, mas não importava a sua vontade, a garota azarada não poderia fazer mais nada por Penélope.... Apenas se contentar pela liberdade conseguida por Luzia.
Minha senhora! Trago-lhe este belo buquê de flores douradas. Para que vossa senhoria lhe disfrute ou lhe presenteie a vossa baronesa. — Falou Sir Caliot ao entregar o belo ramo de flores nas mãos hábeis e cruéis de Diana.
Obrigada, Sir Caliot. Nunca imaginei tamanha preocupação ou gentileza vindo de você. E sobre Luzia? Como partiu a nossa bela mulher? — Perguntou Diana enquanto esperava os outros cavaleiros abrirem o portão.
Ela partiu bem, minha senhora. Se negou a receber escolta até o vilarejo, mas nós a acompanhamos até metade do caminho. — Respondeu Sir Caliot com sinceridade.
Luzia... Sempre tão esperta.... Mas creio que você lhe deu algo para facilita-lhe a viagem. Certo? — Perguntou Diana procurando uma confirmação sobre o plano do cantil.
Sim, minha duquesa. Eu lhe entreguei agua para que ela saciasse a sua sede durante a viagem. — Respondeu Sir Caliot antes de movimentar o garanhão branco para dentro dos portões dos enormes jardins floridos do castelo-mansão da baronesa.
Ao ouvir a resposta de Sir Caliot Jennifer apenas riu baixinho, mas foi o suficiente para que Diana desconfiasse e perguntasse — Do que você está rindo Jennifer?
Jennifer sorriu e desceu do cavalo branco sozinha e sem ajuda de ninguém, antes de responder — Nada demais, minha duquesa. Apenas me lembrei de uma piada.
Uma piada? — Indagou Diana confusa.
Sim. Uma piada muito engraçada e bem particular. — Respondeu Jennifer antes de se virar e abraçar Brown que veio correndo e pulando em sua direção.
Bom, não me interessa piadas de garotinhas bobas. Agora tenho negócios a tratar com a baronesa. Jennifer, você está livre de sua servidão. Como prometido. — Falou Diana ao entregar a cabra negra a um dos cavaleiros e ir em direção ao castelo-mansão da baronesa.
Tudo bem, minha querida e esperta duquesa. Esta não é mesmo uma piada para qualquer um. Ela é uma piada feita e entendida apenas por mim e Luzia. Ela é uma piada chamada... Liberdade... — Sussurrou Jennifer enquanto sorria e abraçava Brown apertando-o e beijando-o carinhosamente.
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