O regresso do soldado a Nova Orleans
5 Memória relutante
Entre um treino e a hora do almoço, Miles se pegou imaginando sobre a reação das pessoas quando chegasse em Nova Orleans.
Estava cada vez mais perto e ainda não sabia por que estava tão amedrontado em relação a sua volta.
Começou por sua mãe, lembrou dela dizendo para não morrer, e como uma benção ele continuava vivo. Ela talvez o abraçasse e beijasse sua testa. Não gostava de ficar longe do filho, e estava morrendo de saudades.
O pai parecia mais frio e contido. Por tempos não dera valor ao filho que tinha, mas depois que Miles contou que queria servir ao exército, escorreram-no orgulho pelos olhos. Seu pai talvez o abraçasse, e o acolhesse em casa. Não negaria teto a um filho que lhe dera tanto prestígio em conversas com amigos.
Então Miles iria ver os amigos. Tinha uma lista grande de pessoas que gostariam de revê-lo, porém nem todas mereciam sua reciprocidade.
Não sabia por onde começar, talvez por aqueles que mais sentia saudades, ou os mais próximos. Talvez não fosse a mesma coisa. Talvez deixasse o melhor para o final. Nunca se sabia ao certo o que fazer.
Lembro de sua amiga, Jess. Abençoada pelo Jazz e pelos deuses que lhe deram o dom do canto e direito a uma piada. Jess era tão talentosa que poderia se chamar Haley. Talvez Miles entendesse sobre quem estava falando.
Certa vez Miles ouvira uma canção que dizia "Eu gostaria que eu fosse especial". Pensando sobre Jess ele sabia que ela era. Miles já gostara dela, e certa vez diante de uma plateia, ela teve a chance de beija-lo. E fizeram muito bem feito. Num encaixe perfeito que deu aquela canção um tom doloroso para alguns ouvidos e coração.
Mesmo depois de todo tempo afastados, Jess sabia que ainda significava alguma coisa para ele.
Depois talvez ele veria Austin. Era seu amigo. Entre umas confusões e outras o Austin sempre continuava lá. Talvez estivesse sendo um pouco difícil de reconhecê-lo. Mas Miles se lembrava das brincadeiras que o Austin tinha de tentar beija-lo. Miles não tinha muita certeza do que Austin faria. Provavelmente o abraçaria apertado e reclamaria de todo tempo que Miles passou longe e sem dar notícias. Quase sem duvidas ele faria drama. Uma das coisas que ele era melhor fazendo.
Veria também outros amigos. Talvez juntasse todos e fossem curtir um pouco de música e dançar juntos. Era seu aniversário, já estava farto de toda aquela melancólica, mal poderia esperar para que ela acabasse.
E por fim ele visitaria o Thomas antes de partir. Sabia que o Thomas não perderia a chance de vê-lo mesmo que fosse junto de todos os outros amigos dele, porém, Thomas esperava que Miles achasse que ele merecia um pouco de atenção extra e especial.
A viagem acabou mais cedo que aquele sentimento angustiante.
Antes do jantar, Miles já estava colocando o pé em terra firme. Não demoraria ali. Na mochila carregava algumas roupas e lembranças.
O sol se despedia, junto com a Lua que começava a aparecer no céu, as estrelas também viam, e algo no brilho delas dizia, elas sabiam que ele estava chegando.
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