O reencontro.

1 Capítulo único - Adeus.


O reencontro.

Capítulo único: Adeus.

Escrita por: L. R. Rondão. (Lary Chan)

(...)

O céu estava nublado, as nuvens cinza e carregadas anunciam que uma tempestade está próxima, Narumi treinava na floresta da morte com ninguém menos que Sakumo Hatake, mais conhecido como Canino Branco de Konoha, e, para os mais íntimos, pai de Hatake Kakashi.

O Copy Ninja.

Como? A loira consegue ver os mortos desde que se entende por gente. E, a resposta mais lógica que conseguiu imaginar foi que este foi um presente do Shinigami.

Até agora seu pai está selado na barriga do mesmo e sua mãe não deu sinal de vida.

Ou melhor, de morte.

Mesmo arfando fortemente no chão, a loira não recebia descanso, e via o albino avançar contra si. A jovem de sete anos, já acostumada com o treinamento rigoroso, desviou levemente da espada vendo-a fincar no chão bem perto de seu rosto, quase tendo poeira no olho pela aproximação. Aproveitou e agarrou o oponente.

Agarrar um morto? Sim, e isso não é novidade.

Não para ela.

Tirando vantagem do corpo pequeno, passou por debaixo do oponente, e, com a própria Wakizashi*, mirou o pescoço do Hatake.

Ele sorriu.

— Parece que você me pegou. — percebeu-a se afastando.

— Não seja bobo. — arfou e perguntou com a voz séria — Por que deixou?

O sorriso dele pareceu aumentar.

“Só pareceu...”

— Não se menospreze, foram ótimos movimentos. — se levantou — Mas, de fato, está anormalmente cansada.

Agora, ela quem sorriu.

— Hm... Dia de folga?

— Sim, são oito da manhã e já estamos treinando aqui por três horas. Além de que você já dominou tudo que eu poderia te ensinar em dois anos! Vai lá loira! Você merece!

E ele se foi. Para o além? Não. Provavelmente para o mesmo local que todas as outras vezes.

O túmulo do Yondaime.

Sakumo quem contou a verdade para a Uzumaki. Ele estava lá. Vendo tudo... Sem poder ajudar em absolutamente nada. Só pode treiná-la porque ela tem uma ligação com o mundo dos mortos.

Não pode fazer mais nada além de observar.

Ele diz que um dos motivos para treiná-la foi por respeitar o desejo do Hokage e sua esposa ruiva que queriam que ela fosse forte. O outro, é que não concordava em nada com o tratamento que ela recebia da vila. O terceiro?

Ele viu potencial nela.

Ele viu nela alguém que gostaria de ter como pupila.

E não se enganou.

O que ele não sabe, é que ela está arranjando um jeito de agradecê-lo. Agradecê-lo de um jeito inesquecível. Mostrando-o como estava feliz com seu primeiro laço.

Mesmo que ele seja um morto.

(...)

Nesse dia de folga, usando um Henge, ela foi à biblioteca. Estava ruiva igual à mãe — viu fotos nos registros gerais da vila, que não foi muito difícil, pois ela era a esposa do Yondaime e famosa Anbu —, com os olhos do pai e as marcas nas bochechas da Bijuu.

Não sabia o porquê, mas não se sentia a mesma sem as marquinhas.

Entrou na biblioteca e procurou livros e pergaminhos sobre o clã Uzumaki e seus Fuiins. Um dia tinha encontrado umas anotações interessantes, e pareciam ter sido escondidas, pois quando encontrou parecia uma coisa, mas sem querer tinha se cortado com algo espetado no próprio Fuuin e ele mudou.

Parecia ter sido feito para ela. Ou alguém como ela.

Nesse tempo que ela passava estudando, para não chamar atenção, os outros quinzes clones entraram em diferentes Henges, garotas, e muito contra sua vontade, sem as marquinhas.

Passou o dia inteiro na biblioteca e finalmente achou tudo que precisava, então organizou as ideias. Passado mais duas horas lá, anotando muitas coisas em seus caderninhos, começou a trabalhar nos Fuiins que aprendeu.

Até que foi mais fácil que pensava. Mas também, demorou mais que planejara. Já eram quase oito horas da noite e sua barriga reclamava.

Sorriu ao pensar na bronca que levaria se ele soubesse.

Ah... Como ele cuidava bem dela. Como ele é importante para ela. E agora mais que nunca, está com enorme determinação para fazer aquilo e o “libertar”.

Só faltava achar ele.

Como se acha alguém que nem conhece?

Suspirou, iria comer primeiro, pensar em mais problemas depois.

Foi para o Ichiraku, fazia um tempo que não passava lá, pois Sakumo a perturbou falando que um bom ninja tem uma boa alimentação, e, isso não era excluir totalmente Lámen do cardápio.

Chegando lá, havia um cara claramente de outra vila, que comia. Lento demais. Pensou ela entrando. Estava acostumada a “devorar” a comida.

— OChan! — gritou animadamente. — Me vê um Lámen de porco no capricho! — se sentou e se sentiu observada.

— Claro Naru – Chan! — Teuchi entrou para atender ao pedido.

— Narumi Uzumaki – Chan? — o homem perguntou sorrindo, sua voz saiu em um tom quase doce.

— É sim. — disse cautelosa para não se revelar desconfiada.

— Sou Hakumo Kazuruto, ouvi muita falar de você. — ainda sorria.

— Então não sei o porquê de ainda falares comigo. — disse ríspida. Além de ele a ter irritado, ela não confia em Shinobis vivos.

— Porque... — o Lámen dela chegou e ele terminou o dele. —... segundo o Teuchi – San, você é a melhor cliente daqui e a maior admiradora de Lámen da vila.

— Só ele mesmo para dizer algo de bom de mim. — disse sorrindo para ele e juntando as mãos. — ITADAKIMASU! — começa a comer/ devorar a comida.

— Por quê?! Você se acha alguém ruim?

Ela sorriu irônica.

— Desde quando minha opinião conta?!

Um silêncio se instalou até ele a olhar surpreso.

— Já acabou?

— Claro. Er... Até, então. Até mais OChan! — ela pagou e foi para casa.

No meio do caminho, que era uma área deserta, quatro Shinobis e o Hakumo cercaram a loira.

— Ora, ora, ora... — ele sorria diabolicamente. — Nunca pensei que capturar a Kyuubi seria tão fácil. Aproveitou bem seu último Lámen?

Ela permaneceu séria, calada.

— Opa! — um cara corpulento com uma enorme cicatriz no rosto debochou. — Parece que o gato comeu sua língua.

Para ela, ficou evidente que eles acharam graça. Gargalhavam alto.

Patéticos. Pensou enquanto se deixava ser amarrada, e quase ficara irritada com a lentidão que o faziam. Sem a mínima resistência!

Enquanto eles se afastavam da vila, levando-a para um lugar que poderia derrotá-los sem chamar atenção, enfraquecia a corda com Fuuton até chegar a um ponto que um simples puxão a arrebente.

(...)

Kakashi voltava calmo, sem pressa, sem correr.

Voltava de uma das missões Rank A mais fáceis que já tivera, mesmo que tenha feito sozinho. Os ninjas que dominaram a pequena vila não-shinobi eram demasiadamente lentos e burros, então serem muitos não foi problemas.

Parou de andar quando ouviu homens gemendo de dor e surpresa. E, depois um súbito silêncio. Farejou o ar, e dos seis cheiros só reconheceu um.

O que diabos estava acontecendo?

E por que diabos a Narumi estava envolvida?

Correu para a origem do som e quando chegou lá não conseguiu esconder a feição de surpresa. Ainda bem que estava escondido.

Narumi estava do lado de uma raposa pequena, limpando uma Wakizashi suja com o sangue dos cinco homens ao redor.

Claramente mortos.

Mortos por ela.

— Você tem companhia. — avisou a raposa antes de sumir em fumaça, igual a uma Kuchiyose.

A Uzumaki procurou quem Kurama tinha falado, dando graças a Kami por ter invocado só o equivalente a uma calda, como ela pareceu ter. Teria muitos problemas se tivesse invocado mais.

Ele saiu de seu esconderijo.

— Impressionante. — falou calmo, sem querer assustar a garota que deixava claro que não o queria vê-lo ali. — Derrotar dois Jounnins e três Chunnins na sua idade é notável. — estranhou o suspiro dela.

— Tudo que eu menos quero é ser notada.

— Por quê? — sentiu encarado por duas grandes safiras. Impressionado mais uma vez por perceber que intimidariam alguém que não a conhecesse.

— Não confio em Shinobis. Não nos vivos.

— Vivos? — curioso, levantou a sombracelha.

— Esquece, já falei demais.

Ela se levantou e selou a Wakizashi no pulso, como sempre.

— Mais uma coisa impressionante isso agora. — quis saber tudo que ela escondia. Não sabia o porquê. Mas queria saber.

— Posso saber pelo menos quem acha isso “impresionante”? — perguntou debochada depois de alguns múrmuros que Kakashi não entendeu o que eram.

— Kakashi. Hatake Kakashi.

Ela abriu os olhos completamente surpresa e sorriu.

— Você!

(...)

Não gostava do que estava acontecendo.

Não... Na verdade, não gostava de não entender o que estava acontecendo.

Não mesmo!

A pirralha o tinha levado para o túmulo de seu Sensei e fez um movimento com a cabeça claramente traduzido como “venha!” e foi embora.

Bem, isso seria normal se houvesse alguém lá!

O que diabos ela estava aprontando?!

“... Não confio em Shinobis. Não nos vivos...”. As palavras dela inundavam e perturbavam sua mente. Estavam o deixando inquieto.

Será... Há alguma remota possibilidade dela ter contatos com os mortos?

Não...! Isso é demasiadamente louco!

Não é?

Com sua mente trabalhando a mil por hora tentando entendo entender algo, nem percebeu que estava em frente à área 44. Só resolveu sair do “torpor” quando já estavam se locomovendo em direção ao centro da floresta.

Ela é rápida... Ele pensou ao se ver acelerando para alcançá-la.

— O que estamos fazendo aqui? — não conseguiu não perguntar. Está tudo muito confuso.

— Surpresa! — respondeu alegremente e ouviu um suspiro.

— Como conhece esse lugar? — ela ficou séria de repente.

— Eu treino aqui. — falou totalmente livre de expressões e sentimentos. — Sempre que posso. Conheço este lugar como poucos.

— Treina, é? Não se acha jovem demais não?

— Desde quando a vida me permitiu ter opinião? Ou melhor, quando ela se importou com isso?! — perguntou irônica. E Kakashi sabia do que ela falava. Sabia do “fardo” que ela carregava, e a queria ajudar. Como?! Os conselheiros são um pé no saco!

— Ainda assim... — retomou a linha de pensamento —... Não entendo como entras assim tão fácil em um local proibido.

— Os guardas autorizam. — voltou a não demonstrar nada na voz. — Eles querem me ver morta, e a cada dia que me veem entrando, torcem para não me verem saindo.

Como ela pode falar isso tão calma? Tão... Indiferente!

— Chegamos. — a loira informou e começou a colocar os Fuiins feitos hoje na bibliotecas nas duas árvores em destaque, quase do mesmo tamanho e não tão separadas quanto as outras. Eles eram complexos e o Copy Ninja não conseguia não se perguntar como ela os conseguiu. Porém ela parecia tão calma, tão concentrada. Não havia dúvidas que ela sabia o que fazia.

— Como conseguiu esses Fuiins?

— Você pergunta bastante, não? — ela sorriu. — Eu que os fiz.

Kakashi não sabia o que falar depois daquilo.

Então escolheu não falar nada.

Algumas vezes ela parecia falar sozinha, como se realmente houvesse mais alguém além dos dois ali e demorou quase quinze minutos para acabar.

— Prontinho! Eu só tenho chakra para mais ou menos uma hora e meia, aproveitem! Sensei! Você fica ali! — apontou a árvore da direita. — E você, meu caro, fica ali. — apontou para a da esquerda. — E por fim, eu fico no meio. Fechem os olhos por favor. — ela fechou e começou a liberar chakra.

Quem é mais louco?

Ela por fazer tudo aquilo? Ou ele, que sem acreditar que era ele mesmo ali, obedecendo e fechando os olhos...

(...)

Quando Kakashi abriu os olhos estava em um local escuro, sendo fracamente iluminado por uma fogueira. O que o deixou de boca aberta não foi mudança repentina, e muito menos não saber onde estava.

Foi vê-lo lá.

Ver seu pai lá.

— O — o que? – chegou perto do pai que sorria. — Como...?

— Ela. Não sei o quê ela fez, mas fez.

— N – Narumi?

— Sim, minha pupila. Mas você não quer falar disso agora, quer?

— Ah – h... Não.

O Canino Branco se sentou em uma das toras de madeira envolta da pequena/média labareda, sendo logo imitado pelo filho.

Inicia-se ai, uma conversa calma e emocionante.

(...)

Depois de uma hora de conversa e um Kakashi mais relaxado com tudo aquilo, mesmo que não entendesse o que acontecia, ou se não sabia se era de fato real ou um sonho, uma loira apareceu. Ela estava corada de cabeça baixa, claramente envergonhada.

— M – me desculpem. N – não pude evitar a minha aparição.

— Ora, ora. Sem problemas, loira! Você aumentou meu tempo para com meu filho de zero minutos à uma hora!

— Realmente. — disse Kakashi com um pequeno sorriso. — E posso dizer que estamos curiosos em relação a como fez isso.

Os olhos dela encararam os mais velhos com segurança, confiança e felicidade.

De fato, estava orgulhosa do seu feito.

— Os Uzumakis sempre tiveram contato com os mortos por serem invocadores dos Shinigamis. Porém esse contrato está perdido, pois há poucos Uzumakis e ainda tem o fato de nem todos agüentarem um ‘deus da morte’ em si. — começou a explicação. — Por isso, ela criou um meio de comunicação de conhecimento, os selos que ligam um morto a um vivo com um “meio termo” para estabilização.

— Então, quais das duas Uzumakis tragas a Konoha fez isto? — perguntou Kakashi.

— Foi a mais velha, minha tia Uzumaki Akemi. — respondeu atirando alguns galhos velhos que estavam espalhados pelo chão na fogueira.

— A que foi acusada de traição à Vila e é uma Nukenin Rank S? – o Copy Ninja continuou perguntando.

— Ela mesma, — Sakumo tomou a palavra — mas ela não fez nada de errado. Danzou com medo do poder dela, já que ela controla perfeitamente o contrato com os Shinigamis e o Yami no Chakra* tentou a controlar, mas não deu certo e ele armou para matá-la. O que melhor que uma acusação digna de pena de morte? Ninguém desconfiaria da morte dela.

— Minha mãe... — continuou a explicação —... ofereceu ajuda para fingir a morte dela, mas não deu tempo.

— Kushina – Sama sabia disso tudo?!

— Claro, minha tia não iria sumir sem falar com minha mãe antes, ela sabia de um jeito ou de outro ela iria ser encontrada, e isso não seria bom nem para uma e nem para outra. Mamãe ficou aqui, mas só concordou depois que Akemi a fez prometer que ficaria aqui e tiraria os podres da vila, para mudar essa corrupção que há nossa tão amada vila. Mamãe prometeu que faria isso, e nem sozinha estaria sozinha, que ela, Minato e os amigos lutariam contra as trevas que há no conselho! P – porém... Ela... Ela... Ela morreu antes de realizar seu desejo... — Narumi voltou a ficar de cabeça baixa, agora por tristeza.

— E você vai cumprir essa promessa por eles, não? — Sakumo perguntou animado, para ver se a animava também. Funcionou.

— Hai, Sensei! — gritava animada sorrindo.

De repente ele ficou sério e se virou para o filho.

— Kakashi, tenho um pedido importante. Quero que a treine no meu lugar. Sabe – se que meus “assuntos pendentes” eram com você e provavelmente não vou voltar para vila. — ele sorriu — Vou poder finalmente ver sua mãe de novo.

— Sakumo – Sensei... — murmurou baixo, sentiria falta daquele único que lhe dera uma pequena noção do que significa família.

— Sabe, pirralha? Nesse tempo que cuidei de você eu realmente me senti pai outra vez. Cuidar de alguém não contaminado pelo Shinobi no Sekai, cheia de sonhos, metas e ideais... Fez parecer que todo esse tempo que passei “preso” aqui valeu à pena! — ele afogou os fios dourados. — Mas esse tempo meu aqui acabou, e peço confie no meu filho para cuidar de você.

Ela chorava de leve, lágrimas que expressavam felicidade junto à tristeza da despedida.

— E – e... Ele quer? Quer cuidar d – de mim?

Os dois se viraram para Kakashi, ela mais timidamente.

— Você está brincando? Nunca quis tanto treinar e cuidar de alguém! Alguém que é pupila do meu pai! Acho que estou muito ansioso para tal coisa! — Também nunca fiquei tão ansioso para conhecer alguém... Concluiu seus pensamentos vendo um semblante feliz e corado na loira.

Ficou feliz ao receber aquele sorriso.

Bem, é um bom começo para dois “irmãos”, não?

— Bem, mas isso vai ter que ficar para amanhã, as chances de eu desmaiar quando o selo sugar quase todo meu chakra e nos tirar daqui são de setenta por cento.

E, antes que Kakashi e pudesse protestar a chamando de irresponsável tudo começou a se iluminar, forçando-os a fechar os olhos ouvindo uma única palavra carregada de emoção:

Adeus...

Notas finais
Traduções: *Wakizashi: Uma espada pequena. * Yami no Chakra: "Chakra escuro", mas aqui nesse enredo fica mais como "Chakra Amaldiçoado". (...) Então, o que acharam? Emocionou alguém? Merece favoritos? Comentários? Críticas? Recomendações? Fica a critério de vocês, leitores. Mas por favor, não me deixem no vácuo :/ Kissus, Lary Chan :3
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