Dizem que há longínquos anos atrás, antes mesmo de qualquer coisa com vida habitar sequer um dos sujos pântanos de Aburahk ou viver nas profundas águas do Mar de Misis, um deus poderoso chamado Amohr, dono do destino deste mundo, olhou para ele e o achou vazio e monótono.

Prencheu-o de todo tipo de vida; do verde mais rasteiro às mais elevadas copas, das mais minúsculas criaturas, que mal podiam ser vistas aos mais ferozes predadores que habitavam as florestas, de animais que rastejam no chão à outros capazes de tomar o céu... e apesar de tudo isso, ainda estava insatisfeito.

Usou seu poder, então, para criar criaturas mágicas e colossais, dotadas de asas fortes e potentes, capazes de dominar o céu e produzir fogo em suas entranhas para habitarem esse mundo — os dragões. Mas essas criaturas nada traziam a neste mundo senão destruição.

Vendo aquilo, o mais novo e mais amado filho do poderoso deus, Theonis, pediu-lhe para que destruísse aquelas indóceis criaturas e que lhe permitisse criar outras para habitar esse mundo. Criaturas mais dóceis e hábeis, para cultivar, criar e transformar as vastidões de terra e domar as criaturas mais dóceis. Amohr permitiu que o filho criasse outra raça de seres, mas veemente recusou-se a destruir suas adoradas criações. Mesmo assim, sabendo do risco à suas criaturas, Theonis aceitou e criou o homem. Seres fracos perante aos imponentes dragões de seu pai, porém dotados de sabedoria.

Algum tempo depois, Dorimur, outro filho do deus Amohr, não gostou de ver o pai permitir ao seu irmão mais novo o direito de que suas criaturas ocupassem esse mundo e afrontou o pai, exigindo o mesmo.

O pai relutou, mas cedeu ao outro filho o mesmo direito, que gerou criaturas muito semelhantes aos humanos, mas depositando em cada uma, um sopro de sua própria magia.

Homens e magos, desde o início de seus tempos, não se davam bem. Enquanto homens temiam os poderes mágicos dos bruxos, estes temiam que os homens tentassem roubá-los. E esse medo mútuo somente se atenuava quando o fogo de um inimigo comum os ameaçava.

Ambas as criaturas, tanto as de Theonis quanto as de Dorimur, temiam os dragões, e por séculos, viveram à mercê do poder destrutivo deles. Cada raça lutou contra aqueles monstros ferozes à sua maneira, mas nunca conseguiram afugentar a fúria que dispersavam pelo mundo. Até que um dia, o rei dos homens, Dorkhan, ofereceu uma trégua ao rei dos bruxos, Nasrur, e lhe propôs que lutassem juntos para eliminar do mundo aquelas temíveis criaturas.

A aliança entre homens e magos perdurou por longos anos de uma grande luta contra os dragões. A trégua entre eles parecia ofuscada apenas pelo fogo que queimava cidades, florestas, pastos, o gado, tudo. A fúria de fogo dos dragões nunca descansava, mas a aliança entre homens e magos lhes permitiu resistir muito mais.

Juntos, pouco a pouco, os dragões começaram a ser exterminados. Uma a uma, suas cabeças rolaram pelo chão de Amohr Ghanto, e o fogo destrutivo já se tornava apenas cinzas quando o último dos dragões caiu bem aos pés do rei dos homens e do rei dos magos. Eles haviam conseguido. O mundo era deles.

Porém, Dorkhan, o rei dos homens, tinha planos mais sórdidos. Aproveitando-se da fadiga dos magos após batalha, proclamou o extermínio de seus aliados, que ainda recuperavam o fôlego ao seu lado.

Alguns magos que conseguiram fugir junto ao rei dos magos, hoje ainda vivem em fortalezas mágicas poderosas e instransponíveis, escondidas por Amohr Ghanto. Outros escolheram abrir mão do uso de seus poderes, para viverem escondidos nas grandes e pequenas cidades. A magia foi banida desse mundo, que agora, pertencia apenas aos homens.

Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.