O que é Isso?
1 Capítulo único
Notas iniciais
Ps: narrado pelo Matt
— O que é isso? — Mello perguntou apontando para o pequeno "embrulho" na nossa frente.
- Não é "isso", Mello. É um bebê– falei, mas com a mesma confusão dele.
Mello olhou pra mim por um momento e repetiu sem alterar sua expressão — Então, o que é isso?
Suspirei e olhei para aquela criança que dormia despreocupada, toda embrulhada em cobertores claros e aconchegantes.
Por que tinha um bebê ali?
Essa era uma ótima pergunta.
E eu não fazia a menor ideia da resposta.
Estávamos voltando do trabalho e achamos essa pequena "surpresinha" na porta do apartamento. Um menininho de cabelos loiros que não devia ter mais do que 5 ou 6 meses de idade.
- A gente não vai ficar com isso, vai? — perguntou Mello.
- Experimente dizer "ele" ao invés de "isso" — suspirei.
- Tá legal. E o que a gente vai fazer com ele? — repetiu.
- Entregar para a polícia? — mas pra começar: por quê diabos deixariam um bebê justo na nossa porta?!
- Vamos — Mello disse de súbito e levantou.
- Espera! — segurei o braço dele, e acredite, é preciso uma força considerável para impedi-lo de se mover quando ele não quer ser impedido — Está tarde já. E chovendo também.
- Eeee? — Mello perguntou impaciente.
- Podemos levá-lo amanhã cedo.
- Você está falando sério? – o estreitar de olhos que ele deu foi o suficiente para me fazer vacilar. Opa, perigo.
- M-Mesmo se a gente levá-lo agora, provavelmente vão mandar a gente voltar amanhã — forcei um sorriso.
Mello parou para pensar por um instante, e pareceu concluir que eu estava certo, porque ele se sentou no sofá e abriu uma barra de chocolate.
- Não esqueça do guarda-chuva — ele disse entre uma mordida e outra.
- Hã? — ele não podia dizer algo que fizesse sentido não??
- Você acabou de dizer para ficarmos com esse bebê até amanhã, e a não ser que você queira deixá-lo fedendo e com fome, precisamos de fraldas e leite — e sorriu. Cara, aquele sorriso sempre significava que eu ia me ferrar — Está chovendo, não esqueça do guarda-chuva quando for sair.
Não disse?
- Eu vou comprar?!
- Não vai? — ele levantou uma sombrancelha.
- Estou indo — peguei rápido o meu casaco e saí do apartamento.
O problema não era tanto eu ter que sair na chuva e no escuro para comprar as coisas, nem eu ter que gastar o meu dinheiro para isso. Era o fato de que eu tinha acabado de deixxar o Mello, o Mello, junto a um bebê completamente indefeso e desprotegido.
Notaram algo errado nessa frase?
Pois eu sim.
Eu preciso voltar logo!
Ahhh... Lá se vai meu dinheiro extra... Adeus, Super Mario Galaxy 2...
Voltei o mais rápido que pude, e eu respirei aliviado quando ouvi um choro alto vindo de dentro do apartamento.
Pelo menos o bebê continuava vivo.
- Matt!! Faz esse moleque calar a boca! — Mello falou, ou melhor, gritou, com as mãos cobrindo as orelhas, assim que me viu entrar.
- E você acha que eu sei cuidar de um bebê? — perguntei, cobrindo as minhas próprias.
Caramba, eu não sabia que choro de criança era tão irritante assim!
- Dá leite pra ele!
E lá vou eu correndo pra cozinha.
Coloquei o leite para esquentar e... Quanto tempo precisa deixar no fogo?
- Anda logo antes que eu atire nele! — Mello falou impaciente. E eu sabia bem demais que ele não estava brincando.
Então peguei a mamadeira e voltei pra sala.
Bom, era fácil descobrir se o leite estava bom ou não: se o bebê continuasse a chorar, não estava, se ele parasse, ponto pra mim.
Ele parou de chorar.
É, pelo jeito estava bom.
Ah, o doce silêncio...
- Desde quando você sabe segurar um bebê? — Mello perguntou, finalmente desfazendo a expressão irritada.
- É só não deixar ele cair, certo? — sorri de volta.
Até que não era tão ruim ter aquela coisinha mole nos braços.
- Hum... Você parece muito bem com esse moleque — Mello comentou rindo. Eu sempre me perguntei sobre essas mágicas mudanças de humor dele.
- Ah é? — falei no mesmo tom de zombaria — Pois eu acho que ele se parece bastante com você — e parecia mesmo, com os cabelos loiros e os olhos azuis.
Ele riu.
... Eu realmente não entendia...
- Ele dormiu? — Mello perguntou depois de um tempo.
- Acho que sim — olhei para o garoto, e ele realmente parecia estar dormindo.
Também, depois de tomar tudo aquilo de leite!
- Mas... Aonde ele vai dormir? — perguntei.
Não havia muito espaço no apartamento, e ele só poderia dormir ou com um de nós ou no sofá.
- Comigo é que não vai — Mello disse rápido, estreitando um pouco os olhos.
Claro que eu não era louco a esse ponto.
- Comigo também não – mas eu também não ia dormir junto a um bebê!
- Vamos deixar ele no sofá então — Mello deu de ombros.
E assim fizemos.
Tiramos as almofadas de encosto do sofá e improvisamos um berço.
Até que não era tão difícil assim cuidar de uma criança.
Foi o que pensei quando fui para a cama...
Ah! Santa inocência!
Mudei meu pensamento completamente quando acordei às 2h da manhã com o barulho de um choro infernal vindo da sala.
- Saco! — levantei reclamando.
- Matt, você faz isso — Mello falou apontando para o garoto.
Eu não entendi o que ele quis dizer... Até eu me aproximar mais.
Que fedor!
- Nem vem, Mello! Eu não sei trocar fraldas e eu não vou fazer isso sozinho!
- Hunf. Tá bom, tá bom — Mello disse fazendo uma careta.
Abrimos um pacote de fraldas e começamos a " trabalhar ".
Um trabalho nem um pouco agradável, por sinal.
Mas de alguma forma nós conseguimos e o garoto estava limpo agora.
... De novo: eu deveria parar de ser tão ingênuo.
Mal terminamos de vestir o pivete e escutamos um barulho e sentimos um cheiro que pareciam dizer juntos: "Há! Idiotas !".
E lá fomos nós mais uma vez.
- Da próxima vez ele vai ficar sujo mesmo — Mello falou irritado quando o bebê finalmente dormiu de novo.
- Aí o nosso sofá vai ficar fedendo — falei bocejando.
Voltei para a cama, mas só pra ter que levantar de novo.
- Mas que merda! — bebês não dormiam mais do que meia hora não?!
- Eu faço ele dormir — ouvi Mello dizer saindo do quarto dele.
Estranhei a frase, mas arregalei os olhos ao ver Mello sair do quarto com o revólver nas mãos e um olhar assustadoramente decidido no rosto.
- Mello! — exclamei tirando a arma dele — Você prometeu! Sem sangue no apartamento!
- Só pra assustar ele — ele falou apelativo.
- Não — respondi firme e ele olhou feio pra mim.
Mas por que ele estava chorando agora?!
- Ele já comeu, fez sujeira até não poder mais, o quê mais ele quer?? — Mello exclamou.
Peguei ele no colo e ele parou de chorar.
Mas por pouco tempo. Por muito pouco tempo.
Não deu nem cinco minutos e ele voltou a abrir o berreiro.
E então eu descobri o porquê de tanto choro.
Ele chorava e estendia os pequenos braços em direção à um loiro muito irritado ao meu lado.
Ele queria ir pro colo do Mello?
Garoto corajoso.
- Pega ele, Mello — estendi para ele.
- Como? — ai, que vontade de rir.
- Só segura — fiz ele segurar o garoto, e minha vontader de rir aumentou quando Mello se atrapalhou todo para segurá-lo.
Mas eu me controlei; ainda tinha amor à vida. Vai que ele resolve jogar o bebê em mim?
Impressionante. Foi só o Mello pegá-lo que ele parou de chorar.
- Ele gostou de você — falei com um grande sorriso.
Desculpe, mas isso era hilário demais!
- E por quanto tempo eu tenho que segurá-lo? — perguntou Mello, enquanto o garoto tentava alcançar seus cabelos.
- Até ele dormir.
Ele pareceu não gostar nem um pouco da minha resposta.
E tinha razão em não gostar, já que o moleque só foi dormir depois das 5h da manhã!
Mello tentou passar ele pra mim algumas vezes, mas toda vez que ele tenatava, o bebê voltava a chorar.
Resultado: eu também não dormi nada.
Eram 7h, e junto a muitos bocejos e mal-humor, nós saímos e fomos até o posto policial mais próximo.
- Hum... Você fizeram muito bem — o poilicial falou depois lhe entregarmos o moleque, que dormia tranquilamente (ah! Agora ele dorme! Porque não foi para isso que foram feitas as noites!).
- Ótimo — Mello falou dando as costas — Já fizemos nosso trabalho e agora estamos indo.
- Esperem — o policial falou — Eu posso falar com a assistência social para vocês ficarem com o bebê, se quiserem. Vocês cuidaram tão bem dele — ele sorriu.
- NÂO! — Mello e eu dissemos juntos, fazendo o sorriso do cara sumir com a surpresa.
E fomos embora.
Aquele bebê era muito fofo, muito alegre e blábláblá. Mas.. Eu preferia sacrificar minhas horas de sono jogando do que trocando fraldas.
Definitivamente.
Notas finais
Ah, e se alguém quiser ler a outra fic:http://www.fanfiction.com.br/historia/121013/I_Will_Be_There_For_You
( hehe, fazendo propaganda ^//^ )
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