Era sexta, onze e quarenta e cinco da noite, amanha certamente não haveria aula. Bom, não sabia ao certo quando isso se iniciara mas ultimamente surgiam flashes de alguma memória extremamente sádica em sua mente, sabia que não eram suas próprias memórias, afinal, mesmo que muitas vezes fora pega a cometer uma ação vil meramente por vontade ou por achar que não era certo, mesmo assim não seria capaz de matar ninguém; até quando consideramos o sentimento da perversidade, –que é um dos sentimentos primários do homem cujo caráter a partir desse sentir é definido– são nulas as chances de ela ter ao menos o pensamento ou motivos suficientes para assassinar qualquer pessoa que a atormentasse.

Não conhecia a música que tocava, até porque não frequentava muitas festas e por demasiada insistência de suas amigas, estava ali, dançando com conhecidos e desconhecidos que identificava ser de maioria alunos da instituição de ensino que estudava.

"O sangue rubro escorria da garganta simetricamente cortada com algum objeto pontiagudo que ainda permanecia em suas mãos"

Fechou fortemente e tornou a abrir os olhos, não via mais ninguém; o casal que estava aos amassos no sofá, os viciados com suas drogas no canto da sala, as pessoas dançando no centro com seus copos carregados de bebidas alcoólicas, todos eles sumiram, com exceção "dele" aquele que apenas o olhar a fazia desejar o suicídio, apertar uma lâmina contra seu pulso e sentir a morte fria e silenciosa lhe preencher, sem gritos, sem desespero, apenas morte, era isso que a sugeria e assim evitava o contato visual e, como habitualmente, ele usava suas vestes negras em perfeito contraste com sua pele imaculadamente branca.

Repetiu o abrir e fechar de olhos, e tudo voltara ao seu lugar, suspirou, realmente estava ficando louca, e suava frio ao pensar nisso. Decidiu que precisava de alguma bebida forte para relaxar e tirar isso de sua cabeça.

— Uma dose de absinto, por favor — pediu educada e desanimadamente ao garoto que preparava as bebidas daquele local, e este apresentara um sorrisinho tímido e galanteador para ela. "Ótimo, mais problemas para mim" pegou sua bebida e foi em direção à "pista de dança". Logo mais, incutida pelo álcool, começou a dançar.

"Uma felicidade doentia acometeu-a enquanto pressionava a adaga sob a pele fina e macia do pescoço de sua amiga, atravessando logo depois a cartilagem mais dura abaixo, e então toda a amizade sumira, todo o afeto deixara de existir, tudo sendo conspurcado por aquele sangue, lentamente caindo em escuridão impenetrável e de repente a vida tinha outro significado"

Continuou a dançar na companhia de sua própria loucura, até que um garoto de sua idade veio a seu encontro, e de antemão percebeu que ele era possuidor de uma beleza extraordinária além de lhe parecer um pouco familiar.

— Me chamo Sakura! E você? — gritou rente ao ouvido do garoto, devido a música alta.

— Eu sei quem você é Haruno, meu nome é Sasuke... Sasuke Uchiha — Não precisou falar num tom muito alto para que ela pudesse escutar.

E ele pegou à sua mão e a levou para a varanda onde estavam banhados pela luz da lua e rodeados pela escuridão; sua mão era quente e forte, o que era um tanto peculiar já que não combinava muito com a baixa temperatura que caracterizava aquela região. Quando a olhou, quando pôde mirar aquela perfeição digna de adoração cujo único feixe de luz faria qualquer alma perder-se numa melancolia sem fim, atingindo o ponto mais ínfimo deste sentir tão triste e pesaroso, assim podia ser descrita a lua congelada que parecia nos olhar com pena, pena daqueles que tinham seus caminhos assolados por derrotas ou atrocidades provocadas por seus próprios semelhantes. E agora não estava mais ali, postava-se numa clareira no meio da floresta, onde podia ver a si mesma conversando ainda com aquele rapaz na varanda, como uma recordação triste e apagada ao longe ou como se estivesse vendo a sua vida como um espectador de um filme, de fora.

"Ele" tinha suas mãos segurando a cintura dela, colando ambos os corpos, enquanto o vento forte passando pelas árvores levava seus sussurros de ódio e ofensa ao mundo, ele lhe dizia, encostando os quentes lábios na orelha, gelada pelo frio, da jovem atormentada o que ela deveria fazer.

— Karin, mate-a, traga para mim — E passou sua língua sob a pele sensível de sua orelha, selando o contrato.

Notas finais
Capítulo breve de experiência, se ao menos uma pessoa ler isso saiba que continuarei se me avisar que leu e que gostaria de uma continuação.
Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.