Flash back on (10 meses antes) :

Olhei para ele novamente, tão indiferente, parecia que nada naquele lugar valia o seu esforço, nada nem ninguém. Era a terceira vez em um minuto que meus olhos se dirigiam aquele garoto e eu comecei a me questionar o porquê. Ele era diferente de todos ali. Eu estou no terceiro ano da academia, em uma turma nova, e desde que cheguei ele tem toda a minha atenção. Eu o achava meio rude e ele realmente é, mas agora tem algo mais. “Os olhos dele são realmente lindos” eu pensei antes de me dar conta que ele agora me encarava. “O que você está olhando?” parecia dizer, mas eu apenas desviei os olhos.

Flash back off.

Eu estou um pouco bêbada demais agora e o gosto da vodca ainda está impregnado na minha garganta, porém a música está alta e é envolvente, não quero parar porque isso me faria chorar.

Flash back on (6 meses antes) :

Senti as mãos fortes passearem pela minha cintura enviando pequenos arrepios por todo o meu corpo e me fazendo arquear levemente. Os lábios estavam perto do meu pescoço, mas não houve contato, eu apenas sentia sua respiração e era como uma doce tortura.

— Neji.. – Eu disse em um sussurro. Foi o suficiente, no outro segundo nossos lábios estavam colados, aquele tão esperado beijo. Ele era mesmo um mistério pra mim.

Flash back off.

Agora eu estou bêbada e na pista de dança enquanto Neji está sentado ao bar fazendo o que ele mais gostava, ignorando o restante do mundo. Eu me mexi no ritmo da música consciente que isso atraiu alguns olhares masculinos para mim, não me importo.

Eu o tinha observado por muito tempo sem saber direito o porquê até perceber que estava apaixonada, tarde demais. Eu criei uma ilusão que só queria entende-lo, o efeito que ele tinha sobre mim, mas agora eu sei que eu já estava apaixonada muito antes disso. O que eu sinto agora já que aquele sentimento crescera tanto? O que eu sinto agora que ele foi despedaçado?

Flash back on (3 meses antes) :

Fui até as arquibancadas não sabendo como podia caber tanta felicidade em um ser humano. Duas horas antes Neji havia pedido que eu fosse encontra-lo e agora cá estava eu, de frente a uma espécie de piquenique. Nós não falamos nada, não era preciso. Eu sei o que isso significa para mim, para ele. Ele deu um passo até mim diminuindo a pouca distância que existia entre nós, senti o calafrio na minha espinha novamente, a proximidade com o corpo dele sempre faz isso.

Contudo, tinha mais, meu coração acelerou quando ele tocou meu rosto e eu inspirei fundo, nossos olhos pareciam se conectar e ele aproximou ainda mais nossos rostos hesitando um segundo antes de enfim, nos beijarmos.

Flash back off.

Preciso de mais uma bebida, aparentemente hoje as lembranças não querem ir embora. Me dirijo até o bar ignorando-o o máximo que eu consigo. A tarefa é mais fácil devido a coragem fornecida pela embriaguez.

— Você deveria parar. – a voz inconfundível dele soou atrás de mim. – acho que já bebeu demais.

— E eu acho que você deveria me deixar em paz. Eu sou livre pra fazer o que eu quiser. – a última frase foi dita com mais amargura do que eu queria.

— Tenten, para.

— Por que?

— Você é tão teimosa! – a voz dele era baixa apesar da música alta, mas o seu rosto já assumia um semblante irritado.

Flash back on ( 1 mês antes) :

Lee parecia mesmo interessado em saber o que havia entre eu e Neji, isso já esta me irritando.

— Eu não sei. — gritei exasperada. — Eu não sei. — Ele pareceu um pouco atordoado e quando sua boca abriu novamente eu falei apressada o interrompendo.

— Nada. Nós não temos nada. — vi os olhos dele irem de mim para outra pessoa e me virei a ver Neji. Lee se despediu rapidamente inventando alguma desculpa que eu ignorei. – Neji..

— O que é? — ele foi frio.

— Sobre isso..

— Isso o quê? Você mesma disse, é livre para fazer o que quiser, ou dizer.

Flash back off.

Olhe para mim, eu gritava por dentro, mas ele mantinha os olhos abaixados.

— Você é tão teimosa. — Ele repetiu com o tom triste. — Eu realmente achei.. — Ele levantou os olhos e apesar da tontura provocada pela vodca eu estava totalmente presa à eles. — achei que existia algo.

— O quê? Vo- você nunca..

— Eu achei que não precisava dizer.

— Eu também achei, por algum tempo, mas precisava.

Ele levantou do banco em que estava e ficou de frente para mim. — Eu sinto muito Tenten. — senti meus olhos arderem, as lágrimas que eu tanto segurei agora corriam soltas e eu esmurrei seu peito sem força alguma.

— Seu.. Grande idiota. – ele me puxou para mais perto me apertando em seus braços enquanto eu continuava soltando minha fúria – idiota, idiota, — eu repeti inúmeras vezes sentindo seu perfume e seus braços em volta de mim. Sim, ele era, mas eu também havia sido. Olhei para ele esperando que ele quebrasse a distância que separava nossos lábios e ele o fez. Nesses momentos ele não precisava dizer nada, nem eu.

Notas finais
Espero que tenham gostado.
Você chegou ao fim do livro. Parabéns!