O que o destino aprontou dessa vez?
18 Capítulo 18 - Ligação privada
Notas iniciais
– Dan...
– Hm?
Era o final de um beijo. Um beijo relativamente intenso, capaz de mexer com as estruturas de qualquer um. Os dois respiravam com dificuldade, pois o momento acabara com todo o fôlego de ambos, e aparentemente, com as palavras também. O que dizer depois desse balanço de sentimentos e dessa dança de lábios que os tirou do chão?
– Dan. – Ela buscava palavras. Ele lhe correspondia com o olhar, a centímetros de distancia do seu. – Acho melhor irmos.
– Tem razão. – Separaram-se e andaram pela areia da praia. O sol já se pôs e apenas seus raios ainda iluminavam o lugar paradisíaco.
Luana não parecia ter a cabeça presa no próprio corpo. Ela flutuava em algum lugar do universo, e qualquer que fosse, com certeza ficava bem distante.
Quando chegaram em frente ao prédio, ambos permaneceram dentro do carro por algum tempo.
– Gostou do passeio? – Perguntou o barbixa com um sorriso estampado em seu rosto, como se tivesse ganho na loteria.
– De que parte do passeio? – Ela também sorria.
– De todo ele.
– Foi incrível. Eu adorei.
– O que você achou?
– Do passeio?
– Do beijo. – Ela não esperava essa pergunta. E no estilo Barbixas de ser, improvisou a primeira coisa que veio a cabeça.
– Até que você beija bem. – Ele sorriu. Embora aquilo fosse um elogio, ele sentiu-se constrangido, não sabia bem o por quê. – Agora eu tenho que ir. – Ela já abria a porta do carro para sair, quando foi surpreendida novamente.
– Espera!
– Hã?
– E... eu não ganho um beijo de despedida? – Sem esperar muito, Luana se aproximou dele e chegou bem perto de sua face. Ele, desejosamente, já fechara os olhos para tal ação, porém no último minuto ela desviou o rosto e aproximou a boca de seus ouvidos.
– Só se você me der um ingresso para o Improvável de amanhã. – Sussurrou. Dessa vez, foi ele o surpreendido. Meio envergonhado, ele respondeu no mesmo tom.
– Tudo bem. Eu deixo um ingresso pra você na bilheteria. – Ela não disse nada, apenas sorriu, e na segunda tentativa de sair do veículo, foi interrompida mais uma vez.
– Ei!
– O que?
– E o meu beijo?
– Amanhã.
– Mas eu já disse que dava o ingresso.
– Mas só faço quando tiver o ingresso em mãos.
– Rárá. – Ele riu irônico. – Como você é engraçada.
– Não sou eu a humorista.
– Te vejo quinta então? – Ele disse de dentro do carro enquanto ela entrava no prédio. Ao ouvir, Luana olhou para trás e sorriu como um “sim”.
Chegando no apartamento, encontrou Ellen no sofá, assistindo algum filme que suspeitava já ter visto antes.
– Lua, já chegou? Me conta como foi! Senta aqui. – Ellen a puxou de súbito e sequer deu chances da amiga se acomodar direito no sofá.
– Calma! Eu conto.
– Então anda logo, ué. – E ela explicou parte por parte, incluindo a melhor de todas, logicamente. – PARA TUDO! VOCÊS SE BEIJARAM?!
– Sim. – Luana disse alegremente ao lembrar da cena.
– AH MEU DEUS! LUANA! VOCÊ BEIJOU ELE!
– Por que você tá gritando?! Para com isso! Você vai me deixar surda! – Luana falou com uma certa arrogância. Mas quem a conhecia sabia bem que ela era assim: ora grosseira, ora delicada. Porém Ellen pouco se importava com isso.
– Mas e aí? Como é beijar ele?
– Ele beija como qualquer ser humano na terra.
– Mas vai dizer que não mexeu contigo?
– Tá... – Ela disse cabisbaixa. – ... foi o melhor beijo que eu já tive.
– Supera o seu primeiro beijo?
– Lógico. O meu primeiro beijo foi uma droga. – Ambas caíram na risada ao lembrar de muitos anos atrás, quando aconteceu uma das maiores catástrofes de sua vida amorosa.
– Caramba! Se eu não te conhecesse, juraria que tudo isso fosse mentira!
– Então ainda bem que você me conhece.
– Ah, Lua, o Lucas ligou.
– Quem ligou?!
– O Lucas.
– E eu toda contente aqui por que finalmente beijei o cara e você vem e me diz que o Lucas ligou?
– Desculpa, mas você tinha que saber, certo?
– O que ele disse?
– Que queria falar com você. Mas eu disse que você não estava em casa e que com certeza não queria falar com ele.
– E ele?
– Desligou na minha cara.
– Deixa. Nem quero mais pensar nisso.
– É bom mesmo.
– Agora vou tomar um banho pra tirar toda essa areia do corpo.
– Vai lá. Vou acabar de ver o filme.
No box, enquanto a água fria escorria por sua pele, ela se perguntava o que Lucas queria falar com ela. Vinham lembranças do beijo que ele havia roubado, da briga e dos bons momentos que já passaram juntos. Ao mesmo tempo, os pensamentos que envolviam Daniel também a invadiam. As memórias misturavam-se como açúcar em água.
Então ela saiu do banho e enxugou-se um pouco com a toalha, até notar que havia esquecido de pegar uma roupa para vestir. Enrolou a toalha no corpo e foi diretamente para o quarto. Abriu o guarda roupa e enfim achou uma peça que lhe caia bem. Foi quando ouviu seu celular tocar. Apressou-se na direção do criado mudo onde o aparelho estava, e procurou ver quem era, mas o número estava privado. Provavelmente, era apenas alguém que estava ligando por engano.
– Alô? – Ela não teve resposta. – Alô? – Mais uma vez, não foi correspondida. Então por um pressentimento que teve, seu coração disparou. – Eu sei que tem alguém aí. Estou ouvindo sua respiração. Não vai falar? – O pressentimento só aumentava e a certeza só vinha a cada segundo. – Lucas? – A pessoa desligou imediatamente.
Sim, não lhe restavam dúvidas que era Lucas. Apenas de toalha e com os cabelos ainda úmidos, Luana jogou-se de costas na cama. Maldito dia em que brigaram. Se aquilo tudo não houvesse acontecido, seria tão mais fácil.
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