O que o destino aprontou dessa vez?

67 Capítulo 67 - Sua mente barulhenta


Notas iniciais
Olá leitores, como vão? Hoje tenho um recadinho importante nas notas finais. Portanto não esqueçam de lê-las! Boa leitura.

Alguns dias já haviam se passado desde aquela noite. A noite que para ele foi tão boa e tão menosprezível ao mesmo tempo. Tudo era tão confuso. Daniel sabia que o que fizera era errado, por mais que fosse um simples beijo. Se sentia traidor, pois sentia sim algo pela outra. Era como uma atração, um desejo maior que ele.

Desde que identificou tais sentimentos, procurou se afastar de Anastácia, deixá-la em paz, pois sabia que não resistiria a tanto caso ficasse tão íntimo dela. Mas como todo plano tem seu erro, ele se deixou levar por seus encantos. Acabou se rendendo a tentação, e quando se deu conta já estava em seus braços.

Seria mais que prudente esquecer aquela noite, esquecer Anastácia. Ninguém sabia e nem precisava saber disso tudo. Luana era sua paixão e nada mudaria isso. Ao menos, ele pensava assim, e tentaria agir com tais fundamentos.

Deitado sobre a cama, pensava justo nisso, quando ouviu seu despertador tocar. Na noite anterior, o silêncio se fizera presente, porém sua mente barulhenta não o deixara dormir. Isso o obrigou a passar seu preciso tempo de descanso em claro. Levantou-se e procurou se arrumar. Uma manhã de trabalho o esperava.

Chegando no prédio, Daniel encontrou Elídio sozinho na sala principal. Logo que entrou, foi recebido com os seguintes dizeres do amigo, que anunciou sem tirar os olhos da tela do celular:

— Abre aspas: Daniel Nascimento, conhecido por fazer parte da Cia. Barbixas de Humor, é visto em bar-restaurante aos beijos com morena até então desconhecida. Fecha aspas.

— É o que?

— Preciso repetir?

— Está zoando comigo?

— Por que eu estaria?

— Onde saiu isso?!

— Isso virou um “Só perguntas”?

— Responde logo!

— Béééé. Ganhei. – Elídio imitou o som de uma campainha com a boca, porém parou ao ver o outro um tanto nervoso.

— Dá pra parar de levar na brincadeira?! Me diz, onde saiu isso?

— No EGO. – Daniel aproximou-se dele e tomou o celular de suas mãos. Haviam fotos que comprovavam tal manchete. Ele leu e releu aquilo por diversas vezes tentando compreender a gravidade da situação.

— Tinha que ser o EGO... maldito site.

— Eu que o diga. Então, algo a declarar? – O outro fez silêncio. – Porque que eu saiba, a Luana não tem esse cabelo, a Luana não tem esse corpo, a Luana não tem essa cara. Aí eu te pergunto: quem é essa? – Daniel respirou fundo antes de responder. Passou a mão pelos cabelos, assanhando-os, e disse com convicção:

— Ana.

— Ana? E quem é Ana, cara?

— Anastácia.

— Espera, aquela enfermeira que você conheceu no hospital?

— É. – O barbixa respondia sucinto e enrouquecido.

— Você está traindo a Lua, não é?

— Eu não estou traindo ninguém! – Ele se exaltou de repente. – Foi só um beijo!

— E beijar outras bocas quando se está comprometido é certo pra você? – Daniel ficou quieto por poucos segundos a fitá-lo.

— Eu não sei mais de nada.

— Dani, olha lá o que vai fazer. Isso se já não estiver fazendo. Está trocando a Luana, que conhece a tanto tempo, por uma mulher que entrou na tua vida há semanas atrás. Talvez você tenha muita coragem, ou muita tolice, pra fazer uma coisa dessas.

— Não estou trocando ninguém por ninguém, Lico. Eu gosto da Lua.

— Tem certeza?

— Por que não teria?

— Quem sabe porque se gostasse de verdade não faria o que fez.

— Quer saber? A Ana meche comigo, sim. E ela ainda me provoca. A Anastácia sabe e muito bem que eu namoro, mas parece não querer respeitar os limites. Me chama pra um lugar ou outro, pra conversarmos como “amigos”, segundo ela. – Ele fez aspas com os dedos. – Mas tenho certeza que ela não quer só isso. Nunca foi só isso. E eu, vou na onda dela e acabo me deixando levar pro que ela diz e pro que ela faz. Devo ser um tolo mesmo.

— E você pretende continuar com esse segredo?

— A essa altura nem deve mais ser segredo. Já pensou no fandom? Na reação da Luana se souber? Aliás, “se” não é o melhor termo a ser usado, e sim “quando”.

— Ela vai ficar magoada. Ela vai se sentir inferior porque você trocou ela por algo “melhor”. – O moreno também sinalizou com aspas. – Inclusive nem devo prever as possíveis reações dela. Você, sem dúvida conhece ela bem melhor do que eu. – Daniel olhou para o nada, cabisbaixo, e repentinamente voltou o olhar para o amigo, indagando com os olhos cerrados.

— Por que está sendo assim?

— Assim como?

— Tão compassivo.

— Não estou sendo compassivo. Só estou tentando te alertar. E não costumo me meter na tua vida nem na de ninguém, mas você precisa abrir o olho. Em todos os sentidos.

— A gente... – Ele ia dizer algo sobre, mas logo procurou mudar de assunto. – ...precisa editar o vídeo de amanhã. – Sanna exalou todo o ar que havia em seu pulmões e bateu nas costas do amigo, num ato de companheirismo, indo em direção a outra sala onde estavam os demais.

Daniel ficou sozinho. Calado, imóvel e meio envergonhado até, ele voltou a pensar no assunto que o atormentara hoje mais cedo, bem como dias atrás. Outras coisas vieram em sua mente. Agora tudo se tornava mais difícil.

A internet, que horas serve para o bem e horas para o mal, agora o tinha na palma da mão. Não levaria um estralar de dedos para que todos soubessem do seu suposto relacionamento com Anastácia, ainda que fosse um simples e único beijo. Maldito beijo. Ou bendito. Como ele mesmo disse, não sabia mais de nada.

...

Sentada sobre a cama e escorada da cabeceira da mesma, Luana tomava café em sua xícara. O líquido quente estava quase no fim, quando ela começou a acessar alguns sites em seu notebook, que agora estava no travesseiro posto sobre as próprias pernas.

Enquanto tomava mais um gole, olhava para a tela, e passou rapidamente os olhos por uma notícia que a primeira vista parecia zoação. Porém, ao olhar melhor, teve a certeza de que não: “Daniel Nascimento, conhecido por fazer parte da Cia. Barbixas de Humor, é visto em bar-restaurante aos beijos com morena até então desconhecida”. Estava claro, e muito bem claro o que a manchete queria anunciar, e não era coisa boa. Ao menos, não para ela.

Totalmente perplexa, com os olhos e boca bem abertos, ela tentava conter sua explosão, descontando na pobre almofada que era apertada com toda força que tinha em suas mãos e braços. Com os olhos mareados, ela lia e relia tudo aquilo que talvez nunca pensou ver.

De repente, um vazio. A solidão naquele quarto a fez sentir-se completamente largada, e as lágrimas em seus olhos a faziam sentir-se completamente frágil.

— ELLEN! – Gritou angustiada, e pôde ouvir uma voz abafada responder algo como “Já vou”. Luana não esperou nem dois segundos a mais, e logo voltou a chamar. – ELLEN!

— Ai! Pra que esses gritos?! – Ellen surgiu na porta do quarto, quando avistou a amiga pasmada em frente a tela do notebook. – O que você viu aí? Por acaso, descobriu que o mundo vai acabar?

— Não, mas é quase isso.

— O que foi então, criatura?

— O Daniel está me traindo. – Ela disse sem clareza, pois sua voz pareceu falhar ao ter que pronunciar tal frase. A outra riu.

— Por um instante pensei ter ouvido que o Daniel traiu você.

— Pois é. Foi isso que eu disse. – Luana forçou um sorriso sínico. O mais forçado que já dera.

— O que?!

— Veja você mesma. – Luana a entregou o notebook para que ela visse com os próprios olhos. Após alguns segundos em silêncio fitando a tela, Ellen enfim disse algo.

— Como ele pôde? – Quase tão abismada quanto a amiga, ela sussurrou.

— Ellen.

— O que, Lua? – Luana sentiu seus olhos arderem ainda mais. Não tinha como controlar as lágrimas que insistiam em escapar.

— O que eu faço agora?

— Ah Lua... eu nem sei o que pensar. Quanto mais dizer alguma coisa.

— Olhe só pra isso. Ele beijando essa... essa... – Conforme a emoção que sentia, ela buscou palavras apropriadas para defini-la, porém como não encontrou... – ...essa mulher. E eu esperando pelo dia em que supostamente ele seria flagrado comigo. Mas não. Ele foi flagrado com essa aí, que eu nem sei quem é. Como fui tão tola? – Seu comovente tom de voz já declarava tudo. Expressava até os sentimentos mais profundos. Luana pôs as mãos na cabeça a chorar. O ódio e a melancolia a tomavam ao simultaneamente.

— Não, Lua. Não chora, por favor. Mais tolo foi ele de ter feito isso.

— Quer saber?! Eu vou falar com ele! – Ela foi firme em suas palavras.

— Olha lá o que vai dizer. Não fala ou faz nenhuma besteira.

— Nessa situação? Todas as besteiras do mundo.

Notas finais
Bom, meus queridos, venho aqui dizer que a partir de agora, a fanfic "O que o destino aprontou dessa vez?" será atualizada três vezes por semana. Sim, você não leu errado. Três! Vamos dar pulinhos de alegria?! Hahaha. Uma certa leitora, a quem por sinal eu me afeiçoei bastante, já havia dado essa sugestão há muito tempo. Depois de muito pensar, eu disse que faria. No entanto, só consegui concretizá-la agora. Mas de qualquer forma, estou cumprindo com minhas palavras. Então, sendo assim, eu me despeço de vocês com um muito obrigada por lerem e até quinta-feira!