O que o destino aprontou dessa vez?

23 Capítulo 23 - Ah... a paixão


Notas iniciais
Olá leitores, como vão? Creio que as férias de muitos já tenham acabado. Assim como as minhas. Mas vamos que vamos! Aqui está o capítulo de hoje. Boa leitura.

Luana passou pela porta, entrando na sala. Ela tinha os olhos profundos e avermelhados, e cambaleava um pouco. Efeitos do álcool que ingerira na noite anterior. Encontrou Ellen sentada inclinadamente no sofá, esta que demonstrava uma expressão um tanto preocupada.

– Lua! Onde você estava? Por que não dormiu em casa? – Ela disse endireitando o corpo no estofado.

– Eu... depois eu explico. Passei a noite toda acordada e agora só quero dormir.

– Espera. – Ellen levantou-se e parou diante dela. – Você bebeu?

– Bem, bebi...

– O que está acontecendo? Você não é costuma beber. Vem, senta. – Ela puxou-a para o sofá.

– Ontem eu fui na casa do Daniel. Eu queria... – Ela parou um pouco e pôs a mão na cabeça. Provavelmente era ressaca, ou qualquer coisa desse gênero. – ... queria contar a verdade a ele. Que ele me perdoasse, por mais que eu não tenha feito nada, mas ele não quis ouvir. Me mandou embora. – Ela começou a chorar, afinal havia bebido litros a noite toda. Não era do tipo de pessoa que bebia com frequência, porém quando acontecia, fazia o típico papel de bêbada depressiva.

– Eu sinto muito por isso. Mas não deve descontar sua tristeza no álcool, ouviu bem? – A outra assentiu. – Vem dormir, eu sei que você deve estar morrendo de sono. – Ela levantou-se e ajudou a outra a fazer o mesmo. Ellen foi até a cozinha, onde preparou algo, que Luana não sabia ao certo o que era. Minutos depois, voltou para a sala com um copo em mãos. – Toma isso.

– O que é isso?

– Calmante. Vai te fazer bem. Agora dorme. Ah posso pegar teu carro?

– Claro. Vai aonde?

– Vou resolver uma coisa. – Disse simplesmente saindo do apartamento.

Pegou o carro e checou no GPS o ultimo lugar onde a ruiva esteve. Minutos depois, chegou em uma rua, não tão movimentada. Haviam algumas árvores que embelezavam o local, além dos jardins e da bela aparência das residências, que davam uma ótima impressão a quem quer que passasse por ali. O GPS enfim anunciou a chegada ao destino desejado. Ellen, a primeira vista, pensou: “Tem dinheiro, e não é pouco”. Andou até a porta da casa e tocou a campainha.

O homem dormia sossegadamente na cama, até ouvir o som. Acordou espantado.

– Meu Deeeeeeus! Ninguém pode mais dormir em paz dentro da própria casa? – Resmungou.

Olhou no relógio: 8:57. Levantou-se e foi abrir a porta.

– Bom dia, Daniel.

– Você... eu lembro de você. É... Ellen, não é?

– Exatamente. Posso entrar?

– Claro. – Ele deu espaço para que ela passasse. – Você quer uma água? Um café?

– Sim, eu vou aceitar um café.

– Tá, eu... vou fazer. Vem comigo. – Ela o seguiu até chegar a cozinha.

– Eu não sabia que você cozinhava.

– Eu tento. – Sorriu sem graça. Depois de alguns minutos, o café já estava pronto.

– Hm... eu gostei. – Ela disse depois de tomar um gole do líquido escuro, na xícara branca com detalhes em preto. – Pelo menos o café você faz bem. – Ele sorriu, também tomando um gole do café.

– Aceita um pedaço de bolo? Um bolo inteiro? – Ele fez graça.

– Não, não precisa. Só o café já está bom. – Disse enquanto ria.

– Então... você veio aqui a mando da Luana?

– Não, não. De forma nenhuma. Ela nem sabe que eu vim aqui.

– Como sabe onde moro?

– A partir de um aparelho tecnológico que vai revolucionar a sua vida. Chama-se: GPS. – Dessa vez, foi ele quem riu.

– E o que você deseja exatamente?

– Conversar sobre a Lua.

– Se foi por isso que veio aqui, talvez esteja perdendo seu tempo.

– Não, sei que não estou.

– Pois então... – Com um gesto de mãos, ele pediu que ela prosseguisse.

– Ela não tem namorado, Daniel.

– Como não, Ellen? Eu vi os dois se agarrando.

– Foi tudo uma farsa. – Ele olhava-a confuso, sem entender. – Eu explico tudo: o Lucas sempre gostou da Luana, e não só como amigo. Mas ninguém nunca soube, pois ele nunca disse nada. Só veio revelar isso a ela quando soube que ela estava se envolvendo com você, mas ela não o quis. Foi esse o motivo da briga dos dois aquele dia. Você lembra?

– Sim... eu lembro. Ela veio aqui em casa aquele dia, mas até hoje não me disse o real motivo.

– E como represália, ele a forçou a beijá-lo e fez com que você flagrasse tudo, justamente pra que você pensasse que eles estavam juntos e ficasse longe dela. Ele é esperto, tenho que admitir. Então olha, nesse exato momento a Lua está de ressaca, dormindo no quarto sobre o efeito de calmantes, e tudo por causa dessa maldita confusão. Ela não está bem. – Talvez não fosse certo confiar em alguém que Daniel mal conhecia, porém a convicção da outra, o fazia querer acreditar. – Aquela ruivinha é apaixonada por você, Dani. Ela quer você, não o Lucas. – O barbixa sentado, pôs a xícara vazia, ainda quente, sobre a bancada. Olhou para o próprio colo e sorriu da forma mais discreta que conseguiu.

– Então foi tudo uma armação dele? – Ellen assentiu. – E ela também gosta de mim.

– Gostei desse “também”. – Fitaram-se por alguns segundos, e sorriram. Ele logo expirou profundamente e pôs as mãos no rosto. – Que foi, Dani?

– Eu não deixei ela se explicar. Eu que estava errado esse tempo todo.

– Mas já passou.

– E agora, tenho que pedir desculpas a ela.

– E está esperando o que, bonitão? – Ele sorriu sem graça. Levantou-se e lhe deu um abraço aconchegante.

– Obrigado por tudo. Nem sei como agradecer.

– Não precisa agradecer.

– Ela está no apartamento?

– Sim.

– Eu vou lá. Pode ficar mais um pouco se quiser. A empregada chega daqui a pouco. Ah e obrigado mais uma vez! – Ele disse já saindo da casa. Mal podia esperar para vê-la.

Era inacreditável como a força de uma paixão poderia mudar tudo. Só ele sabia o quão feliz estava por estar errado todo esse tempo.

Notas finais
ORRA. O próximo capítulo promete! Obrigada por lerem e até lá.