O que há por trás do arco-íris?
2 1: Vai passar?
Notas iniciais
Acordo com o bipe do despertador e resmungo emburrada, desligando-o. Me sento na cama, tentando mentalizar coisas positivas, como: “É só mais um dia, vai ser bom, você consegue!”, porém o que eu mais desejo é ficar na cama e não ter contato com ninguém. Mesmo assim, faço um coque em meu cabelo e indo até o banheiro. Faço minhas higienes matinais como tomar um bom banho, escovar os dentes e lavar o rosto. Assim que seco meu rosto, meus olhos se direcionam ao espelho. “É só mais um dia ruim, vai passar na manhã seguinte.” Pego minha mochila que está na cadeira da escrivaninha e respiro fundo, me olhando no espelho. “Qual a utilidade da vida?” “Acho que Micaela está cansada de mim” Tento afastar esses pensamentos, enquanto desço as escadas indo para a cozinha e me sentando na mesa.
— Bom dia, filha.
— Bom dia mãe.
— Você não parece bem, tá acontecendo algo?
— Nada, só cansaço. – suspiro, enquanto olho para o copo de suco, já quase vazio.
— Relaxa, as férias já estão chegando! – Diz mamãe, otimista.
— Falando em férias, você chamou a titia e ela disse que só iria se aquelas pragas fossem, eles vão mesmo?
— Não fala assim, Olívia. – suspira – Acho que só seu primo vai, sua prima não.
— Amém, menos um. Eles só sabem brigar. – dou de ombros e mamãe suspira, já cansada de corrigir minhas opiniões.
— Enfim, terminei. Vou lá em cima e depois desço para esperar a Micaela.
Suspiro subindo as escadas e indo até o banheiro, desamarrando meu cabelo, escovando os dentes novamente e descendo, desanimada e indo para o portão, esperar Micaela.
Micaela é a minha pessoa. Aquela com quem conto nos momentos difíceis. Sei que se eu estiver mal, ela estará ali.
— Ei, bocó!
Sorrio, me virando para ela e a abraçando, deixando a sensação de nostalgia me invadir. Ela me chama assim desde quando éramos pequenas.
— Oi Mi. – digo, enquanto ajeito minha mochila nos ombros e caminhando lentamente com ela.
— E aí, conseguindo fugir da Iara nos corredores? – ela debocha.
— Não, já dei de cara com ela umas três vezes.
— Sorte sua, um curso bom, professores bons. E eu?
— Só falta mais duas semanas, calma.
— Para as férias? Ah, aleluia.
Gargalhamos, enquanto atravessamos a faixa de trânsito e entramos na sede da faculdade. Ás vezes me pergunto porque sou tão alegre assim, sendo que no fundo, sei que não sou...
(...)
Assim que as aulas acabam, guardo tudo rapidamente em meu estojo e saio meio atarefada da sala, trombando com Iara no corredor. Mordo o lábio inferior, corando e ela sorri.
— Ah, oi. – digo
— Oi.
— Tchau.
Digo, logo me desviando da mesma e indo até a saída, esperando Micaela na porta para irmos na lanchonete da esquina, fazer um lanche.
Nay: Ocupada?
Olívia: Não, esperando minha amiga.
Nay: Ah...
Suspiro, sem ter o que responder, até que Micaela me cutuca e respiro aliviada. “Para que evitar ela?” “Ela me faz tão bem, eu só não sinto mais o mesmo ânimo de antes...”
— Vamos naquela lanchonete?
— Claro, ia falar isso. – sorrio com seu comentário e caminho com ela até a lanchonete, entre conversas.
Já na lanchonete, nosso pedido sai e sentamos em uma das mesinhas arredondadas do local.
— E aí, para onde vai nessas férias?
— Acho que vou para o Rio de Janeiro, eu já te contei, esqueceu?
— Aí, verdade. E aqueles seus primos, vão?
— Eu não sei, espero que não. Eles são insuportáveis. Dois crianções de 30, encostados na mãe.
— Falou a independente. – Micaela debocha e eu bufo.
— Mas eu to juntando dinheiro pra ter meu lugar, meu espaço.
Nay: Oioi?
Meu celular faz um barulho e suspiro, olhando na tela e vendo a mensagem de Nayara.
— Hmm, é crush!
“Pior que é mesmo!”
— Para Micaela Amorim!
— Falou o nome todo, é crush mesmo. – gargalha.
Bufo, desbloqueando o celular e respondendo:
Olívia: Oi! Estou aqui. Desculpa, tenho andado muito estranha esses dias.
Nay: Porque?
Olívia: Não sei, acho que só to mudando em alguns quesitos.
Nay: Um deles parece ser eu.
Olívia: Não! Me desculpa, sério.
Bloqueio o celular, deixando o mesmo no silencioso e suspiro, terminando meu lanche.
— O que houve, mana?
— Eu não sei, sabe quando você não se sente nem um pouco feliz?
— Sei, o nome disso é ‘bad’.
— Não, não é assim... Será?
— É o que parece. – diz ela tirando o dinheiro do bolso e pagando seu lanche, em seguida, faço o mesmo.
“Isso tudo vai sumir, vai passar.”
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