O que fazer quando o céu cair
4 Ou no Final
Noah surpreendeu até a si mesmo por ainda conseguir andar. Achava que por causa dos cortes nos braços, seria hospitalizado por semanas, que ficaria cheio de cicatrizes, mas nada disso aconteceu. Nada. Essas aberrações, não tinha mais vergonha de chamá-los assim, mesmo que isso significasse que seu irmão também seria uma, em menos de uma hora quase o mataram e o salvaram de uma morte completamente ignorável. E ele achava as pessoas na sua cidade bipolares…
E agora a grande pergunta que não o deixaria em paz até que fosse resolvida, falaria onde Amy estava?
Concordou que sim por ela e mais ninguém, só que o mesmo tipo de pessoas, pessoas próximas a ela, quase o mataram sem nem ouvir o que tinha para falar, por mais útil que fosse. Por mais que Taiti negasse, aquilo era verdade. Ela não mirou nos braços, aquilo foi um imprevisto, foi direto para o pescoço… Noah sentiu um arrepio na espinha, como um dedo gélido que seguia a linha dos seus ossos. Aquela lâmina que Taiti usou tinha diminuído a velocidade quando ele falou que sabia onde Amy estava, se não tivesse aberto a boca, estaria morto. Noah nem queria pensar em como Leandro ficaria se aquilo tivesse acontecido, mas alguma coisa bem no fundo do canto mais pútrido do seu coração queria que esse caminho fosse verdade só para ver a desculpa que as aberrações teriam que dar para seu irmão. Que falácias usariam? Que não era digno de ficar com eles? Que era incapaz de ficar com eles? Ou talvez fosse uma coisa que ele nem queria pensar, que seria para o bem dele, já que, se ficasse com as aberrações, seu destino seria pior que a morte. O porquê de evitar esse pensamento era mais que óbvio. Ele não morreu, estava lá, ambos os braços e o pescoço intactos, seguindo as aberrações sem ter ideia se aquilo era o que devia fazer, se elas não o descartariam depois de falar onde Amy estava. Talvez ela o ajudasse de algum jeito, pelo o que os meninos disseram, ela era importante para um tal de Alexandre. Mesmo que Noah não tivesse ideia de quem ele fosse, sabia que era algo acima de todos lá, então, influente o suficiente para deixar um bichinho de estimação entrar. Era isso o que ele passaria a ser, nada mais que um bichinho de estimação, talvez um garoto propaganda, a cara de uma revolução, mas não Noah, só mais um menino qualquer. Quando estava na cidade, o pensamento de ser só mais um o aterrorizava. Era quase uma garantia que assim estaria jogando sua vida fora, mas lá? Nos portais de uma cidade hostil e desconhecida? Talvez fosse isso tudo o que ele quisesse, ser só mais um… só mais um que todos deixariam passar por não ser ninguém, só mais um que seria torturado na sua entrada para o paraíso, sendo relembrado detalhadamente de todos os erros que cometeu por ser só mais um, só mais um moribundo morto por uma aberração, somente mais um.
Falaria?
Valeria a pena falar? Agora que era valioso, poderia fazer com que ficassem com ele para que falasse alguma coisa, mas enquanto estava agindo como mais um político burocrata, falando mais que agindo, Amy, quem teve a audácia de ajudá-lo na situação que estava, estaria esperando por ele, perdendo cada vez mais a esperança com a passagem do tempo, perguntando-se por que foi tão estúpida ao ponto de confiar em um moribundo. Noah conhecia esse vazio da traição, não desejava-o para ninguém.
Suas pernas já estavam bambas quando chegou no chalé, Alex abriu a porta e deixou que eles entrassem, fechando e trancando-a atrás de si. Aquela ilhota no meio da floresta era um lugar muito mais aconchegante do que Leandro achava que um chalé seria. Dois ambientes foram comprimidos em um espacinho tão pequeno que as cadeiras da mesa de jantar estavam apertadas contra um sofá que dava para lareira. Eles queriam tanto que aquilo estivesse aceso… aquela casa estava um gelo. Uma menina estava sentada à essa mesa, estava vestida como Taiti, com a única diferença sendo a cor da camisa, um azul claro de gola baixa. Ela não parecia preocupada com eles, sua face exprimia algo além de desinteresse, talvez tédio generalizado. Não parecia ter mais de trinta anos, mesmo que Leandro julgasse que as rugas de expressão de alguém quase dormindo sobre um livro envelhecessem-na um pouco.
— Eu falei que eu estava certa? Eu disse!
— Esfrega isso na cara do Alex, eu nunca duvidei.— Taiti riu ajeitando a armadura no corpo
— Boa dynamo!- ele fez um cafuné na cabeleira ruiva dela, bagunçando o que já estava bagunçado.— quer um biscoito?
— Eu quero que você cale a boca!
— Pra que tudo isso?
— Eu quero o meu celular!— ela esfregou os olhos, puxando a pele da bochecha para baixo.
— Você sabia que ficaria um tempinho sem quando concordou em fazer o trabalho.
— Quem são os novatos?— ela bufou com sua explicação simples e repetida, mas não poderia fazer nada, sua casa estava a dias de viagem.
— Um moribundo e o suposto irmão dele.
— Por que trouxeram um moribundo? — ela olhou-o extremamente confusa.
— Ele sabe onde a Amy está.
— Claro, tudo pela Amy, não é, Taiti? Onde?
— Noah?— Taiti olhou para ele de um jeito que foi quase impossível de compreender, era uma mistura indecifrável de olhos de cachorro triste e uma ordem irrefutável, dada por um governante poderoso.
— Presa.— ele não queria falar, não sentia que devia, muito menos depois do que Taiti fez para ele, mas Amy merecia sua ajuda, a cidade merecia sua ajuda. Se não falasse, ele tinha medo do que poderia acontecer com ela…
— Já estava na hora.— Tina falou o que quase todos naquela cabana queriam falar, mas tinham medo da reação que poderiam receber.— me deixa adivinhar, você vai pedir para que nós te ajudemos.
— Você sabe que não é só ela que está em jogo. Tem o Nicolas e o meu irmão.
— Bela desculpa.— Mathias esgueirou-se pelas cadeiras para abrir a geladeira e pegar uma jarra de suco de alguma coisa, servindo-se logo depois.— todo mundo sabe que você não dá a mínima para ele, é muito fácil fingir-se de herói.
— Não é uma desculpa e vocês sabem disso.— Taiti usou um tom milhares de vezes mais agressivo do que sabia que devia usar, mas não arrependeu-se.
— Como vocês não sabiam onde ela estava?— Noah perguntou confuso. Se aquelas pessoas eram tão especiais como Amy disse que seriam, como não conseguiram pensar em uma coisa simples como aquela?
— Ela saiu em uma missão depois da Tina ter visto um humano dentro do bolsão e não voltou. Foi uma dor de cabeça, podia ser em qualquer prisão dentro do bolsão, nós tínhamos medo que fosse muito longe da floresta, por mais que a Tina tentasse, não conseguiu ver nada… que prisão?
— Da cidade onde eu moro.
— Tina, mapa.
— Tina, mapa, Tina, planta, Tina, acha a Amy, Tina…— ela fechou as mãos perto da boca e soprou-as como se quisesse esquentá-las e abriu-as formando uma névoa esbranquiçada. Leandro arregalou os olhos com aquela visão, era uma nuvem contida em suas mãos, parecia impossível, proibido, um tabu. Ele se perguntava como ela descobriu como fazer isso em um ambiente que não só desencorajava, mas penalizava atitudes como aquelas.— só falta vocês me pedirem para limpar o banheiro de vocês e não está muito longe!
— Certo, obrigada…— Taiti aproximou o rosto da imagem, analisando a cidade que já devia conhecer de cór, mas nunca deu-se ao trabalho de sair para dar uma volta.— Noah, onde fica essa prisão?
— Maior prédio da cidade, dentro do complexo real.
— Certo, vamo-nos.
— Vamo-nos nada!— Alex apontou para ela, depois para longe. A armadura que ela usava desfez-se com força, fazendo um barulho alto de metal caindo e batendo em si.— minha senhora, você não vai é pra lugar nenhum sem autorização do Alexandre ou do protocolo.
— Você e eu sabemos que ele tem coisas melhor pra fazer, me devolve.
— Senta.
— Me devolve logo isso!— ela girou os braços com força, fazendo um circulo que vinha de cima da coxa até onde conseguia. O coração de Alex pulou uma batida e seu sangue desceu para a ponta dos dedos dos pés, mas ele teve que permanecer imutável. Aprendeu isso nos tribunais.
— Se eu quiser, você não volta pra cidade e eu sei que o lugar que você trabalha não aceita tatuagens. Se eu fosse você, eu sentava.
Todos lá olharam para Alex. Mathias segurou um gole dentro da boca, com medo de que o som dele engolindo seria o suficiente para criar a faísca que acenderia uma explosão. Tina deixou as mãos em meio caminho de fecharem-se. Ela sabia que aquilo aconteceria, mas rezava para que Alex continuasse, para que finalmente ensinasse alguma coisa para ela. Por pura curiosidade virou os olhos para os irmãos, Leandro estava sentado no sofá, quase que encolhido enquanto Noah ficou parado na porta, apoiando-se na madeira, olhando para baixo de braços e pernas cruzados, esperando que aquilo acabasse logo, quase rezando para que ninguém colocasse-o naquela conversa. Não mentiria, sentiu um pouco de pena deles. Não deviam ter visto aquilo.
Aquela era a última coisa que Taiti queria fazer. Sentar-se. Ficar parada enquanto sabia que podia fazer alguma coisa. Que se não fosse por toda essa burocracia inútil, ela já estaria a caminho. Mas tinha medo. Tinha medo de que ele estivesse mesmo falando sério, de que iria de verdade jogar seu talento fora, de que deixaria que ele se dissolvesse no éter. Quase com as mãos para cima, ela tomou seu lugar colada a cabeceira do móvel. Alex pegou a primeira coisa ao seu alcance, uma jarra que estava vazia sobre a mesa, e apertou-a com a mão que antes apontara para a menina, tendo todo o cuidado para colocá-la de volta sem dano algum.
— O que você quer?— por mais que suas atitudes anteriores comprovassem sua ingenuidade, elas foram forçadas. Taiti era mais coisas do que a mente humana podia imaginar, mas se tinha alguma coisa que não era, era burra, desprovida de malícia. Sabia muito bem que estava sendo tratada como um refém.
— Precisamos de um plano.
— Para que? É só entrar na prisão, pegar nossa gente e sair da prisão.
— Tá, como você vai entrar lá sem morrer? Faz tempo que eles desenvolveram um soro para nos matar, duvido que não o usariam. Noah?— foi a primeira vez que ele realmente deu-se ao trabalho de olhar para o moribundo.
— Verdade.
— E como você vai sair com três humanos?
— Isso é problema dos Dynamos.
— Ei! — Tina reclamou ainda lendo seu livro.
— Taiti, é sério. Eu quero resgatar o Nicolas tanto quanto você quer a Amy, mas nós somos melhores que eles, temos que mostrar isso.
— Não, não, não, não, não, deixa eu ver se eu entendi. Eles podem nos matar, torturar, drogar, fazer o que quiserem com a gente com uma desculpa quase religiosa, mas nós não podemos dar o troco? Que tipo de superioridade é essa? Isso não é justo, não é a justiça que você prega. Eu não vou seguí-la, Alex.
— Nós já estamos desobedecendo as regras, me faça o favor de não ser teimosa a ponto de trazer alguém da morte toda vez que você não pode fazer o que quer?— isso fez com que ela calasse a boca, quase puxando os lábios para dentro em vergonha.— Tina, tenta ver onde eles estão.
— Já tentei um milhão de vezes.
— Você sabe para onde olhar, isso não ajuda?
— Acho que não.— ela fez o mesmo gesto com as mãos de antes, abrindo-as com os olhos fechados, mais que focada na desgraça daquela prisão. Estava certa, aquela névoa não tomou mais forma do que um turbilhão preto.
Mathias olhou para aquilo com o cenho franzido, aquele tipo de coisa só acontecia quando havia algum tipo de bloqueio no que queria ser observado. O único jeito de se fazer um era com a ajuda de um outro Dynamo que não fosse o que estava procurando. Ele sabia que fazia muito tempo que todo vestígio de humanos foi limpado daquele bolsão, então como? Como eles fizeram isso? Teriam os moribundos canalizado o talento dos humanos? Depois de ver o estado das pessoas que voltavam de lá para seu hospital, não duvidava de nada. Não duvidava que eles pudessem fazer experimentos tais como os nazistas fizeram, mas aquilo… aquilo era uma coisa que beirava a impossibilidade. Devia ser impossível para os "governantes" do bolsão. Mesmo sabendo de tudo aquilo, decidiu ficar quieto. Em uma hora como aquelas, um comentário como aquele seria inútil, talvez até reprimido.
— Nada.— Tina falou, fechando as mãos e aceitando a derrota.
— Você tem alguma ideia do que fazer?— Alex olhou para ela, esperando de verdade que tivesse.
— O complexo inteiro está bloqueado. Quanto ao timing, teremos que apostar na sorte… Por enquanto, temos que nos preocupar com o soro.
— Eu podia tirar o meu talento e o de vocês, mas eu duvido que os guardas não notariam a sobrecarga.
— Além disso, reagiria com quem segurasse os talentos.
— Não reagem em moribundos.— Taiti falou, mesmo sabendo que não devia. Ela recebeu olhares de repreensão dos outros, fazendo o possível para não mostrar-se abalada.
— Eu não vou fazer aquilo de novo, é difícil, anti ético…
— Ela não estava falando de você, Tina.— Noah olhou para ela, não com raiva, não com ódio, mas com a maior cara de dúvida que já fez.— porque você quer tanto me ver morto? Eu não prendi a Amy, nem fiz que ela falasse nada se esse é o seu medo. Para falar a verdade, ela até pisou em mim. Então se você quiser que eu vá embora, eu vou, só me faça o favor de parar com essas indiretas.
A sala ficou silenciosa depois daquilo. Aquilo não afetou só Taiti, mesmo que tivesse as piores consequências nela, todos olharam para baixo. Todos calaram-se como aqueles que não podem fazer nada perante um desastre. Com dificuldade continuaram a fazer o que quer que estivessem fazendo antes, Tina lia leu livro sem realmente compreender as palavras, Mathias bebericava seu suco sem sentir seu gosto, todos com um peso na consciência que fariam de tudo para só tirar das costas. Um peso posto por um moribundo… uma pessoa como aquela devia ser incapaz de fazer qualquer coisa além de viver sua vidinha pequena em um bolsão criado por eles, não fazer com que se sentissem mal, não fazer com que se sentisse culpados por eles serem inferiores.
— Eu acho que seria seguro para você ir.— Alex falou extremamente baixo, quase como se não quisesse ser ouvido.
— Você sabe o que acontece quando passamos talentos para moribundos.—Mathias disse com uma preocupação impressa em sua voz que usou pouquíssimas vezes, como quando anunciava um defeito para seus pacientes.
— A coisa é, eu não consigo ter certeza se ele é ou não um moribundo.
— Como não?— Taiti perguntou com todo seu sangue caindo para seus pés. Já estava mal por quase ter matado um animal que continha informações preciosas, mas aquilo só pioraria se soubesse que quase matou um dos seus que tinha informações importantes.
Alex sabia que ele não era alguém que perdeu seu talento, viu pessoas assim o suficiente para identificar suas auras com maestria, então aquela hipótese nunca nem chegou a ser considerada. Sabia também, que ele não podia ser um humano, sua essência era fraca de mais para aquilo, mas também forte de mais para ser um moribundo. Ele estava em um limbo perverso, preso sem ter como ir para qualquer um dos lados, mas talvez, naquele específico momento, aquilo fosse útil.
— Olha, Noah, se você não quiser fazer isso, pode ir embora, só não fale para ninguém onde estamos, mas podemos te ajudar.— que os anos na faculdade de direito servissem para alguma coisa.— Senta, você não precisa ficar de pé por tanto tempo.
Ele deu de ombros, pegando um leve impulso para tirar seu centro de gravidade da porta, logo encontrando-se em um dilema. Sentaria-se perto de quem? Imaginava que ao lado de seu irmão seria infantil demais, mas era a única pessoa naquele lugar com a qual ele passou mais de um dia, a única que o ofereceria o mínimo de conforto.
— O que mais vocês querem de mim?
Alex suspirou antes de começar. Não estava em um tribunal, não estava lá para condená-lo por nada, mas teria que usar todo seu poder de barganha se quisesse que a cidade continuasse de pé depois de saírem da prisão.
— Eu sou um arcano, do mesmo jeito que a Amy é, mas ela não tem o mesmo talento que eu, ela não tira, ela dá.
— Você não está pensando em fazer isso!
— Taiti, se você a quer de volta, fica quieta. Se você nos ajudar, posso fazer com que ela te dê alguma coisa para que entre na cidade.
— Vocês não falaram que eu era muito velho para ainda não ter causado nenhum problema?
— Humanos se escondem no bolsão muito bem, alguns nem mesmo chegam a ser descobertos, então esse não é um problema. O que eu estou dizendo é que precisaremos da sua ajuda.
— Até o médico disse que eu sofreria de uma tal de sobrecarga. Não sei o que isso é, mas nem quero saber. Eu sou um covarde. Eu não quero morrer.
— Aí está a coisa. Eu não acho que você vá sofrer disso. Se os outros pudessem ver, eu mostraria e eles te provariam que não estou mentindo, mas eu acho que terá que confiar em mim.— Alex pegou a jarra de antes, afastando suas mão lentamente, como se segurasse algo tão frágil que, se apertasse-o um pouco mais do que devia, ele quebraria. Taiti prendeu a respiração, colando seu corpo contra o cetim do sofá. Sabia que o leitor de auras não faria nada que não devia, já que seguiu todas suas exigências, mas mesmo assim, era estranho ver toda sua vida nas mãos de alguém sendo controlada do mesmo jeito que ela controlava metal.— o que você me diz?
De qualquer jeito, o que mais Noah tinha para perder? O irmão que só ajudou por ter um clique de querer ser herói e ter um motivo por ser? Era como o falso amor familiar incondicional no Natal, mas agora ele sentia até mesmo uma ponta de ciúmes do irmão. Por que Leandro era quem podia fazer tudo aquilo com fogo e ele era só uma moeda de troca que não valia mais do que nota de três reais? Não era justo, talvez na próxima vida tivesse uma chance de ser especial, mas naquela, estaria confinado a carcaça de ser só um moribundo. Não teve medo. Inflou o peito, ergueu o queixo e deixou a última baforada de ar mundano sair de seus pulmões, leve como uma pena.
— Se é isso o que vocês precisam para perceber que eu sou confiável. Que assim seja.
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