O que existe além de revenge...
8 Capítulo 8:
— Trouxe um sanduíche pra você. — anunciou Aiden, chegando até o sofá onde Emily estava jogada mexendo no celular.
— Obrigado, mais não tô com fome não. — a loira o olhou por um único segundo.
— Emily isso não é uma opção, você precisa se cuidar, ainda mais que você não está totalmente recuperada dos tiros que levou. — o inglês insistiu a encarando, mas parecia ser ignorado por ela que continuava concentrada no que fazia. — Verdade você nunca se cuidou não é. — Aiden lhe da uma dura e dessa vez recebeu um olhar fulminante dela, e ele sabia que aquele olhar dispensava qualquer palavra.
— Eu, eu...- Posso te confessar uma coisa. — ela ergueu-se sussurrando com a voz arisca.
— O que? — Aiden contestou soltando a bandeja sobre a mesa perto ao sofá e calmamente sentou-se seu ao lado. Emily parecia com o olhar nervoso.
— Não sei se a melhor opção, foi eu ter sobrevivido. — a loira ficou angustiada, mais admitiu a agonia que atormentava sua alma, era como mergulhar num abismo e sentir-se sufocando enquanto caía até o chão. — Ultimamente me sinto tão atormentada que parece que eu morri mesmo. — Emily fez confidências mesmo não querendo, nunca foi de expor o que estava dentro de si, preferia sufocar suas fragilidades dentro de seu peito sozinha, não queria ser fraca, na verdade ela nunca pode.
— Hei não fala isso nunca mais. — implora ele levantado o queixo dela para que lhe encarasse nos olhos.
— Mais é isso Aiden. — Emily suspirou com o coração e mente repleta de angústia. — Tudo perdeu o sentido de vez, minha existência foi só um fracasso, até fazer aqueles que destruíram tudo que eu tinha fracassou. — ela engoliu sua tristeza em seco, a última coisa que pretendia agora era chorar demonstrando toda fragilidade que continha dentro de si.
— Emily... — Eu não ia me perdoar jamais se você tivesse morrido, não fala isso, por favor. — assustado com os devaneios da amiga e grande amor, Aiden proferiu, jamais poderia perde-la, seria como morrer mil vezes também, e das maneiras mais dolorosas possíveis...
— Alguma coisa mudou aqui dentro, eu não sei o que, mais mudou. — repetiu ela o olhando confusamente, mas medrosa, desviou de novo nervosa.
— Emily eu sei que tudo que houve foi frustrante, que você jamais esperou esse desfecho, não depois de tudo que nós calculamos pra nada dar errado como deu. — Aiden procurou entende- la. — Mais você ainda pode reescrever essa história, eu sei que pode, mais não é se entregando deste jeito. — ele alegou querendo conforta- la de algum jeito, Aiden poderia não se importar com mais ninguém no mundo, ter mesmo se tornado a figura fria e sem alma que sua vida dura e triste lhe destinou a ser, mas com Emily não, com ela, e por ela tudo sempre seria diferente, Emily lhe mudava de algum jeito, o olhar dela, algo dentro daqueles olhos enigmáticos e muitas vezes cheios de tristeza e amargura, aquecia sua alma, lhe traziam uma paz, uma melancolia boa, algo que lhe fazia acreditar em um futuro melhor. Emily era seu calcanhar de Aquiles, seu ponto fraco, e também sua maior e única razão de um pouco de felicidade, era perto dela que viver fazia algum sentido, jamais poderia perde-la, Aiden a protegeria para sempre, ver algum mal acontecer a ela seria o mesmo que morrer.
— Ah eu tenho vivido dias incertos, talvez passe. — afirma ela, mesmo não muito certa de tal fato, precisava realmente ser verdade, a sensação ruim e de fracasso tinha que ter um fim, ou talvez pela primeira vez na vida não saberia de onde viriam as forças para se reinventar.
— Emily eu não posso te perder, de tudo que eu perdi nesta vida desde muito cedo... — Você é a única coisa boa que o presente me reservou, então jamais pense em me deixar um dia, eu não aguentaria ver algo ruim te acontecer. — Aiden confidenciou lançando um olhar terno a ela, aprendeu muito cedo que perder quem se amava, fazia parte da vida, mesmo que às vezes isto não fosse da forma mais justa, por isso convivia com seus próprios fantasmas e solidão, mas desde que conhecera Amanda em uma busca e agenda de vingança, algo muito forte mudou dentro de si, como se seu coração nunca mais estivesse só e frio, era alguém que lhe entendia, com quem poderia contar, a pessoa que lhe apoiaria, compartilhava de sua dor e solidão, com Emily sempre poderia ser ele mesmo, sem máscaras, amarras ou mentiras, isso não existia com Emily, alguém por quem ele tinha imenso carinho e jamais mediria esforços para proteger e ver feliz, a amava por mais desconhecido e estranho que tal sentimento fosse para ambos...
— Eu também não posso Aiden, você que esteve do meu lado todos esses anos, a única pessoa que sem meias verdades soube quem realmente era Emily Thorne ou Amanda Clarck, seja quem eu for. — ela se deixou levar pelas emoções sufocadas, nunca foi uma pessoa muito exímia para falar de si mesma, Emily desde muito cedo aprendeu que o segredo e suas emoções plenamente sufocadas dentro de si, era o melhor para alguém que queria e precisava sobreviver. – Você, e depois que eu cheguei aos Hamptons o Nolan, são as únicas pessoas que eu tive na vida. — Emily jamais poderia ser injusta com seu melhor amigo e também anjo da guarda, se não fosse por Nolan ela também não seria nada, e talvez nem estivesse ali.
O silêncio com que os dois se encaravam foi quebrado pelo celular de Emily ao seu lado no sofá tocando, e em parte a loira agradeceu já havia feito confidências demais para uma única noite, e também bem mais do que estava acostumada.
— Falando nele. — Emily sorri de leve quando vê o nome de Nolan no visor.
— Atende, ele pode estar preocupado. — Aiden sugeriu, no fundo sabia que Nolan gostava e se preocupava de verdade com Emily, como nunca viu nenhum outro além dele até ali fazer.
— Oi Nolan... — Emily levantou para falar com ele, enquanto Aiden caminhou lentamente se dirigindo até a cozinha.
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— É pode deixar eu estou bem, não Nolan, claro que não precisa me encontrar, eu não estou em casa, se é isso que você quer saber. – Emily agia taxativa com o amigo que parecia se preocupar em imaginar a loira fraca e desamparada circulando pelos Hamptons, Daniel havia prometido se caso ela não lhe desse o divórcio, o conseguiria de outra maneira mais drástica, tinha consciência que Emily poderia lidar com ele ou com qualquer um sozinha, mas não no momento, não enquanto estivesse totalmente frágil e ainda sob efeito dos tiros que havia levado impiedosamente do filho de Victoria que quase causaram sua morte.
— Mas Emis, acontece que... – Ah... – Nolan bufava já se enfurecendo do outro lado da linha.
— Aiden está comigo, quanto eu volto, te aviso, ok... – a loira revelou caminhando para fora, olhando a noite que parecia tão calma da varanda.
— Ah então quer dizer que o casal vingança está de volta, olha eu realmente... – Nolan passou a zombar da amiga de um jeito irônico e provocativo, não sabia por que, mas gostava bem mais quando sabia que o inglês estava por perto, não só por saber que ele poderia a proteger de alguma forma, mas por um outro motivo que ele preferia não entender gostava de saber que Emily tinha alguém, além dele em sua vida, e por algum motivo achava que Emily gostava de Aiden, muito mais do que admitia de fato, Nolan até poderia dizer que gostava de Aiden também, bom se ele não fosse tão misterioso e folgado ás vezes, se que bem que por este lado, ele seria então uma cópia masculina perfeita da loira, Nolan revirou os olhos ouvindo os bufos de Emily do outro lado do telefone e preferiu não entender mais nada. – Emis presta atenção então, é que o Aiden... – ele voltou a argumentar.
— Tchau Nolan, boa noite. – Emily se quer esperou ele responder mais nada de volta e simplesmente desligou o celular com um ar pensativo e irritado.
— Emily. – Nolan chacoalhou o celular irritado por mais um dos inúmeros intemperes da loira que ele conhecia tão bem.
— Era a Emily, ela está bem, onde ela está. – Jack tinha ido procurar pela loira em sua casa, muito preocupado com sua saúde mais só havia encontrado a casa vazia e sem ninguém, então resolveu saber se ela estava com Nolan, mas preocupou-se mais ainda quando ele lhe disse que não sabia do paradeiro dela desde o final da tarde.
— Sim era. – Nolan soltou o celular sobre a mesa com um sorrisinho irônico.
— Onde ela está. – o rapaz insistiu em saber em tom impaciente.
— Por aí, você não conhece a Emily. – Nolan respondeu se acomodando em seu sofá.
— Mas como, ela não está bem, não pode ficar por aí sozinha, e se o Daniel apronta uma, Nolan, nós jamais saberíamos. – Jack ficou perplexo com toda calma de Nolan diante do que ele lhe contava.
— Até parece que a Emily é alguém indefesa. – Nolan debochou por um segundo.
— Onde ela está, vamos até lá. – Nolan. – ele insistiu em extrema afobação apontando para a porta.
— Jack, calma, ela... – Ela... – Nolan hesitou enrolando a voz a cerca do que iria contar. – Ela tá com o Aiden ao que parece. – completou o loiro, vendo imediatamente a expressão do amigo se transfigurar, agora era alguém surpreendido pela novidade.
— Ele voltou então. – Jack disse parecendo processar com um pouco de dificuldade a situação.
— Voltou há uns dias... – Nolan se decepcionou em estar o chateando. – E ao que parece não só pelos planos dele, mas também pela Emily, eu acho. – Nolan afirmou preferindo deixar tal fato um pouco em dúvida.
— E eu preocupado com ela, e ela correndo atrás daquele bandido pra ajuda-lo. – Jack agiu com raiva.
— Ei espere, o Aiden não é bandido, ele só esta movido pelo mesmo sentimento da Emily, não é, você sabe. – Nolan achou que o amigo poderia estar exagerando. E como acontecia com em relação à Emily, algum sentimento dentro de si o fazia gostar do britânico, mesmo ele não sendo a uma das pessoas mais corretas que conheceu...
— Não foi isso que ele fez me ameaçando. – o outro contrariou não convencido.
— Ele fez aquilo foi pra tua segurança também, você tinha que parar de investigar o Conrrad, ou iria acabar morto mesmo sabia, ele quis ajudar a Emily. – Nolan justificou.
— Pois é, os dois se merecem, são da mesma laia, porque eu ainda me preocupo com ela, com licença, que eu vou cuidar do meu filho, isso sim é importante. – Jack achou melhor ir embora pensar em sua vida, havia um sentimento de revolta tão grande lhe dominando naquele instante, não sabia o que era, não gostava de Aiden, e gostava menos ainda de o ver sempre ao lado de Emily, vai ver era isso, sabia que a dupla era sem dúvida alguma, pessoas sem escrúpulos, pessoas com atitudes que ele abominava, capazes de tudo por seus objetivos, vai ver realmente era só isso. Era tolo de sua parte pensar que era outra coisa, como ciúmes por exemplo, da relação cumplice da loira com o britânico.
Ele não a amava, não conseguira amar alguém tão fria e calculista, sem dúvida Emily não era nem um pouco, sua linda e doce Amanda, a menininha que ele conviveu na infância, ela era alguém fria e calculista, às vezes até pensara até que ponto a loira ainda tinha sentimentos, talvez nem os tivesse, estava totalmente tomada pelo ódio, pela sede de vingança, era isso também talvez, o jovem devaneava enquanto caminhava para fora da enorme varanda da casa de Nolan.
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