O que eu faria sem você?
3 Capitulo 3 - Despedida de solteiro
Notas iniciais
Capitulo 3
(POV Alice ~ON )
Comecei a arrumar minha mala e algumas coisas no meu armário. Faltavam menos de 3 dias para o casamento e eu não conseguia pensar em mais nada.
A gravidez estava correndo bem, todos os exames estavam normais. Eu estava ganhando peso corretamente, mas minha barriga estava mais a mostra do que eu esperava.
Reo havia ido fazer compras e eu fiquei pensando em tudo que iria ocorrer nos próximos meses. Casamento, lua de mel, o desenvolvimento do bebê, compras para o enxoval, voltar a trabalhar depois daquelas férias... Só de imaginar já me sentia um pouco cansada.
Fui ate a sala e comecei á ler um pouco. Estava terminando o livro quando senti mãos nos meus ombros e um lábio em minha bochecha.
– Eles deveriam tentar diminuir as filas do supermercado. Você demorou...
– Eu sei, desculpa — Reo foi para frente da cadeira e estendeu as mãos para me ajudar a levantar. Larguei o exemplar de Amy e Matthew e aceitei sua ajuda.- Apenas leu enquanto eu comprava as coisas?
– Talvez tenha checado a mala, de novo, mas sim só!
– Alice, já olhamos aquilo umas mil vezes... Esta tudo lá!
–Eu sei, só não quero esquecer de nada...
– Nosso casamento é em três dias, vamos ter tempo de lembrar qualquer coisa que esquecemos... — ele me abraçou e eu me aninhei em seus braços.
– Estou tão nervosa... — disse após um tempo.
–Eu sei, também estou nervoso...- ele se distanciou um pouco e olhou em meus olhos — pense pelo lado bom. Nada vai mudar, nós só vamos oficializar tudo...
Assenti e uni nossos lábios.
– O que eu faria sem você? — eu disse sorrindo.
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–Vai ser a melhor despedida de solteiro, da história! — Percy disse enquanto estávamos comendo.
Ele, eu, Ene, Oliva e Vick (recém chegada da França) tínhamos acabado de pegar as roupas para o casamento e agora estávamos indo para o estacionamento.
–Não sei com quem vou deixar a Letícia, mas não perco por nada! — Vick exclamou.
– O que mesmo vocês estão planejando? — disse, sem saber de muita coisa.
– Esqueceu que é surpresa?- Olivia disse — Você só vai saber de tudo quando chegarmos lá hoje á noite...
– Tadinha da Alice! — Ene foi em minha defesa- ela podia saber de algo, não?
– Não! — Vick e Percy disseram ao mesmo tempo e ele continuou- Ela já sabe o suficiente!
Ene deu de ombros e eu revirei os olhos.
Odiava não saber do que estava acontecendo, ainda mais na véspera do meu casamento.
Tudo bem que Reo também vai ter sua despedida e eu preciso ter a minha, mas ele sabe tudo que vai acontecer.
Entramos no carro de Percy. Ele dirigindo, Ene e sua enorme barriga no carona, Vick, Olivia e eu atrás.
Vick estava com a barriga de uma gravida de 3 meses, apesar de ter 6 meses de gravidez. Ela faria como Mateus, seu segundo filho, o que fez com Letícia, sua primeira criança. Ela vai vir alguns dias antes do parto e dará a luz por aqui e depois voltará para a França. Segundo ela, seus filhos tem que ser brasileiros, não importa onde ela mora.
Ene estava preparada para dar a Luz em 2 dias, o que me fazia ficar um pouco triste, pois quando ela tiver os bebês, eu estarei em lua de mel.
Olivia olhava para todas nós como se imaginasse como seria quando estivesse grávida. Ela havia tentando engravidar, á alguns meses, mas parece estar tendo o mesmo problema que eu tive...
Encarei minha barriga. Ela começava a ficar um tanto visível, algo como se já tivesse dois meses, mais completaria um mês em alguns dias, isso me deixava apreensiva. O vestido caberia? Sim. Esconderia minha barriga? Talvez. Eu não queria parecer grávida no dia do meu casamento? Com certeza.
Eu amava estar grávida, ter meu bebê daqui a alguns meses, mas não naquele dia. Sempre achei que só teria filhos depois de casar e pensar em estar grávida nesse dia era algo que eu não havia pensado.
Percy se aproximou do meu prédio e eu e Olivia saímos do carro, com a promessa de estarmos na casa de Percy em 3 horas.
Subimos, cada uma para seu apartamento, e combinamos de ir no carro dela ate lá.
Cheguei em meu apartamento e Reo ajeitava as coisas na sala, para sua despedida de solteiro.
– Oi, meu amor... — disse adentrando a sala e depois indo ate a mala que levaria para casa de Percy. Deixei meu vestido ali e agradeci por ele estar tampado.
Voltei-me para Reo, que vinha em minha direção e ele me beijou.
– Por que raios você não pode voltar pra casa hoje?
– Por que são as regras.
– Achei que eu não podia te ver vestida de noiva e não o dia inteiro antes de casar...
– É pro caso de alguém querer fugir, desistir,... Essas coisas.
Ele me abraçou e sussurrou em meu ouvido:
– Não vou fugir de você...
– Quem disse que estávamos falando de você? — disse me distanciando. — Eu posso querer ir para as ilhas Fiji e te deixar aqui...
– Se você fizer isso vou até lá e te trago de volta! — ele disse dando de ombros.
Sorri de sua resposta e voltei a abraça-lo.
Ouvimos a campainha tocar e me afastei de leve para atender a porta.
Abri a entrada de minha casa e vi Fred carregando um vídeo game e Murilo alguns jogos.
– Oi tia Alice! — ele veio ate mim e abraçou minha perna.
– Oi! — fiz carinho em seu cabelo encaracolado e ele sorriu. — acho que vocês chegaram um pouco cedo, não acha?
– É que Reo pediu que eu trouxesse o vídeo game e algumas bebidas. Pensei então em chegar mais cedo...
– Tudo bem, entra!
Ele foi para dentro da casa e começou a montar o console, enquanto falava com Reo.
Meu quase marido olhou para mim, pedindo desculpas, e eu sorri em compreensão. Fui ate a cozinha peguei alguns doces e levei para a sala.
– Murilo! Quer chocolate? — estendi a mão para ele e ele sorriu como um louco.
–Quero! — ele pegou todos da minha mão e começou a comer, desesperadamente.
–É isso que vai ser a sua despedida de solteiro? — disse para Reo, enquanto Fred começava a jogar GTA.
– A maior parte dos convidados gosta... Achei que poderia ser legal.- ele parecia estar convencendo a si mesmo.
– Pelo menos você sabe o que vai acontecer na sua festa... — peguei o controle da mão de Fred e comecei a jogar em seu lugar. — Vou me divertir antes de ir!
Eles começaram a me observar jogar, enquanto Murilo mandava-me atropelar as pessoas na rua.
– Por que você nunca me disse que Alice jogava bem? — Fred disse indignado.
– Sei lá, nunca achei isso algo importante de se dizer...
– Mas era, parça...
Começamos a rir do que Fred havia dito e continuamos ali, se revezando pra jogar.
Fred era bom, Murilo jogava legal apesar de sua louca vontade de bater em tudo, Reo não tinha talento, mas sabia fazer algumas coisas.
Apos um tempo meu celular vibrou e eu vi 4 chamadas perdidas de Olivia e 9 de Percy.
–Acho que estou encrencada... — disse pra mim mesma.
– Por quê? — Reo disse acariciando meu cabelo.
– Estou meia hora atrasada para minha festa...
– Acho que minha festa é bem mais divertida...
– Também acho, mas seu irmão vai me matar se eu não for... Então tchau! Peguei minhas coisas, apressada, e me despedi rápido de Murilo e Fred.
– Alice... — Reo me chamou quando eu estava indo para o elevador.
– Oi! — me virei e fui beijada.
– Eu te amo.
– Também te amo! — fiquei levemente vermelha, e me lembrei da primeira vez que o ouvi dizer aquilo, em minha formatura.
Parecia ter sido a uma eternidade atrás e me lembrar daquilo, recordou-me também de todos os motivos para no dia seguinte: eu me casar com aquele homem.
Uni nossos lábios pela ultima vez antes de subirmos no andar e entrei no elevador, pensando em tudo que nos já havíamos vivido juntos...
(POV Alice ~OFF )
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(POV Reo ~ON)
Vi Alice entrando no elevador e pensei em meus votos. Tudo que eu havia escrito para dizer a ela amanha e tudo que um dia desejava dizer para aquela garota, me dava medo.
Ela simplesmente entrará na minha vida de um modo totalmente normal e acabara virando minha razão de sorrir.
Minha mãe havia me dito uma vez, que quando encontrasse a pessoa certa para amar, tudo que viesse dela me faria sorrir. Naquele momento eu tinha mais certeza do que nunca que essa pessoa era Alice.
Ela me olhou enquanto o elevador se fechava e sorriu apreensiva. Não sabia o que passava na mente dela, mas tinha certeza que era quase o mesmo que eu.
Comecei a pensar no nosso filho, o fruto do nosso amor, e percebi o quanto amava aquele ser, simplesmente de pensar que ele existia.
Esperei o elevador fechar por completo e entrei novamente no apartamento.
–Já posso ligar pra garota que você contratou? Estou entediado — Fred disse assim que me viu.
–Que garota papai?- Murilo manifestou-se — Ela vai brincar comigo?
– Você é louco? — eu disse — Eu nunca faria isso com Alice...
– Eu sei, to de brincadeira... — ele riu, como se fosse a melhor piada do mundo. Eu o encarei, mostrando que eu não achei graça.
Ele abaixou a cabeça, mostrando que estava arrependido e começou a observar o que Murilo estava fazendo no jogo.
–Ela não vai brincar comigo pai? — Murilo parecia desolado.
– Não, filho... Ela só brinca com gente mais velha.
– Que sem graça! — ele atropelou uma senhora. — EBA! Dinheiro!
Ele saiu do carro e pegou o dinheiro da senhora morta.
– Acho que você deveria controlar mais o que o seu filho faz nesses jogos...
–Deixa ele...
Sentei-me ao lado de Murilo e esperei ele morrer para ser minha vez.
Continuamos jogando até o restante dos padrinhos chegarem. Os amigos de Alice, que agora eram meus amigos também, adentraram a casa, após eu abrir a porta e invadiram o espaço com bebidas e jogos de vídeo game.
Eles cumprimentaram Fred e Murilo e se acomodaram na casa como se fossem suas próprias, o que me deixou feliz, por eles estarem á vontade.
Pegamos a bebida e os salgados que todos haviam trago e começamos a jogar.
Leo, que trouxe Letícia junto, começou a contar sobre a França e sobre tudo que vem fazendo lá.
Letícia e Murilo foram brincar no quarto que será de meu filho e deixaram a gente conversar.
Assuntos aleatórios foram surgindo e a noite foi passando sem que descemos conta.
Depois de uma certa hora, as crianças caíram por terra e dormiram como anjos.
Bebemos quase toda a cerveja que havíamos comprado. Comemos toda a comida que conseguimos, jogamos todos os jogos que eles haviam trago e conversamos sobre tudo que podíamos conversar. Depois das 2 da manhã os celulares começaram a vibrar e eles foram obrigados, um a um, por suas mulheres (recém saídas da festa de Alice) a irem embora.
Nos despedimos com a promessa de nos vermos no dia seguinte, bem antes da cerimonia e eles se foram.
Assim que todos eles saíram eu tentei ajeitar ao máximo as coisas e depois peguei o celular.
"Como foi ai? Você gostou?" — mandei uma mensagem para Alice.
"Foi bom..." — ela respondeu alguns minutos depois.
"Por que não acredito em você?"
"Foi bom! Só to com sono... Temos que dormir, você e eu, boa noite"
"Boa noite, te amo"
"Também te amo"
Desliguei o celular e o coloquei na escrivaninha, ao lado da cama.
Fiquei pensando o quanto Alice havia sido estranha. Não que ela tivesse sido seca, mas normalmente iria me contar tudo que havia acontecido. Tentei tirar aquilo da minha cabeça e pensar só no que aconteceria amanha.
Tomei um banho e coloquei o pijama, deitei na cama e adormeci, pensando em como seria tudo, depois que amanha tivesse fim.
(POV Reo ~OFF)
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(POV Alice ~ON)
Cheguei á garagem do prédio torcendo para não levar uma bronca de Olivia ou de Percy.
Encontrei Olivia no carro, olhando no retrovisor pra ver se ainda estava arrumada.
Entrei no carro e coloquei as coisas na parte de trás. Olhei para Olivia e vi que estava com um vestido de festa e me olhava de maneira desconfiada.
– Esse atraso todo pra você não ter nem trocado de roupa?
– Fred chegou mais cedo e eu tive que dar atenção para ele e o Murilo.
– Percy não vai gostar disso, mas não tenho nada a ver com isso...
Ela começou a dirigir e nos levar para a casa de meu cunhado.
–você podia me dizer o que vai acontecer, neh?
– Vick me mataria e eu não quero estragar a surpresa, apesar de acha-la bem idiota.
– Serio... Vocês vão me enlouquecer algum dia!
Olivia riu.
– Você aguenta...
Fomos para o prédio de Percy e vimos o carro de Vick ( que traria Milena e Ene).
Nos dirigimos ate seu apartamento e tocamos a campainha. Nesse exato momento uma música começou a tocar e Percy atendeu a porta.
Ele sorriu ao nos ver e percebi que ele parecia um pouco alterado pela bebida.
–Ah ! Vocês chegaram! — ele abraçou a nós duas e sorriu. — A surpresa tá lá dentro...
Adentramos o apartamento e eu vi que havia uma iluminação meio vermelha, o único problema é que eu não gosto de vermelho.
–Essa é a surpresa? — sinalizei o apartamento todo e as caixas de som, que tocavam "Sexy and I know it”.
– Não ele esta ali dentro! — Percy disse como a sua melhor voz de gay, coisa que nunca fazia.
Ele apontou para a porta de seu quarto e me empurrou para lá.
Dentro do quarto, havia cadeiras dispostas perto da cama e Ene, Vick e Milena se sentavam ali.
Percy me colocou em uma cadeira e então um cara surgiu do nada.
Ele começou a dançar e pelo fato de estar vestido com uma fantasia de policial de sex shop eu comecei a rir. — Não acredito que era isso... — eu não conseguia parar de rir e o cara parou de dançar.
– Alice, por que você esta rindo? — Vick perguntou.
– Por que isso é ridículo!
– Eu não acho! — Percy suspirou ao olhar o cara, ate que bonitinho, em cima da cama.
– Desculpa gente, mas não faz o meu estilo.
– mas agora vai fazer, senta ai! — Vick me empurrou na cadeira e se sentou do meu lado.
O cara voltou a dançar e fazer menção em tirar sua roupa minúscula.
Comecei a rir novamente e eles me encaravam procurando a graça.
–Obrigada gente, mas não era o que eu tava afim... Vou me casar amanhã, não preciso de alguém fazendo isso!
Levantei-me e sai do apartamento.
–Alice, onde você vai? — Percy me perguntou, quando eu estava pegando o elevador.
– Tomar um ar na praça, pode ficar ai... Curta seu cara!
Sai do prédio e comecei a andar pela praça, ficava perto da casa de meus pais o que me fez reviver algumas memorias.
Sentei em um banco e comecei a observar crianças que brincavam com seus pais, adolescentes fazendo algo claramente errado, idosos conversando e vendedores tentando vender seus produtos.
Estava tentando me lembrar algo sobre aquela praça, algo relacionado com Reo, mas parecia que havia se apagado de minha mente.
Comecei a observar uma criança brincando com sua mãe e seu pai e pensei que depois de algum tempo, seria eu e Reo ali, brincando com nosso filho.
–Eu acho que o correio não entregou meu convite, mas eu os perdoo, assim como quero que você me perdoe. — Ouvi uma voz falar bem perto de mim e reconheci Gilbert ao meu lado.
– Você de novo? O que raios você quer? — tentei me mostrar forte, mas o medo me invadia.
– Só fiquei sabendo que seu casamento é amanha e, bom, meu convite não chegou...
– Por que eu te convidaria para o dia mais importante da minha vida, quando você tentou acabar comigo?
– Eu já pedi desculpas... — ele disse baixinho.
– Desculpas não vão apagar o que você fez!
Ficamos um minuto em silêncio e ele voltou a se pronunciar.
– Foi nessa praça que você terminou comigo...
O olhei e então me lembrei. Eu fui ate lá, decidida a acabar com aquele relacionamento.
Foi um dia depois da minha formatura, um dia depois de ele ter dopado Reo, um dia depois de eu ter beijado Reo...
Gilbert implorou para que eu não fizesse isso, ele agarrou meu braço e se não fosse por Reo, ele teria me machucado.
– Foi aqui que todo o meu sentimento por você morreu- o completei.
– E aqui ele pode retornar... Você pode me perdoar...
– Você sabe o quanto você me machucou aquele dia. Não só fisicamente, mas psicologicamente também!
–Eu sei, Lice... E é por isso que preciso que você me perdoe.
Não conseguia dizer nada. Não tinha mais medo dele, mas nunca poderia voltar a ser como antes.
– OK...
– Que? Você me perdoa?
– Sim, Gilbert. Eu estou te perdoando...
– Obrigado, Lice! — ele me abraçou e eu senti minhas bochechas arderem.
Ele se afastou e pegou o seu celular, que estava vibrando.
–Sim, Gaby... Estou indo pra casa. Tchau. — ele desligou rápido e me abraçou de novo. — Obrigada Alice, não sabe o quanto estou feliz por isso...
– De nada.
– Tchau! Felicidades no casamento amanhã!
–Se quiser aparecer, pode levar Gaby...
–Serio? — ele perguntou e eu assenti. — Eu vou sim! Obrigada de novo!
Ele saiu em disparada, sorrindo como um bobo e eu fui para o apartamento de Percy de novo.
No caminho só conseguia pensar em uma pergunta: "Por que fiz isso?".
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