O pequeno Tritão deslizou delicadamente e majestosamente, sua calda esverdeada pelas águas.

Despedindo-se calorosamente dos amigos e sendo acompanhado por Aldebaram, até os aposentos do rei.

— Estou ferrado, né? — Questionou ao notar a expressão facial de seu protetor.

Aldebaram estava mais sério do que o normal, contraindo a mandíbula fortemente.

— Seu irmão esta furioso. — Respondeu num misto de melancolia e preocupação. O príncipe engoliu o seco, parando as nadadeiras.

— Eu sei… Desobedeci meu irmão, mesmo com as ordens claras para mim não saír. — Sussurrou contraindo os músculos, só em pensar nos castigos severos que receberia. — Mas, precisei fazer aquilo.

Aldebaram encarou o príncipe sem entender.

— Aquele humano não fez nada! E não seria justo ele ser culpado por algo que não cometeu. — Completou, mordendo o beiço.

Aldebaran ficou estoico, fitando-o intensamente, um tanto surpreso.

— Você esteve socializando com humanos novamente? — Encarou o Jovem incrédulo.

Shun abaixou o olhar, brincando com as membranas entre os dedos, pequenos e pontiagudos.

O silêncio foi a resposta… O protetor real balançou a cabeça, repreendendo atitude imprudente do menino.

— Não é atoa, que nosso rei deseja lhe trancafia numa torre, até completar 18 primaveras… — O olhar duro de Aldebaran lhe queimou, mesmo de baixo d'água.

Voltando a nadar pelos corredores do grande palácio aquático.

— Eu só fiz o que achava certo. Meu irmão, mesmo sendo Rei, precisa entender meu lado…

— Seu lado? — Aldebaram parou subitamente, virando-se e fitando o jovem príncipe.

— Sim! Eu sou o Príncipe, e devo zelar para manter a paz entre os humanos e nosso povo. — Respondeu estufando o peito para frente, numa pose convicta.

Tinha certeza e confiava nas suas próprias palavras, mesmo sendo jovem, Shun possuía as características básicas de um rei. Forte, piedoso, bondoso e corajoso.

— Sei perfeitamente as consequências das atitudes do meu irmão… Não podemos julgar um humano inocente ou condená-lo a morte. — Shun estava tão distraído, que não ouviu nadadeiras do rei aproximando-se.

Aldebaram, curvou-se e Shun arregalou os olhos, virando-se, ao escutar palmas vindo do corredor. Rei Ikki, estava á aplaudir, encarando o príncipe desgostoso.

— Então, o jovem príncipe está contrariando minhas ordens? — Silabou rangendo os dentes. Ikki era um dos mais belos e fortes tritões das águas claras.

Os cabelos azulados e espetados em todas as direções, entravam em constate com a coroa, no topo na cabeça, minimamente detalhadas, com pérolas e pedras brilhantes.

A calda vibrante chamava atenção — com cerca de 1 metro e meio de comprimento — brilhando a luz da Lua, destacando as escamas escarlates.

Shun engoliu o seco…

— Não, meu rei. — Respondeu Shun curvando-se de leve…

Estralou a língua no céu da boca e criou coragem;

— Só acho errado as suas decisões… Estamos submersos á tanto tempo, que há anos não vermos a luz do sol…

Ikki apertou o tridente — ganhado de herança — entre os dedos. O atrito fez uma tempestade se aproximar, e trovões altos e assustadores preencheram as paredes do castelo.

— Aldebaran, retire-se daqui… Preciso ter um particular com esse MOLEQUE INGRATO! — ordenou furioso. Aldebaran até tentou, reluta, porém, deixou Shun sozinho com o irmão.

— Ikki… — tentou se explicar, porém, calou-se ao ser atingindo na bochecha, por uma forte bofetada.

— Antes, éramos milhares de tritões e sereias. Vivíamos em paz com os animais e a natureza, isolados numa ilha secreta! Até que um pescador nos viu. E começou a matança! — Ikki rosnou ao lembrar do passado. Tudo começou com somente um humano, por isso não deviam confiar.

— Já estar na hora, meu irmão, disso tudo acabar e selamos à paz entre humanos e tritões. — Shun rebateu.

Um sorriso sonhador se instalou em seus lábios, ao imaginar aquilo. Sempre foi seu sonho; viver em paz e harmonia com todos os seres vivos.

O Rei riu irônico, batendo a calda suavemente na água. Segurando o queixo do irmão e fitou dentro de seus olhos puros e inocentes.

— Só vai acabar quando só nossa raça existir, e a dos humanos ser exterminada. — Deu as costas e nadou, em direção ao grande salão, porém, antes disse;

— Agora vá descansar… Lorde Shaka nos presenteara, com sua ilustre companhia. E quero que esteja deslumbrante, diante de seu noivo. — Completou…

(…)

Shun entrou no quarto, batendo a porta atrás de si. Quase atingindo seus amigos, que lhe consolavam depois daquela discussão.

— Ele não pode me obrigar a isso! — Descontou sua raiva, esmurrando os travesseiros, jogando-se sobre a cama. Lágrimas grossas e dolorosas, escoriam por suas bochechas rosadas, enquanto o silêncio predominava no quarto.

Seus amigos não tinham coragem de pronunciar nenhuma palavra. Pois, nada do que dissessem iriam livrar Shun, daquela melancolia.

June juntou as mãos no peito.

— Por favor, Shun… Não chore. — A bela Sereia loira pediu, puxando o esverdeado para um abraço forte e acolhedor. Shun derramou suas lágrimas, soluçando alto, botando para fora, toda sua dor.

Não amava Lorde Shaka, apesar de ter uma simpatia pelo Majestoso Tritão indiano. Shaka era bonito, gentil e amável. Filho mais velho do Rei das águas do Sul, logo mais ser tornaria Rei e precisava de alguém para compartilhar o trono.

O jovem Príncipe, irmão mais novo de Ikki Amamiya, seria um belo partido e com o casamento deles, a paz reinaria entre os dois povos.

— Não posso casar com alguém que não amo… — Lacrimejou apoiando o queixo no ombro da amiga. A abraçando mais forte.

Jabu do outro lado do quarto, fungou tristonho, nadando até a cama e abraçando Shun por trás.

— E se você fugir? — Jabu deu a ideia, quando o príncipe parou de chorar, massageando suas costas.

— Não seja louco, Jabu. Pare dessas ideias idiotas. — June o repreendeu, encarando-o furiosa.

— Mas até que não é tão idiota assim. — Shun limpou as lágrimas com esperança, e sorriu.

— E sim! Seu irmão ia revirar os 7 mares, até lhe encontrar e lhe prender numa masmorra.

E sua esperança foi embora, tão cedo como chegou.

Jabu então levantou-se, pensativo com a mão no queixo.

— Shun… Talvez um casamento para juntar dois povos não seja má ideia. — Nadou em círculos, chamando a atenção dos amigos. A loira cruzou os braços, rolando os olhos e Shun encarou-o sem entender.

— Eu não amo Shaka, e não pretendo casar-me com ele…

— Casa-se com o Humano!

— Como assim? — questionou.

— Shun, seu irmão só pensa numa coisa; paz. Por isso insisti em unir você á Shaka. Mas pense, sua União com Hyoga, trazia muito mais do que paz!

…

Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.