O príncipe
2 Capítulo 2
P.V.O Tritão
Depois de ser visto por aquele humano, mergulhei as pressas de volta para o palácio.
Havia colocado toda nossa espécie em risco, se por acaso outros humanos soubessem da nossa existência iríamos ser caçados e massacrados.
Um terrível sentimento de culpa tomou conta de mim.
Assim que cheguei, avistei meu protetor real e meu irmão. Eles conversavam sobre algum assunto — o qual não conseguir identificar — Mas ambos estavam alterados, provocando bolhas ao falar.
— Irmão.. — Sorri me curvando diante a Ikki, mostrando respeito ao seu posto, de rei.
— Leve o príncipe até seus aposentos… — Ordenou frio, fitando aldebaran, evitando me encarar. Abaixei a cabeça, chateado, sendo agarrado pelo pulso, por meu protetor real.
— Meu rei, espere! E o humano? — Questionei curioso, livrando do aperto no braço e nadando até ele.
— Isso não é do seu interesse. — rosnou dando as costas e sumindo da minha presença, sem se despedir.
Não gostava de ser tratado daquele jeito tão frio, mas entendia o lado do meu irmão. Ikki vivia exausto, lidar e proteger todo Reino sozinho, não era uma tarefa fácil. Eu até queria Ajuda-lo, assumindo meu papel real, porém só tinha 17 primaveras — 17 anos — Não podia entrar pra corter antes dos 18.
— Vamos, meu lorde… — Me chamou Aldebaran sorrindo, seguindo-me até meu quarto.
Aldebaran é alto de mais, — Até para um Tritão — Forte e musculoso. Sua calda era escamosa e áspera, num tom marrom. As feições de seu rosto eram rudes e grosserias, mas, mesmo com aquela aparência, ele era um bom rapaz e protetor.
— Não fique triste pequeno príncipe. Seu irmão só quer o melhor pra você. — Sorriu tocando meu braço com gentileza.
— Eu sei, muito obrigado por sua maravilhosa companhia. — Agradeci retribuindo o sorriso, e beijando sua bochecha. — Com licença. — Adentrei do meu quarto de cabeça baixa, nadando até a cama e sentando na mesma, sobre minha calda.
Eu estava muito preocupado com o belo humano, meu irmão era capaz de matá-lo, se o visse por lá de novo.
Com o coração apertado, deitei na cama, apoiando a cabeça do travesseiro — Na expectativa de descansar — , porém, a porta foi aberta rudemente. Pulei da cama de supetão, encarando meu irmão, visivelmente furioso, apertando o tridente, coberto por diamantes e algumas pedras de cristais.
Aquilo pertencia ao nosso pai ,um grande rei, que governou durante 300 anos as águas doces do nosso Reino, porém foi assassinado numa emboscada.
— Meu rei, aconteceu algo? — Indaguei confuso, nadando até ele, curvando a sua frente
Esse era um ritual frequente, todos nós Tritões e Sereias deveríamos mostrar gratidão e respeito, diante a nossa realeza.
— Como pode ter ser mostrado a um humano? — Rosnou me encarando de maneira fria, apontando o tridente contra meu peito.
— Não foi isso que aconteceu...... — Tentei me defender, porém, fui calado por um forte trovão estridente, quando meu irmão bateu o tridente no chão.
Esse é um de seus dons, podia provocar acontecimentos meteorológicos.
— CALADO! — ordenou Ikki e estremeci. — colocou toda nossa espécie em apuros, lutei tanto tempo para preservar nossa existência e você estraga tudo…
— Mas Ikki.. — Protestei sentindo uma ardência na bochecha esquerda, quando meu irmão me esbofeteou com as costas de sua mão.
— Você nunca mais vai colocar as nadadeiras pra' fora desse palácio. — Cuspiu essas palavras, em fúria.
Meus olhos encheram-se de lágrimas, pois, com aquela ordem nunca mais poderei brincar pelo bosque das águas, com os peixinhos e as tartarugas.
— Aldebaran, deixo essa responsabilidade com você. Fique de olho nele. — Ordenou fitando meu protetor real, que estava parado de cabeça baixa, no pé da porta.
— Sim, meu rei. — Aldebaran concordou se curvando, submisso.
— Sabe que faço isso por que te amo, és meu único irmão. Devo zelar por sua segurança. — completou Ikki sem me encarar, de costas, retirando-se do quarto, puxando Aldebaran consigo.
Senti as lágrimas quentes percorrendo minhas bochechas, solucei de tristeza, ouvindo alguns sussurros do lado de fora do quarto. Logo, limpei as lágrimas e ouvi tudo com atenção.
— O que o senhor deseja?
— Vigie o Shun, não deixe que ele saia… Vou me resolver com aquele humano, antes que ele acabe com meu povo, eu destruo o dele.
Meu queixo caiu. Então esse era o Plano? matar o pobre humano?
Não poderia deixar algo assim acontecer por minha causa. Aquele garoto inocente estava correndo perigo.
Sem pensar duas vezes, fui até a janela nadando às pressas, e fugi.
P. O. V Hyoga
Após aquela discussão de hoje mais cedo com meu pai, resolvi voltar para o Rio, onde vi aquela sereia na esperança de revê-la novamente.
— Onde você foi? — questionei-me aproximando da margem, fitando água cristalina com atenção. Mas, não a encontrei. Derrotado, dei as costas, e resolvi ir embora, quando escutei algo atrás de mim, rapidamente me virei e a vi.
Ela estava tão próxima de mim, fitando-me com aqueles grandes olhos, esmeraldas, quando tentei me aproximar, ela se assustou e fugiu.
— Espere não vou lhe machucar. — me pronunciei a procurar entre as águas, sentando-me sobre uma rocha, pontuda.
Novamente ela apareceu, apoiando os cotovelos na rocha, tirando os cabelos dos olhos. Foi ali que percebi que não era ela, e sim ele.
— Você é uma sereia? — questionei igual um idiota e ele sorriu de um jeito angelical, exibindo mais seu corpo.
— Sereia não, tritão. – me corrigiu enrolando seus cabelos nos dedos, com a voz mais doce e delicada do mundo.
Era como se eu tivesse escutado a voz melodiosa de um anjo.
— Você deve ir embora… — ordenou firme. Fiquei confuso. Por que teria que ir embora? Eu não fiz nada. Antes que pudesse questionar, ele respondeu minha pergunta, como se lesse minha mente.
— Aqui não é um lugar seguro para ti. Está correndo perigo mortal.
Me assustei. Do que ele estava falando? Por que estaria correndo perigo?
— Meu irmão sabe que está aqui… Assim como seu povo odeia o meu. Odiamos o seu… Ele nunca vai hesitar em lhe matar. — leu minha mente, ajeitando uma tira de algas na cabeça.
— Eu… — tentei dizer algo, mas, ele repousou o dedo nos meus lábios, sentando-se ao meu lado da Rocha.
— Vejo sua alma doce e pura, alguém extremamente honesto e bondoso, qual é seu nome? – questionou com doçura, olhando nos meus olhos fixamente.
— Aleixei Hyoga. — respondi segurando sua mão,selando meus lábios na sua pele fria e macia. Ele retribuiu se curvando um pouco diante de mim.
— Prazer, sou príncipe dessas águas, pode me chamar de Shun. — ele sorriu ao se apresentar. — Mas agora tem que ir embora, por favor. Não me perdoaria se algo de ruim acontecesse contigo por minha causa.
Mais uma vez fiquei confuso e estremeci quando um forte relâmpago rachou o céu. Até o príncipe se assustou.
— Faça o que eu digo, vá embora por favor… — pediu mais uma vez. Sentir meus olhos se encherem de lágrimas, será que aquilo era um adeus? – A meia-noite me encontre na cachoeira do Norte, onde as águas são verdes, estarei lá à sua espera... Adeus. — Falou lendo minha mente mergulhando na imensidão do Rio, batendo sua calda.
(...)
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