O primeiro Beijo de Rudy Steiner
1 O Primeiro Beijo de Rudy Steiner
Notas iniciais
O Primeiro Beijo de Rudy Steiner
Por Jujuba de Azevedo
“Ele meche comigo, esse garoto. Sempre. É sua única desvantagem. Ele pisoteia meu coração. Ele me faz chorar.”
(A Menina que roubava livros, Markus Zusak. p. 371)
Ah, Cristo crucificado...
Uma estranha forma feminina sobe as escadas que levam ao quarto onde todos os Steiner dormiam, ela surgira do meio das chamas que devoravam a casa.
-- Não! – sussurra a forma escura ao se aproximar da ultima cama. – Você não...
A misteriosa figura se aproxima da cama onde tranqüilamente dorme o garoto com cabelos da cor de limão acompanhado de Bettina, sua irmã caçula. Ela já levara a todos, só faltava ele. E pela primeira vez em toda a sua existência estava hesitando. Recusando-se a fazer o que fora criada para fazer.
Observando o vivaz garoto de cabelos cor de limão a Morte fora apresentada ao Amor. Ele era o único que fizera seu funesto coração estremecer, tanto rezara para que o Destino o mantivesse o mais distante possível de seu caminho. Porem não adiantou, ali estava ela, imóvel, erguendo-se diante do garoto.
Seus negros olhos procuram ao redor qualquer coisa que pudesse impedi-la de levá-lo. Seus ouvidos tentam ouvir os sons dos carros da LSE, mas o único som que se ouve é o das bombas caindo em cima do que um dia fora a Rua Himmel.
E então a Morte fora apresentada ao Desespero. A figura cai de joelhos junto ao leito do garoto que sonhara um dia ser Jesse Owens e chora, suas lagrimas são vermelhas e serpenteiam por seu pálido rosto.
-- Por que ele meu Deus? – pergunta entre lagrimas. – Eu faço qualquer coisa. – implora. Mas a resposta não vem. E o fogo já começa a lamber as mãos de Bettina.
Ainda soluçando a Morte se ergue. Senta-se ao lado de Rudy, acaricia-lhe o cabelo loiro e sorrindo diz:
-- Não se preocupe, eu vou cuidar de você. Nada mais vai fazê-lo sofrer, eu juro. – se inclina sobre o corpo do rapaz. – Tenho plena consciência de que não deveria ser eu a lhe dar o seu primeiro beijo... – Suavemente os gélidos lábios da Morte depositam um beijo na boca de Rudy, selando de uma vez o ultimo suspiro.
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A Morte caminha lentamente com a alma de seu único amor nos braços, o carregando com delicadeza pelos escombros da Rua Himmel, as rubras lagrimas ainda caindo de seus olhos.
Ela lança mais um ultimo olhar para o que restara de uma rua chamada Céu e do fundo do seu fúnebre coração deseja nunca mais retorna aquele lugar.
-- Que coração? – pergunta a si mesma. – Meu coração acaba de morrer e o levo em meus braços.
Notas finais
Obrigada por ler.
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