O primeiro Beijo

1 Capítulo único


Notas iniciais
Como o Joss Whedon não se dignou à incluir uma cena em que Willow e Tara finalmente se declaram uma para a outra, eu tomei a liberdade de escrever essa fanfic. Kittens, enjoy!

Anteriormente em Buffy, a Caça-Vampiros:

Lover’s walk (3X08)

No cativeiro arranjado por Spike, Willow e Xander se beijam, e Oz e Cordelia flagram a cena. Oz pede um tempo.

Ammends (3X10)

Willow e Oz fazem as pazes.

Doppelgangland (3X15)

Willow e Anya fazem um feitiço que liberta a “gêmea malvada” de Willow, uma vampira que vivia em uma realidade alternativa.

Willow: Eu sou tão má (...) e eu acho que sou meio gay.

Buffy: Ah, a personalidade do vampiro não tem nada a ver com a pessoa que ele era...

Angel: Bem, na verdade...aham... isso é um ponto interessante...

Wild at heart (4X06)

Oz, transformado em lobisomem, dorme com Veruca. Willow descobre e Oz decide sair de Sunnydale.

Willow:” -Oz, você não me ama?”

Oz:” -O lobo está dentro de mim, o tempo todo. Até que eu descubra o que isso significa, eu não posso ficar perto de você.”

Hush (4X10)

Willow participa da reunião de Wicca na universidade, mas as outras meninas do grupo não acreditam de verdade em magia.

Tara vai atrás de Willow, para fazer um feitiço que devolveria a voz a todos em Sunnydale, mas as duas acabam sendo perseguidas pelos Cavalheiros.

Willow, caída, tenta mover a máquina de refrigerantes com magia, para bloquear a porta, mas seu poder está fraco. Tara segura a mão de Willow e elas conseguem fazer o feitiço.

Willow: “-Você foi lá me procurar?”

Tara: “-Eu pensei que talvez nós pudéssemos fazer um feitiço.(...) Eu v-vi você no grupo de W-Wicca. Você é...d-diferente delas.”

Willow:”–Há quanto tempo você pratica?”

Tara: “-Desde sempre. Quero dizer... desde que era pequena. Minha – minha mãe praticava. Ela... ela tinha muito poder. Como você.”

Willow: “-Oh, eu não... não tenho tanto poder assim. (...) Definitivamente, não sou nada especial.”

Tara: “-Que nada. Você é sim.”

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Tara:

“Ela está ali, perto da sala de Introdução à Psicologia. Aposto que nem está me vendo... Espera. Ela está olhando pra cá. Ah, algum amigo dela deve estar por aqui... Ela está acenando. Será que é pra mim?”

-Tara! Oi... não viu que eu estava acenando pra você?

Isso era uma mudança na minha vida, desde que eu havia me mudado para Sunnydale. Pela primeira vez, alguém conversava comigo. Frequentemente. Eu não esperava que isso acontecesse; até já havia me acostumado com a indiferença das pessoas. Quero dizer, eu entendo. Eu não sou uma pessoa do tipo que as pessoas notam, e ainda tem essa história de gaguejar...

Só que, um dia, eu conheci a Willow. Eu percebi que ela era diferente das outras pessoas, mas nunca pensei que, depois que tudo voltasse ao normal, ela me daria atenção. Tudo bem que a gente conversou naquele dia, depois que todos voltaram a falar. Mas não pensei que ela voltaria a falar comigo. Na verdade, ela nunca parou. Sempre que me via, cumprimentava, conversava. E depois, nós até nos reunimos algumas vezes para treinar feitiços. Só que... parecia tão irreal quando acontecia. Antes, ninguém me notava. Mas a Willow... Ela é diferente de todo mundo aqui. Não faz piada quando eu gaguejo, e ela sabe de verdade sobre magia e essas coisas. E, apesar de tudo o que ela diz, eu sei que ela tem um grande poder. Eu sinto isso.

-Ah, me d-desculpa. –Respondi- Eu estava d-destraída.

“Por que é que eu tenho que gaguejar?”, pensei.

-E aí, o que está fazendo? –Ela estava sorrindo.

-Eu estou s-saindo da aula. –Que coisa mais idiota de se dizer! Era tão óbvio...

Ela soltou uma risada, e eu ri também, mas era porque eu estava nervosa demais. Sempre fico nervosa perto dela.

-Eu estava pensando... O que acha da gente treinar algum feitiço hoje? Ontem eu estava lendo um dos livros do Giles, e achei um que parece ser bem legal.

Giles é um inglês amigo da Willow. Ela é cheia de amigos legais. O Giles, pelas coisas que ela me conta, é muito inteligente, e sabe bastante sobre magia. A Willow tem muita admiração por ele.

-T-tudo bem. Eu tenho alguns trabalhos para fazer, mas não é m-muita coisa.

-Perfeito.-Os olhos dela brilhavam.- Então... eu passo no seu quarto lá pelas 7?

-P-pode ser. –A única coisa que eu poderia fazer era sorrir. Sorrir, gaguejar e olhar para ela.

-Eu tenho que ir. A Buffy e o Riley enfrentaram esse demônio e... bom, eu tenho que fazer a pesquisa. Até mais tarde.

Antes que eu pudesse dar tchau, ela se virou e foi embora. Eu entendo. Buffy, a melhor amiga da Willow, é a Caça-Vampiros. Ela luta contra todo tipo de criaturas. Riley, namorado da Buffy, é um soldado de uma organização chamada “A Iniciativa”, que também luta contra demônios. E a Willow ajuda a Buffy e o Riley, fazendo pesquisas e alguns feitiços.

E é por isso que eu não consigo entender como é que a Willow continua falando comigo. Ela tem amigos tão incríveis, e ela vive todo o tipo de aventuras já tem uns quatro anos. Mas, mesmo assim, ela não me trata como as outras pessoas me tratam.

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Willow:

“Que droga. Por que é que eu aceitei fazer essa pesquisa pra Buffy? O Giles e o Xander poderiam pesquisar... A Anya poderia pesquisar. Afinal, quem é a pessoa mais indicada para pesquisar um demônio do que uma ex-demônio da vingança? Mas, não, eu sempre tenho que aceitar tudo. Por que é que eu sempre aceito? Se não fosse por essa pesquisa, agora eu podia ficar conversando com a Tara.”

Certo, esse não é o tipo de pensamento que eu devia ter. Quero dizer, Buffy é a minha melhor amiga e eu quero ajudá-la mas... eu tenho outras amigas também. A Tara, por exemplo. Ela foi a maior surpresa que eu tive aqui na UC Sunnydale. Ela é uma bruxa fantástica, além de ser uma pessoa muito doce. Eu queria passar mais tempo com ela. Mas o que eu poderia fazer? Já estava marcado que eu faria essa pesquisa.

-Como era o demônio que vocês viram?

-Esse é o problema. – Buffy disse. –Não vimos o demônio. Ele atacou o Riley pelas costas e depois se escondeu nas sombras. Mas dava para sentir o cheiro... era horrível. Parecia um gambá.

-Hum, será que não era esse monstro horrível e fedorento, que se chama... gambá? O campus está cheio deles. Eu mesma tive um problema com um, esses dias pra trás.

Riley me encarou, todo descrente. Qual é o problema dele? Como se tudo em Sunnydale se resumisse a demônios, monstros e vampiros...

-Não, Willow, não era um gambá. A não ser que exista alguma espécie de gambá que pese 100 kg.

“100 kg? Oh-oh.”

-Ai, Riley... É um gambá sim. Eu tenho certeza. –Eu disse, sabendo que eles ficariam bravos com o que vinha em seguida.

-Will, quer parar de fazer piadas? Isso é sério...

-Não, Buffy, não estou brincando. É um gambá. Eu sei disso. É... –tomei ar- foi um feitiço meu. Eu fiz um gambá ficar gigante.

-Por que você fez isso?

O Riley é fofo, mas quando ele usa essa voz de “Riley Finn, agente da Iniciativa”, ao invés de usar a voz de “Riley Finn, namorado da sua melhor amiga”, ele me assusta.

-Não foi de propósito. Eu estava estudando no dormitório, e o gambá parou embaixo da minha janela. Aquele cheiro era insuportável... Então, eu tentei fazer um feitiço para tirar o cheiro do gambá, mas...

-Mas o que, Will?

Obrigada pelo olhar de “Oi, eu sou Buffy Anne Summers, a caça-vampiros”, ao invés do olhar de “Oi, eu sou Buffy Anne Summers, sua melhor amiga”!

-Mas o feitiço deu errado... e o gambá começou a crescer e crescer... Aí, ele fugiu.

-E por que você não nos contou nada?

-Era um feitiço de duração temporária. Achei que em 3 horas ele voltaria ao tamanho normal, e ninguém sairia ferido. –eu disse.

Riley e Buffy fizeram caras idênticas de frustração. Eu posso entendê-los. Eu me sentia frustrada. Porque eu estava ali, para pesquisar um demônio (que na verdade era um gambá gigante que eu mesma tinha criado por acidente), enquanto poderia estar fazendo outras coisas. Tipo, treinando uns feitiços com a Tara.

-Então, a gente suspende a busca? –Riley perguntou.

-Claro. O feitiço era temporário... não era, Will?

-Não me arrisco a confirmar. Teoricamente, ele é temporário, mas como deu errado... não dá para ter certeza.

Buffy suspirou, e disse para Riley.

-Vamos patrulhar, então. Mesmo que seja só um gambá gigante, e que talvez já tenha voltado para o tamanho original, ainda existem outros demônios à solta.

-Então eu estou dispensada?

Buffy, parecendo cansada, acenou que sim. Saí do nosso quarto o mais rápido possível, antes que ela se lembrasse de alguma criatura que tivesse enfrentado no refeitório ou qualquer coisa do gênero.

Fui andando pelos corredores da Stevenson Hall, sem pensar muito. Meus feitiços ainda não estavam 100%, mas desde que estava praticando com ajuda da Tara, os erros eram menos frequentes.

Olhei o relógio na parede do hall de entrada. Ainda era 18:18. Decidi dar uma volta pelo campus, antes de ir me encontrar com a Tara.

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Tara:

O relógio marcava 18:18. Isso significava que faltavam 42 minutos para que Willow aparecesse. Eu estava quase terminando a pesquisa para a aula do Prof. Weinberger. Não era muito complicado, só era... chato. E como eu estava esperando que, a qualquer momento, Willow batesse à porta, eu não conseguia me concentrar muito no que estava fazendo.

Decidi deixar a pesquisa para mais tarde. Se eu continuasse forçando minha cabeça, eu faria um trabalho ruim. E eu não queria isso. Queria notas boas. Não precisavam ser tão altas quanto as da Willow, mas algo razoavelmente bom.

“Se bem que, se eu estiver indo mal em alguma matéria, eu posso pedir para a Willow me ajudar... Não, Maclay, para com isso. Você não pode ir mal nas matérias só para ter mais companhia dela. Já está ótimo fazer feitiços com ela, não é? Então, pra que? E quem garante que ela vai querer te ajudar?... Ei! A Willow me ajudaria sim. Eu sei. Eu posso sentir...”

Tem hora que eu odeio a capacidade humana de pensar...

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Willow:

Algumas pessoas caminhavam pelo campus. É um lugar bem bonito, ainda mais na hora em que o sol está acabando de se por.

Eu tinha noção de que faltavam cerca de 15 minutos para as 7 da noite. O caminho até o dormitório dela não era tão grande, e eu caminhava devagar. Não queria passar a impressão de que estava muito ansiosa...

“Por que é que eu estou tão nervosa assim?Você só está indo treinar uns feitiços, Rosenberg. Para de ser idiota!”

Olhei pra cima, e as primeiras estrelas começavam a brilhar. Era lua crescente...

“Daqui uma semana, o Oz vai se transformar...” Pensei, e ao mesmo tempo, uma lágrima brotou no canto do olho. “Oz, por que você fez isso comigo? Eu... eu achava que você me amava, mas foi só aquela irritante da Veruca aparecer, e você me abandonou! Isso é injusto! Eu te amava... eu te amei mais que qualquer pessoa, e o que eu recebi em troca? Você me traiu! Não se compara com o que eu fiz quando fiquei com o Xander. Ele... eu gostava dele desde criança. Mas eu te amei, Oz! Agora eu te odeio... Por que você me abandonou aqui em Sunnydale? Eu quero que você volte logo...”

A raiva e a saudade se misturavam dentro de mim enquanto eu pensava. Comecei a andar mais rápido, as lágrimas iam caindo; eu nem me importava. O que Oz havia feito comigo ainda me machucava.

De repente, eu parei de andar. Sem perceber, estava de frente à porta do quarto de Tara.

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Tara:

Ouvi um choro abafado no corredor. Para ser mais exata, do outro lado da minha porta. Alguém estava chorando na frente do meu quarto.

Abri a porta, e me deparei com ela. O rosto de Willow estava todo marcado pelas lágrimas. Ela parecia tão perdida que meu impulso foi abraçá-la, mas, ao invés disso, eu só perguntei:

-Willow? O que f-foi que aconteceu? Por que você e-está chorando?

Ela balançou a cabeça, e não disse nada. Eu segurei a mão dela e a conduzi para dentro do meu quarto. Ela se sentou na minha cama, e aos poucos, foi se acalmando.

-Você está b-bem? –perguntei mais uma vez.

-Des-desculpa... é que eu... eu... –ela começou a chorar de novo.

“O que aconteceu? Ela deve estar muito magoada com alguma coisa... Por que é que ela está chorando? E, céus, mesmo assim ela fica muito bonita. Mas prefiro quando ela sorri.”

Olhei para ela. Willow tinha controlado o choro novamente, mas ainda parecia muito triste. Outra vez, me veio o impulso de abraçá-la. Não me segurei; aproximei dela, a envolvendo em meus braços, dizendo:

-Ei, calma. V-você precisa conversar? Eu... eu vou...

Ela me abraçou forte, e eu senti o perfume do corpo dela. De repente, eu estava mais viva do que nunca. Era como se toda a minha existência passasse a ter um significado, agora que ela estava tão próxima de mim.

-Tara... Desculpa por eu chegar aqui chorando. –Ela falava com a voz fraca. –É que eu... eu olhei para o céu...e... vi a lua crescente... e me lembrei do Oz...

“Oz?”

-...Oz... ele era meu namorado...

“Namorado? Ela tinha um namorado...” Senti uma raiva repentina. Quem era esse tal Oz? E como é que ele podia ter feito algo para deixar Willow tão triste?

-...ele... ele me traiu com aquela ridícula Veruca... –A voz de Willow estava dura, transparecendo toda a raiva que ela sentia -... e daí que os dois são lobisomens?

-L-lobisomens?-Isso foi uma surpresa para mim.

-É... e ele foi embora, para... achar a cura...

Ela ficou quieta, sem chorar, mas sem parecer melhor. Eu também fiquei quieta.

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Willow:

“Por que é que eu contei para a Tara? Ela não precisava saber nada disso...”

De repente, toda a mágoa por causa de Oz havia sumido. Assim... puf... a dor tinha ido embora. Tara ainda me abraçava, e eu sentia o calor do corpo dela. E aquilo foi me acalmando, e tudo o que eu pensava sobre Oz ia sumindo da minha cabeça.

-Desculpa... Você não precisava saber nada disso... –eu disse, deixando o abraço e sentindo um desespero crescer dentro de mim. Por que é que eu havia falado sobre Oz?

-Não, está t-tudo bem... –Ela me encarava com os olhos azuis, como se quisesse dizer alguma outra coisa. – Você precisava c-conversar com alguém.

Eu me levantei, e comecei a andar pelo quarto. Precisava me recompor. Minha cabeça girava, pensando uma única coisa: “Por que eu contei sobre o Oz? Por que?”

Ela também se levantou, e colocou a mão no meu ombro.

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Tara:

Quando ela parou de me abraçar, eu me senti incompleta. Foi aí que eu entendi. O que eu sentia, o que Willow estava começando a significar para mim. Não era só uma companhia. Não era só uma bruxa com quem eu estava treinando feitiços. Eu nunca havia sentido nada assim.

Levantei da cama e me aproximei de Willow. Coloquei a mão no ombro dela; ela se virou para mim. Eu encarei aqueles olhos verdes, e perguntei:

-V-você está melhor?

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Willow:

-V-você está melhor?

A pergunta foi uma decepção. Não sei o que é que eu esperava que ela dissesse, mas, definitivamente, não era isso.

Concordei com a cabeça.

-Que bom. –Ela deu um sorriso torto, e, por algum motivo, meu coração deu um salto.

Tara tirou a mão do meu ombro, e ficou em silêncio, me encarando. Parecia estar pensando em alguma coisa... algo que a fazia parecer perdida. E, devo dizer, a expressão no rosto dela era adorável.

“Qual é o seu problema, Willow?” Pensei, me dando uma bronca.

-Willow... –Ela perguntou. –Você não ia trazer um f-feitiço pra gente fazer?

Mais uma vez, senti a decepção. O que é que eu estava esperando que ela perguntasse?

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Tara:

-Ah, o feitiço... –Ela disse. –Eu... acho que não vai dar certo.

-Vai desistir sem ao menos tentar? –Eu falei sem gaguejar.

Ela suspirou.

-É que, para esse feitiço, é necessário que o estado emocional esteja equilibrado. –Ela explicou. –Não acho que eu estou equilibrada. –Ela sorriu, um pouco sem graça.

-Ah, entendo. –Isso, de certo modo, significava que ela ia embora logo. Eu não queria que ela fosse embora. Não depois de entender o que estava acontecendo. Comigo. –Você não quer fazer o-outra coisa? A gente pode, você sabe, sair p-para comer alguma coisa, ou... sei lá...

Ela me encarou.

-Não estou com vontade de sair. Depois de tanto chorar, devo estar horrível, parecendo uma bruxa.

-Bom, você não está horrível. –eu disse, mais uma vez sem gaguejar. –Mas você p-parece uma bruxa. Ah, é mesmo... você é!

Ela soltou uma risada, e eu mesma comecei a rir. Um segundo depois, nós duas ríamos como loucas. E a piada nem foi tão boa assim... Acho que era a tensão que estava ali, intensificando todas as reações.

-Quem é você pra me chamar de bruxa? –Ela disse, entre as risadas. –Você pratica magia há muito mais tempo...

O sorriso a deixava ainda mais bonita. Eu já não aguentava mais... estava me sentindo sufocada, sem ar, tudo porque ela estava ali, perto de mim, sorrindo.

Olhei para ela, e sorri.

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Willow:

Eu estava sem fôlego, de tanto rir. E, de repente, ela começou a me encarar, sorrindo.

-Willow... posso fazer uma pergunta? –meu coração deu um pulo.

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Tara:

Ela me olhou, parecendo curiosa.

-O que?

“É agora”, pensei.

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Willow:

Ela respirou, e disse.

-Por que é que v-você vem aqui? Quero dizer... é só por causa dos f-feitiços?

Senti como se caísse de um precipício. Era o que eu mais temia: que ela achasse que eu só ia atrás dela por causa dos feitiços.

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Tara:

-Não, Tara, de jeito nenhum... –Ela respondeu indignada. –Eu venho aqui porque eu gosto da sua companhia, eu já te disse isso... É diferente conversar com você e conversar com a Buffy ou o Xander.

Um raio de esperança surgiu dentro de mim.

-Eles são meus amigos, e são muito especiais para mim. Mas você... é diferente. A forma que você me faz sentir... Nunca senti isso antes. Nem com a Buffy, nem com o Xander... Nem com o Oz...

-Nem com o O-Oz?

Ela balançou a cabeça, negando. Eu me senti mais aliviada.

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Willow:

“Por que ela está perguntando isso?”

-Tara... Por que? Por que você está perguntando isso?

De repente, ela ficou séria.

-Willow... e se eu t-te dissesse que eu também nunca me s-senti assim com ninguém antes? Que existiram... p-pessoas especiais na minha vida, mas nunca desse jeito...

-Eu ficaria muito feliz... –respondi, sinceramente.

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Tara:

Meu coração estava batendo mais rápido que nunca. Ela... ela estava tão próxima, com um sorriso tão encantador... Eu quase não conseguia controlar meu nervosismo.

-É v-verdade?

-É claro que é verdade. Por que não seria?

-Willow... Eu q-quero te contar uma c-coisa...

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Willow:

Ela estava muito nervosa. E meu coração martelava muito forte contra meu peito. Será que ela finalmente falaria o que eu estava esperando tanto por ouvir, e que eu nem mesmo tinha ideia do que seria?

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Tara:

-Eu... eu não s-sei como explicar... É que desde a-aquele dia, no grupo de W-Wicca, quando eu p-percebi que você também sabia o que realmente s-significa ser uma bruxa... Eu não consigo p-parar de pensar na p-pessoa maravilhosa que você é. –Eu precisava deixar todas as palavras saírem, não podia mais segurar os meus sentimentos. E daí que eu estava gaguejando mais que nunca? –E d-depois, quando a gente e-estava fugindo dos Cavalheiros, eu s-sentia que precisava proteger você.

Dei um passo na direção dela.

-E... e q-quando tudo acabou, eu p-pensei que você nunca m-mais falaria comigo. M-mas você falou. Continuou c-conversando comigo, passou a v-vir aqui, para fazer f-feitiços... E você não s-sabe como isso me fazia sentir b-bem.

Ela me olhava com uma curiosidade nos olhos. Eu estava muito próxima dela, e mesmo assim, dei mais um passo. Agora, a distância não passava de 15 centímetros.

-V-você me fez sentir como se e-eu fosse especial.

-Você é especial. –Ela falou, com a voz baixa.

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Willow:

Meu coração batia muito rápido. Tara estava tão próxima de mim, que eu não conseguia pensar em nada a não ser... nela. Os olhos azuis, o cabelo loiro... a boca...

E, enquanto eu olhava para sua boca, eu percebi: eu estava apaixonada por ela. Era isso que me fazia ficar tão diferente perto dela. E a pergunta que eu queria ouvir... era...

-Willow, você... g-gosta de mim?

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Tara:

Eu fiz a pergunta, mas não consegui esperar a resposta. Eu precisava fazer aquilo.

Segurei Willow pela cintura, e a beijei. Eu sabia que, talvez, ela nunca mais olharia para mim, mas não tinha volta. Eu estava perdidamente apaixonada por aquela ruiva, de magníficos olhos verdes. Eu precisava fazer aquilo, ou, então, me arrependeria para sempre.

E, para a minha surpresa, ela correspondeu ao meu beijo.

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Willow:

De repente, não havia mais nada. Nada além de Tara e do beijo. Todas as coisas sumiram da minha cabeça: Oz, os feitiços, a minha preocupação... Eu não pensava, apenas sentia. Sentia as mãos de Tara nas minhas costas, a boca dela na minha... o cheiro dela, o calor do corpo. Tudo se resumia àquela sensação maravilhosa que era estar nos braços daquela... garota.

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Tara:

A sensação era indescritível. Sentir o gosto da boca de Willow, o calor dela, o cheiro... Eu me sentia completa. Queria ficar daquele jeito para sempre...

Então, percebi que ela se afastava. Delicadamente, ela me empurrou para longe. O que ia acontecer daí pra frente, ia ser decidido naquele instante.

Olhei para ela. Havia um misto de surpresa e confusão estampado nos olhos verdes.

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Willow:

-Tara... O que foi isso? –Eu perguntei. Claro que eu sabia que era um beijo. Eu queria saber o significado daquilo.

-Eu... e-eu... me d-desculpa, Willow. –Ela parecia não saber o que dizer. –É só que eu... eu n-não consegui me controlar.

Ela baixou os olhos, realmente parecendo arrependida pelo que havia feito.

-Você... está arrependida?

Silêncio.

Comecei a andar pelo quarto. Eu não sabia o que falar, e ela também não. O silêncio foi se adensando, ficando insuportável...

“Estou ficando louca. Só pode ser. O que foi que eu acabei de fazer? Eu beijei uma garota... Espera: o que tem de errado nisso? Não é você que fica falando que não tem nada de errado nisso? Então, qual é o problema? Para com isso, Rosenberg! E lembra daquela vez que você e a Anya trouxeram a Willow-vampira da outra dimensão? Você se achou meio gay, e o Angel disse... O que o Angel disse!”

Era loucura. Fui até a porta, para sair dali.

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Tara:

Willow ia sair do quarto. Não podia deixar as coisas terminarem daquele jeito.

-Willow... p-por favor... não...

Ela parou, com a mão quase abrindo a porta. Meu coração estava batendo num ritmo insano, minha cabeça zumbia e minhas pernas estavam pesadas demais para que eu andasse.

-Eu sei que eu fui p-precipitada, mas... a verdade é que... eu... acho... que estou a-apaixonada por você.

Morrendo de medo de vê-la sair correndo do quarto, abaixei a cabeça e fechei os olhos.

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Willow:

Virei para encará-la, mas ela estava com os olhos fechados, ou encarando o chão. Parecia chorar. Eu já não tinha ideia do que fazer. Aproximei dela, e a abracei.

-Tara... eu também. Eu... também acho que estou apaixonada por você.

Ela me abraçou, e ficamos assim por um bom tempo.

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Tara:

Acordei no dia seguinte me sentindo muito leve. No início, não sabia direito o porquê. Mas, de repente, lembrei de tudo. Ela tinha estado ali. Havíamos nos beijado. E depois de um momento desconfortável de silêncio e angústia, tudo ficou resolvido.

Willow continuaria me encontrando, para treinar magia. Mas não seria só isso. Ninguém saberia de nós, só que isso não importava. O que importava era que agora ela estava comigo, me fazendo sentir completa.

Eu nunca tinha esperado que as pessoas me notassem... Mas ela, logo ela, me notou. Era a melhor coisa que poderia ter acontecido na minha vida.

Claro, eu sabia que se um dia Oz voltasse para Sunnydale, ela não continuaria comigo. Ele significou muita coisa na vida da Willow. Mas esse não era o momento para pensar nisso, porque alguém estava batendo na minha porta.

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Willow:

Esperei por alguns segundos, e então, Tara abriu a porta. Entrei no quarto dela, fechando a porta.

Notas finais
FIM!
Você chegou ao fim do livro. Parabéns!