O preço do prazer
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Notas iniciais
Assim que meus saltos de bico fino pisaram no primeiro degrau do jatinho, um dedo indicador meu deslizou por minha testa colocando uma mecha de cabelo pra trás da orelha, e desci os demais degraus até a pista de pouso em direção ao aeroporto. Acompanhada de Hinata e alguns seguranças, sim, seguranças. Fomos à Paris resolver os trâmites de seu casamento, o principal deles, seu vestido de noiva. Eu tenho que confessar que amei o modelo que ela descreveu pro estilista super renomado, e ele teria um trabalho e tanto pra fazê-lo em menos de duas semanas. Tadinho dele! Passamos o final de semana lá para isso.
Um sorriso fino brincava em meus lábios, pasmem, rosa. Da cor dos meus sapatos. Retirei meu óculos que usei por dois segundos para encarar o céu nublado de Nova York até entrar no aeroporto pelas portas de vidro fumê. Havia chovido durante a madrugada até o início da manhã, mas os meteorologistas apostavam em tempo firme o resto do dia. Tomara!
Garoto, não me chame de anjo. Com a ponta do óculos entre meus lábios, desviei meus olhos na direção da multidão que nos aguardavam. Eram pessoas curiosas e gananciosas de sites e revistas de fofocas. Nossa missão de ir até a capital da França era super secreta, e é claro que todo mundo já sabia. A cidade também estava sem graça sem a presença de Neji, ele estava em Londres à negócios.
Sorri acenando pra uma garota que estava boquiaberta olhando em nossa direção, e não era como se houvesse inveja ou raiva em seu olhar, ela olhava pra mim da cabeça aos pés como se eu fosse uma espécie de deusa ou criatura de outro mundo. Talvez seja isso, mulheres que se amam brilham.
E estava mesmo um luxo. Tsc, como se eu não fosse sempre... Até gemendo embaixo do Neji. Com Hinata ausente, os trabalhos duplicavam ou até triplicavam nas costas do meu homem, mas tudo bem. Temos celular pra isso. E aproveitamos bem esses celulares...
E lá estava ele vibrando outra vez, recebendo as chamadas e mensagens que perdi durante o voo.
Quem me olhava de longe poderia enxergar uma criaturinha desprezível e entojada, venenosa patricinha dos toscos filmes clichês, porém eu sabia que era bem pior que isso. Eu adorava essa comparação. Eu era, literalmente, a dona do puteiro. Mitsashi Tenten era, de fato, a dona da porra toda. Essa mulher é mesmo incrível... ah, é, sou eu. Você não me entendeu direito?
Vale ressaltar que eu fui a única madrinha que acompanhou a Hyuuga? Isso era um avanço e tanto pra alguém que definitivamente estava sendo manipulada pela própria irmã. Aquela sim era uma víbora, uma cobrinha Coral.
Entretanto, ainda tinha uma coisa a qual Hinata tinha pânico: repórter.
— Senhorita Hyuuga, é verdade que o casamento foi cancelado? — um aglomerado dos quais estavam no aguardo na saída do desembarque vieram pra cima de nós como em enxame de abelhas. A Hyuuga olhou pra mim e sibilou um "O que?" perante a pergunta, eu revirei os olhos.
Dava pra entender o nervosismo dela, Hinata nunca gostou de câmeras e eu percebi isso no dia do evento do NYC — New York Companies —, onde eu cobri a NY:News! acompanhada de Itachi. E após o sequestro e eventualmente o relacionamento assumido dos envolvidos — vulgo Neji e eu —, é que não deram descanso mesmo. Uma pedra no sapato. O estopim pra tudo isso foi a revelação do casamento entre Hyuuga Hinata e Uzumaki Naruto. Os Hyuuga meio que se tornaram celebridade por aqui após a sequência de pequenos escândalos como “Olha a bolsa cara da Hyuuga, é uma Chanel "Diamond Forever" Handbang, como ela ousa andar por aí com algo que custe menos que meio milhão de dólares?” até a cor do cabelo da noiva era notícia, onde uns diziam que as madeixas eram negro-azuladas, já outros afirmavam que elas eram tão escuras que davam a “impressão" de serem azuladas... e tinha quem dissesse que era tinta. Coitada da Hinata!
Ninguém fala do cabelo rosa da Sakura, poxa.
Ela caminhava com uma mão sob o rosto, e seus seguranças barravam os curiosos que tentavam se aproximar pra colher alguma informação das quais eles pudessem distorcer e usar a seu favor.
— Mitsashi, é verdade que você está grávida? — quê? — E que por isso será a próxima a subir no altar? — foi o som das palavras de uma mulher, e eu me vi obrigada a parar pra olhar na cara da criatura, o que aquela descendente de japonês tava pensando sorrindo pra mim com aquele microfone na boca? Grávida e noiva? Tsc, já é difícil namorar.
Eu devia dar uns cascudos nela, isso sim, em defesa à minha honra.
O tilintar dos meus saltos agulha voltou a ser ouvido quando voltei a caminhar pelo chão de porcelanato, eles continuavam fazendo perguntas das mais diversas. Acompanhando a gente até a saída como urubus sob a carniça.
— Senhorita Tenten, corre um boato de que foi traída por Hyuuga Neji e por isso foi à Paris para espairecer enquanto seu ex está em Londres com outra... o que pode nos dizer, é verdade? — ah caralho... eu confesso que tô ficando cheia disso, cheia demais. Minha resposta foi um belo dedo do meio pro idiota, sem nem me dar o trabalho de olhá-lo. Como se Neji fosse louco de me trair, ainda mais depois de todo sufoco que passou pra me conseguir. Praticamente comendo o pão que o diabo amassou.
Eu confesso que fui dura na queda e até humilhei um pouco ele até finalmente perceber que estávamos no mesmo barco, mas eu não ia me entregar de bandeja e ele sabia disso. Ué, se fosse fácil não teria graça. E como eles sabiam que o Hyuuga estava em Londres? Tsc, não deveria me surpreender, esses insetos descobriram sobre Paris.
— De onde eles tiram essas perguntas? — a Hyuuga me perguntou, perplexa.
— Nem queira saber... — respondi com um tom ácido, mas Hinata sabia que não era pra ela.
Sairíamos daqui diretamente pra mansão Hyuuga, eu só iria trabalhar no turno da tarde, graças a Deus. Dentro do veículo e longe daquela multidão, eu busquei meu celular finalmente lendo as mensagens.
Hyuuga Nv./08:45am: "Acabei de chegar da última reunião, estou indo arrumar minhas coisas e ir dormir um pouco. Não vejo a hora de estar dentro dessa boquinha."
Um sorriso travesso brinca em meus lábios, correndo pra responder. Devido ao fuso-horário confuso, Londres tinha cinco horas a mais que Nova York, ou seja, a essas horas o Reino Unido já dançava com o sol da tarde. Não me chame de anjo.
Mitsashi Tenten/08:46am: "Cheguei, que horas você embarca!? Não fale da minha boquinha, você não tem ideia do que ela pode fazer..."
Sinto uma adrenalina atravessar minha coluna com esse ritmo de romance virtual. Havíamos ficado na mão durante todo o fim de semana, literalmente. Conversar com Neji por mensagens era ainda mais delicioso que por ligação, apesar de adorar a voz rouca dele no meu ouvido. Mas eu ainda prefiro pessoalmente, enquanto ele me fode por trás.
Eu sabia que provavelmente o Hyuuga iria demorar pra responder, afinal ele mandou a mensagem enquanto eu ainda estava viajando. Meus olhos vagueavam sem destino fixo com o celular entre as mãos e próximo à boca durante o percurso, sentindo-o vibrar outra vez, ou não:
Hyuuga Nv./08:49am: "Eu tenho total conhecimento do que essa boquinha é capaz de fazer, meu saco também, e embarco às cinco."
Arregalei os olhos com a audácia desse filho da puta, sentindo uma deliciosa contração em meu baixo ventre com a provocação. Ao meu lado, Hinata estava ocupada demais em alguma ligação, ela gesticulava bastante enquanto falava, parecia animada e nervosa ao mesmo tempo... seja quem for que estivesse do outro lado, gritava igual um louco. Parecia o Sai, tsc.
Comprimo os lábios numa linha fina, sorrindo. Pelo visto ele não esqueceu a forma que eu o chupei naquele prostíbulo.
Envio minha última mensagem:
Mitsashi Tenten/08:53am: "Ok, minha boquinha aguarda ansiosa o retorno de você e do seu saco. ps: traz o pau também."
E travei a tela do celular, chegamos.
Apesar dos meus próprios problemas pra encarar, estar passando esse tempo me preocupando com coisas de uma pessoa normal era de certa forma libertador. Hinata e eu conversávamos sobre algo que eu já havia notado que a incomodava, mas que ela parecia ter medo de me contar.
— Não precisa se obrigar a isso, Hina, é um estilo de vida. — respondi, sanando um pouco as suas dúvidas. Infelizmente Hinata se via ainda presa em algumas amarras, e para ela se ver liberta das mesmas, parecia querer se obrigar a fazer coisas mesmo que não fosse parte de quem ela é.
E apesar de ficar um pouco tristinha, só um pouco, por saber que ela não tem sina pra ser uma vadia má e sim a minha garotinha meiga, eu sabia que a Hyuuga sempre estaria lá pra me ajudar, e eu por ela. Porque a nossa amizade ia muito além de ser compatível em vários aspectos. Ao contrário disso, quando temos amigos fora da nossa zona de conforto, somos obrigados a enxergar o mundo fora do nosso umbigo, temos um outro par de olhos e uma outra cabeça pra pensar por nós coisas que talvez não pensássemos.
Apesar disso, eu já havia notado uma notável mudança por parte da mesma, e isso me alegrava bastante.
— Eu sinto curiosidade... mas acho que não vou adiante, gosto de como sou! — ela começou incerta, mas pareceu ter mais confiança ao se dar conta dos fatos. Sorrio.
— Fazer o que quiser, Hina, essa é a terceira regra! — exclamo.
— E quais as outras duas? — questiona-me, interessada.
— Não se apaixone, não engravide! — listo com os dedos, pisquei pra ela, travessa. Que olhou-me perplexa e confusa. Você não pode pagar meu preço. E a quarta é: quebre todas as anteriores se é isso que te faz feliz... penso. Rimos juntas dando os braços caminhando pela imensa mansão, entendendo a ironia disso.
Porque você não é obrigada a nada!
Não sou do céu. Voltamos a falar sobre os preparativos do casamento, como eu trabalharia o resto da semana inteira e pegaria o turno da noite ainda hoje pra cobrir minhas faltas, eu teria pouco tempo livre pra ajudar a Hyuuga.
— Você cancelou o vestido da Vera Wang!? — uma voz estridente e fina ecoou pelo salão enquanto passávamos por ele, e esta vinha do alto da escada, onde a doce irmã mais nova da Hyuuga estava parada. Os olhos brancos que sequer piscavam, aquela respiração contida pronta pra explodir, olhando fixamente para a mais velha. Torci o nariz. — E ignorou todas as minhas ligações? — ela começou a descer a escada degrau por degrau, com uma mão no corrimão enquanto os olhos idênticos aos da outra fitavam a mesma.
De braços cruzados, eu só observava a cena.
Apesar de não suportar essa cria do cão, ela ainda estava na casa dela, e eu ainda tinha educação. Ainda.
— Sim, eu cancelei. — lentamente uma chama de ódio queimava dentro de mim, era tanta coisa contida, não vou permitir de forma alguma que ela humilhe a Hinata. — E eu estava ocupada resolvendo os detalhes do meu casamento... — não desgrudava meus olhos dela, como uma serpente pronta pra dar o bote. Ai dela se tentar algo...
— Não! — ela ergueu um dedo indicador, interrompendo a fala da outra. Eu tô ficando cheia... — Sou eu quem decide os detalhes do casamento. — pontuou, tão irritante e cheia de si.
Uma lufada de ar violenta atravessa meus brônquios quando me vejo puxar o ar para os pulmões com força, na mesma intensidade que o meu ódio subia. Quem essa garota pensa que é...
— Claro que sim... quando for o seu! — sim, você me ouviu direito! A voz de Hinata soou firme, surpreendendo até a mim e interrompendo minha linha de pensamentos homicidas, fazendo-me olhá-la. A Hyuuga estava com a postura ereta e os braços cruzados olhando na direção do sangue do seu sangue, porém, tão séria e firme que eu até me surpreendi, positivamente. Em seus lábios um a sombra de um sorriso confiante brincava, fazendo um surgir nos meus. — Até lá... boa sorte pra encontrar alguém que te suporte. — sim, você ouviu! Caralho... isso foi de longe a melhor coisa que eu vi em dias, foi maravilhoso.
Havia uma autoconfiança nas palavras e na atitude da Hyuuga que não deixou só a outra Hyuuga perplexa ao ponto dela ficar quieta, mas à mim também. Eu me vi surpreendida de um jeito bom, magnífico.
Ela não titubeava em olhar pra irmã, um sorriso de orgulho crescia em mim. Eu não poderia estar mais orgulhosa!
— Voc... Vo-você não... — puta que pariu, eu vive pra ver essa garota gaguejar. Os papéis pareciam ter se invertido, ela não conseguia formar uma frase. Nem eu.
— Ah! e aliás... — ela ciciou, interrompendo-a. Já havia girado os calcanhares pra sair dali quando lembrou de algo mais. Tem mais!? Porra... — Você não é mais minha madrinha... nem Haidê e Natsu-chan. — havia tanto cinismo em sua voz... mesmo que saiba que voamos. — Mas olha pelo lado bom, ainda podem ir como convidadas... — pontuou, arrebenta mulher!! Não me chame de anjo.
***
Yuh! E posso ser todas as coisas que você me pediu pra não ser. Era verdade que Neji estava em uma distância de mais de cinco mil quilômetros de mim, mas isso não queria dizer que eu não poderia provocá-lo mesmo de longe. Ainda mais quando a gente tem a internet, e a tecnologia. Mesmo que o local fosse proibido.
E depois de deixar a lista de casamento da Hyuuga reformulada na Tiffany Co., paramos para almoçar na Banihana, eu adorava a carne daqui. E já era próximo. Sairia daqui direto pra NY:News! com Sai, Ino e Temari que também vieram aproveitando a hora do almoço.
Eu fui até o meu apartamento depois de ajudar a Hyuuga com a nova lista, combinamos de almoçar juntas e eu tirei o pouco tempo livre dos meus afazeres de madrinha pra arrumar meu apartamento, apesar de passar menos tempo lá, como se fosse uma casa de férias.
Deixei meus amigos na mesa e vim ao banheiro, eram 12:47hrs e de acordo com as informações do Hyuuga, ele já deveria estar no Aeroporto de Heathrow, o maior de Londres e o terceiro maior do mundo. O embarque deveria ocorrer em poucos instantes. Lá já batiam às cinco da tarde, então por que não atiçar meu namorado um pouco e fazê-lo viajar de pau duro?
Hyuuga Nv./12:50pm: "O que você tá aprontando, Mitsashi?"
Respondeu a minha provocação anterior, e um sorriso brincou em meus lábios. Yuh! Quando você tenta me procurar, eu continuo florescendo.
Eu apostei num look aeromoça com um terninho rosa chá, meus lábios voltaram ao vermelho, e em meus pés um Louboutin preto. Mas eu queria muito mais. Após me certificar de que a porta estava bem trancada, comecei a desabotoar os dois botões do meu terno, eu tinha boas lembranças em banheiros públicos. Maravilhosas, eu diria. Yuh! E ele enxerga o universo todo em mim. Ouvi o som do zíper da minha saia ao abri-lo, despindo-a, ficando quase nua. Usava uma lingerie branca rendada, minha calcinha era ainda mais promíscua que a parte superior e não cobria quase nada, nada mesmo. Está tudo em mim.
Sentei-me de lado na pia de mármore branco, balançando os pés enquanto jogava displicentemente meus cabelos pro lado contrário, sem me importar em bagunça-los. Numa posição um tanto quando provocativa com o celular capturando meu reflexo. Minha cara de pura vadia, encarando os olhos baixos o aparelho com a boca entreaberta. A luz amarelada acima do enorme espelho ajudava demais. Você, você ama como eu te movo.
Um sorriso devasso permeia meus lábios vermelhos após o primeiro clique, sabendo que eu iria pegá-lo de surpresa. Junto da foto, uma mensagem que dizia: tenha uma boa viagem, meu amor! então cliquei na tela do celular para enviar. Você ama como eu te toco.
Cubro a boca com as mãos quando obtenho resposta imediata ao momento que envio e ele visualiza, adorando.
Hyuuga Nv./12:57pm: "...porra Tenten, eu vou viajar em cinco minutos."
Reviro os olhos, fingindo tédio, que namorado estressadinho.
Hyuuga Nv./12:57pm: "Mas espera até eu chegar aí..."
Hyuuga Nv./12:57pm: "apaga isso do seu cel."
As mensagens não paravam de chegar, e eu tinha que me controlar pra não gargalhar alto e chamar atenção de alguém. Era delicioso provocá-lo. Vê-lo perturbado não tinha preço. Ganhei meu dia, e elas não paravam de chegar:
Hyuuga Nv./12:58pm: "Eu não acredito que você fez isso! Tem gente perto de mim, Mitsashi."
Eu ri, bati o pé contra o chão controlando a crise de risos. Eu tô pouco me fodendo se algum idiota me viu praticamente nua, ele estava puto e isso era impagável. Meu único, quando tudo estiver dito e feito...
Avisei o sabonete líquido sob a pia, e uma segunda ideia passou por minha cabeça, aumentando meu sorriso maldoso.
Estrategicamente molhei minha mão e lambuzar meus dedos com o líquido transparente, que podia lembrar muito a excitação feminina, enviando uma segunda foto pro Hyuuga com um sorriso maior que meus lábios refletidos no espelho. Ah, ele ia ficar louco.
Você acreditará que Deus é uma mulher.
Hyuuga Nv./12:58pm: "Caralho, Tenten..."
Hyuuga Nv./12:58pm: "puta que pariu!"
Dito e feito.
Hyuuga Nv./12:58pm: "Tenten, tem uma senhora perto de mim... ela deve ter uns oitenta anos e agora acha que eu sou um tarado, puta que pariu."
Eu não consigo mais parar de rir, as mensagens de Neji não param de chegar, e eu tinha certeza que ele tava muito, muito puto. Tanto pela frustração quanto pela vergonha... já doía meu maxilar. Eu me preparava pra responder, sentindo uma dor na costela de tanto rir, mas elas não paravam de chegar, não mesmo! E cada uma delas demonstravam que ele ficava um pouco mais puto.
Hyuuga Nv./12:59pm: "Espera, isso é um banheiro público?"
Hyuuga Nv./12:59pm: "Mitsashi, onde você tá? E porque tá seminua em um lugar que não é meu apartamento?"
Eu juro que tava tentando responder, mas eu não conseguia parar de rir, tava doendo tudo, sério... minha coluna, minha costela, até respirar já tava difícil.
Hyuuga Nv./13:00pm: "Você não vai me querer ver aí, eu vou te dar umas palmadas..."
O celular começa vibrar e tocar, mas agora era por conta de uma chamada. Êta caralho, fodeu, ele tá me ligando... penso irônica, atendendo:
— Alô?! — apoiei no mármore e falei ainda rindo, eu conseguia ver com tanta clareza ele vermelho de ódio, como quando eu provocava ele ou envolvia outro cara. Meu Deus, como ele odiava... mas eu não parava de rir! — Neji... — chamei, entre risos, ele desligou. Olhei a tela do aparelho vendo o fim da chamada, nossa, ele tava mesmo puto! Será que eu vou mesmo levar umas palmadas!? Hmm.
O meu celular voltou a vibrar, recebendo as demais mensagens dele:
Hyuuga Nv./13:01pm: "Tenten, preciso desligar, estou embarcando."
“Tá explicado porque ele desligou...” penso parando de rir, finalmente. Lia as demais mensagens que terminavam de chegar, sentindo um frio na barriga com as últimas.
Hyuuga Nv./13:01pm: "Tenten..."
Hyuuga Nv./13:02pm: "...eu amo você."
Um sorriso dessa vez não travesso sombreou meus lábios, e mordi o inferior. A gente não falava muito sobre isso, ele parecia preferir demonstrar do que dizer, e eu em particular amava. Mas eu sabia que não era totalmente sincera com ele.
Balançava uma perna demonstrando meu ato nervoso, vi os minutos se passarem até digitar uma mensagem de volta a qual eu não iria apagar de novo, enviando-o:
Mitsashi Tenten/13:03pm: "Eu também, amo você."
Mas essa mensagem não chegou, ele já tinha desligado.
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Apesar de Neji não ter visto minha mensagem, eu estava de certa forma satisfeita. Ele leria quando chegasse, e finalmente eu poderia olhar pra cara dele com ele tendo conhecimento — claro — de que era retribuído. Só espero não agir como uma adolescente de quinze anos. Apreciei meu retorno à mesa tomando um suco de maçã observando meus amigos conversarem animados entre si, Hinata queria contar alguma novidade.
— Qual é a do sorrisinho? — Yamanaka Ino me alfinetou, e eu a olhei displicente.
— Nada... — gesticulei, dando de ombros. Ela arqueou uma sobrancelha loira.
— Veio praticamente dançando do banheiro e não é nada!? — Sai retorquiu, fazendo-me olhá-lo também.
— Sem contar que demorou quase dez minutos lá... — Temari que estava ao lado da Hyuuga, acentuou. Eu olhei pros presentes como se estivessem me jogando na roda, enxeridas.
— Eu estava falando com o Neji. — disse normalmente, ouvindo um “Hmm" em uníssono, fiz-me de sonsa. — Ele acabou de embarcar... — dei de um ombros, tsc.
Que todos se fodam, eu teria meu namorado em meus braços em mais ou menos umas dez horas, se eu não demorasse muito no trabalho! O Voo dele estava previsto para pousar no Aeroporto Internacional John F. Kennedy às 20:47hrs da noite, ou seja, como eu cobriria este turno na NY:News!, eu encontraria ele ao chegar em casa.
— Hinata estava nos contando dos planos dela pras madrinhas... — Sai segurou meu braço, falando. Olhei em sua direção bebericando o suco, então pra Hyuuga que sorria discretamente do outro lado da mesa, e de volta pra ele. Que madrinhas? Eis a questão. — Ela descreveu a cor dos vestidos como um luxo, você já escolheu o seu? — indaga-me.
Franzo o cenho, olhando de volta para a Hyuuga.
— Eu nem sabia que ainda ia ter madrinhas... — levando em consideração que ela literalmente despejou as candidatas, não achei que fosse ser a única a entrar na igreja.
— Vai ter! — ela disse, convicta. Olhando pra mim. Nossa, eu estou amando essa nova Hinata. — Bom, isso é... se vocês aceitarem... — e olhou na direção do trio.
Eita. A histeria do albino e da Yamanaka me fizeram querer ir pra baixo da mesa.
***
A NY:News! estava escura e silenciosa, era apenas a tela do computador e o som dos meus dedos teclando. O trio estrela saiu no fim do expediente normal todo animadinho dizendo que iam ajudar a Hinata, de certa forma isso era bom, porque assim eu tinha mais tempo pra mim também.
O relógio no canto inferior direito da tela indicava pouco mais das dez da noite, bem como eu suspeitava. Os únicos presentes nesse prédio deveriam ser o segurança e eu, e suspirei cansada me dando conta que o tempo havia voado. Estalei a língua pensando: vou deixar a revisão pra depois. Eu já estava mentalmente exausta, e isso era meu emprego, não poderia me dar ao luxo de entregar algo ruim.
Tudo bem, hora de ir pra casa.
Realizo o processo de colocar o computador em modo de descanso após salvar os documentos, peguei minha bolsa e confirmei com desgosto que não haviam novas mensagens em meu celular, caminhei pra fora dali. Meu carro era o único no estacionamento, e o caminho foi tranquilo, apesar de um pouco demorado. Nova York não tinha horário de descanso, toda hora poderia ser agitada nas ruas.
A casa que eu me refiro é a casa do Neji, o apartamento dele, já que eu estou praticamente morando lá por insistência dele. Após assinar os papéis da Heaven, ele agia com medo como se alguém fosse me sequestrar a qualquer momento... tsc. Não era comigo que ele tinha que se preocupar, e sim com ele.
Após estacionar e já caminhando para o hall de entrada do prédio chique do Hyuuga que me certifiquei alegre que algo vibrava em minha bolsa, buscando-o e vendo o número confidencial, deveria ser ele, atendo:
— Graças a Deus... já chegou? — chamei o elevador aguardando sua resposta, que não veio. — Neji!? — franzi o cenho. E o tempo passava... um frio corre minha espinha com uma sensação ruim, ouço algo do outro lado da linha, são sons baixos e perturbados, como se alguém estivesse xingando. Não poderia ser. Engulo seco. — Tamaki. — pronuncio, e a chamada cai.
Olho atônita e perturbada para a tela do celular, vendo a ligação encerrada. Acho que estou tremendo, meu Deus, eu estou tremendo. Meu coração tem batidas rápidas e curtas, numa taquicardia. Sinto minha respiração pesar junto ao peito, ao mesmo tempo que o elevador se abre, dando uma visão conhecida por mim. Ainda bem.
— Ino!? — a Yamanaka parece se surpreender com a minha presença, porém não deveria ser o contrário? — O que tá fazendo aqui!? — eu ainda estava perturbada com a ligação, e um pouco surpresa com a presença da loira ali.
Os olhos claros encontraram os meus:
— Tenten... — começou incerta, e eu não gostei do seu tom. — É o Neji, ninguém consegue contato com ele. Ele sumiu.
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