O preço de uma dívida
20 Começando uma vida a dois
Notas iniciais
“Lyin’ here with you so close to me;
It’s hard to fight these feelings;
When it feels so hard to breathe;
I’m caught up this moment;
Caught up in your smile;
I’ve never opened up to anyone;
So hard to hold back when I’m holding you in my arms;
We don’t need to rush this;
Let’s just take it slow...”
Just A Kiss
Lady Antebellum
***Residência Merlyn ( terça, 7/9 – 22:43 p.m)
Cait
Sozinha, de pé em meio ao cômodo, aperto minhas mãos buscando conter a ansiedade e nervosismo que ameaçavam tomar-me não apenas por estar em um lugar completamente desconhecido, mas principalmente por minha nova condição.
—Casada — murmuro – Céus, casei-me!! – constato, tomando grande respiração, relembrando como fora o dia.
Depois de Alameda haver ajustado o vestido e as demais meninas preparem-me um baú com várias peças que doaram-me ( o que fora fonte de grande emoção para mim), o restante do dia passara-se tão rápido, mal notara. Quando dei-me conta, anoitecera e estava a caminho da capela tendo Mama e algumas delas conosco.
Fôramos por um caminho alternativo que contornava a cidade, evitando assim a via principal e uma consequente exposição as más línguas. Ainda assim viramos algumas pessoas debruçadas as janelas traseiras de suas residências a olhar-nos e apontar-nos. Apontar-me, melhor dizendo.
Quando chegáramos a igreja (meia hora antes do programado) Monsenhor conduzira-nos a sacristia aonde pude preparar-me e ficar no aguardo de meu futuro marido, que demorou-se a tal ponto de o delegado exasperar-se e tomar o senhor Thawne consigo adiantando-se a ir busca-lo.
Thea e as demais garotas diziam-me a todo momento para não preocupar-me, que o atraso por certo era obra do cretino do senhor Chase, mas ao contrario do que pensavam estava tranquila. Sabia que Thomas não me abandonaria. Para ser franca, a demora fora providencial pois assim pude controlar o nervosismo além de conhecer um pouco meus futuros sogros e matar a saudade de minha irmã.
Liv tivera permissão para sair e fora direto para a igreja, ver-me, posto que Thea e Kara haviam conseguido avisá-la e a Adissa que a acompanhara. Como conseguiram tal proeza? O prefeito intervira. Para minha surpresa, Liv contara que o senhr Darhk fora mais cedo em casa e pedira permissão para cortejá-la a nosso pai. Evidente, a recebera de muito bom grado de ambos. Logo em seguida comunicara que passaria no final do dia para que busca-la a passear e a trouxera, de surpresa até para ela mesma, para a igreja. No entanto, tiveram de ir-se antes do termino para evitar levantar suspeitas a nossa mãe. Mas só o fato de tê-la visto, de saber que estava bem e não condenava-me pelo que supostamente fizera, trouxera-me imenso alivio. Tudo isto ajudou-me relaxar e somente quando haviam ido avisar-me da chegada de Thomas, senti-me outra vez nervosa.
Quando finalmente fora chamada a comparecer diante do altar, o senhor Merlyn fizera questão de conduzir-me enquanto Thea, Kara, Sara, Alameda e Valquíria serviram-me de damas.
Devo confessar que a igreja estava linda (quando chegáramos nada havia sido feito ainda e tão logo terminara de me arrumar, não me fora permitido sair da sacristia com a desculpa de que o noivo não deveria ver-me antes da hora). Havia flores diversas ornando parte dos bancos e um arranjo defronte o altar. Tudo tão simples porém belo que fora-me difícil conter as lágrimas. Também percebi Thomas bastante emocionado em seu traje elegante, porém conteve-se todo o tempo. Estava mais lindo que nunca e não consegui desviar meu olhar dele um segundo sequer enquanto caminhava a seu encontro. Pude ver em seus olhos que também estava admirado e encantado comigo, o que fez-me enrubescer fortemente.
Durante a cerimônia, diversas vezes senti-me insegura e temerosa com o que viria pela frente, mas as palavras de Monsenhor aos poucos foram acalmando-me. Esta fora simples, linda e rápida. Ao final, fôramos ambos mais uma vez surpreendidos com uma pequena comemoração surpresa organizada por nossos amigos no salão paroquial, atrás da capela. Havia bolo, doces e bebidas além de estar tudo lindamente enfeitado. Desta feita não conseguira-me conter e fora as lágrimas! Pena Liv já não estar lá para ver e também por não termos podido permanecer muito tempo posto que Thomas precisaria estar logo cedo no armazém de Chase e também minha sogra precisaria amamentar as bebês. Tão logo partíramos o bolo e erguera-se o brinde a nossa união, retiramo-nos.
—E cá estou eu! – exclamo, correndo o olhar pelo local aonde encontrava-me.
O aposento era pouco menor que meu antigo quarto, em casa de meus pais. Um armário ocupava quase toda a parede a minha esquerda, terminando próximo a única janela do lugar. Esta por sua vez, permitia-me vislumbrar parcialmente o alto poste fincado no centro da praça que tinha por função fornecer um pouco de luminosidade a mesma, permitindo a quem desejasse permanecer por lá após o cair da noite. Imagino, pela posição que ocupa, que abrindo-a poderia ver a cidade parcialmente, incluindo meu antigo lar. Suspiro ao lembrar-me de casa, sentando-me a cama de casal ( Thomas contara-me, em sua única visita em casa de Mama que lhe fora permitida por Monsenhor, que haviam trocado algumas coisas em seu quarto para receber-me. A Cama e a tina que usava antes, mais apropriadas a um homem solteiro, foram duas delas!).
As notícias trazidas por Adissa e Liv serviram-me também para aumentar a decepção que sentia em relação a meus pais. Minha mãe mostra-se insensível e até mesmo cruel, o mesmo podendo ser aplicado a Yvie. Não era segredo, ao menos para mim, que minha irmã mais velha nutria sentimentos de inveja para comigo desde sempre. Mas não pensei vê-los confirmados tão abertamente. Meu pai (por mais que o amasse) revelr-se um fraco que parece valorizar por demais a opinião alheia e os comentários do que o amor de suas filhas. Ao menos assim entendi por ter-se negado assumir publicamente haver-me perdoado a fraqueza, digo, minha suposta fraqueza.
Suspiro uma vez mais refletindo se havia tomado a decisão acertada ao optar por sustentar a mentira que hora disseminava-se por toda cidade com a velocidade de um rastilho de pólvora! Jamais pensei o quão as pessoas em Starling poderiam ser fofoqueiras e más, tomando por verdade algo que ouviram falar sem nem mesmo buscar conhecer os fatos...
—Posso entrar? – sobressalto-me ao escutar a batida leve seguida da pergunta, tirando-me do devaneio.
—Sim minha sogra – respondo, pondo-me de pé assim que a mãe de Thomas adentra seguida de perto pela jovem que a ajudava cuida das crianças.
—Vim ajudá-la a preparar-se para sua noite de núpcias – anuncia, sorrindo gentil, e sinto meu rosto esquentar – Annette, prepare o banho de minha nora. Ponha os sais que deixei previamente separados– ordena, a garota atendendo-a de pronto, praticamente correndo até uma banheira posicionada no canto direito sobre uma plataforma – Peço-lhe desculpas por certa rusticidade, mas este era o quarto de um rapaz solteiro e mesmo com as mudanças feitas ainda não dispõe dos confortos os quais uma mulher necessita – pede, e mais uma vez enrubesço, desta envergonhada por ter transparecido certo desapontamento – Meu marido e eu dispusemos de pouco tempo para nos prepararmos a recebe-la adequadamente. Aos poucos iremos corrigir esta falha e quero que sinta-se à vontade para alterar o que desejar pondo-o ao vosso agrado– libera, voltando-se para a jovem – O banho está pronto Annette?? – quer saber.
—Sim senhora Merlyn – a jovem confirma, pondo-se de lado com uma toalha pendurada em seu braço, claramente a minha espera.
—Ótimo. Ajude minha nora a despir-se – ordena, adiantando-se em direção a banheira, parando e olhando-me quando não a sigo de pronto, o que faço ante seu olhar inquisidor, postando-me entre ela e a jovem aia, Annette, começando a despir-me com ajuda desta, o limpar de garganta de minha sogra fazendo-me dar-lhe atenção – Hum,hum...sei que já não é mais....pura – começa, cuidadosa – Que já deitou-se com meu filho em outras circunstancias... – segue, fazendo-me corar violentamente — Ainda assim, sinto-me no dever de passar-lhe algumas instruções, por assim dizer – diz, ajudando despir meu vestido, que desliza por meu corpo caindo a meus pés, deixando-me em trajes íntimos – Convém que aguarde seu marido sob os lençóis, a meia luz ou no escuro como preferir – continua, sentando-se em um banquinho próximo, observando-me adentrar a banheira após estar despida com ajuda de Annette – Tente encontrar uma posição que lhe seja confortável para recebe-lo enquanto não adentra o quarto. Depois de tê-la, desta como esposa de fato, meu filho deve querer dormir. Thomas prefere o lado direito portanto aconselho-a aguardá-lo no esquerdo, assim apenas rolará de lado, não precisando levantar-se a fim deitar. Outra coisa que deve tentar evitar, e não somente hoje mas todas as vezes que deitarem doravante, é deixa-lo adormecer sobre você. O peso poderá machuca-la e decerto irá dificultar-lhe o sono – aconselha e novamente sinto meu rosto em chamas – Amanhã pela manhã, Thomas deve acordar cedo, as cinco mais precisamente, posto que servirá ao senhor Chase. Caso perceba que irá ultrapassar este horário, deve acorda-lo, o que lembra-me: enquanto estiverem morando conosco não precisa levantar-se para preparar-lhe o desjejum. Na parte da manhã, ater-se-á não deixa-lo perder a hora durante a semana até o sábado. Depois que se for, ajudará nas tarefas da casa a começar pelo quarto – indica o ambiente num gesto amplo — Deve mantê-lo e as roupas, suas e de seu marido, sempre limpas e ordem. A noite, antes que chegue da lida, ordene a um dos empregados trazer água limpa e prepare-lhe o banho vespertino antes do jantar no qual deverá ajuda-lo como é próprio as esposas fazerem, sendo que deverá já estar banhada e pronta quando seu marido chegar. Somente então cearemos todos juntos – enumera e tento memorizar tudo que dizia-me – Não sei qual costume tinham em vossa casa após a ceia, mas cá costumamos conversar um pouco, permitir a Davi, meu sobrinho que criamos, brincar na sala a fim de gastar energia e agora, com a chegada dos bebês, desfrutamos um pouco da companhia delas antes que suba para amamenta-las e pô-las para dormi. Normalmente, todos estamos recolhidos por volta das vinte de duas horas – avisa, entregando uma esponja a Annette, está esfregando-me vigorosamente — Caso sintam fome depois deste horário, sinta-se livre para descer e providenciar algo para comerem. Nossa governanta sempre deixa pães e bolos, as vezes biscoitos, sobre a mesa, devidamente acondicionado, posto que Thomas tem o habito de fazer lanches noturnos, especialmente agora, que irá cansar-se mais que o habitual. Acredito eu, seu apetite por certo aumentará – pressupõe, deixando-me sem graça – Já está bom Annette – ordena, pondo-se de pé, a jovem parando de imediato – Sua pele é muito sensível e delicada. Já estava a ficar avermelhada, vê? – comenta ao mesmo tempo em que a aia despejava a água (deliciosamente fria) sobre meu corpo – Sempre que for ajuda-la a banhar-se fique atenta para não a machucar – recomenda – Já pode levantar-se minha querida – pede e obedeço, a tolha macia envolvendo-me antes que pudesse sentir frio.
Com ajuda de Annette, saio da banheira, enxugo-me (também com sua ajuda) e visto a camisola longa e rendada que Mama presenteara-me ... “Só porque não será sua primeira noite não significa que deva usar qualquer coisa!”... dissera quando questionei o presente.
—Ficou ainda mais bonita com esta camisola, jovem senhora Merlyn – Annette elogia, olhando-me com franca admiração.
—De fato. Caiu-lhe muito bem – minha sogra anui, gesticulando para Annette, que mais que depressa vai ao tocador (outro acréscimo ao quarto), pega a escova de cabelo e traz a minha sogra, esta pondo-se a escova-los com precisão, usando força na medida exata, cessando de fazê-lo apenas quando dá-se por satisfeita, fazendo-me voltar e encara-la, avaliando-me de alto a baixo – Entendo porque meu Thomas caiu de amores por si. É bela minha querida! – elogia-me, sustentando-me o queixo, erguendo delicadamente meu rosto, um sorriso aprovativo a ornar lhe a face – Linda! – repete e sinto-me corar novamente — A deixaremos agora – avisa trazendo de volta o frio que sentira antes ao estomago – Caso deseje reduzir a luz ou mesmo apaga-la por completo, saberá fazê-lo ou deseja que já o façamos? – pergunta.
—Sei fazê-lo, obrigada minha sogra – agradeço-lhe com uma reverencia breve.
—Dar-nos-á netos lindos, com toda certeza – diz, de repente, e estou certa de haver atingido o grau mais elevado de rubor possível a um ser humano! – Avisarei meu filho que o aguarda. Tenha uma boa noite – deseja, saindo em companhia de Annette antes que pudesse responder, deixando-me com a ansiedade a corroer-me novamente. Desta, mais forte mesmo sabendo que Thomas decerto irá cumprir a promessa feita.
***Tommy (23:22 p.m) ****
“...I know that if we give this a little time;
It will only bring us closer to the love we wanna find;
It’s never felt so real;
No, it’s never felt so right...”
—Thomas, escutou o que disse-lhe?? – o questionamento traz-me de volta a realidade e ergo o olhar para o homem a minha frente, enrugando o cenho – Evidente que não!! – o delegado Lance bufa, cruzando os braços, mantendo seu olhar severo sobre mim.
—Perdoe-me delegado, distrai-me um segundo – admito.
—Mais que isto, a julgar pelo tempo em que permaneceu silencioso – Robert Queen comenta, Ollie e Eddie rindo-se não tão disfarçadamente – Paciência meu rapaz. Sua noiva não lhe será tomada tampouco fugirá – brinca e rio sem graça.
—E tempo não lhe faltara para desfrutar sua companhia doravante – Lance acresce, não dando-me chance retrucar – Como dizia, apesar de contrariado, Chase liberou-o pelos próximos três dias para que tenha sua lua de mel...
—Perante pequena compensação financeira e devidas ameaças, é bom frisar – Eddie o interrompe, irritado.
—Que seja Thawne! – Lance rebate, dirigindo um olhar rápido a meu amigo – O fato é que está liberado de suas tarefas até a sexta. Em se tratando do velhaco Chase, já é um grande avanço! – bufa (ou deveria dizer rosna!?) e esforço-me para não rir.
—Não sei como agradecer-lhes e ao prefeito por haverem saído em defesa aos direitos de meu filho – meu pai declara, estendendo a mão ao pai de Ollie – Estou-lhes em débito. A todos, em verdade, por tudo que fizeram no dia de hoje. Desde a cerimonia ao moveis que ajudaram providenciar em tão pouco tempo – lembra.
—Não fizemos mais que nosso dever Malcom. Thomas tem direito, mesmo sua situação não sendo usual, ter seus dias de dispensa em função do casamento e não poderíamos permitir a Chase passar por cima da lei. Justo ele que usou-a tão bem em seu favor quando precisou – relembra o senhor Queen de maneira irônica, arrancando sorrisos discretos de alguns presentes.
—Ainda assim, estamos em débito, Thomas e eu, com os senhores, correto filho? – papai insiste, incluindo-me.
—Decerto que sim, meu pai – corroboro de imediato.
—Tommy, está tudo bem? Parece-me tenso – Ollie comenta, olhando-me desconfiado.
—Está. Está sim – minto – Trata-se apenas de cansaço. O dia foi longo e exaustivo, repleto de emoções – declaro, sorrindo amarelo.
—Então por certo irá apreciar um banho antes de deitar-se – ouço minha mãe dizer e volto-me ligeiro – Senhor Miller, providencie mais água e leve ao quarto de Thomas. Annette o precederá a fim de avisar minha nora – ordena e sinto o frio no estomago aumentar – Senhores, jovens, que os traz a nossa casa em hora tão tardia? Espero nenhum problema – mamãe quer saber, cumprimentando-os com um aceno, postando-se a meu lado, a mão pousando protetoramente em meu antebraço direito.
—Nenhum, felizmente, senhora Merlyn. Viemos apenas cumprir a tarefa de comunicar a Thomas ter sido dispensado de suas tarefas junto ao senhor Chase nos próximos três dias em virtude do casamento – o delgado repete, afastando-se para dar passagem ao senhor Miller e o balde com água.
—Mas que noticia excelente! Assim poderá descansar e dormir até um pouco mais tarde – anima-se mamãe e sorrio-lhe sem vontade – Está com fome filho? Deseja comer algo antes de recolher-se? – interroga-me.
—Não minha mãe, estou satisfeito obrigado – declino, a entrada da senhora Stone com o café pedido por meu pai poupando-me ter que dar maiores explicações posto que os presentes estavam a olhar-me intrigados.
O fato é que mentira-lhe a pouco. Não estou bem. Nem um pouco. Não estava antes e depois da chegada do grupo trazendo-me a “boa nova” senti-me ainda pior. Agora, ao invés de precisar esforçar-me a cumprir a promessa feita a Cait perante monsenhor antes de casarmos essa noite, o teria de fazê-lo pelos próximos três dias!! Sendo honesto, não sei se conseguiria fazê-lo na integra. Pior: não teria as horas que imaginara para articular um plano em minha mente a fim de manter-me fiel ao prometido doravante. Não havia tido tempo para bolar algo posto que confiara estaria fora todo o dia vendo-a somente a noite. Minto, pensara. Pretendia pôr-me exausto a fim de, ao chegar em casa após a lida, apenas banhar-me e dormir o mais rapidamente possível. Decerto meus pai não iriam suspeitar de desejar recolher-me mais cedo com minha esposa. Acho.
—Minha esposa! – murmuro baixinho, suspirando ao lembrar a visão na igreja. Estava tão linda que ao vê-la caminhar em minha direção, senti o coração falhar algumas batidas.
E agora? Como faria para não ceder ao desejo que sentia e reacendera já ao beija-la na cerimônia e depois ao tê-la em meus braços enquanto dançávamos a valsa nupcial?
—Senhor Thomas, a bandeja com água e copo para vosso quarto, caso sintam sede na madrugada – a senhora Stone oferece, explicando-se, dirigindo-me um olhar malicioso.
Gostaria que parassem de fazer isto. Todos vocês!!, esbravejo mentalmente, irritando-me ainda mais posto que recebera olhares similares durante a pequena e calorosa recepção preparada pra nós após a cerimonia . Queria gritar, dizer-lhes que deixassem-me em paz, que nada do que supunham aconteceria aquela noite ou mesmo nas seguintes a menos que Cait assim desejasse, no entanto, ao invés disto, pego-me dizendo ... – Obrigado senhora Stone – agradeço, sorrindo-lhe gentil.
—Devo leva-la a vosso quarto agora? – questiona-me.
—Eu mesmo levarei, obrigado – aviso, tomando para mim a tarefa, pegando a bandeja de suas mãos – Se não importam-se irei reco...- silencio ao escutar os familiares uivos ecoando noite adentro – São os filhotes?? – interrogo, encarando Eddie.
—Sim – confirma, indo a janela observar a rua.
—Estes filhotes hão de dar-me dor de cabeça com seus passeios noturnos pelas ruas do vilarejo! – Lance resmunga.
—Não há com o que preocupar-se delegado, asseguro-lhe que estão sendo monitorados por nossos amigos Killi e Cisco, correto Eddie? – Ollie apressa-se dizer, Eddie anuindo silenciosamente (o que me leva desconfiar ser verdadeira tal informação!).
—Isto deveria supostamente acalmar-me? – questiona Lance, cruzando os braços e arqueando a sobrancelha ao olhar-nos (eu inclusive).
—Sei que não é de seu agrado a presença dos filhotes delegado e lamento por isto – afirma meu amigo, estranhamente sério — Entretanto devo lembra-lo duas coisas: foram eles a manter Tommy e a senhorita Caitlin em segurança em primeiro lugar ....E, apesar do comportamento atípico, ainda são lobos. Não há um modo preciso de os obrigarmos permanece exatamente aonde os queremos – discursa meu amigo sem tirar os olhos da rua – Killi e Cisco. Irei ter com eles – avisa, voltando-se para mim – Estaremos de olho neles Tommy, fique tranquilo – garante, parecendo adivinhar minha pretensão em usá-los como desculpa a fim de protelar o inevitável.
—Ok – limito-me dizer, hesitando um segundo – Delegado, senhor Queen, agradeço-lhes novamente terem-me defendido – reitero – Permissão para retirar-me meu pai – peço.
—A tem. Boas noites filho – deseja.
—Boas noite meu bem – mamãe deseja, beijando-me o rosto, retendo-me brevemente – Não preciso recomendar que a trate com carinho, preciso? – interroga baixinho e nego, levemente encabulado, com um gesto, recebendo novo beijo.
Cumprimento meus amigos com uma aceno breve, dirigindo-me a escada com a nuca a arder! Sabia que estavam a observar-me atentamente. Começo a subir, pensativo, sobressaltando-me ao cruzar com o senhor Miller e Annette, que regressavam, ao atingir o topo.
—A senhora o aguarda senhor Thomas – Annette avisa, abaixando o rosto vermelho.
—Parabéns e boas noites patrãozinho – o senhor Miller cumprimenta-me, ambos seguindo seu caminho enquanto permaneço estático a olhar o corredor curto que conduzia a meu quarto.
—Qual seu problema Thomas? Esta sequer será a primeira noite que passam juntos, a sós. Por que este nervosismo tolo? – admoesto-me baixinho, caminhando lentamente até parar ante a porta fechada, indeciso se deveria ou não bater. Seria estranho, caso alguém de casa, visse-me batendo a porta de meu próprio quarto! – No entanto, doravante, não será Meu e sim Nosso!!– lembro-me, optando por bater, a resposta demorando-se um tempo maior do que esperava.
—Pode entrar – a voz doce libera, trazendo a já familiar sensação de borboletas a meu estomago.
Respiro fundo mantendo a bandeja apoiada ao corpo de modo manter uma mão livre. Seguro e giro a maçaneta, abrindo a porta com cuidado. Entro devagar, retendo o ar ao vê-la parada junto a janela, a camisola fina e rendada mal escondendo seu corpo devido a luminosidade.
Porra! Deste jeito as coisas ficarão complicadas. Perderei minha sanidade por completo caso demore a decidir-se ser minha de fato!!, penso, engolindo a seco, agradecendo a providencial bandeja em minhas mãos.
—São nossos filhotes? – questiona-me, alheia ao efeito que estava a causar em mim.
—Sim...Sim – repondo após limpar a garganta – Killi e Cisco estão com eles. Ao menos foi o que Eddie disse-me – conto, minhas pernas finalmente obedecendo o comando de andar até o criado mudo recém posto ao lado da também recém posta cama de casal em lugar da minha estreita cama de solteiro – Parece-me terem desenvolvido o hábito de virem a cidade após anoitecer – informo, prosseguindo enquanto me volto lentamente – O que está deixando o delegado com os nervos a flor da pe...Puta merda!! – a expressão grosseira escapa-me antes que pudesse impedir ao deparar-me com Cait as minhas costas, tão próxima que se estendesse minimamente a mão poderia tocá-la – Perdoe-me Cait. Não quis xingar...digo, não a xinguei...não intencionalmente...ao menos – peço, reduzindo o tom de voz até quase um sussurro, seu riso desconcertando-me.
—Esquece-se que já o ouvi praguejar antes Thomas? Geralmente quando o surpreendia enquanto laborava em casa de meus pais e depois quando o surpreendi aliviando-se na... – a corto, relativamente incomodado com as lembranças.
—Ok, ok...entendi – afirmo, vendo-a rir mais — Havia-me esquecido – confesso, o cheiro doce e suave entrando por minhas narinas, causando-me sensações difíceis de controlar – Caitlin, eu...
—Tommy? – o chamado repentino faz-nos voltar-nos para a porta – Quem é ela? – Davi pergunta, esfregando os olhos, olhando-nos confuso.
—É...minha...minha esposa. Esqueceu-se que casei-me hoje? – questiono o pequeno Davi, indo a seu encontro – Que faz fora da cama? Acaso teve pesadelos outra vez? – quero saber, ele não tendo chance responder.
—Rapazinho, que faz fora da cama? – meu pai repete, surgindo por detrás dele.
—Tem um monstro debaixo da cama papai. Tommy sempre espanta eles para mim! – justifica-se meu priminho, esfregando os olhos novamente.
—Entendo... Mas doravante deve ir procurar-me para espanta-los, ok? – adverte, pegando-o nos braços, dirigindo-me um olhar severo – Mantenha a porta fechada – ordena, adiantando-se a fecha-la antes que o fizesse.
—Ótimo! Agora além de vossa mãe, vosso pai também odeia-me. Excelente maneira de começar um casamento! – volto-me ligeiro ao escutar o lamento de Cait.
—De onde tirou essa ideia ? – inquiro, surpreso.
—Talvez da forma como minha sogra olhava-me toda a cerimônia e no caminho para cá – supõe e franzo o cenho – Está evidente que não me considera boa para você Thomas! Senti isto no segundo em que trocamos olhares na igreja e igualmente a pouco pela forma como ditou-me as regras da casa e de como deveria servir a meu marido, o filho dela!! Pareceu-me bastante claro que não me considera preparada para tal. Aliás, parece-me fator comum entre as mulheres próximas a você que não saberei agrada-lo já que todas fizeram questão de lembrar-me isto no decorrer do dia!! – desabafa, sentando-se pesadamente sobre o colchão – E agora meu sogro por certo deve achar-me uma pervertida por não lembra-lo de trancar a porta além de tê-lo feito amargar uma noite inteira na cadeia! Vossa família odeia-me Thomas! – exclama tão dramaticamente que por mais que tente controlar-me, acabo rindo – Não ria-se de mim Thomas! Sabe que não gosto! – reclama, estapeando-me o braço.
—Não estou a rir-me de você mas com você, meu amor – retifico-a, não resistindo e tocando-lhe o rosto carinhosamente, arrependo-me tão logo sinto-a ficar tensa – Hã... desculpe, eu não quis...- calo-me, sem saber bem o que dizer.
—Não quis tocar-me, é o que pretendia dizer? – inquire, olhando-me séria.
—Não, eu.... quer dizer – enrolo-me e novamente sinto-me um tolo – Perdoe-me Caitlin. Eu ...estou um pouco confuso – admito, massageando o pescoço.
—Thomas, prometeu-me não consumar nosso casamento enquanto eu não o quisesse... Mas isto não significa que que não possa tocar-me...significa? – interroga-me, enrugando o cenho.
—Não....digo, sim...quer dizer – enrolo-me novamente, respirando fundo em busca das palavras certas a dizer — Mas é que...as vezes um toque pode despertar emoções difíceis de se conter – digo, encarando-a.
—Então manteremos distância um do outro mesmo quando estivermos a sós? – questiona-me, não dando-me chance responder de imediato – E como saberei se o que sentimos é verdadeiro? Como terá certeza de realmente querer-me pelo resto de sua vida e não apenas por uma noite ou duas? E eu, como saberei estar pronta a recebe-lo como marido sem ao menos tocar-nos? – questiona-me — Não podemos apenas retomar do ponto aonde estávamos antes de sermos resgatados? – sugere, mantendo os olhos fixos em mim.
Durante alguns minutos observo-a, reflexivo, sentando-me a seu lado antes de começar a falar.
—Podemos...acho – respondo, ainda hesitante – Cait, lembra-se quando disse-lhe não querer repetir o beijo por não saber se teria forças para parar? – lembro, ela anuindo com um aceno afirmativo – Não é que não queira tocá-la. Quero. Muito. Mas temo não conseguir controlar-me entende? – inquiro, sustentando seu olhar.
—Sendo-lhe honesta não – admite, sincera, suspirando – Thomas, não sei como funcionam estas coisas entre homem e mulher na prática, como bem sabe. Só ouvi ou li, as escondidas, em livros que eram-me proibidos. Minha mãe pouco falava-me e quando o fazia ... bem, deixava-me mais duvidosa que esclarecida – confessa, apertando as mãos – Por isto enganei-me em ralação... bem, sabe a que refiro-me – lembra, enrubescendo lindamente – Mas se disser que desejo manter-me distante, que não quero seus beijos estaria mentindo – confessa – Não podemos ao menos tentar? – indaga, olhando-me esperançosa.
—Podemos – concordo por fim, ganhando um novo e lindo sorriso que deixa-me a flutuar – Também tenho uma confissão a fazer-lhe. Mais uma – digo, rindo ao vê-la arquear a sobrancelha – Igualmente eu, apesar de mais experiente nas coisas entre homem e mulher.. – parafraseio-a — Jamais senti-me com alguém como sinto-me com você. Nunca havia-me apaixonado a ponto de fazer as loucuras que fiz recentemente. O que sinto é tão forte que temo assusta-la ...
—Não assusta-me – interrompe-me, pousando a mão em meu antebraço, aproximando-se um pouco mais – Façamos um outro acordo. Digamos sempre como nos sentimos em relação um ao outro a fim de sabermos nossos limites e respeita-los, que acha? – propõe.
—Concordo – anuo, segurando a mão que estende-me, levando-a a meus lábios num beijo lento e casto, acariciando a pele sensível e macia, mantendo meu olhar preso ao seu.
—T-temos um acordo então – balbucia, a respiração tornando-se mais densa – M-melhor banhar-se agora para que possamos dormir. Não quero que atrase-se para dar motivos o detestável senhor Chase puni-lo. O senhor Miller deixou a água posta dentro da banheira — avisa, o rosto mais vermelho – Como faremos? – pergunta, fitando-me com seus lindos olhos castanhos.
—Como... faremos? – repito, confuso.
—Devo sair ou apenas sentar-me de costas para que possa banhar-se? – inquire – Ou deseja que lhe ajude com o banho, como é meu dever de esposa? – questiona-me.
—Eu... não...- titubeio – Basta que vire-se – peço, soltando-lhe a mão delicadamente – Quanto a atrasar-me, não precisa preocupar-se com isto pelos próximos três dias. Chase concedeu-me licença em virtude de nosso casamento – aviso, pondo-me de pé – E não pretendo cobrar-lhe nada Cait. Nunca. Mesmo após tornar-se minha esposa de fato, terá liberdade para fazer o que quiser e se quiser. Se quisesse uma serva não precisaria casar-me – declaro, seguindo até a banheira, sentando-me no banquinho ao lado da mesma, descalçando minhas botas – Quanto aos banhos, depois de hoje pensaremos em uma solução que permita-nos ter privacidade – aviso, pondo-me de pé outra vez, despindo o casaco do fraque que usava – Provavelmente esperam que passemos mais tempo no quarto estes dias...não sei – pondero enquanto abro os botões do colete distraidamente, despindo-o, ganhando um sorriso doce – Sendo-lhe honesto, não sei como resolveremos esta questão. Ainda – admito, começando abrir os botões da camisa, estancando – Hã... poderia...- começo, girando os dedos no sentido horário.
—Ah, sim, sim, claro – anui, pondo-se de costas para mim – Acha que estranharão caso saiamos? – pergunta após um breve silencio.
—Não sei dizer-lhe Cait. É a primeira vez que me caso – brinco, deliciando-me com seu riso – É certo esperarem que demoremos a descer para as refeições nos dias vindouros, mas não saberei precisar o quanto – prossigo, despindo a calça e logo em seguida as ceroulas, entrando na banheira, a água fria envolvendo-me.
—Thomas, como são seus pais na intimidade? Digo, em casa – quer saber, esquecendo-se do combinado, voltando-se – São carinhosos um com o outro? Beijam-se diante de você? Trocam carinhos ou simplesmente sentam-se lado a lado, dia após dia, quer seja durante as refeições quer seja em momentos de convivo familiar? – segue, curiosa.
—Os seus agem assim? – devolvo.
—Mais ou menos – admite, arrumando os travesseiros no espaldar curto ao pés de nossa cama, recostando-se a eles sem, no entanto, dar-me as costas – Os vi beijarem-se pouquíssimas vezes antes de mandarem-me ao internato. Carinhos, palavras mais doce ou gentis presenciei menos ainda. Geralmente conversavam assuntos triviais como compras a serem feitas para nós e para a casa, pagamentos a realizar, o equilíbrio do orçamento doméstico pelo qual minha mãe era responsável, uma ou outra reclamação dela ou de Yvie pela atitude d’algum servo as quais meu pai sempre respondia concordar com a solução encontrada por ela e mais recentemente sobre você e o futuro de minhas irmãs e meu – conta, torcendo os lábios numa careta em discórdia – Por vezes questionei-me se ainda sentem algo um pelo outro – suspira, triste.
—Sinto por isto – digo, sincero – Meus pais são mais afetuosos, comparados aos seus. Já os vi beijarem-se diversas vezes inclusive na presença de Davi. Nada exagerado ou constrangedor. Também costumam conversar amenidades e questões domesticas após a ceia em particular, nunca à mesa. Às vezes os flagro trocando olhares ternos e meu pai não cansava-se de afagar lhe o ventre quando grávida – relembro – Senti ciúmes do bebê em alguns momentos – confesso, rindo com o canto da boca – Meus pais, apesar de não serem dados a arroubos românticos, não escondem o que sentem um pelo outro e acredito se amarem hoje tanto quanto amavam-se quando casaram-se, mesmo meu pai tendo cometido deslizes, em diversos níveis – constato, esfregando-me vigorosamente – Tenho carinho e orgulho por ambos embora não demonstre com a constância que deveria – lamento.
—Sempre há tempo corrigir-se – declara, esticando-se sobre o colchão, apoiando a cabeça em uma das mãos sem parar de olhar-me – Mama contou-me um pouco de sua vida enquanto estive lá. Disse-me o quanto sofreu nas mãos do pai de Felicity e suportava tudo por pensar ama-lo, a princípio, e depois pela filha. Disse-me também o quanto tinha sorte em estar casando-me com alguém que ama-me tanto quanto o amo e que deveríamos, você e eu, cuidarmos deste sentimento com carinho pois é raro – declara, pegando-me de surpresa – A-acha que conseguiremos? Seremos iguais aos meus ou aos seus pais? – questiona-me, surpreendendo-me novamente.
—Eu...Acho.... que deve voltar-se para o outro lado – desconverso, finalizando meu banho, ganhando tempo para pensar em uma resposta adequada.
Ergo-me tão logo vira-se, pegando a toalha, enxugando-me rápido, seu questionamento a girar em minha mente.
Envolvo a toalha em minha cintura, saio da banheira ainda meditando acerca da melhor resposta a dar-lhe. Visto-me, hesitando um segundo se deveria ou não usar camisa ou apenas ceroulas, como costumava, posto que certamente sentiria calor. Mesmo assim, opto pela camisa, escolhendo uma simples que encontrava-se pendurada no cabide junto a banheira, cheirando-a a fim de certificar-me estar limpa.
—Thomas? – chama, permanecendo estática.
—Pode voltar-se – libero quando já estou ao lado da cama – Respondendo-lhe, acho que não seremos iguais nenhum deles simplesmente por sermos pessoas distintas – afirmo, dando de ombros, pegando travesseiro e colcha – Iremos descobrir isto aos poucos, no dia a dia e Cait, meus pais não a odeiam – asseguro – Meu pai jamais disse-me uma palavra contraria desde que confessei-lhe meus sentimentos por você. Quanto a minha mãe, bem, ela nunca aprovaria nenhuma garota que escolhesse. Não de imediato – conto, fazendo menção afastar-me.
—Aonde vai? – questiona, sentando-se rápido, a bendita camisola esvoaçando, elevando minha imaginação as alturas. E não apenas ela!.
—Lugar algum. Apenas deitar-me aqui, do lado – indico o chão alguns metros aonde pretendia deitar-me.
—Não seja bobo Thomas! Deite-se aqui, a meu lado – convida, tocando o espaço vago sobre o colchão – Há espaço mais que suficiente para nós dois, bem mais que havia na caverna. E mais confortável também – relembra, prendendo-me em seu olhar.
Hesito, a frieza do chão sob meus pés incentivando-me aceitar seu convite.
—Ok – rendo-me, atirando o travesseiro, esticando-me a seu lado, tendo o duplo cuidado de manter distancia e por o cobertor sobre minha cintura, escondendo-lhe a ereção já visível.
—Está com sono? Quer dormir ou podemos conversar um pouco mais? – questiona-me, chegando mais perto e recuo instintivamente.
—Sobre o que deseja falar? – interrogo – Espere – peço, esticando-me até o criado mudo, abaixando a chama do lampião fazendo a luminosidade do ambiente reduzir quase a zero – Pronto. Assim não virão saber o que passa-se – justifico-me, posicionando-me a seu lado novamente – Então, sobre o que quer falar? – repito.
—Sobre você, sobre nós, sobre os filhotes...não sei! – exclama, dando de ombros e mordendo o lábio, ambos movimentos repercutindo em meu corpo- Apenas não estou com sono — admite.
—Ok – anuo, cobrindo-me outra vez – O que quer saber? – questiono-a.
—Veio para Starling muito novo não foi? – pergunta e meneio a cabeça em resposta – Como fez para estudar? Já havia escola aqui? – quer saber, acomodando-se melhor.
—Havia mas como chegamos após a metade do ano minha mãe encarregou-se de dar sequência minha educação até o ano seguinte, quando então pude me juntar aos demais garotos e não era tão novo assim. Estava com onze anos – conto.
—E nunca sentiu vontade de partir? De regressar para a Inglaterra? – pergunta.
—Para quê? Fazer um curso ou algo assim ou simplesmente ir embora? – devolvo.
—Ambos – responde, apoiando-se me uma das mãos outra vez, olhando-me atentamente.
—Já, especialmente quando discutia com meu pai – confesso – Por vezes desejei ter permanecido na Inglaterra em casa de meus avós paternos, como queriam, mas sempre desistia quando a raiva passava. Apesar de discordar em muitos aspectos do pensar dele, amo meu pai e admiro a coragem que teve em deixar o conforto para construir algo próprio – revelo, ganhando um sorriso luminoso – Quanto a cursos, não sinto falta. Apesar de parecer o contrário, aprendi bastante com os livros que disponho, os quais também pode dispor doravante, especialmente sobre administrar um negócio. E também nas poucas vezes em que acompanhei meu pai a empresa aprendi muito. Só não gostava da pressão que fazia para assumir meu lugar a seu lado – confesso, fazendo uma careta e um outro sorriso recompensando-me – E quanto a você? Acaso deseja ou desejou ir além dos estudos que lhe foram dados? – interrogo. Sabia que às mulheres eram dadas poucas opções caso desejassem exercer uma profissão.
—Nunca cheguei a desejar de fato – afirma, tranquila – As vezes pegava-me a cogitar o que faria caso pudesse e a resposta era sempre a mesma: medicina – revela, os olhos brilhando – No internato não éramos incentivadas a querer algo além de servir a nossos maridos cuidando da economia familiar e dos filhos quando estes viessem – conta, suspirando – Gostaria de poder viajar um dia. Conhecer a Inglaterra e outros países como minhas irmãs puderam fazer antes de virmos para a América – declara.
—Nasceu aqui Caitlin? – quero saber, lembrando-me que não passava de uma garotinha peralta quando caiu dentro de um poço fazendo Thea arrastar-me juntamente com Ollie e Eddie para salvá-la, ela negando com um gesto de cabeça.
—Nasci na Inglaterra como você; Estava com poucos meses quando meus pais migraram – conta – Contava com pouco mais de sete quando cai no poço – relembra, corando, algo vindo-me a mente num estalo.
—Seu aniversário!! – sento-me de repente, assustando-a – Este mês é seu aniversário não é? – pergunto vendo-a corar.
—Como sabe? – questiona de volta, ficando ainda mais vermelha ao notar a direção de meu olhar.
Mexera-se ao assustar-se fazendo com que a alça da camisola escorregasse deixando seu ombro, parte do colo e seio a mostra.
—Perdoe-me – peço, abaixando a vista, sem graça, porém excitado, não nego – Talvez não seja uma boa ideia dividirmos o mesmo leito – comento, tencionando sair da cama uma vez mais, ela retendo-me pelo braço.
—Como soube? Não lembro haver-lhe contado – insiste.
—Ouvi sua mãe comentar com a senhora Gertrudes sobre preparar-lhe uma festa...só não escutei a data – confesso – Outra coisa que roubei-lhe – lamento.
—Não roubou-me nada Thomas – afirma, carinhosa – E se for deitar-se no chão, irei junto – avisa – Deite-se por favor – pede e outra vez, atendo-lhe– Para fazermos dar certo temos que nos habituar um com o outro...com nossas...nossos .... corpos – titubeia, mordendo o lábio novamente.
—Posso pedir-lhe que evite fazer isto? – peço, fazendo-a enrugar o cenho – Essa coisa de morde o lábio. É que...bem...causa certos efeitos em mim – tento explicar.
—Vou...tentar – promete, claramente confusa porém nada pergunta-me.
—Importa-se se dormirmos um pouco? – sugiro, não querendo prolongar a tortura de tê-la tão perto por mais tempo. Assim que adormecesse deixaria a cama.
—Uhum – anui, e ambos mudamos de posição deitando-nos na posição correta, nos arrumando da melhor maneira, cada um ocupando um lado da cama – Vinte e oito – diz de repente – Meu aniversario é dia vinte e oito – revela e sorrio discretamente – Thomas, importa-se se conversarmos só mais um pouquinho? Ainda não sinto sono – pede.
—Uhum...ok – rendo-me outra vez.
Durante a hora seguinte conversamos e rimos (por vezes um pouco alto demais) acabando por adormecermos praticamente ao mesmo tempo, meu plano de deixar a cama indo por água abaixo.
*** Quarta-feira, 8/9 – 8:17 a.m ***
Narrador
Esticando os braços preguiçosamente acima da cabeça, Tommy desperta, o bocejo escapando-lhe antes que pudesse impedir.
O resmungo baixo o faz virar a cabeça para o lado comtemplando a esposa adormecida, o braço delicado repousando sobre seu abdômen, o rosto sereno revelando um meio sorriso misterioso que o faz questionar-se: estaria ela a sonhar? Se sim, o que trar-lhe-ia tal sorriso a face? Teria ele lugar em seus sonhos da mesma forma que ela o tinha nos dele?
Incapaz de resistir, estica o braço levando a mão ao rosto delicado, acariciando suavemente e ainda assim o contato a faz abrir os olhos, dirigindo-lhe um sorriso mais intenso.
—Acordei-a? – questiona o rapaz em tom de desculpa.
—Não... mais ou menos – admite ela, suspirando, o gesto provocando arrepios em Tommy ante o contato do hálito morno com sua pele – Estava meio que acordando já – afirma – E você...digo, o senhor meu marido, acordou a muito? – quer saber.
—A pouco – responde, repetindo a caricia – Está com fome? Sede? Deseja que busque algo? – pergunta, atencioso.
—Não deveria ser eu a perguntar-lhe tais coisas? – devolve a jovem, espreguiçando-se, sentando-se de forma a ficar de frente para o marido – Mas por que acordou tão cedo se não precisa ir para o armazém? – questiona-o, tendo o cuidado de manter o tecido sedoso da camisola devidamente ajustado ao corpo esguio.
—Acho que acostumei-me acordar cedo quer seja para ir a lida, quer durante nosso exilio forçado e não é tão cedo assim. Meu pai saiu cerca de meia hora atrás o que significa dizer que deve passar um pouco das oito agora – diz, sorrindo gentil, enrugando o cenho – Cait, sobre ontem à noite... apreciei muito termos conversado. Temia que, talvez, ainda estivesse brava comigo por tudo que fiz-lhe passar e não quereria sequer dar-me ouvidos quiçá falar comigo– confessa, meio sem jeito.
—Também apreciei bastante – afirma ela, corando – Quanto a estar brava...por mais que quisesse e até devesse estar, não consegui – afirma, olhando-o nos olhos – Sei que esperava mais de nossa primeira noite de casados, que talvez esperasse já estar disposta a entregar-me, mas é que...bem, eu .... eu...sinto-me insegura – confessa, abaixando a vista.
—Sendo-lhe sincero, esperava que iria pôr-me a dormir no chão!! – brinca, arrancando-lhe novo sorriso, segurando-lhe o queixo a fim de fazê-la erguer o rosto – Tome o tempo que precisar. Amo-a e não quero apressa-la ou força-la nada e mesmo desejando-a ardentemente, saberei esperar – assegura, ela corando intensamente, entreabrindo os lábios num convite mudo não intencional – Cait, eu... posso beija-la? – pergunta, aproximando seu rosto do dela lentamente, olhando alternadamente dos lábios úmidos para o os olhos no aguardo da permissão, esta sendo-lhe dada num sopro baixo, levemente rouco
—Sim – libera, fechando os olhos ao sentir o toque quente contra seus lábios.
A princípio, os movimentos são suaves e lentos, evoluindo gradativamente na medida em que Caitlin solta-se, deixando-se guia por seus instintos. Mais confiante ao sentir-se correspondido, Tommy atreve-se um pouco mais envolvendo o corpo da esposa com seus braços, fazendo-a deitar-se cuidadosamente sem no entanto interromper o contato. Logo o desejo o toma. Suas mãos escorregam languidamente pelo corpo de Caitlin, insinuando-se por sob a camisola, pressionando-a mais forte contra o colchão.
—Thomas eu...por favor...eu não ...- Cait balbucia, ofegante, quando tem sua boca liberada, estremecendo ao sentir os lábios de Tommy traçarem um caminho de fogo até deterem-se no decote em forma de coração, sugando a pele sensível ao mesmo tempo em que as mãos erguem a camisola até a metade de suas coxas– Por favor...eu não... eu...pare, por favor! – pede, apoiando as mãos no peito dele, assustada ao sentir-se pressionada em sua intimidade pela ereção evidente do marido – Thomas, por favor! – repete, a urgência e o medo em sua voz chamando-o a razão, fazendo-o cessar o contato quase que imediatamente, afastando-se.
—Perdoe-me Cait, não quis assusta-la. Perdoe-me – pede, ofegante, deitando-se ao lado dela, ambos de olhos fechados, respirando lenta e profundamente.
Permanecem assim, lado a lado, em silencio, permitindo seus corpos acalmarem-se, por um tempo impreciso, Tommy sendo o primeiro a quebra-lo.
—Perdoe-me, não quis assusta-la – implora, sentindo a mão ser tomada pela dela.
—Não assustou-me – Cait mente, corando ao escutá-lo rir baixinho – Talvez um pouquinho só – admite, tomando forte respiração antes de voltar a falar – Desculpe-me se ainda não consigo entregar-me Thomas – pede, suspirando.
—Como disse antes, tome o tempo que precisar meu amor – reitera mantendo os olhos fechados, recriminando-se por quase haver perdido o controle e quebro a promessa feita – Não irá repetir-se, eu prom...
—Não! – Cait exclama, interrompendo-o, sentando-se rápido, encarando-o – Quer dizer... não precisa não acontecer porque não quero que não me beije porque eu gosto muito quando o faz e isto que aconteceu a pouco ajuda-me a entender um pouco mais como sinto-me e a saber quando estarei pronta para ser sua esposa de fato e vou calar-me agora antes que consiga envergonhar ainda mais a mim mesma! – discursa a jovem de um folego só, mordendo os dedos, corada, rindo timidamente junto com o marido.
—Apesar dos vários Nãos contidos em seu discurso, devo entender que iremos repetir o que aconteceu a pouco, estou certo? – interroga ele, rindo divertido.
—Sim – confirma ela, ainda sem graça – Acho que devemos assim teremos mais intimidade e me sentirei segura ...não concorda? – pergunta, insegura.
—Plenamente – anui, ganhando mais um sorriso encantador – Mas referia-me a não deixar-me descontrolar quando afirmei não iria repetir-se — revela, sorrindo mais ante a expressão de espanto dela.
—Então não pretendia ... não iria...- Cait titubei um segundo, estreitando os olhos ao encara-lo – Senhor Thomas, meu marido, agradecer-lhe-ia se no futuro expressar-se-á de forma mais clara – sugere, cutucando lhe as costelas, fazendo-o rir alto.
—Esforçar-me-ei em fazê-lo, senhora Caitlin, minha esposa – responde no mesmo tom divertido.
—Agradeço-lhe milhões! – retribui Cait, corando, desta pelo som vindo de sua barriga.
—Parece que alguém está com fome! – Tommy exclama, arqueando a sobrancelha.
—Um pouco – admite ela, fazendo um muxoxo gracioso.
—Irei a cozinha ver o que a senhora Stone preparou-nos para o desjejum – oferece-se, tencionando levantar-se, Cait retendo-o.
—De forma alguma! Este é meu dever. Um deles, quero dizer. E pretendo cumpri-lo – anuncia a jovem, levantando-se, vestindo o penhoar, conjunto da camisola, dirigindo-se a porta – Voltarei em poucos minutos – avisa, retirando-se, deixando-o deitado de bruços, a cabeça apoiada nos braços cruzados, um sorriso bobo a enfeitar lhe o rosto ao pensar que teria mais dois dias e noites inteiros ao lado de Caitlin, tempo que julgava mais que suficiente para transmitir-lhe a segurança que precisava e finalmente serem um só.
—Faça isto direito Thomas. Sem pressa. Um passo por vez – aconselha a si mesmo – Este será apenas o começo Cait. Compensarei cada lágrima que fiz cair com minhas atitudes afobadas. Te farei a mulher mais feliz do mundo. Prometo!
“...Just a kiss on your lips in the moonlight;
Just a touch in the fire burning so bright;
And I don’t want to mess this thing up;
I don’t wanna push too far;
Just a shot in the dark that you just might;
Be the one I’ve been waiting fo my whole life;
So baby I’m alright;
Oh, lets do this right;
With just a kiss goodnight;
With a kiss goodnight;
Kiss goodnight!”

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