O preço da fama
2 A seleção
Notas iniciais
– Os dois, é claro! — O chefe dizia como se fosse algo óbvio.
– Mas, chefe, não seria apenas um? Só precisamos de mais uma faixa. — Seu assistente explicava.
– Eu quero os dois, e podemos fazer um dueto, como eu já disse: As vozes combinam perfeitamente. — O tom de Roger aumentava, era um sinal para seu assistente de que deveria obedecer.
– O senhor é quem manda. — Levantou as mãos rendido.
– É isso que eu gosto de escutar! Dê um jeito de providenciar a vinda dos dois pra cá , pelo visto são menores, vamos precisar dos pais aqui, caso dê certo, e contratamos um dos dois.
– Okay, o garoto já é daqui do Rio, mas a menina é do interior do Paraná.
– Ótimo! Uma bela história: "Menina do interior que busca a fama". — Dizia enquanto imaginava seus lucros, o que mais lhe interessava era o quanto ganharia caso o sucesso batesse a porta da inocente menina do interior.
Carlo apenas ria de uma das loucuras diárias do chefe, e preparava tudo pra os jovens chegarem ao Rio.
🎀
– Mãe! Ah meu Deus! — Eu gritava ainda em choque.
– O que houve filha? — Minha mãe apareceu com uma frigideira nas mãos, pronta pra apagar algum bandido, eu não consegui evitar rir daquela cena.
– O que é essa gritaria menina? Uma hora tu me mata de susto.
– Eu não conseguia parar de rir, então, minha mãe fez que ia me bater com a panela.
– heey... Eu fui selecionada! Eu fui selecionada! — Eu pulava e gritava apontando pro e-mail que havia recebido. Minha mãe continuava sem perceber com a frigideira na mão.
– Eu queria saber se já posso chamar o psicólogo, ou algo assim... — Meu irmão dizia, escorado na parede do quarto tentando conter o riso.
Eu corri e o abracei.
– Eu vou pro Rio, seu louco, eu vou gravar uma música! Numa gravadora de verdade! — Eu admito que estava parecendo uma doida varrida.
– Parabéns, toco de amarrar jegue. Agora te acalma. — Meu irmão me dizia, nesse ponto minha mãe já tinha largado a frigideira e veio me abraçar.
– Quando é que tu vai gravar? — Meu irmão perguntou.
– Eu só posso ter a liberação pra sair da escola nas férias de julho, então só posso ir daqui uma semana...
Vou ligar pra Mari, fui.
Saí correndo, peguei meu celular e liguei pra minha melhor amiga, a Mari, ela é uma louca como eu, nos conhecemos desde sempre, ela vai pirar.
– Fala doida, quem morreu? — Ela sempre atendia assim.
– Eu vou pro Rio. — Eu disse histérica. Repeti várias vezes tentando convencer a mim mesma.
– Mentira! — Ela também se animou. Podia imaginar a cara da Mari, ela sempre se animava comigo.
– Dizem que os 'Boys' lá são ótimos! — ela dizia em um tom brincalhão, batendo palmas.
– Amiga, tá muito cedo pra falar de macho. — Rimos como duas loucas.
Eu amo a minha ruivinha.
Continuamos conversando até meus créditos acabarem.
🎀
Finalmente tinha chegado o dia de irmos ao Rio, eles mandaram passagens até para o Daniel, já que não precisaríamos de hotel, decidimos ficar na casa da minha tia Carla. Ela é a irmã do meu pai, e ao contrário dele, ela é uma ótima pessoa, que sempre nos ajudou, já o meu pai, é um cafajeste que largou a minha mãe há 3 anos, sem nenhuma explicação, e seguiu seu caminho, eu não guardo mágoas dele, não há lugar pra isso em meu coração, mas falar disso sempre me deixa triste, então prefiro não falar disso.
🎀
Mari fez questão de nos acompanhar até o aeroporto, a minha mala estava repleta das roupas que ela me fez comprar, eu agradecia, já que não gosto de escolher roupas, e ela é, digamos que uma 'it girl'.
– Cria juízo, e manda notícias dos 'boys'. — Mari dizia enquanto me sufocava em um abraço. Ela tem o dom de alegrar até mesmo uma despedida.
– Se eu conseguir respirar até embarcar... — Eu falava fingindo uma falta de ar. Mari riu, e me deu um tapa de leve.
– Tchau, me liga quando chegar. — Ela dizia segurando o choro.
– Vou sentir sua falta, maluca. — Dessa vez, era eu quem a esmagava, já chorando.
Ficamos agarradas como loucas, talvez nos fundissimos em um só corpo.
– Sinto acabar com o draminha, mas já é hora de ir.
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