O preço do prazer
30 Devout love
Notas iniciais
Uma vez um sábio disse: quem fica muito tempo no mesmo lugar, acaba não indo a lugar algum. Com as bordas do meu belíssimo vestido de madrinha arrastando na areia, eu observava tranquila o horizonte escuro do mar noturno. Pensando na vida. O quanto eu fiz pra chegar até aqui? Quão caro foi o preço pelas minhas escolhas? Bom, o passado é uma roupa que não nos veste mais, mas o qual podemos aprender com ele.
Sinto a brisa gélida soprar no meu rosto e ergo o queixo absorvendo um pouco daquela sensação, como se o frio pudesse congelar um pouco do meu coração que queimava. Difícil respirar, difícil.
Ao longe o som da música alta da festa, estou me dando ao luxo de fugir por alguns momentos pra vir de encontro comigo mesma. Todas as minhas escolhas me trouxeram até aqui, mas eu não me arrependia delas, elas me deram Neji. Quem o perdeu fui eu.
Há algumas coisas das quais não falamos sobre, melhor continuarmos sem... e simplesmente manter o sorriso.
Eu gostaria de dizer que eu o perdi pra Tamaki, porque doía menos, mas eu o perdi pra minha covardia. A mulher forte e independente que eu sempre ostentava ser, se escondeu entre as batidas do meu coração desesperado.
Ainda sentindo o cheiro salgado daquela maresia, ouço o som de folhas secas, e olho naquela direção:
— Está perdendo a festa toda. — e lá está ela, linda como um sonho, a dona da noite. Sorrio, Hinata cortou um pouco os cabelos abaixo dos ombros pro penteado e ganhou uma expressão a mais de menina adulta. Porém, o que se destacava mesmo nela não eram os cabelos, ou o vestido magnífico feito sob medida, era a felicidade estampada naqueles lindos olhos perolados. Olhos tão parecidos com os dele... sinto meu riso morrer, engolindo seco.
Não sei se algum dia serei feliz daquele jeito, mas a gente colhe o que planta.
— Só estou respirando um pouco... — digo cabisbaixa, virando-me de costas para ela.
Sinto-a se aproximar ainda mais, ficando próxima a mim, um toque suave e gentil no meu ombro desnudo, quente. Sorrio pequeno, suprimindo aquele mar de sentimentos dentro de mim.
— Até onde vale a pena sofrer, Tenten? — indaga-me, e eu me exaspero erguendo a cabeça e respirando fundo outra vez. Meu colo subia e descia pesado, puxando ar para os pulmões como se eu inalasse veneno. Ardia, pesava. Olhei pra ela, respirando pela boca, os intensos olhos claros olhando pra mim, penosos. Ah, se ela soubesse...
— Algumas coisas ficam melhor como estão. — baixo os olhos. — Não devo. — ela ri sem emoção, como se não acreditasse nas minhas palavras. É claro que ela não acredita, ela não sabe.
Então olha pra mim:
— Por que, Tenten? Por que vadias não se apaixonam? — negou com um menear, como se estivesse desapontada aguardando minha resposta, que não veio. Continuei cabisbaixa, e aquilo pareceu decepcioná-la. — Uma vez uma garota forte e decidida me disse que eu poderia ser o que eu quisesse, que tudo bem eu me apaixonar, que tudo bem eu não ser a pessoa que esperam que eu seja... desde que eu esteja feliz comigo mesma. Que tudo bem eu dizer não mesmo sabendo que poderia magoar alguém se fosse pra eu não me magoar. — lentamente ergui os olhos, perplexa. — Uma vez garota forte e decidida entrou pela porta da minha empresa e me disse que tudo bem se eu não quisesse, ela me ajudou quando parecia que todo mundo não me enxergava ou simplesmente ignorava os meus problemas... Uma vez uma garota forte e decidida segurou minha mão na decisão mais difícil da minha vida e eu senti como se não precisasse estar mais sozinha porque eu tinha uma amiga, e tinha me tornado forte e decidida também, graças a ela. — sua fala morreu, perdendo força. Com os olhos imersos em lágrimas, minha visão não focava ela, mas eu sabia que ela também estava prestes a chorar. Decepcionada, comigo? — Acho que eu estava enganada, acho que essa garota forte e decidida era só uma máscara pra esconder uma menina tola e assustada que está na minha frente agora. — um estalo ecoou dentro de mim como se eu houvesse quebrado um osso ou ela me desse um tapa na cara, talvez doesse menos. — Tem alguém lá dentro que ainda espera o desfecho dessa história... — apontou pra onde a festa acontecia, e instintivamente eu olhei na direção, Neji. — Que me ligou desesperado chorando implorando pra que eu dissesse que você tava comigo e não naquela boate; Alguém que dirigiu tão rápido pra aquele lugar que passou o dia na delegacia e teve que pagar fiança pra vir pra cá porque os advogados não livraram ele, tamanho o risco que ele correu... ele podia ter sofrido um acidente, poderia ter morrido ou passado o resto da minha vida em cima de uma cama. Tudo só pra saber se você tava bem! — respirou fundo, enquanto à mim, não sabia distinguir ao certo o que sentia. — Tenten, eu nunca tinha visto o Neji chorar... então, seja qual for a sua decisão, ele merece saber.
Depois de jogar tudo na minha cara, ela simplesmente segurou a barra do vestido e voltou a caminhar para a festa que era dela, comemorando a felicidade dela e me deixando ainda mais com a ferida ardida após jogar sal nela. Eu sabia que ela não me odiava, mas precisava passar na minha cara coisas que eu estava cega até então...
Neji...
Então eu me dei conta, o mundo não gira ao redor de mim. Eventualmente pras escolhas que eu faço, outras pessoas também são diretamente atingidas. Talvez, agora, ter morrido naquele incêndio me doesse menos, mas teria sido insuportável pra ele... como era pra mim a ideia de perdê-lo.
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Transições na vida são sempre marcadas por grandes momentos. E assim como os dias, os meses e os anos, tudo chega ao fim. Tudo se acaba. E então, tudo recomeça do zero. É um ciclo sem fim.
Caindo dentro e fora do amor...
Algumas histórias abrem as portas para algo mais, e comumente nos dispomos a perder algo, em buscar de algo maior. Sempre cientes de que nem tudo o que vai, volta.
Eu entrei em uma relação acreditando que nós dois poderíamos nos beneficiar, quando na verdade, ambas as partes saímos machucadas. Pra chegar onde eu cheguei, eu tive que me arriscar e dispor a perder pessoas que eram importantes pra mim, e eu não sei se algum dia poderia compensar isso. Nem tudo na vida nos dá uma segunda escolha, e em busca de alguma coisa pequena, você pode perder outra bem maior.
Caminhei dentre as pessoas da festança com as palavras de Hinata ecoando na minha mente. Após um longo período de reflexão, eu queria encontrar ele. Havia uma enorme culpa que eu senti por só enxergar minha própria dor, quando estava bem na minha cara que tinha outra pessoa sofrendo também.
E eu o encontrei, sozinho, sentado numa mesa enquanto as pessoas iam e vinham sem parar. Girando o celular entre os dedos com o olhar perdido pra algum canto.
Há gente dançando, bebendo, e se divertindo, e ele ali, só.
Uma parte de mim quis fugir dali, fingir que tudo não aconteceu outra vez, me protegendo da minha própria dor. Quanto a outra me fez permanecer parada olhando sem piscar aquela cena. Neji parecia tão triste e angustiado que seus olhos pareciam gritar por ajuda, fitando o nada. O cenho levemente franzido e as pálpebras baixas, as mãos que realizavam um movimento lento girando o celular, não era uma expressão que se usava em um casamento.
Abri a boca, busquei chamá-lo, me percebi muda.
Uma coisa incomodando dentro do peito. Neji eu falei, sem mesmo me ouvir, baixo, com o som da música e das pessoas ao nosso redor.
Mas ele ouviu, olhando na minha direção, como se houvesse um ímã. Como se esperasse desesperadamente por isso. Seus olhos encontraram os olhos e sua expressão mudou totalmente, levantou-se agitado, abrindo a boca e fechando devagar tentando dizer algo que não vem.
Aqueles olhos olhando pra mim, tão aflitos.
— Hey... — disse devagar, rindo pequeno. Forcei um sorriso, sem sorrir de fato. Assentindo.
— Hey. — devolvi com pouca força. Sinta-se quebrar de todas as formas, então se colar só para se despedaçar outra vez... era assim que eu me sentia, despedaçando até virar pó.
Desesperada comigo mesma pelo que estava tão perto de fazer. Agora eu entendia o motivo de tê-lo ignorado até aqui, o dia todo, fingindo não ver seus olhares em minha direção. Seu olhar queimando minhas costas no altar, buscando desesperados por mim em qualquer momento na festa. Perdi as contas de quantas vezes eu tive que desviar minha atenção e quebrar o contato visual quando os meus encontraram os seus, era medo. Medo desse momento chegar, porque eu não queria. Mas Hinata tinha razão, por mais que doesse admitir.
Sentindo-me engolida pela ansiedade daqueles olhos. Olhos de dor, de desespero, de apreensão. Eu baixei a cabeça, não suportando o olhar. Aquelas orbes que me alcançaram na noite anterior da porta daquele carro, aquelas orbes que eu vi tristes pela última vez antes de sair da delegacia sem me despedir, aquelas mesmas orbes que não desgrudaram de mim no altar, como se eu fosse a coisa mais incrível os quais já captou. E eu comprimi os dedos, com as mãos dadas em frente ao corpo.
Aquelas orbes que expressavam tudo o que a sua boca não conseguia dizer. Ele parecia ansioso por qualquer ação minha, e isso me desestabilizava por completo, ver como eu afetava diretamente aquele homem.
— Me desculpe... — digo ainda cabisbaixa, num sussurro. Com muita, muita dor. Com o coração pesado, sofrendo. E isso fica explícito na minha fala.
— O que... — ele franze o cenho, meneando, sem dúvidas não era isso que esperava. Levou uma mão a cabeça, tocando a testa ainda perdido. — Por que tá se desculpando? — seus olhos encontram os meus, mais uma vez, mas eu não desvio o olhar dessa vez.
Embora cada nervo do meu corpo explodisse um pouco.
— Quer uma lista? — ironizei, rindo sem humor. — Eu posso começar com: desculpe por destruir sua boate, e destruir sua vida. — ele parou por alguns segundos como se pensasse ou absorvesse a situação, piscando devagar.
— Então foi você... — não me olhava, os olhos brancos fitando o chão imóveis, como se uma lembrança passasse em sua cabeça. É claro que foi... eu mordi a língua pra não dizer, comprimindo os dedos ainda mais. Eu acabei percebendo que minhas frases irônicas surgem sempre quando estou assim, tensa, como uma válvula de escape. Mas elas não me salvariam agora... era só eu por mim.
— Você sabia que foi. — reafirmo, sem emoção.
— Não, eu não... você não chegaria a esse ponto...
— Por que, Neji? — rio, com escárnio. Abri os braços. E lá tá minha ironia, e lá tô eu me escondendo atrás dela como uma menina assustada. Ele olhou pra mim, perdido. — Por que é baixo? Por que é uma coisa que ela faria? — aticei. Seu cenho minimamente franzido e seus claros fitaram os meus, eu conhecia aquele olhar... era decepção.
E isso foi como um soco na boca do estômago. Me desestabilizando por completo.
Olhei pro lado, disfarcei quando quase vacilei do meu salto.
— Eu só... achei que deveria saber. — disse, após uma pausa. Recuperando as migalhas do meu orgulho.
Girei os calcanhares, saindo dali desesperada, com uma mão sobre a boca pra evitar vomitar o choro preso na minha garganta e os olhos cheios d'água. Pra mim, sem dúvidas, essa festa tinha acabado. Acho que passei por Temari, tenho a impressão de tê-la ouvido chamar, uma parte longínqua da minha sanidade lembra de seus olhos preocupados na minha direção.
Sinto a areia úmida no meu salto aberto, seguro as barras do meu vestido comprimindo os lábios com os olhos embargados.
— Tenten... — segurou meus braços, me puxando. Estava um pouco escuro, estamos longe da luz, eu não queria mostrar pra ele que eu tava chorando. Maldito filho da puta, bem como eu previ, no fim quem teria o coração em pedaços seria eu! — Não vai embora assim... — segurava meus pulsos, enquanto eu me debatia.
— Me solta! — disse, furiosa. Mascarando minha dor com a raiva.
— Por favor...
— Por que, Neji? — o olhei finalmente, sentindo meus lábios tremerem e apesar do vento frio, não sentia frio. — Você pode fazer toda sua merda e sair impune mas eu tenho que ser julgada por você? — ele estava perplexo, em choque, olhando pra mim. Talvez não esperasse me ver chorando. Franziu o cenho, parecia perdido.
— Por que tá dizendo isso? — descrença, confusão, mas eu sabia que era só mais uma forma de me manipular. Ele me encara por tanto tempo, eu não tinha coragem. Não tinha coragem de falar... eu perdi a maldita faísca de coragem que eu tive olhando no fundo daqueles olhos brancos que pareciam sinceramente tão perdidos. Embora essa faísca fosse impulsionada pelo ódio. Ele se foi, só olhando nos olhos daquele homem, meu antigo homem... ele parecia tão perdido, assustado. Talvez nós dois fossemos vítimas, ou vilões. Baixei os olhos, não sustentando olhar. — Tenten... — chamou devagar, enquanto eu mordia os lábios evitando me despedaçar por completo.
Caindo dentro e fora do amor. Envergonhado e orgulhoso.
— Não... — sibilei, mais pra mim, sentindo ele tocar meu rosto com a mão direita. Meneando em negativa. — Foi tudo um plano meu, Neji... — ergui meus olhos, criando coragem num rompante daquilo que eu fugia há tanto tempo. Meus sentimentos. — Mas eu acabei perdendo você junto. — ele travou, olhando pra mim. Acho que perplexo, acho que assustado ou só não sabia o que fazer. Eu me acabava em lágrimas e não precisava ver com clareza o meu rosto pra saber. Respiro fundo. — Pra proteger a pessoa da mais importante da minha vida, eu tive que perder ela. — sussurrei, sentindo minha voz morrer.
— Tenten, vo-você tá chorando... — ele tocou o lado esquerdo da minha face, os olhos arregalados... é, parabéns Neji, você descobriu que eu tenho um coração.
Ele parecia não acreditar que era real.
— Por que? — sinto meu cenho se franzir, e eu coloco a minha mão sobre a sua. Olhando no fundo dos seus olhos:
— Porque... eu amo você, Neji. Amo tanto que às vezes dói, como agora. — eu não pude explicar a intensidade daquele olhar, eu o senti congelar como se sua alma fosse arrancada bruscamente do meu corpo. — Mas você não é pra mim... — sentindo a minha própria fugir também, e voltando a quebrar, eu retirei sua mão e me afastei dali. Adeus, sorrio tristemente.
Dói sentir, dói admitir, dói saber que eu fui a pessoa quem mais te machucou. Dói não poder ficar um pouco mais e fingir que todo o amor pode durar independente das circunstancias. Dói abrir mão de você... mas se você não pode lidar com quem eu sou, então eu prefiro que doa.
Perdão, eu peço em mente.
Ainda não sabemos quando, mas de novo e de novo, mais jovens do que éramos ontem.
fim.
Ou não. Com uma mão apoiada sob o móvel de madeira abaixo do espelho, eu fiquei na ponta dos pés ficando bem próxima do meu próprio reflexo e observando o deslizar do batom vermelho na minha boca, contrastando com meu biquíni branco. Deslizo os dedos no meu colo, apreciando a marca do bronzeado. Caralho Tenten, tu é uma mulher da porra!
Amasso os lábios um no outro piscando meus longos cílios, acho que alguém lá em cima decidiu caprichar na hora de fazer a princesinha aqui. Não é à toa que eu sou tão perfeita. Sorrio contra o espelho com cara de safada, pegando meu óculos e saindo do pequeno e charmoso chalé. As Ilhas Perhentian eram um paraíso secreto da Ásia, eu gostei daqui, era suave e quieto, era paradisíaco.
E assim que o ar marítimo e deliciosamente quente naquela época do ano bateu em minha pele, respirei fundo, sorrindo abertamente. Coloquei meu óculos de sol devagar, apreciando a visão. Nunca estive tão realizada comigo mesma.
Eu tinha muuito pra aproveitar nessas férias.
flashback On
Imagine que você é a rainha de tudo, até onde puder enxergar, sob o seu comando.
Despedaçada, eu caminho em direção ao estacionamento de areia na direção do meu carro. O casamento foi fora de Nova York, mais precisamente em Hampton Beach, e os convidados haviam ficado em casas da região. Afinal, é o lugar de férias dessa gente rica... puxei o laço que prendia meus cabelos no penteado, soltando-os.
Sempre achei infantil e patético a forma como os poetas descreviam a dor no peito e o coração partido, sempre achei que era coisa de adolescente, até sentir... estou devastada e os meus pedaços ficariam pelo chão até não restar mais nada.
— Tenten... — ele veio correndo atrás de mim, sinto sua mão segurar firme a minha, puxando-me de volta. Mas eu não queria voltar, não queria olhar, isso só tornaria minha dor ainda maior.
— Não, Neji, por favor... a gente já falou o que tinha que falar! — imploro, tentando me soltar daqueles dedos que entrelaçavam os meus. Eu evitava olhá-lo a todo custo.
— Não, você falou e eu ouvi, agora é minha vez! — exclamou, firme, fazendo um frio percorrer minha espinha. Parei por alguns segundos olhando lentamente em sua direção, encontrando aqueles olhos brancos.
Eu serei o seu guardião e quando tudo estiver desmoronando, vou segurar firme a sua mão.
Ele levantou a mão que segurava e beijou, beijou firme, com amor, devoto. O que só fez eu me sentir ainda pior. Engulo seco, sentindo os lábios quentes contra minha pele gelada e trêmula. Seu cenho estava totalmente franzido como se sofresse, como se houvesse um peso em seu coração.
— Neji... — chamei-o, devagar, e ele quebrou o contato abrindo os olhos lentamente. Eu já não via mais medo, desespero ou insegurança naqueles olhos, sequer aquela decepção... ele parecia mais decidido. E isso fez meu peito acelerar drasticamente, ansiosa e até com receio do futuro. Um futuro próximo. O que passava em sua mente?
— Não sinto vergonha de você, não estou decepcionado com você... estou comigo. Toda a merda que você passou foi culpa minha e sequer servi pra te proteger disso... — ele baixou a cabeça, meneando com um riso que não alcançava seus olhos. Eu sentia fraco, a mão que segurava a minha estava tremendo e sua frio. — Mas isso só mostra a mulher incrível que você é... esperta, inteligente e independente. Você me disse ontem que quando terminamos e você embora do meu apartamento, esperava que eu fosse atrás de você naquele táxi... eu assisti a mais de cem metros de altura a mulher da minha vida me deixar porque achei que era o melhor pra ela, independente do que fosse ruim pra mim... — ele parou, e eu percebi que durante todo seu discurso eu estive com a boca aberta e a respiração suspensa. — Eu achei que tava te protegendo. — parou um pouco, escolhendo as palavras. — Mas foi você quem me protegeu, de novo. — meneou, e eu quis rir de sua expressão. Talvez uma parte de mim sentisse alívio em ouvir aquelas palavras, enquanto a outra parte sentia pavor. E de repente os olhos claros ganharam um brilho, assim como sua expressão mudou, como se sentisse um sopro de esperança. — Mas você me ama! Você acabou de dizer isso e me disse naquela mensagem... — ele chorava, ou sorria? Eu não conseguia entender. Não consigo entender ao certo o que está acontecendo aqui. Estou perdida e confusa. — Não ligo pro que aconteceu com a Heaven, ela já me deu a melhor coisa que eu pudesse ter. Você. — franzi o cenho, olhando confusa pro chão ao lado, piscando devagar. Uau.
Eu amava o jeito que ele me olhava... amava mesmo, e que se dane! Aquele amor, aquela paixão tão presentes naqueles pares de luas, eu era completamente apaixonada.
Ainda bem que eu tô de salto e não corri daqui, ainda bem que ele me alcançou.
— E-eu... — tento reformular alguma frase, qualquer coisa... e nada.
Ele sorri, aumentando minha confusão:
— Fica comigo errado mesmo! Eu finalmente tô no céu, não me joga de volta no inferno. — ai meu Deus, isso tá pior que cena de novela mexicana. Olho por sob o ombro do Hyuuga, vejo Hinata, vejo Temari e vejo Ino, as três ansiosas esperando o desfecho daquela história. E eu também...
Você nunca pode dizer nunca. Ainda não sabemos quando, mas de novo, de novo e de novo, ainda mais jovens do que éramos antes.
O que eu poderia fazer? Eu só deitei em seu peito, ouvindo aquele coração bater tão forte que me abraçaria se pudesse. Ninguém vai embora depois de ouvir essas palavras.
Não me deixe ir. Não me deixe ir. Não me deixe ir.
flashback Off
Então escolha um jogo e eu vou jogar os dados.
Engulo seco vendo-o se aproximar de mim, saindo daquele mar todo molhado após puxar os longos cabelos pra trás, os olhos tão brancos mas que ironicamente por vezes escureciam tanto de desejo. Como agora.
Aproximando-se lentamente sem desgrudar os olhos dos meus e eu já tô totalmente derretida e nem é pelo sol. Oh, querido, olhe o que você começou... a temperatura está subindo aqui! Meu baixo ventre se contrai em contrações fortes e meu colo sobe e desce pesado, com o queixo erguido para a homem de pé ao meu lado, fitando-me, tapando o sol dos meus olhos. As gotículas salgadas escorregando por aquele corpo escultural e já bronzeado pelos dias de praia, sol e mar. Assim como eu, que também estou assada, mas não por isso... risos.
Isso vai mesmo acontecer? Estive esperando você tomar uma iniciativa, antes que eu tome uma iniciativa.
Sorrio pequeno com o próprio pensamento, atiçando-o. Ele se abaixa com os olhos cravados nos meus e nossas bocas se chocam em um beijo guloso, delicioso e molhado pra caralho, com gosto de mar e dele. Meu braço ao redor de seu pescoço enquanto eu sentia aquela deliciosa língua me invadir e seus dentes me devorarem. Fazendo tudo em mim pegar fogo... igualzinho a Heaven. Consumindo. E a minha gasolina era ele, sempre foi. Então querido, venha me acender... e talvez eu te deixe por cima.
Empurrei-o na areia montando nele ainda com os braços envoltos em seu pescoço, ele segurava minha cintura cravando os dedos naquela região e eu já sentia as raízes brotarem naquele tronco duro... ou seja, o pau dele. Havia um casal de caseiros idosos que trabalhava no lugar cuidando dos chalés, e eles sempre paravam olhando pra gente como se a gente fosse um casal de pervertidos. Ah é, a gente é... todo dia, mesmo horário. Já tava virando rotina. Esses velhinhos vão expulsar a gente, risos.
Com a nossa pouca roupa eu sentia a dureza dele me espetar por baixo, gemendo. Minha vadia interior desperta só de lembrar daquele magnífico monumento veiudo.
— Eu acho que eles pensam que nós somos dois sem-vergonhas. — Neji confirmou o que eu pensava, olhando por sob o ombro . Um pouco perigoso.
— E eu tenho certeza! — respondi, com a sombra de um sorriso, puxando o rosto dele pra mim.
Mas querido, é assim que eu quero.
— Se eu pudesse comprava essa ilha todinha só pra transar com você. — ditei com a ponta do indicador sob seu queixo, ele arqueou uma sobrancelha, e eu voltei a devorá-lo. Um pouco menos de conversa, e um pouco mais de toque no meu corpo.
Porque eu estou tão a fim de você, a fim de você... a fim de você.
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Me conte alguma coisa, eu preciso saber. Então tire o meu fôlego, e nunca mais o solte.
A noite aqui é linda, e o que eu poderia dizer? Esse lugar é magnífico, eu não poderia esperar férias melhores. Ainda mais tão bem acompanhada. O meu, agora, oficial e verdadeiro namorado me abraçou por trás enquanto eu observava o céu noturno.
Às vezes era bom não pensar em nada, só aproveitar.
— Admirando as estrelas? — ouço sua voz, e o hálito quente um pouco próximo.
O tecido do vestido leve que eu usava esvoaçava contra o vento poderoso que vinha do alto mar. Olhei de canto, sorrindo um pouco, estava incrível descobrir todas as maneiras que eu poderia amar Hyuuga Neji. A gente tinha safadeza, tinha paixão e uma devoção sem limites um pelo outro. Ele foi, sem dúvidas, a melhor coisa que me aconteceu. E lá estava ele, olhando pra mim, esperando minha resposta. Com aqueles olhos devotos que eu amava.
Mas ela não veio.
Se você me deixar invadir seu espaço eu trarei o prazer, junto com a dor. Girei um pouco ficando de frente pra ele, deslizando a ponta do meu indicador pela face daquele homem. Meu homem. Só pra constatar um pouco mais que ele era real. E se nesse momento eu morder meus lábios, meu bem, então você saberá que isso é algo maior que nós dois e vai além do êxtase. Você tinha razão, Tenten, tudo bem ser uma vadia esperta e se apaixonar... se derreter com um sorriso que não é seu, mas que é pra você e no segundo seguinte sentir o corpo queimar de combustão e puro desejo. Tudo bem abrir a boca pra dizer aquelas três palavrinhas que vão fazer outra pessoa feliz ao ouvi-las, alguém que você quer ver feliz. Tudo bem fazer cafuné e até acordar no meio da noite só pra vê-lo dormir, tranquila de que, quando acordar, ele ainda vai tá lá.
A única regra imutável no meio disso tudo é: ser feliz.
Você é feliz, Tenten? Ah, apesar dessa maldita constante da vida onde tudo pode acontecer a qualquer momento, eu sou feliz, e vou continuar se eu tiver ele comigo. Porque eu vou ter um par de braços bem fortes, e musculosos, pra correr quando eu estiver assustada... ou simplesmente dormir depois de um dia cheio.
Eu não vou precisar sentir medo, porque a certeza eu encontro naquele par de luas de que o que existe aqui é real.
Encare seus medos e as recompensas podem ser enormes. A pessoa que você é hoje, são pedaços, pequenos pigmentos de tudo aquilo que você já viveu. O quanto tropeçou e o quanto aprendeu com seus erros. É sempre importante errar, são dos erros que vem nossos acertos. E eles não param mais. Eles constroem você, até a magnífica mulher que você é hoje.
O lado ruim da despedida é que ela chega. Todos nós temos um ponto de chegada e partida, e essa última, sem dúvidas, é a mais dolorosa.
Sobre finais? Existem vários finais, e não existe nenhum. A verdade é que é só um momento onde a história parou de ser contada, mas que a vida continua seguindo, e novas histórias surgem.
Porque se você quiser ficar comigo você deve, deve, deve que me amar intensamente.
— Sabe pra onde aquelas estrelas apontam? — ele indicou um conjunto de estrelas a noroeste, enquanto eu beijei lentamente sua mão que estava dada com a minha, do mesmo jeito que ele fez comigo naquele dia, negando. Ergui os olhos observando as ilhas naquela direção, um pequeno arquipélago de corais, sem dúvidas incrível. E apesar de noite, algumas poucas luzes vinham daquela direção. — Feliz aniversário, adiantado. — sussurrou no meu ouvido, me abraçando por trás. Eu o sentia rir pequeno, como se estivesse aprontando algo. É verdade, meu aniversário seria em poucas semanas... o meu último me trouxe ele, o que será que esse vai me dar?
Então eu me dou conta.
Olho pra trás, boquiaberta, vendo ele se deliciar com a minha expressão sem dúvidas apavorada. Não acredito nisso... você me comprou uma ilha de presente seu filho da puta!?
— E aí... — baixou a cabeça apoiando o queixo no meu ombro enquanto mordia o lábio inferior, fazendo tudo em mim queimar drasticamente. — Quando é que a gente vai inaugurar?
E se você realmente precisa de mim, você deve, deve, deve me amar intensamente.
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