O preço do prazer

25 4 Girls and a gay


Notas iniciais
Voltei, de novo. Eu espero que gostem do capítulo, está sendo um tanto quanto complicado pra mim escrever eles, porque eu demoro muito pra conseguir chegar onde eu quero porém, não se preocupem, eu não vou trazer nada pra vocês se não julgar estar com qualidade. Eu fiz e refiz com muito prazer, e aqui está. Ps: aos comentários que ainda não respondi, eu vou fazê-lo, é que por conta da hora eu decidi postar logo pra não ficar tão tarde como da outra vez. E agradeço de coração a todos que deixaram um humilde comentário pra mim! Boa leitura.

Yeah, café da manhã na Tiffany's e garrafas de espumante.

Ouço-a rasgar os papéis, observo-a com um sorriso de canto a canto realizando tal ato, bebericando um delicioso café. Hinata e eu estamos na Tiffany's & Co., jogo meus olhos para a direita, observando a movimentação da 5th Avenue. Ela havia acabado de jogar pros ares todos os planos de seu casamento, ou o que restou dele. Sua felicidade era ímpar, e eu ficava feliz por ela.

Observando-a apoiar o queixo nas mãos dadas, com aquele meio sorriso resplandecente pra mim, piscando seus lindinhos olhos brancos. Realizada.

— A primeira coisa que fiz quando saí de casa foi ir até à Vera Wang cancelar o vestido que Hanabi tinha encomendado. — exclamou, excitada.

— Isso vai irritá-la? — questiono, interessada. Afastando um pouco a xícara de meus lábios, ela riu.

— Sem dúvidas... — respondeu, um tanto quanto preocupada ao pensar no assunto.

— Demais. — sussurrei, mostrando meus dentes brancos. Com a minha melhor cara travessa. Suspirou.

— Você tinha razão, Tenten... não posso mais deixar que mandem em mim. O que eu faria sem você? Você é o meu anjo! — diz, finjo ficar convencida. Com um sorriso fechado e mexendo os ombros como se fizesse pouco caso. Eu sei, eu sei. Força feminina! Segura minha mão sob a mesa. — Eu fico tão feliz... e é tão bom saber que tenho uma participaçãozinha na sua felicidade também, já que te apresentei o Neji... — ih rapaz. — Estamos quites. — brincou, tirando a mão. Comendo do bolo.

Retirei minha mão segurando a xícara de café, bebendo-a rapidamente. Com os olhos arregalados, olhei de pro lado toda sonsa, fazendo a egípcia.

— Tem um sapato lindo que eu vi na Jeffrey, e acho que ficaria perfeito com o que vestido que eu quero... — voltou a falar, partilhando um pouco das ideias que teve.

Terminei de beber meu café, pronta pra outra.

— Jeffrey é um pouco distante daqui... — comento assim que termino de beber o último gole. Realmente, é distante. A mais próxima se não me engano pegava umas vinte quadras, mas ainda era em Manhattan. Sua expressão se torna triste, e ela encolhe os ombros. — Espero que esteja de carro! — sussurrei, com um olhar cúmplice. Sabendo que estava. Assim que os seus alcançaram os meus, um sorriso travesso surgiu em seus lábios rosados com gloss labial. Sapequinha.

Garotas com tatuagens que gostam de se meter em apuros.

Levantamo-nos rapidamente, deixamos alguns trocados pra conta e o garçom, e saímos pela porta principalmente pela E 57th St, de braços dados, rindo da cara do cara que passou babando pela gente e acabou esbarrando em outro com uma bandeja com dois cafés. Foi terrível, mas engraçado. E um lado maligno meu não se conteve em jogar a cabeça pra trás e rir bem na cara dele, Hinata me acompanhou. Bobinho. Eu ainda podia sentir o delicioso cheiro do cappuccino do Starbucks.

Apesar de ser uma ensolarada manhã de terça, era bom sair com casaco ou algo assim pra se proteger. O clima de Nova York estava mais louco que nunca. Eu, no caso, usava um sobretudo bege sobre um vestido curto, justo e preto. De um tecido que lembrava o veludo. Ele tinha alças finas, rompíveis ao mais sutil puxão. Ela se cruzavam em minhas costas. Assim como meus característicos salto agulha. Cílios postiços e diamantes, caixas-eletrônicos.

Já avistava o Porsche conversível prateado de Hinata quando um trio apareceu bem a nossa frente, fechando nossa passagem. Olhei pra cada um deles com uma expressão pouco amigável. Ainda estava de braços dados com a Hyuuga.

— O que estão fazendo aqui? — indago, sem mudar minha expressão.

— Viemos visitar nossa amiga doente! — no meio, a loira cruzou os braços ao concluir a fala de debochada. Arqueei uma sobrancelha. Seus olhos esverdeados me engoliam como gaviões, ela estava furiosa.

Ótimo, fui descoberta. Mandei um atestado falso pra empresa e consegui o dia de folga, mas parece que minha doença misteriosa não convenceu meus queridos amigos. Agora com uma mão na cintura e a outra dedilhando os dedos na coxa, Ino me observava, esperando minha resposta. Ai, merda.

— Compras? — sugeriu Hinata, se pronunciando. Arqueei uma sobrancelha olhando lentamente em sua direção, com uma cara que dizia: que porra é essa, filhinha? — Estamos indo à Jeffrey! — exclamou, destravando o veículo e soltando meu braço. Compro pra mim mesma todas as minhas coisas favoritas.

Definitivamente ela os convenceu, Sai e Ino davam pulinhos excitados com a ideia. Até Temari se animou, tsc. Fala sério. Suspirei, revirei os olhos. Que seja. Talvez seja bom passar um dia inteiro com as minhas vadias outra vez, não fazíamos isso há muito tempo.

Todos fomos pro carro, o modelo mais recente do Porsche 911 Cabriolet a céu aberto. O gay albino sentou na frente, no bando do passageiro, tendo a Hyuuga ao seu lado no volante. Enquanto nós três fomos atrás, com a Yamanaka reclamando no meu lado direito, e a Sabaku me julgando com o olhar no esquerdo. Eu mereço.

— Liga o rádio! — Ino pediu, segurando os cabelos. Ah sim, eles voavam pra caralho. O automóvel deslizava no asfalto como se esquiasse no gelo, e a Hyuuga pisava no fundo acelerador. Parecia não ter medo de levar uma multa por excesso de velocidade... não era como se ela não tivesse dinheiro pra pagar, não é!? Risos.

Ao meu lado direito, a dupla dinâmica começam a cantar os maiores sucessos atuais. E claro, tocava Ariana Grande.

Passei por tanta merda, eu deveria ser uma vadia triste. Hinata era uma ótima motorista, Ino e Sai péssimos cantores, mas a cara de Temari pra mim já estava me irritando. Eu sentia ela me julgando mesmo sem olhar pra ela, e ao fazê-lo, lá estavam aqueles olhos verdes me encarando com a maior cara de bunda. Acusativa.

— Você também tá gaseando trabalho, sabia? — esnobei, assim que paramos em um sinal, com a maior cara de puta que a vida me deu. Arqueando a sobrancelha esquerda automaticamente.

Ela semicerrou mais os olhos claros. Para me encarar, vadia.

— Se eu perder meu emprego a culpa é sua! — cuspiu as palavras. Abri a boca, estarrecida, fingindo me importar. Até coloquei uma mão no peito pra convencer melhor.

Embora não fizesse questão de esconder o meu cinismo. Ouço alguém buzinar.

— Deveria me agradecer... assim você vai viver logo com o seu macho. — inclinei a cabeça pro lado dela, atiçando o maior motivo de ira que a loira poderia ter. Ela trincou os dentes, cerrando os punhos, aumentando ainda mais seu ódio com a minha cara de puta. Ah sim, quer irritá-la? Chame-a de dependente. Indicie isso. Ela odiava a ideia de depender de alguém, odiava. Ainda mais homem. Bom, eu também, mas era bom provocar ela às vezes. Buzinaram outra vez. — Que porra é essa!? — quem gritou fui eu, irritada. Tinha um maldito miserável que não parava de buzinar. E isso enchia meu saco.

Hinata está toda atrapalhada no volante, a gente ainda estava no sinal e ele estava verde.

— E-eu... Eu engalhei minha chave... — ela disse nervosa, tropeçando as palavras. O cara apitou outra vez, e eu tive que respirar fundo.

Quem diria que isso me tornaria uma selvagem? Destravei o cinto de segurança e, como uma gata, fiquei de joelhos no banco, virando-me lentamente. Sentindo meus cabelos deslizarem pelo meu ombro direito. Empinando. Inclinando-me na traseira do automóvel. De quatro, uma posição um tanto quanto erótica. Sorrio, travessa. O motorista de um enorme GMC preto travou na hora, olhando pra mim. Vi seus olhos negros se arregalarem, tornando-se mais sombrios. Suas mãos seguravam o volante com força, com ânsia. Elas tremiam um pouco. Fecho um pouco o sorriso, piscando os cílios olhando de baixo pra cima, aproximando o queixo de meu ombro.

O vi engolir em seco, talvez tendo dos pensamentos mais perversos, eu aposto. Levei uma mão até os lábios, mandando um beijinho pra ele. Hinata deu partida, e a gente se foi... ops.

Não era como se eu estivesse tentando seduzir esse paspalho, eu só estava brincando com ele. É só pra fazer maldade.

Era bom esse poder, de brincar com a mente alheia. Não tinha graça ser sempre a mocinha. Na verdade, ultimamente, eu estou me identificando bem mais com a vilã.

Prefiro ser amarrada com algemas e não cordas. Comecei a cantar, seguindo o ritmo da música que Ariana tocava pra gente, Thank U, Next.

I've got so much love...eu tenho muito amor.

— Love! — eles me acompanharam, em uníssono.

Got so much patience...tenho tanta paciência. Tanta.

— Patience.

I've learned from the pain.eu aprendi com a dor.Turned out amazing. eu me saí de forma incrível. Chegamos ao nosso destino, eu saí do carro cantando. Eu tenho voz, meu amor, e ela chama atenção. Eles me acompanhavam. A gente parava o movimento da W 14th St, a gente brilhava. As pessoas nos olhavam como se fossemos alguma estrela. — I've loved and I've lost; But that's not what I see; 'Cause look what I've found; Ain't no need for searching...eu amei e perdi, mas não é isso que eu vejo. Apenas olhe o que eu encontrei, não há necessidade de procurar...

Bati palmas, mexi o corpo lentamente, de um lado pro outro. Sai me acompanhou, ele sabia a coreografia. Dançávamos. Hinata cantava, e eu nem sabia que ela sabia a letra disso. Ino estava atrás do albino, pulava, girava. Movemos os quadris lentamente, naquele ritmo sem música. Apenas voz. Temari acompanhava a Hyuuga, encostada no carro.

Esse trecho falava tanto sobre mim, e ele era a minha parte favorita da música.

— And for that, I'll say... — Sai deu um gritinho, cantando.

E por isso, eu vou dizer.

Thank U, Next! — nosso timbre era alto, altíssimo. Atrás de mim, senti o moreno segurar minha cintura, e deslizei, rebolando com meu amigo atrás de mim. Me importando zero com as pessoas ao meu redor. Imitamos a coreografia, arrasamos.

Nós três fomos até o chão, quicando.

Assino meus próprios cheques, assim como escrevo o que canto. Yeah! Tinha carro buzinando pra gente, caras mais velhos e casados gritando coisas obscenas, tinha virgens adolescentes gravando com o celular. E a gente não tava nem aí. Rimos. Dando fim ao nosso show.

Um idiota baixou o vidro pra falar merda, tem macho que só nasce nessa vida pra passar vergonha, ele era um desses. Temari se irritou, xingando ele, mas nós ignoramos. É o preço da fama, e da beleza.

— Vem, Temari. — chamei-a, de braços dados com Sai.

— Tsc... Se Neji escuta aquilo ele mata ele... — ela diz pra mim, ainda irritada. Eu rio, fazendo pouco caso. Você está certa, meu bem, não tem ideia do quanto... penso, entramos na Jeffrey.

A Jeffrey era isso, não vendiam só sapatos aqui, você poderia sair com um look completo, na verdade. Mas os que vendiam... hm. Hinata havia se interessado por um Louboutin belíssimo, deveriam custar uns três salários meus. Ele era um clássico branco que combinaria com os mais extravagantes aos mais sofisticados vestidos de noivas.

Só havia um pequenino problema:

— Então não tem mais nenhum? — o vendedor negou.

— Só vendemos um par, essas linhas são exclusivas e assinadas pelo próprio Christian Louboutin. — explicou. A Hyuuga estava triste, embora tentasse disfarçar. Como uma noiva tendo seus sonhos despedaçados. Ai que maldade...

Olhei pra Ino, que entendeu meu recado. Eu faria, mas eu tenho dono.

— Escuta... Vocês ainda tem os sapatos. — falou, aproximando-se lentamente, de braços cruzados e deslizando o indicador sob a carne macia, como uma felina. — Talvez essa mulher nem venha buscar. — deu de ombros, fazendo seu jogo. Eu observava com cuidado os atos da Yamanaka, ela tinha um gingado natural, uma sensualidade... realmente, éramos um belo time de vadias. Acabaríamos com a sanidade de toda Nova York se deixassem. — Eu sei que tem alguma coisa que você quer... — sussurrou, bem ao pé do ouvido dele. Tocando o tórax dele, escorregando uma mão ali. Wow.

Ela se afastou um pouco, só para olhá-los nos olhos. Olhos verdes nos verdes, o loiro assumia uma postura dura, séria. Mas observava a alemã de perto.

— Está tentando me comprar, senhorita? — questionou, com os braços fortes e largos dados em frente ao corpo.

— Não... — se fez de sonsa, na maior inocência. — Só estou tentando negociar... — ela deslizou o indicador e o médio por sob a gravata azul listrada do homem, provocando-o.

Uau, Ino... se eu fosse um cara e tivesse um pau agora, ele ficaria duro por você. Porém, a persuasão realmente pareceu dar certo, ele parecia pensativo. Também, né amores? Ino é linda, capa de revista. Ela parece a própria Barbie. Embora fosse péssima em manter relacionamentos.

— Tenho certeza que tem alguma coisa que você quer... — ela inclinou a cabeça, piscando os longos cílios loiros continuamente, três vezes. Sorrindo, docemente.

Ele podia resolver nosso problema, ele era o gerente... mas ainda mantinha-se na defensiva, parecia ponderar. O cara era bonito, e a vadia realmente estava afim, eu via isso nos olhos dela. Era quase o mesmo desejo que os meus expressavam por Neji, quase.

Enquanto isso, Hinata observava a situação quieta. Não tinha acusação em seu olhar, na verdade, ela parecia curiosa.

— Claro. — ele sorriu, finalmente, com as mãos dadas em frente ao corpo ereto. Ela mostrou os dentes, satisfeita. — É só você me apresentar o seu amigo... — ai caralho.

O grito que a Yamanaka deu pôde ser ouvido em quarteirões.

.

.

Imagine. Imagine só, vamos fazer uma brincadeirinha... feche os olhos, mentalize aquele bando de garotas malvadas dos filmes que te atormentavam no ensino médio, que apesar de serem más, são amadas por tantos e invejadas pelos demais. Você não pode negar, elas são umas vadias desgraçadas... mas você as ama, sente tesão por elas, as comeria se tivesse um pênis pra isso. Você faria qualquer coisa pra andar com elas. Você queria ser uma delas. Meu pulso, pare de observar.

Meu pescoço, está à mostra. Aquelas que andam cheias de sacolas de compras, que tiram dias úteis pra fazer coisas fúteis, comprar o que não vão usar depois. Aquelas que andam e parece que o resto da cidade param pra olhá-las, até os outdoor ficam pequenos perto delas, porque elas são demais. Os carros buzinam e os ordinários filhos de papai baixam os vidros e os óculos escuros, comendo-as com os olhos, como se fossem realmente ter alguma chance. Elas são aquelas garotas importantes, das quais todos sabem um pouco a respeito. Mas elas são más, não esqueça disso... Elas tem aquele amigo gay que sempre está por dentro de tudo, o cara com um pênis que não usa pra dizer o que outros caras pensam. Porque ele é passivo.

Elas parecem ter o poder de destruir a sua vida, só brincando, como se fosse um jogo. Mas parecem nem saber da sua existência.

— Que sorrisinho bobo é esse!? — questiona-me Sai, ele ainda está um pouco descabelado por ter se atracado com o gerente no provador. A gente teve que arrancar ele de cima do cara, literalmente, depois de quase quarenta minutos. Que gay insaciável, parece eu. Risos. Faço grandes depósitos, o meu gloss está brilhando.

Olhei-o atravessado, espiando a mensagem em meu celular. Era o meu boy, meu. E ele dizia que chegaria tarde em casa, mas que eu devia estar lá esperando. Hmm... não vou dormir em casa hoje, mamãe.

— Vadias não se apaixonam, Tenten. — me alfinetou, sorri de canto, guardando o aparelho.

— Tarde demais... — respondi, debochada.

Eu o sentia boquiaberto, e queria rir.

Estamos na Madison Avenue, uma avenida paralela a 5th Avenue e uma das principais de Nova York que corta Manhattan. Movimentada e extensa, os veículos voavam na direção Norte. A única que ela seguia. E fazíamos o mesmo percurso, seguindo pela mesma direção, só que pelas calçadas.

Gostou do meu cabelo? Obrigada, acabei de comprar. Se aproximava do meio-dia, em breve teríamos que parar em algum canto e almoçar. Corríamos contra o tempo pras coisas mais urgentes, outras podiam esperar. Sai voltou pra perto de mim, e eu sabia que ele queria dizer algo:

— Eu adoro a sua ousadia. — sentindo seus olhos negros sob meu colo, me olhando como um lobo. Devasso. Assim ele quase parecia hétero. — Se eu não fosse gay te comia de todos os jeitos! — então...

— Ia fazer isso? — pisquei, olhando-o. Numa falsa meiguice que não camuflava minhas más intenções. — Mesmo vendo que eu estou usando isso? — toco meu novo apetrecho brilhante. Sorrio, lentamente. Ele me acompanha. Ele adorava inflar nosso ego, e eu o adorava por isso.

— Aí seríamos eu e ele comendo você. — diz, entredentes. Uau.

Dou um gritinho igual uma gata no cio, segurando meu colar. Eufórica. O apetrecho em questão era um chocker brilhante, com um acessório a mais pendurado nele. Um pingente de diamantes, com o nome de Neji. Neji, sim, isso mesmo. Uma coleira de brilhantes com o nome do meu dono. O ego dele subiria do inferno ao céu quando visse isso, eu já até podia imaginar ele querendo brincar com a cadelinha dele.

Hmm, controle-se... digo pra minha vadia interior, já fazendo minha boceta piscar só de imaginar aquele homem me comendo totalmente nua, só com a minha coleirinha brilhante. Suando com a gente.

Pelo menos não enferruja, penso. É joia.

— Os homens gostam disso? — Hinata pergunta, curiosa, interessada. Arqueei uma sobrancelha.

— Alguns, sim. — respondo.

— Todos! — Sai me interrompeu, camuflei minha expressão. Eu falo meu pelo homem, e ele adora.

— Acham que o Naruto ia gostar!? — confesso que fiquei surpresa com a pergunta, mas a forma que a Hyuuga nos observava agir desde cedo, eu sabia que ela estava interessada em algo.

— Descubra! — desafiou Ino, olhando as unhas bem feitas.

Um brilho estranho atravessou os olhos da Hyuuga. Suspirei.

— Hina... — chamei-a, atraindo sua atenção. — Isso é um caminho perigoso, tem que ter cuidado onde pisa. — alertei, eu mesma já havia sentindo o preço desse prazer. E ele podia custar muito caro.

— Sim, e tem as pessoas... nem todo mundo vê esse tipo de mulher com bons olhos... — Temari ajudou-me, completando. Eu meio que tinha a responsabilidade de alertar isso a ela, ninguém me alertou. Se tivessem me avisado do perigo, eu teria me jogado mesmo assim.

— Esse tipo de mulher?! — ela ponderou.

— Vadias. — sussurrei, alto o suficiente pra ela ouvir, seus olhos me alcançaram. — Ou o que chamam assim... isso pra mim é elogio. — dou de ombros.

— Mas os homens amam, não é!? — eu conhecia aquele brilho no olhar dela, aquela ânsia pelo desconhecido. Eu costumava ver muito isso no espelho. Poderia ser só curiosidade, mas era direito dela saber.

— Eles amam, Hina. Eles amam domar uma mulher poderosa. — respondi, mesmo que seja só entre quatro paredes. A sombra de um sorriso brincou nos lábios da Hyuuga, mas ela não sorriu. Eu reconhecia essa autoestima, essa autoconfiança. Esses tipos de mulheres, mulheres como eu, encontram a liberdade mesmo onde todos tentam acorrentá-las. Até acorrentadas, literalmente.

— Hinata, cuidado. — Temari falou outra vez, quebrando o contato visual que eu e a Hyuuga tínhamos, como se eu pudesse lhe passar com um olhar todos os meus pensamentos. Como se eu pudesse ensiná-la. — Você é o rosto de uma empresa, não se esqueça disso. — ela jogou os ombros, fazendo pouco caso, e eu adorei essa nova versão da doce Hyuuga.

— Que se dane! — esnobou, andando rapidamente.

Observamos a figura de cabelos azulados se afastar lentamente. Poderosíssima.

— Você é uma péssima influência pra ela, sabia? — ouço Sai, sem tirar meus olhos da minha pupila. Lentamente, meus olhos escurecem, sei que um sorriso sádico desenha meus lábios. Dou de ombros, é verdade mesmo. Eu vejo, eu gosto, eu quero, eu compro.

***

Olhos minguantes, eram as luas em seus olhos. Ferozes como leopardo vigiando sua presa. Sua respiração pesada e lenta, inaudível, mas visível. O peito subia e descia, inflando o tórax duro e relaxando depois. Um punho cerrado e o outro carregando um apetrecho tecnológico ligado. Ai, sua cara era tão sexy, seu maxilar tencionado... a boca fechada numa linha fina, e o queixo que dava ânsia de morder. Olhar pra esse puta homem era mesmo o néctar dos deuses depois de tanto cansaço, vindo pra mim. Hyuuga Neji era meu lubrificante natural, e eu já tava bem molhadinha, hmm.

— Eu vou querer saber o que significa isso? — sua voz cortante e fria quebrou meu conto de fadas, ou de putas, jogando uma pedra no espelho, e jogou o tablet no sofá. Pisquei, perplexa, observando a tela do aparelho... ah caralho. Paparazzis filhos da puta.

Lentamente, levanto meus olhos pra ele, e o vejo de braços cruzados aguardando minha resposta. Nos encaramos por alguns instantes, tento estudá-lo, eu sei que era muito boa em persuadi-lo. Você tem o diabo em seus olhos. Em lê-lo.

— Não... — respondo, simplesmente, aguardando sua reação. Baixo os olhos outra vez, observando a minha imagem na tela do aparelho sob o capô traseiro do carro da Hyuuga, atiçando o imbecil do carro de trás. “Depois do empresário multimilionário Hyuuga, a jornalista Mitsashi se mostra insaciável ao seduzir um motorista a luz do dia em plena 5th Avenue.” dizia o título da matéria tendenciosa. Curioso observar a publicação da rival da NY:News! Tsc, bando de ratos de esgoto... respiro fundo. — Era só brincadeira... — não o olho dessa vez, por enquanto. Eu poderia dizer: “Neji, não acredite em tudo que vê numa notícia, eles distorcem as coisas.” nunca tive a intenção de traí-lo, é verdade. Só que Neji tinha que confiar em mim, como eu confiei nele. Então ergo meus olhos, aguardando sua premissa, e o vejo na mesma pose de antes, olhando pra mim, como se pudesse me entender. Sorrio, piscando meus longos cílios.

Quando ele se vira, eu me levanto, sua respiração se torna pesada e curta, ele praticamente bufava. Se não confiar em mim, Neji, então estamos fazendo isso errado... sussurro, em suas costas. Abraço-me a pele quente do homem, sentindo o calor na minha tez. Eu lhe dava tempo pra pensar, ao mesmo tempo que o tentava persuadi-lo. Um sorriso sádico se forma em meus lábios, ouvindo o som de seu coração acelerado pela adrenalina. Sim, somos de ouro, amor, somos de ouro. Beijo seus músculos, eles estão tensos. Ele se vira pra mim e eu, bem, eu observo-o quieta, como uma cachorrinha que sabe que aprontou com seu dono. No entanto, espero que os meus olhinhos possam convencê-lo. Teria tanta obediência neles... devoção. Sorrio.

A gente era errado do início ao fim, e a gente sempre seria.

Nosso relacionamento tinha raízes sombrias e frutos podres, ele começou em um prostíbulo e terminou na morte de alguém. Não importa o quanto nos apaixonemos, seríamos sempre assim. E eu tinha pena de quem tentasse separar a gente, porque descobriria um lado meu que o faria implorar para estar no inferno, ao invés de perto de mim. Tinha algo crescendo dentro de mim, algo que eu não podia controlar. Não quando se tratava dele.

Ele olhava pra mim, e eu sabia que seus olhos diziam: “...você está se tornando sombria, Tenten.” sorrio, dando de ombros.

— Tá me castigando? — indaga-me, vejo seu cenho se franzir. Ele me põe sob a mesa, e meus dedos dedilham sua nuca, observando-o. Nego. Eles estão prestes a nos ver brilhar, pois somos de ouro. Sinto o prazer do seu toque em minha coxa, fechando os olhos. Hmm. Nego. — O que é isso aqui? — ele repara em meu colo, olhando e tocando com curiosidade o chocker brilhante. Comprimo o sorriso, ansiosa por sua reação. — Andou Nova York hoje com isso? — indaga-me, com uma sobrancelha arqueada. Assinto.

— Alguém tinha que me mandar de volta pro meu dono caso eu me perdesse. — agora são os seus, os seus olhos se tornam sombrios, líquidos, inflamáveis. Eu conhecia bem aquela expressão, aquela dominância. Os olhos brancos que me queimavam como brasa, e agora sou eu quem devia ter medo deles, mas eu não tinha. Eu me entregava toda pra eles, toda. Eu não era diferente de Neji, na verdade, a gente era completamente compatível. Como dois fodidos negativos que se atraem, destruindo as leis da física.

Ah sim, eles não poderão nos destruir, pois somos de ouro.

.

.

— Recebi uma ligação do Naruto hoje. — ah droga! ele se vira lentamente pra mim, de braços cruzados. — Não quero que se meta nisso, Tenten! — arqueio uma sobrancelha. Maldito Uzumaki! — Isso é entre Tamaki e eu. — espera, eu ouvi direito?

— Espera, eu ouvi direito!? — levantando-me, até ficar de frente a ele, olhando no fundo de seus olhos. Olha bem pra mim, filho da puta... como se houvesse algo entre eles... que nojo. — Não há nada entre vocês, e eu estou nisso, queira você ou não!

— Não precisa se meter nisso... — demonstrava nervosismo.

— Já estou nisso! — grito, cuspindo as palavras. — Ela quer o que é meu! — vejo o seu olhar vacilar, minhas palavras o atingindo em cheio.

— Tenten... — seu tom agora é manso, dócil. Por favor, diziam seus olhos.

— Eu vou fazer o que for preciso, Neji, e é melhor você não tentar me impedir... eu não tentaria me impedir.

— Eu só não quero que se machuque! — exclama e eu paro, o olho por sob o ombro, estava ainda mais aflito que antes, desesperado, por mim.

Lentamente, meneio em negativa, e saio.

Era incrível, incrível como esse idiota conseguia me excitar ou me irritar numa fração de segundos. Bato a porta com força, pra ele pelo menos sentir um pouco da intensidade do quão estou furiosa. Sento no colchão, em posição fetal, levo as mãos à cabeça, escondendo-a entre as pernas. Agora mais do que nunca, eu precisava de uma solução. E a teria.

É, Tamaki, eu teria. Mesmo que isso custasse a vida de uma de nós duas. Éramos eu e você, e eu nunca fui boa perdedora.

***

Você continua sonhando e tramando algo obscuro. Bato a porta do carro. Os faróis piscam quando eu travo, com apenas o aparelho celular nas mãos, atravesso a rua movimentada. A Hyuuga Enterprises, Inc é ainda maior de perto. E voltar aqui me trazia doces lembranças. Como a expressão apavorada de Neji ao me ver aqui no dia seguinte a nossa foda, ou a decepção em seus olhos quando agi como nunca o tivesse visto antes. Indiferente. Ah sim, aquilo o perturbou. Sim, você continua.

Você é venenosa, e eu sei que isso é a verdade. Com a total dominância dos meus saltos, subo o lance de degraus de mármore sem esforço, com glamuor. Você é mesmo uma mulher poderosa, Mitsashi... penso comigo. Observando-me mais uma vez chamar atenção. Talvez as pessoas aqui me conheçam, e isso fica ainda mais evidente quando uma pequena secretária me olha torto quando passo. Uma pena pra ela, Neji nunca irá querer outra mulher além de mim, e eu não preciso nem fazer esforço. Todos os meus amigos acham que você é falsa.

E eles dizem que você é suspeita. Como um ímã, meus olhos são atraídos para o elevador que acabava de se abrir, posso sentir seu cheiro e a sua presença a quilômetros como se meu cérebro fosse projetado pra isso. Observo com desejo, e orgulho, a figura do homem de músculos. Porque ele é meu. Nossos corpos se encontram mantendo uma distância segura quando viramos juntos em uma direção, lado a lado. Ele tem seus olhos em mim, talvez esteja farejando o meu decote ou simplesmente algo que entregasse o motivo de eu ter ligado. Desviei minha atenção. Eu adoro a forma como esse homem olha pra mim, ele me devora, como se nunca estivesse satisfeito o suficiente.

Lado a lado, ele observa o movimento dos meus cabelos soltos dançarem a cada passo que eu dou com o meu novo Louboutin de sola vermelha, ele tinha ciúmes de mim, da forma que eu me vestia, e agia. Ao mesmo tempo que queria esfregar isso na cara de todo mundo, porque eu sou dele, meu chocker diz isso. Era completamente doentio a forma que ele me desejava, que a gente se amava. Era fora do politicamente correto, e era por isso que eu amava. A gente se comia como dois animais famintos, e fim, você continua sonhando e tramando algo obscuro.

Yeah, você continua.

Talvez Neji esperasse o pior de mim, por isso ele continuava agindo como se eu não tivesse que me envolver, talvez não. Talvez seus olhos agora estivessem me implorando uma saída, pra sair dali, mas eu não estava mais vendo-os. A verdade é que ele sabia que estava afundado até o pescoço nessa areia movediça, e ela continuava puxando ele pra baixo.

Caminhamos juntos até a imensa porta de madeira, a empresa tinha várias salas de reuniões para vários setores diferentes, Hinata já havia me falado sobre isso, mas aquela em questão eles não costumavam usar.

Eu sinto como se estivesse me afogando. Eu podia sentir a tensão de Neji daqui, era como vibrações intensas vindas na minha direção. Era difícil não vê-lo apreensivo, como se eu tirasse a sua paz. Cogitei segurar sua mão, senti-la fria e suada, mas talvez ele entendesse o meu ato como rebeldia, provocação às raparigas. Minha expressão ainda era vazia. Então só caminhei. Ele iria ter que aceitar isso, querendo ou não. Tudo bem, eu confesso, no fundo eu queria sim ostentar o meu prêmio de ouro. Intoxicar um pouco, mostrar propriedade, que era meu. Só meu.

Um metro e oitenta e cinco de pura testosterona, músculos e um enorme pau veiudo, só meu.

— Tenten, o que houve, por que ligou pra gente?

Naruto questiona-me, assim que entramos na sala, ele estava andando de um lado pro outro, nervoso, mas eu não desvio os olhos do meu homem, ele é tão lindo... até nervoso e preocupado assim, sem tirar os olhos de mim. Você está me puxando pra baixo.

Me puxando pra baixo.

— Foi a Tamaki, ela fez alguma coisa com você? — franzo o cenho, olhando pro loiro. Ela fez alguma coisa comigo? Tsc, ela tem que tomar cuidado pra eu não fazer nada com ela. Pisco os cílios, sem mudar minha expressão, eu ainda sentia o pavor dos olhos do Hyuuga sobre mim.

— Tenten... por favor, eu estava no meio de uma reunião importante. — ele tenta me convencer, seu tom é ainda mais manso que o de ontem.

Ele não tira os olhos de mim, como se houvessem enigmas espalhados por todo o meu corpo e ele estivesse tentando desvendar eles. Fico um pouco mais séria, só um pouco, dou de ombros.

— Ora, eu vim cumprir minha parte do acordo, vim trazer a solução... — meus olhos passam de um para o outro, e a ideia me instiga, volto a observar Neji. Ah, meu amor, você não vai gostar nada disso... sorrio, e vejo sua expressão mudar, seus lábios tremem, seu olhar vacila, poderia vê-lo suar, como se um frio de pavor subisse a sua espinha... diante da minha reação, olhando no fundo dos seus lindos olhos.

Você está me matando lentamente, tão lentamente, oh não.

Notas finais
*Músicas do capítulo: Ariana Grande: Thank U, Next; 7 rings; Two feet: I feel like i'm drowing; Hippie Sabotage: Devil eyes; Como autora eu recomendo, não façam isso em casa. No mundo das fanfics tudo dá certo. Só mais pra frente a gente vai entender melhor o que está se passando na cabeça da Tenten, não é como se ela fosse virar uma assassina em série, gente, calma. É só um suspense pra fic, como eu já disse, eu sei como vai acabar!!! Acho bem justo dizer pra vocês que sim, estamos partilhando das últimas cenas/capítulos da fic. Então, antes disso acontecer, o que vocês pensam ou acham que vai acontecer? kkkkk eu adoro ler os comentários de vocês, me inspira bastante. Enfim, espero conseguir voltar na mesma frequência que tenho aparecido. Até :*