O preço do amor.
2 Palavras.
Não sei o porquê, simplesmente subi na moto. Queria provar para ele que ele não havia e nem teria nenhum efeito sobre min, então respondi, ainda frustrada e tentei ser o máximo convencível.
— Vou. E repito: Não tenho medo de motos, nem de você.
Ele riu.
— Sua irmã daria tudo para subir na minha moto.
— Eu não sou a minha irmã. — ele sorriu ao ouvir isso.
Vi a Dani na moto com o menino, que agora acelerava e ficamos para trás. Nós dois ali, sozinhos, agora. Ele acelerou a moto e seguirei rapidamente em sua cintura, o apertando.
— E você ainda diz que não tem medo de motos.
— Eu não tenho. — respondi, frustrada. E pensei no que eu mais tinha medo: Seria dele, ou de estar na moto com ele? Eu realmente não sabia. A presença dele me deixava nervosa. O fato de estarmos tão perto me deixava nervosa. Ele não respondeu. Seguiu a outra moto com a Dani e depois de trinta minutos, chegamos em casa. O carro de papai nem o de mamãe estavam na garagem.
— Acho que mereço um abraço agora que somos amigos.
— Que amigos? — debochei e ele me olhou sério. — Anw, tadinho dele.
Ele continuou sério.
— Ah, está bem, obrigado.
Ele finalmente sorriu.
— Obrigado não é bem o que eu queria... — ele mordeu os lábios.
— Sai daqui, seu tarado. — Ri dele.
— Qual é, Babizinha. Vamos comigo no Racha hoje? A Dani e a sua amiga vão.
— A Dani não vai. Ela pensa que vai.
Ele riu.
— E aliás, como sabe meu nome, Sr. Hugo? — imitei a Dani. Ele entendeu.
— Sua amiga me disse. — ele disse e em seguida, acendeu um cigarro.
— Quer dizer então que o Sr. Sou completamente correto sempre, perguntou de min? — Ri após ver que ele havia ficado completamente sem reação.
Ele ficou calado. Tragou o cigarro de novo e disse:
— Você sabe mesmo como deixar uma pessoa sem palavras. — resmungou.
— A Dani sempre diz isso. — debochei dele.
— Você vai ou não? — perguntou, direto.
— Não.
— Porque?
— Porque além de me jogar na piscina e bater no meu namorado, você é um insuportável.
Ele riu.
— Você não tem um namorado. — Foi ele quem debochou de min, dessa vez.
— Mais eu tinha. Maldita Dani. — resmunguei e tomei o cigarro da mão dele e traguei. Ele me olhou.
— Não sabia que você fumava.
— Dani não te contou? — sorri.
— Sabe, milhares de garotas adorariam estar no seu lugar, então simplesmente aceite, certo? O meu amigo ali vem pegar a sua irmã — ele apontou — E tenho certeza que não a deixará ir, e se deixar, não a deixará sozinha.
— Idiota.
— Não fique irritada, amor. — ele foi irônico.
— Vai pro inferno. — Disse enquanto puxava a Daniella e entrava dentro de casa. A última coisa que eu vi antes de entrar foi o sorriso dele.
— Você só vai se a Babi for. — Minha mãe disse, enquanto comíamos, no jantar.
— Qual é, mãe. A Natália vai. Eu volto ás 11.
— Não vou repetir, Daniella.
Dani suspirou.
— Por favor, Babi! Eu imploro! Por favor, uma vez na vida, faça algo por min. — Ela estava chorando. Que droga! Agora quem estava sem reação era eu.
— Dani... — engoli em seco.
— Por favor! — Ela implorou. Meu pai me olhou, sorrindo de lado. Como se pedisse para que eu fosse. Me levantei.
— Está bem. Mais voltaremos quando eu quiser. E você não irá correr com aqueles idiotas, só olhará, certo? — resmunguei.
Ela pulou em cima de min.
— Ah! Eu amo você. Vou ligar pra Natália — ela saiu correndo e foi para o seu quarto. Suspirei e terminei de comer. Meus pais conversaram o jantar inteiro.
Depois de alguns minutos, finalmente fui me arrumar. Coloquei um short jeans e uma blusinha de crochê. Coloquei uma bota, deixei meu cabelo solto e coloquei meu cabelo de lado. Passei uma maquiagem neutra e fui até a sala. Dani estava na sala, no telefone. Ela estava com uma saia curta listrada e uma blusa transparente preta.
— Essa saia não é minha? — perguntei, irritada.
— É. Eu peguei emprestada.
— Ah... Tanto faz.
— Calma, acabei de ligar pra Natália. Ela vai encontrar com a gente lá. Ela está com um amigo.
— Amigo? Deve ser o amigo do cara que me jogou na piscina. Deve estar ocupada... — comentei. Fomos até a porta, onde o mesmo garoto que havia trazido a Dani antes estava. Ela subiu na moto e me deu tchau. Comecei a ficar irritada com toda aquela demora do Hugo. Eu odiava atrasos. Alguns minutos depois, ele chegou.
— Que demora. — resmunguei, enquanto subia na moto.
— Vê se não me aperta viu, feia.
— Que calunia. E feia é a suas ne... — Ele me interrompeu.
— Caso não se importe, estamos atrasados.
— Dane-se, eu nem queria ir mesmo.
— Ah é?
— Eu nunca deixaria a Dani ir sozinha, lembra? — debochei.
Assim que chegamos lá, vi garotas quase sem roupa, homens empinando motos, acelerando carros, alguns fumando, se drogando. Fiquei horrorizada com aquela cena. E mais horrorizada ainda com a Natália, que estava do lado de um qualquer. Acho que o Hugo percebeu, pois me ajudou a sair da moto quando desci. Não entendi o porquê, mais várias garotas começaram a me olhar, me encarando. Fiquei frustrada. A Dani correu até a min.
— Aqui é tão legal né? — ela perguntou pra min.
— Com essas daí me encarando? — falei alto. A Natália me beliscou. — Ai! Estou adorando. Melhor lugar do mundo. — ironizei. O garoto que estava do lado dela riu. Os homens nas motos começaram a chamar garotas para correrem com eles.
— Vamos comigo? — o Hugo perguntou.
— Prefiro morrer.
— Quando perder o medo, vai querer vim. — debochou. Em alguns segundos que eu abri a minha boca para xinga-lo, ele pegou meu lenço. O vi ir até uma fila, onde vários meninos se arrumavam, com garotas na garupa da moto. Um garoto chegou até a min e me perguntou:
— E aí gata, quer ir comigo?
Vi o Hugo me encarando, com o lenço enrolado na minha mão. Respondi, alto, para que ele ouvisse:
— Claro.
Vi que ele também estava com uma garota na garupa da sua moto e tenho de admitir, senti uma pontada de ciúmes. Quando subi na moto, era como se uma série de sentimentos vindo um atrás do outro, de repente tornassem mais vivos dentro de min. Paixão, infelicidade... Vi a Dani gritar e a ignorei. Dessa vez, não me seguirei forte em ninguém. Não senti medo. Era como se o meu mundo dependesse daquilo e se aquilo o machucasse, eu o continuaria fazendo. O rapaz na qual eu nem sabia o nome acelerou e eu gritei. Olhei para atrás e vi o Hugo chegar do lado da minha moto. Ele beijou o lenço. Tive vontade de xinga-lo, porque estava irritada com ele e o mundo. Em vez disso, fiquei em silêncio. Algumas pessoas que estavam de moto atrás de nós caíram e eu vi sangue no chão.
— Para! — eu gritava. Comecei a ouvir sirenes da polícia atrás de min e me desesperei. Não vi a Dani nem a Natália. Corri até a moça machucada no chão. O homem estava parado ali e sua pele estava em um tom de roxo. Ele estava morto. Quase caí no chão e aí o Hugo apareceu do meu lado, enquanto as lágrimas se acumularam no meu rosto.
— Vem cá. — Ele disse, carinhoso.
— Ele está morto...
— Eu sei. Sobe aqui, rápido.
Fui até ele e subi na moto. A polícia estava atrás de nós e o Hugo nem sequer se preocupou com a placa da moto. Coloquei minha mão por cima da placa, enquanto os flashes de câmeras vieram rapidamente na minha cara. Me virei. Paramos em um lugar e o Hugo me disse para eu me esconder, pois toda hora, eu gritava. Subi o muro de uma antiga fábrica e cai na lama. Meia hora depois, ele voltou.
— Nossa, como você está suja! — ele resmungou.
— Culpa sua.
— Você se joga na lama e a culpa é minha, feia? — ele riu.
— Idiota. — fui até ele para subir na moto e ele me interrompeu.
— Você não vai subir na minha moto suja de lama.
Eu o olhei, chocada.
— Se você tirar essa roupa suja, eu te dou a minha jaqueta — sugeriu. Eu não tenho outra escolha, pensei.
— Está bem, mais vire-se para lá.
— Que convencida. Não tenho nenhum interesse em olhar para você. — ironizou. Tirei o short e depois a blusa de crochê. As deixei ali mesmo. Peguei a jaqueta que ele havia me dado e em seguida fui até ele. Ele estava olhando pelo espelho. Subi na moto e comecei a bater nele.
— Seu idiota, asqueroso!
Ele riu e fez um sinal para que eu fizesse silêncio. Ouvimos sirenes da polícia de novo e ele acelerou a moto. Dessa vez, segurei devagar em sua cintura. Naquele momento, percebi que confiava nele. Encostei minha cabeça nas costas dele e percebi ele sorrindo de lado.
Demoramos um pouco para chegar na minha casa. Estava tudo apagado e dei glórias a deus por isso. Eu só estava de roupa intima e com uma jaqueta por cima. Imagina se papai e mamãe me vissem assim? E a Dani, o que ela iria pensar? Sorri. Até que essa fofoca não seria tão ruim assim, pensei. Ri e quando chegamos em casa, sai da moto.
— Quer a sua jaqueta de volta? — perguntei.
— Não, depois eu pego. Ela fica bem em você. — Sorri após ouvir aquilo. Em seguida, ele recebeu um telefonema. Eu o ouvi dizer:
— O que ele fez agora? Se separa logo. Tô cansado disso. Como assim a Raquel tá ai? Mas é importante... Tá bom, já tô indo.
Sorri após ele ter dito que era algo importante. Talvez, aquele ‘’importante’’ fosse eu.
— Eu tenho que ir, feia. — ele disse, enquanto guardava o celular.
— Ah, claro. — respondi, tentando esconder o quanto estava magoada. Andei até o portão, para entrar dentro de casa.
— Ei... — Ele me puxou rapidamente até ele. Colocou a mão na minha cintura e sua outra mão na minha nuca. Naquele momento, pensei que ele fosse me beijar. E eu deixaria que ele fizesse. Em vez disso, ele disse: — Babi, Babi... Eu sou um idiota, asqueroso, mais você ia me deixar beijar você, não é? Você é uma incoerente. — ele me soltou.
— Idiota. — dei um tapa na cara dele.
— Já disse que você fica sexy quando está irritada? — provocou.
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