Notas iniciais
Olá flores. Voltando depois de algum tempo. Estou tentando produzir mais capítulos das fics para evitar estes atrasos. Tá mais difícil do que pensei mas vamos lá, sigo tentando. Por aqui, Cait e Tommy indo as compras, passando momentos divertidos com os amigos e tendo de dar explicações aos pais dele. Grata por todas as rewiews passadas....Aguardo mais rewiews, please!.... Boa leitura....Bjinhos flores

“Por amor;

Eu faço mil loucuras se você quiser;

Me sirvo de bandeja pra você mulher;

Só pra te ver feliz e mais apaixonada;

Por esse amor;

Entrego minha vida toda em tuas mãos;

Abro todas as portas do meu coração;

Enfrento um vendaval;

Topo qualquer parada, oh, oh, oh...”

Carta Branca

Ara Ketu

Rua principal de Starling (sábado, 2/10 – 8:12 a.m)

Thomas

Não consigo esconder o sorriso bobo e feliz que parece ter-se grudado a minha face tamanha alegria que sentia enquanto caminho, orgulhoso, pela rua principal da cidade tendo Cait a meu lado.

Já o fizéramos algumas vezes, aos domingos para a missa em sua maioria, mas antes não erámos de fato o que hoje somos: marido e mulher! E embora soubesse que as pessoas não tinham conhecimento deste fato, nós o sabíamos, logo, nos sentíamos (posso falar por ela também) bem mais seguros e a vontade mesmo ante os olhares que sempre nos eram dirigidos.

Hoje, tendo-a caminhando a meu lado, ereta e elegante, cabeça erguida, sei o quanto esta mentira, por mais justificada que tenha sido, a estava afetando. Bem mais que eu até.

Certo que alguns ainda nos olhavam de maneira pouco amistosa e outros continuavam apontar-nos, recriminando-nos, decerto, pelo que supunham termos feito. Mas isto era algo a sabermos, de antemão, não mudaria tão cedo. As pessoas da cidade (algumas, não todas) eram extremamente fingidas e preconceituosas. A sua frente ou quando julgavam poderia ser-lhes útil, o tratavam com o maior respeito, mas por detrás, criticavam e teciam todo o tipo má comentário. Havia descoberto isto da pior maneira possível. Ambos havíamos, sendo justo.

—Thomas, senhora Caitlin, bons dias! – Eddie cumprimenta ao passarmos defronte a delegacia e estancamos, ele descendo os poucos degraus, vindo a nosso encontro – Souberam das invasões de ontem a noite? – pergunta, apoiando os polegares ao cinto, a colt em sua cintura pendendo para trás.

—Invasões? Então mais casas foram visitadas, por assim dizer, na madrugada? – questiono, trazendo Cait para minha frente a fim de evitar ser atingida, mesmo que de leve, ou assustar-se com os animais que conduziam a carroça que aproximava-se de onde estávamos.

—Sim – confirma meu amigo – Diversas residências e alguns comércios tiveram seu terreno invadido, inclusive os digníssimos senhores Chase e Wilson – relata, indicando o armazém onde sirvo e a recém-inaugurada loja de armas, fazendo a mim e Cait voltar-nos naquela direção – Querem ouvir algo curioso? – pergunta e nos voltamos para ele outra vez – Nada de valor foi roubado nem residências foram invadidas. Apenas comida e roupas que estavam em local de fácil acesso ou haviam sido esquecidas do lado de fora foram levados – conta.

—Talvez tal fato dever-se-á os invasor serem de baixa estatura. Ao menos o que quase flagramos em casa. Precisa ver o espaço ínfimo pelo qual escapou a mim e meu pai! – comento, causando-lhe surpresa.

—Hum, este fato não tinha conhecimento. Poucos viram sequer a sombra de quem adentrou seus terrenos – comenta, coçando o queixo.

—Chegamos cogitar serem nossos filhotes a estarem nos fazendo uma visita surpresa – Cait comenta, acenando discretamente a minha cunhada, Olivia, que passava ao longe, ela respondendo com igual discrição – Por falar nisso, como eles estão, senhor Thawne? Estou saudosa, admito! – quer saber, Eddie sorrindo com o canto da boca.

—Estão bem, tranquilize-se senhora Caitlin – responde – E admito também ter cogitado serem eles, mas descartei por saber que se estivessem por perto, Killi ou Cisco dariam um jeito avisar-me. Além do que, estão se dando muito bem na tribo, especialmente com as crianças – conta e a vejo entristecer.

—Irão esquecer-nos em breve – lamenta, suspirando.

—Não irão meu amor. Ao menos não tão cedo – consolo-a, pedindo apoio silencioso a meu amigo, que de pronto atende-me.

—Decerto que não! Pelo pouco que pude perceber, aqueles três os escolheram como família e lobos são fiéis a família – afirma com tanta propriedade que mesmo eu dou crédito a suas palavras.

A verdade é que sabia ser uma questão de tempo os filhotes nos esquecerem. Na medida em que cresciam, decerto seria isto que aconteceria.

—Grata pelas palavras gentis senhor Thawne, mas sei bem que isto irá acontecer mais cedo ou mais tarde – ouço-a dizer, dando voz meu pensamento.

—Permita-me discordar, em parte, senhora, mas chegamos a conclusão, Killie e eu, que estes filhotes jamais tiveram contato com a vida selvagem. De alguma forma alguém conseguiu aprisionar, muito provavelmente a mãe ainda prenhe. Nasceram e viveram em cativeiro, com humanos, até os encontrarem. Como foram parar ali é a grande questão – pondera.

—E quanto a toca abandonada que descobri? – questiono-o.

—Encontrou algum indício da presença deles no local? Ou os restos da loba mãe dos filhotes? – pergunta e nego

—Não, nenhum – digo.

—Então não há como ter certeza se os filhotes nasceram ali. Tão novos como eram quando os encontraram, dificilmente sobreviveriam muito tempo sem a mãe e caçadores não deixariam presas fáceis e valiosas para trás – acresce, sério.

—Melhor, pois os amamos – afirmo, sorridente – Inclusive, quero marcar com você uma ocasião propicia a irmos visitá-los – aviso, um sorriso radiante surgindo no rosto de minha amada esposa.

—Veremos isto tão logo seja possível – anui meu amigo, sorrindo-nos, voltando-se ao escutar Jerome chamá-lo –Devo voltar as minhas obrigações agora. Tenham um bom dia – deseja, tocando a aba de seu chapéu.

—Bom dia Eddie – retribuo, tocando seu ombro, seguindo caminho com minha esposa enquanto ele retorna a delegacia.

Seguimos pela rua conversando baixinho sobre os filhotes, estancando um segundo para dar passagem outra carroça carregada de feno passar saindo de uma ruela, o jovem condutor nos cumprimentando sorridente, prosseguindo.

Ao passar em frente o armazém, noto o movimento e enrugo o cenho, relaxando ao entender tratar-se do desratizado fazendo seu trabalho sob a supervisão de Adrian Chase.

—O rato mor combatendo os parentes! – não resisto a pequena e (reconheço) maldosa piada, Cait escondendo o riso com uma mão.

Ao chegarmos a marcenaria, a primeira coisa que notamos é a grande movimentação. Pessoas entravam e saiam, umas observando apenas, outras já carregando, ou fazendo seus empregados carregarem, algum objeto de menor peso que adquiriram rumo a seus lares.

—Parece que toda cidade soube do evento – Cait comenta, mordendo o lábio, observando o local – Talvez devamos voltar em outro momento, menos tumultuado – pondera.

—Se voltarmos depois, podemos não encontrar o que queremos a um bom preço, meu amor– argumento, olhando-a, notando a tensão em suas feições – Não há o que ou quem temer. Estou contigo – aperto sua mão para transmitir-lhe confiança, conseguindo um sorriso pequeno – Venha, vejamos se algo nos agrada – convido, conduzindo-a por entre os diversos móveis expostos no interior do amplo galpão.

—Bons dias. Em que posso ser útil ao jovem casal? – um rapaz pouco mais velho que eu, vem a nosso encontro usando avental por sobre a roupa de trabalho – Interessados em algo particular? Móveis para a casa nova?– quer saber, olhando-nos atentamente, mas antes que respondamos, nossa atenção é desviada.

—Caitlin? – voltarmos-nos em direção o chamado, deparando-nos com Oliver, Felicity e uma cena no mínimo inusitada: Stephen Crumble apoiado a uma cristaleira parecendo dormir enquanto Thea, Sara e Raymond divertiam-se a fazer-lhe cócegas no nariz e ouvido utilizando penas – Bons dias. Como está? – pergunta a esposa de meu amigo vindo abraçá-la– Senhor Thomas – acena brevemente a mim e retribuo.

—Senhora Felicity, bons dias – respondo, espremendo os lábios num riso contido ao escutar a observação feita por Thea.

—Senhor para cá, senhora para lá.... Afffs! Podíamos eliminar as formalidades quando entre nós, afinal somos amigos – argumenta, sobressaltando-se ao escutar a voz de Crumble.

—Concordo com a proposta, senhorita Queen, muito embora nem todos possam considerar-me amigo – presume, bocejando antes de abrir os olhos – Bons dias senhor Thomas, senhora Caitlin – cumprimenta-nos, deixando outro bocejo escapar e arqueio a sobrancelha.

—Nosso mais novo Amigo – Ollie frisa, dirigindo-lhe um olhar rápido — Passou boa parte da madrugada acordado devido o visitante inoportuno – revela, sorrindo discretamente.

—Vossa casa também foi invadida? – questiono.

—Uhum. Duas vezes. A casa em si, não. O terreno apenas – conta, afastando a pena com a qual Ray cutuva-lhe o ouvido com a mão – Estranho que nada de valor foi roubado. Apenas comida. Mantimentos mais precisamente – revela, olhando torto para Ray e Sara, que limitam-se sorrir.

—Em nossa casa também nada de valor foi levado. Apenas roupas do Davi e poucas nossas – Cait comenta.

—Soube que em outra residência apenas roupas de meninas foram levadas – Sara comenta, aguardando Crumble fechar os olhos para incomodá-lo novamente.

—Que espécie de ladrão é este? – Raymond indaga, ajudando-a, Crumble fingindo não se incomodar, permanecendo de olhos fechados, apoiado sobre o móvel.

—Talvez não sejam ladrões, mas sim alguém necessitado de roupas e não tem como pagar, por esta razão rouba– Felicity sugere.

—É uma hipótese sweet, mas ainda assim seria preferível tentar encontrar ajudar a arriscar-se tomar um tiro – Ollie argumenta.

—De acordo – anuo – Monsenhor decerto estaria disposto ajudar quem quer que fosse buscar por ajuda junto a ele– pondero, o limpar de garganta do atendente me fazendo dar-lhe atenção– Ah, sim, perdoe-me a distração – peço, sem graça– Estamos a procurar uma cama de casal. A nossa quebrou – digo, sentindo leve pressão em meu antebraço e olho minha esposa, seu rosto corado tornando-me ciente da garfe que acabara de cometer– Cupins! – apresso-me dizer, voltando-me para nossos amigos, que agora olhavam-nos atentamente. Todos. Até mesmo Crumble parecia mais desperto – Muitos cupins. Infestação. Tomaram o móvel antigo e o destruíram. Pertenceu a meus avós e não suportou a nosso peso sobre ela enquanto ....

—Thomas!!!! – Cait corta-me, ainda mais vermelha, Sara e Thea disfarçando (muito mal, diga-se) o riso olhando em outras direções enquanto Crumble, Ray, Ollie, Felicity e até o atendente permaneciam estáticos, encarando-nos.

—Estava muito corroída e não suportou nosso peso mais o peso do colchão e....eh...quais modelos dispõem para pronta entrega? – questiono o atendente, tentando pôr fim a situação embaraçosa a qual eu mesmo expusera-nos sem querer.

—Tenho três lindos modelos deste lado. Só levar e montar. Acompanhem-me – convida, pondo-se de lado, indicado a direção a seguir.

—Ok – digo, dirigindo meu olhar a nossos amigos outra vez – Nos deem licença vamos .... – peço, sem graça, Ollie e Crumble inclinando levemente a cabeça em consentimento.

—Thomas, francamente! Como pôde expor-nos desta maneira? – Cait ralha baixinho tão logo nos afastamos, apertando meu braço mais forte – Com que cara irei olhá-los doravante? – inquere, envergonhada.

—Perdão minha vida. Escapou-me antes que pudesse controlar – peço, beijando-lhe a mão – Logo esquecerão – minimizo a fim de tranquilizá-la muito embora temesse isto não ocorrer tão facilmente afinal Thea, Sara e Ray estavam presentes!

—Estes são os modelos que dispomos – o homem chama nossa atenção – Como podem verificar, todas em madeira de lei e trabalhadas – explica, mostrando-nos partes expostas.

—A montagem, como é? – quero saber, Cait e eu deslizando nossas mãos nos detalhes entalhados nas cabeceiras.

—Nada complicado – garante – E todas dispõem de armação para cortinado. Quando a época de os mosquitos chegarem estarão protegidos – acresce.

—E o preço? – quero saber, me adiantando antes que respondesse – Adianto-lhe que não disponho de muito comigo, mas, se for o caso, meu pai completara – aviso.

—Sem problemas, senhor Thomas – garante o rapaz, sorridente – Parece-me que vossa esposa agradou-se deste modelo – comenta, me fazendo voltar-me para Cait.

—Sim. É simples e bela sem deixar de ser clássica e elegante – enumera, dedilhando a armação encostada na parede – Amei estes detalhes – confessa -Podemos levar esta meu, marido? – pergunta.

—Se é de seu agrado – condiciono, ela acenando afirmativamente – Então será esta. Quanto custa? – pergunto, retirando o dinheiro de meu bolso.

—Setecentos e noventa dólares – responde e paraliso um segundo. Era praticamente o dobro do valor que trazia comigo. Na verdade, tinha pouco mais da metade. O problema é que não queria pedir tanto dinheiro assim a meu mesmo sabendo que dispunha – E mais cinquenta dólares pela entrega e montagem – acresce.

—Certo – anuo, contando as cédulas a fim de conferir – Tenho trezentos e noventa e nove dólares comigo. O restante....

—Completarei o que falta – ouço dizer e me volto, Ollie não me dando chance contestar – E nem pense em recusar. É meu, digo, nosso, meu e de Felicity, presente de casamento aos dois. Estou em dívida como padrinho – lembra, tocando meu ombro – A taxa de entrega e montagem também é por minha conta– acresce, já sacando o dinheiro de seu bolso.

—Certo. Irei pedir um dos empregados que amarre e entregue agora mesmo. Residência Merlin correto? – prontifica-se o rapaz, saindo apressado para os fundos da loja após eu ter confirmado.

—Grato meu amigo – agradeço, um pouco sem graça, admito.

—De nada meu amigo – diz – Planejam fazer algo depois daqui? – pergunta, não me esperando responder – Felicity deseja caminhar a beira mar...

—Quero caminhar – sua esposa intervém, parando a seu lado – Não chega ser um desejo. Apenas quero sair de casa um pouco. Respirar ar, sabe – justifica-se sorrindo minimamente – Ficar todo o tempo em casa, bordando ou dormindo é...cansativo – diz, suspirando.

—Sei como é – Cait corrobora, espremendo os lábios num riso discreto – As vezes sinto falta das atividades no convento. Sempre tínhamos algo a fazer, tarefas diárias sabe – lembra e me sinto estranho, como se a tivesse aprisionado.

—Sinto ouvir isto – deixo escapar não tão baixo quanto gostaria ou deveria.

—Não, não, entendeu errado. Amo estar casada contigo – garante, segurando minha mão – Apenas ...me sinto uma intrusa em alguns momentos – confessa, Felicity, para minha surpresa, reforçando suas palavras.

—Sei bem como é. Sinto o mesmo, por mais que minha sogra deixe-me a vontade. Não é minha casa! – diz, silenciando, assim como nós, ante o retorno do vendedor.

—Eis vossa nota. Nosso empregado já está a embalar a cama. Irão aguardar para acompanhá-lo? – quer saber, recebendo minha parte e a de Ollie.

—Não. Peça que entregue em casa de meus pais tão logo termine. Enviarei alguém para avisar – peço, dobrando a nota.

—Assim será feito jovem senhor Merlin – diz ele, voltando-se para meu amigo – O senhor deseja mais alguma coisa além das peças já escolhidas? – pergunta.

—Não. Quer algo mais, sweet? – Ollie pergunta a esposa.

—Não meu marido – responde ela, sorridente.

—Envie tudo que escolhemos para casa de meus pais – ordena meu amigo.

—Pois não, senhor Oliver. Grato pela preferência – declara o rapaz, afastando-se após uma reverência curta.

—Como se outra escolha houvesse!! – Thea exclama, soprando – Já terminamos aqui? Estou entediada agora que o senhor Crumble despertou – comenta sem nenhum constrangimento, fazendo a Oliver e eu rolarmos os olhos.

—Quero lembrá-la, querida irmã, que lhe foi dada a opção de ficar em casa – meu amigo comenta, oferecendo o braço a esposa, que aceita-o de pronto.

—Quero lembrá-lo, querido irmão, que igualmente em casa estava entediada! – imita-o e espremo os lábios para não rir.

—Talvez a senhorita deva casar-se para....- Crumble comete a insensatez de comentar, desviando-se a tempo de evitar ser atingido pelo bibelô atirado por ela.

—Honestamente senhor Stephen, julguei ser um homem mais moderno, a frente de nosso tempo, mas acho enganei-me – é Sara quem comenta, as mãos a cintura – Acaso uma mulher sentir-se-á realizada ou menos entediada, apenas mediante casamento, é isto? – interroga-o.

—Evidente.... que não – responde, cuidadoso, atendendo minha sinalização e de Ollie.

—Sinto que não está sendo honesto senhor Stephen!! – Thea contesta, as duas encurralando o pobre coitado.

—Senhoritas, por favor, não entendam-me mal. Minha irmã trabalha fora de casa, em uma escola, em Londres. Nada tenho contra mulheres serem mais independentes – acresce, a chegada de Ray o salvando momentaneamente

—Hey, vejam o que.... encontrei – diz, trazendo uma peça estranha em mãos – Hã.... o que perdi? – quer saber, deixando o objeto pender lateralmente a seu corpo.

—Apenas Thea e Sara sendo elas mesmas – respondo, oferecendo meu braço a Cait – Deseja ir caminhar meu amor? – pergunto, olhando-a com carinho.

—Se não importar-se gostaria sim amor...digo, meu marido – corrige-se rápido, corando levemente.

—Neste caso os acompanhamos– aviso, me voltando para nossos amigos – O que foi? Algo errado? – questiono ao notar que nos olhavam novamente com sorrisos bobos.

—São tão lindos juntos!! – Thea exclama, suspirando – Espero encontrar alguém que me olhe como olham uns para os outros – declara, apontando de mim para Cait e de Ollie para Felicity.

—Ou como o senhor Stephen olha a senhorita Adissa...como agora! – Sara diz, nos fazendo prestar atenção ao filho do banqueiro cujos olhos brilhavam ante a aproximação da aia de Cait.

—Bons dias – cumprimenta ela, parando alguns passos de nós – Senhora, vossa sogra pediu-me que viesse trazer-lhe isto – diz, estendendo a sombrinha a Cait – O sol começa esquentar e preocupou-se não queimar vossa pele.

—Grata Adissa. De fato, esqueci-me de trazê-la – agradece minha esposa.

—De nada senhorita, digo, senhora – corrige-se, corando levemente — Dêem-me licença agora pois devo retornar a meus afazeres – pede, fazendo uma reverência curta.

—Senhorita, por favor avise minha mãe que iremos passear um pouco a beira mar. Retornamos para o almoço – peço – E que irão entregar e montar uma cama em nosso quarto...

—Depois de montada não se faz necessário arrumar nada. O farei quando voltarmos. Avise-a por favor – Caitlin adianta-se e num primeiro momento não entendo – Não devo relaxar minhas obrigações, meu marido – acrescenta, me olhando de forma incisiva, fazendo-me entender a indireta.

—Sim, sim, de fato – anuo, voltando-me para a garota.

—Direi senhora – tranquiliza-nos ela, girando em seu próprio eixo na intenção de fazer o caminho de volta a casa, Crumble adiantando-se a ela.

—A acompanharei, se me permi...

—Não permito! – Adissa corta-o, seca, recusando o braço por ele oferecido, saindo quase a correr dali

— Fiz ou disse algo de errado?? – questiona-nos ele, visivelmente decepcionado.

—Nada – respondo.

—Se de fato tem interesse em cortejá-la, precisara um pouco de paciência senhor Stephen. Adissa viu muitas de suas amigas serem achacadas por patrões ou filhos destes. Ela própria chegou ser encurralada em um canto da casa na qual servia antes de tornar-se minha aia. Homens de posse, assim como o senhor- Cait explica, corrigindo-se rápido — De posses, mas sem caráter algum ou respeito a serviçais, o contrário do que tem demonstrado – acresce – Por conta disto, ela não consegue acreditar que tenha boas intenções, entende? – pergunta.

—Sim – responde ele, suspirando desanimado – Sinto ouvir isto – lamenta, arrumando o casaco.

—Sente? Só isto? Vai desistir assim, tão fácil? – Thea interroga, encarando-o.

—Que mais posso fazer senhorita? Impor-me a ela? – devolve ele, sustentando seu olhar.

—Primeiro diga-me: gosta mesmo dela? – minha irmã (as vezes esqueço este detalhe) pergunta.

—Não gosto – Crumble começa dizer, completando a tempo evitar ser esganado – Estou apaixonado senhorita. De verdade – declara, minha irmã abrindo um sorriso que Ollie e eu conhecemos bem.

—Crumble, se sair agora talvez consiga escapar ao furacão Thea! – Ollie brinca.

—Como assim ser....

—Venha comigo senhor Stephen. Tenho ótimas dicas a lhe dar! – Thea toma-o pelo braço, arrastando-o (literalmente) para fora da loja, começando ministrar-lhe seus “concelhos”.

—Tarde demais! Resta-nos apenas atirar uma boia salva vidas e tentar puxá-lo de volta – Raymond brinca, Sara o pegando de surpresa ao enlaçar-lhe o braço tal como Thea fizera, arrastando-o igualmente.

—Melhor os seguirmos antes que ambos se afoguem – sugiro, fazendo aspas no ar.

—De acordo– Ollie anui, oferecendo o braço a esposa – No caminho passaremos em casa para pegar a cesta e a toalha que minha mãe preparou-nos. Faremos um pequeno piquenique – avisa enquanto deixamos o armazém, nossa irmã e Sara aguardando-nos juntamente com Crumble e Raymond apenas alguns metros fora.

Juntos, seguimos pela rua, caminhando sem pressa, parando em frente a casa dos Queen, pegando a tal cesta e dois imensos guarda-sóis, antes de continuarmos rumo a orla, acenando a Barry e Íris, que trabalhavam na loja do pai dele, ganhando a companhia das senhoritas Laurel e Kara quando já tomávamos a trilha que nos conduziria ao mar.

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Caitlin (10:19 a.m)

Sentada sobre um dos troncos que fora arrastados até a sombra dos guarda-sóis pelos rapazes tendo Felicity, Laurel e Sara a meu lado, observava meu marido interagir com seus amigos (incluindo Crumble, a quem todos havíamos acolhido) numa espécie de jogo que o senhor Raymond vira em uma de suas viagens e agora tentava ensiná-los. Ele costumava acompanhar o pai ou o tio com certa frequência e sempre trazia alguma novidade. Era tão inquieto quanto Sara e acho que isto os estava aproximando não tão devagar quanto Laurel gostaria.

—Só estou pedindo que vá com calma minha irmã – escuto, saindo do devaneio breve – Não quero que acabe sendo mal interpretada por ele, menos ainda que fique falada pelas línguas ferinas da cidade – justifica-se Laurel, recebendo um olhar irônico da irmã – Outro tipo de falatório e outro tipo de insinuação. Bem sei que já falam de você pelas ruas!! – exclama, torcendo o nariz, servindo-se outro copo de ponche.

—Falam de você? – inquiro, surpresa posto não lembrar ter ouvido nada desde meu regresso. Se bem que antes de os fatos que levaram a meu casamento, mal saia de casa e quando o fazia estava sempre em companhia de minha mãe, o que inibia as pessoas aproximarem-se.

—Espevitada, atrevida, atirada, oferecida, abusada, mal criada, e uma gama d’outros elogios devido não baixar a cabeça a tudo que a sociedade ou mesmo meu pai ordenam – enumera Sara, dando de ombros, empertigando-se e estreitando os olhos a observar algo que os homens faziam mais atentamente, voltando nos dar atenção segundos depois – Quase todos aplicáveis a vossa cunhada também, só que de maneira mais disfarçada devido a fortuna dos Queen – declara e desta feita não consigo esconder meu espanto.

—Sério? – inquiro, aceitando a fatia de bolo oferecida por Laurel.

—Sério, infelizmente já que isto faz minha sogra ser duas vezes mais dura com Thea– é Felicity a responder, fazendo uma careta e recusando uma fatia a ela oferecida – Estou enjoada! – explica, cheirando as costas da mão.

—Funciona? – Sara pergunta, curiosa – Cheirar as costas da mão a fim de cortar o enjoo, funciona? – específica.

— As vezes – Felicity responde – A depender do tamanho do enjoo. Doutras apenas um bom chá ou mesmo casca de limão resolvem. Na maioria das vezes deixar sair o conteúdo da refeição é que traz me alívio – relata, fazendo nova careta e rimos.

—Sempre pensei tratar-se de uma lenda ou superstição boba – Sara explica, limpando a areia de sua saia com a mão, paralisando repentinamente como a lembrar de algo, erguendo o olhar para mim – Como raios Tommy soube de sua marca de nascença se, de fato, não se haviam deitado quando estavam a vagar? – pergunta, me encarando e sinto meu rosto esquentar terrivelmente mesmo estando a sombra.

—Sara!!! – Felicity e Laurel ralham ao mesmo tempo, a segunda a estapeando.

—Isso lá é pergunta que se faça minha irmã!! Deixou-a desconcertada – Laurel completa.

—Desculpa Caitlin, mas lembrei-me e não consegui conter a curiosidade – pede, sentando-se de forma a ficar de frente e mais perto de mim – Não fique brava, mas no fundo sempre desconfiei do que Tommy disse aquela noite em casa de vossos pais – confidencia – Até daria crédito, admito, afinal todos já havíamos percebido o quanto estavam apaixonados, se Thea não tivesse-me dito qual justificava usou ele para expor vocês antes todos – afirma, deixando-me confusa – Quando Thea tentou chamá-lo a razão questionando o que estava a fazer, respondeu-lhe igualmente fizera diante do conselho quando assumiu para si a pena que seria a ela imposta: estava a fazer o que era preciso! – revela, um sorriso radiante a iluminar-lhe o rosto – Quando ela contou-me isto, a dúvida assolou-me, admito, e até levantei tal possibilidade a meu pai, mas este respondeu-me dizendo não haver dúvida alguma, posto que ele sabia coisas que somente um homem que tivesse conhecido uma mulher saberia e acabou por citar-me algumas...

—Após longa e exaustiva inquisição de minha irmã! – Laurel a interrompe, rolando os olhos.

—Desculpe-me Laurel, mas havia muito em jogo ali para contentar-me. Estavam a dizer coisas absurdas e a desqualificar Caitlin. Não podia permitir isto acontecer! – justifica-se, deixando-me sensibilizada.

—Obrigada por vossa solidariedade Sara – agradeço, deixando-a sem graça.

—Faria e farei o mesmo por qualquer de minhas amigas, ou mesmo minha irmã, que esteja sendo injustiçada – garante e é a vez de Laurel se emocionar – Poderia responder-me? Admito ter ficado ainda mais curiosa ao saber que não haviam-se deitado de fato, mesmo após terem-se casado. Aliás, como conseguiu tal proeza? – pergunta, séria, sem nenhuma critica na voz.

—Mas hoje está deveras curiosa, minha irmã! – Laurel exclama, olhando de maneira mais dura.

—Devo admitir que tal questionamento passou-me pela mente após ontem – Felicty revela, corando levemente – É que, bem, nossos maridos gozam de certa fama pela cidade e não consigo imaginar Tommy Merlin abrindo mão de seus direitos como marido – relata, não me dando tempo responder – Se bem que, se for parecido com Oliver, um pouco que seja, certamente não a tomaria contra sua vontade – pondera.

—E não o fez – garanto, dirigindo meu olhar a meu marido – Thomas, ele próprio, dispôs-se a esperar-me, como contei a mama Smoak – revelo – Ela... ela contou-lhes algo acerca de nossa conversa?? – inquiro, confusa.

—Minha mãe consegue ser uma esfinge quando deseja! – Felicity diz em tom de brincadeira – Contou-nos apenas o que julgou ser necessário a nós sabermos. Disse que ainda não haviam consumado o casamento, que Tommy mentira a fim de evitar sua mão ser dada a outro e que deveríamos apoiá-los caso precisassem. Nada além disto – assegura e sorrio.

—Então....??? – Sara instiga-me prosseguir, não escondendo a curiosidade.

Não posso culpá-la, afinal, eu mesma o era antes da tarde e noite de ontem. Suspiro, sorrindo ao olhar meu marido mais uma vez antes de falar.

—Bem, respondendo sua pergunta Sara – começo, lhe dando atenção – Quando estávamos a vagar, meu vestido começou tornar-se um empecilho para eu caminhar. Logo, decidi rasgar parte do forro e retirar a crinolina – conto – Thomas tinha consigo um punhal, presente do senhor Thawne, e deu-me para que as corta-se fora, porém não consegui fazê-lo. Pedi-lhe, então, que o fizesse. Foi assim que soube exatamente aonde tinha o sinal de nascença – revelo, as três sorrindo divertidas – Como contei-lhes, de forma atabalhoada, reconheço, julguei não ser mais virgem por um conjunto de fatores quando, naquela noite, permiti-lhe tocar-me mais intimamente. O sangue em minhas vestes de fato era o começo de minhas regras, que vieram tão logo chegamos a Starling, mas aquela época escapou-me a mente – respiro, fazendo uma pausa onde aproveito para molhar a garganta com um pouco de ponche – Acontece que minha mãe também entendeu erroneamente e vendo que nutríamos sentimentos um pelo outro, passou a chantagear-me usando o vestido, o qual guardara, ameaçando fazer com que meu pai lavasse minha honra com sangue ou induzindo-o requisitar a prisão de Thomas até que estivesse casada com outro – revelo, vendo a indignação em seus rostos.

—Por isto ignorava meu irmão! – escuto, voltando-me para ver Thea e Kara estáticas a minhas costas.

—Mas que mulher mais...mais.... que megera!! – Kara indigna-se, tapando a boca com uma mão ao aperceber-se o que dissera – Perdoe-me Caitlin. Sei que que é vossa mãe, mas isto foi cruel! – pede, sentando-se a meu lado, Thea fazendo o mesmo.

—Imagino o quanto deve ter sofrido – solidariza-se minha cunhada – Tommy estava quase a enlouquecer. Era nítido seu sofrimento e angústia ainda mais após a chegada do senhor Crumble e o filho – lembra e suspiro.

—Também sofri. Não faz idéia o quanto me doía ressarça-lo em público – lembro, entristecendo.

—Mas isto agora é passado! Estão casados e muito felizes, pelo que pude ver – Felicity declara após breve silêncio – As coisas deram certo ontem à noite, ao que vejo! – exclama, sorridente.

—Tão certo que precisaram de uma cama nova!! – Sara diz, me fazendo corar até a raiz do cabelo ao passo que a senhorita Laurel engasga-se com o bolo que comia – Minha nossa Laurel!! Respire!! – ordena, estapeando as costas da irmã.

—Felicity, tudo bem aí?? – Oliver pergunta aproximando-se minimamente, os demais atentos a resposta.

—Sim meu marido. Apenas um engasgo – minimiza ela – Podem seguir com o jogo – dispensa-os, acenando, Oliver recuando ainda desconfiado – Sara Lance, cuidado com o que diz!!– admoesta-a.

—O que disse de mais?? – interroga nossa amiga com ar inocente.

—Como é possível que tenham quebrado uma cama? Que estavam a fazer sobre ....- Kara começa questionar, calando-se repentinamente, abrindo e fechando a boca algumas vezes, tão vermelha quanto um pimentão, Thea iniciando uma crise de riso tão forte que a faz deitar-se.

Novamente os homens se voltam, curiosos obrigando Felicity agir de forma mais firme, sinalizando a manterem-se afastados.

—Coisa de mulher! – diz, conseguindo mante-los a distância e -Caitlin, melhor esclarecer este assunto e Thereza, controle-se, pelo amor de Deus!! – ordena ela, abanando-se.

—Nossa cama quebrou por conta de cupins – explico, recebendo olhares duvidosos de Laurel e Sara.

—Ahhhh! – Kara exclama, sua expressão confusa dizendo que também duvidava – Um mês depois?? – inquere, sacudindo a cabeça, pendendo para um lado quando Thea apoia-se em seu braço para levantar-se, recuperando-se minimamente da crise de riso – Está casada a um mês e somente agora quebrou? A minha quebrou em menos de um dia ao ter o mesmo problema!! – lembra.

—É porque a cama deles só passou ser de fato usada ontem a noite e aí não aguentou o tranco! – Sara lasca e sinto ânsias de sumir!!

Mais tarde, em nosso quarto, iria esganar meu marido!!

—Ok, já basta! Parem de encabular Caitlin agora mesmo! – Laurel ordena, recuperando o dom da fala – Não é o tipo de assunto que se deva tratar assim...

—Assim como? A luz do dia? Entre amigas? Se não podemos nem mesmo entre nós comentar sobre isto, como esperam estarmos preparadas para nossa noite de núpcias? – Thea a corta, questionando, fazendo uma cara tão dramática que sinto vontade de ri – Minha mãe sempre desconversa quando quero saber. Diz que é cedo, que não devo precipitar-me, mas e se apaixonar-me e deixar-me levar pelo sentimento? – interroga, deixando a mim, Laurel e Felicity pasmas.

—Pior: se decidem lhe dar em casamento do dia para a noite, como fará? Aprenderá tudo de repente, no susto? – Sara acrescenta, séria.

—Minha mãe igualmente não fala sobre este assunto e na única vez que atrevi-me perguntar, disse-me que no momento certo explicaria, mas qual momento certo? Um dia antes do casamento? E se entrar em pânico na hora? Nunca estive a sós com homem algum, nem mesmo doutor Hollowey. Acho que sairei correndo antes mesmo que me toque!! – Kara declara, esfregando os braços e me pego lembrando que até bem pouco tempo as mesmas dúvidas me assolavam. Até ontem, na verdade.

—Os homens podem falar sobre essas coisas entre si e nós mulheres não! – Sara protesta – Veja nosso caso por exemplo. Laurel e eu temos apenas uma a outra. Nosso pai jamais falaria sobre isto conosco. Não nego estar curiosa em saber das únicas amigas casadas que tenho, como se dá as coisas entre quatro paredes! – revela e a vejo corar pela primeira vez que tenha lembrança.

—Penso o mesmo Sara – Thea corrobora, sentando-se empertigada, assumindo uma postura séria – Não é justo termos de ficar no escuro sobre algo que nos envolve diretamente. Mais até do que a eles. Hoje, não me sinto pronta sequer a namorar, imagina casar-me! Outro dia meu coração quase sai pela boca apenas por ter-me a cintura envolvida pelo senhor Thawne quando evitou cair ao me desequilibrar enquanto caminhava na rua, quiçá ficar a sós com ele, ou qualquer outro, em um quarto sabendo que teria de deitar-me! – exclama, tendo o mesmo gesto que Kara.

Confesso ter-me sensibilizado. Principalmente por entender como sentiam, o suspiro de Felicity fazendo com que a olhasse, lendo em seu rosto o mesmo sentimento.

—O que posso dizer-lhes é que, tanto eu quanto Caitlin, podemos considerarmos felizardas por termos casado com quem amamos. Nem sempre é possível. Infelizmente isto faz toda a diferença – diz, sorrindo triste – Oliver foi extremamente carinhoso comigo e creio Thomas o tenha sido com Cait – presume e sorrio, concordando com um aceno – Alguns homens não são tão gentis com suas esposas. Minha mãe nunca escondeu-me o quanto sofreu em mãos de meu pai desde a lua de mel. Não foi gentil ou mesmo preocupou-se se a havia machucado. Apenas satisfez-se e assim o fazia todas as noites até decidir ir embora, dando-a e a mim em pagamento uma dívida que contraíra – revela, me deixando chocada – Por sorte, mesmo tendo passado a viver em um bordel, o homem que recebeu-nos apaixonou-se por ela. Tratava-a como uma rainha. Jamais a fez deitar-se com outro homem além dele nem me obrigou, quando tornei-me moça, o fazer. Ensinou mamãe lê, escrever e lidar com números com exatidão. Por isto ela, hoje, ajuda suas meninas como pode – afirma, não escondendo o orgulho que sentia.

—Admiro vossa mãe como a poucas pessoas Felicity – Laurel diz, emocionada – Desde que soube sua história, passei respeitá-la, deixando de lado qualquer preconceito que tinha quando de sua chegada – relembra, sincera. — -Nem posso imaginar o quão terrível deve ser ver-se obrigada a ceder os desejos de alguém por estar obrigada – Thea comenta.

-Não o faria jamais!! – Sara afirma, erguendo o queixo – Antes fugir a viver como uma escrava. Jamais me casarei sem amor – arremata.

—Amor é justamente a maior das armadilhas Sara — Felicity garante e a olho, confusa – Minha mãe amava meu pai com todas as suas forças, por isto não fugiu mesmo ele a tratando tão mal. Apenas quando se viu obrigada a ir viver com outro homem entendeu quão aquela relação era danosa a ela – relata – Não basta apenas amar. Precisa ter a alegria de ser correspondida em igual valor ou tornar-se-á sim uma escrava. Escrava do amor — assegura.

—Thomas e Oliver as amam, é inegável!! – Kara, exclama, suspirando – Espero termos a mesma sorte – diz, olhando Thea e Sara.

—Por que mesmo amando Tommy demorou a entregar-se Cait? – Sara pergunta, encarando-me, curiosa.

—Medo – respondo simplesmente – Medo de não o agradar na cama e que buscasse satisfação junto a Camille ou outra mulher. Medo da dor que diziam quando da primeira vez. Medo de ver frustração ou qualquer outro sentimento em seu rosto quando o decepcionasse. Medo de tudo e de nada ao mesmo tempo – confesso, suspirando – Antes, quando pesava já ter-me entregue a ele, minha mãe fez-me sentir suja. Mas temia menos deitar-me após casar-nos. Depois, quando contou-me a verdade, senti-me insegura e todos os medos que falei ressurgiram com força absurda. Ouvi tantas coisas, de Camille, de outras garotas em casa de mama com as quais havia-se deitado que acabei temendo ainda mais não o agradar. Imaginava-o possuindo-me por obrigação, cumprindo seu papel de marido, e depois indo a casa de mama deitar-se com uma delas a fim de satisfazer-se. Na verdade, acho que ainda temo um pouco, afinal, é muito recente ainda – admito, buscando-o com o olhar – Thomas foi deveras gentil, carinhoso... me senti verdadeiramente amada e desejada. Mas não sei o quanto isto pode agradá-lo e até quando – digo.

—Como assim? Não entendo – Thea pergunta, franzindo o cenho.

—Entre as damas da noite, como minha mãe as chama, diz-se que os homens buscam por elas por fazerem sempre na mesma posição com as esposas, todas as noites – Felicity começa dizer, Sara adiantando-se perguntar.

—E elas fazem diferente? – quer saber, legitimamente curiosa.

—Sim, mas não perguntem-me como! Jamais vi ou fiz. Sei apenas do que as ouvia conversar entre si nos dias de folga, quase sempre as escondidas pois evitavam falar em minha frente até que atingi dezoito anos. Depois até. Justificavam dizendo que não era para mim esta vida e saber apenas me faria sofrer por não saber se poderia ou teria coragem fazer com meu marido se este assim quisesse – conta Felicity, tomando mais ponche e se abanando ao final.

—Também ouvi um pouco e isto fez-me temer mais minha primeira vez – confesso – E Camille vivia a atazanar-me com piadas e indiretas dizendo ser apenas ela a saber o que Thomas gostava na cama. Disfarçava, mas era horrível ouvi-la dizer tais coisas. Sentia-me diminuída – assumo.

—Minha mãe, nas raras vezes que falamos no assunto, disse-me que deveria aguardar meu marido sob os lençóis, no escuro e com a roupa de dormir levantada o suficiente apenas para ele ter-me com facilidade. Que depois, caso quisesse dormir, devia deixa-lo fazer – Kara conta e de imediato os conselhos de minha sogra vem-me à mente – Foi assim com vocês? – atreve-se perguntar, corando forte – Não precisam contar se não quiserem – acresce ligeiro.

—Ah precisam sim! – Thea e Sara falam quase ao mesmo tempo e rimos, quebrando um pouco a tensão.

—Bem, Oliver e eu estávamos em um hotel então não teve como ser completamente no escuro por haver outros prédios próximos – Felicity narra, escondendo o riso com a mão – E não permaneci vestida muito tempo! – revela e rimos mais.

—Também não permaneci – confesso, sentindo meu rosto esquentar – Até tentei, admito, mas estava quente demais e estranho demais. Tudo embolado em minha cintura. Incomodava-me – conto – Mas apenas quando pediu-me tive coragem despir-me, melhor dizendo, o deixei fazer – digo, elas sorrindo de forma cúmplice.

—E... doeu muito? – Thea pergunta, meio sem graça.

—Um pouco – minto, Felicity coçando a lateral de seu rosto em uma espécie de sinal e rio – Tá, doeu bastante mesmo ele tendo sido gentil. Mas nada que não conseguisse suportar e seus beijos e carinho me deram o suporte que precisava para esquecer a dor – prossigo – E teve o lado bom também. Depois foi tudo muito bom e leve e....- me calo por não saber quais palavras usar, Felicity me socorrendo.

—Prazer. A estas sensações chamamos de prazer – explica – Uma mistura de sentimentos e outras sensações que nos deixa entorpecidas após o ato em si terminar. Por mais que Cait ou eu tentemos descrever não é possível, até por ser algo particular a cada uma de nós – resume, sorridente.

—Agora fiquei na dúvida se quero ou não aguardar para sentir essas sensações – Sara solta fazendo a irmã engasgar-se novamente – Acalme-se Laurel. A depender do senhor Raymond irei demorar bastante experimentá-las – diz, nos surpreendendo – O quê? Acaso não perceberam estarmos interessados um no outro? – pergunta, divertindo-se.

—Suspeitar é uma coisa. Escutar a confirmação é outra – Laurel responde, sacudindo a cabeça negativamente – Já suspeitava do interesse dele, mas não tinha certeza do seu. Gosto do Palmer. É sensato, calmo, gentil, honesto, cordato, educado....Como raios foi se apaixonar por alguém assim? – inquere de repente, batendo as mãos nas pernas, nos fazendo rir.

—Falei interesse, não paixão – corrige-a, Thea tossindo, indicando a aproximação dos rapazes com um gesto de cabeça.

—Outro dia falamos mais sobre isto. Quero saber detalhes e conselhos!! – Sara cochicha, empertigando-se, voltando-se para eles com um sorriso no rosto.

—O que foi? Minha roupa está rasgada? Meu rosto está manchado? – Raymond pergunta, estancando alguns passos de onde estamos ante a reação dela.

—Por que pergunta? – Sara devolve.

—Está sorrindo para mim. Ou de mim. Nunca sei – responde ele.

—Raymond, anda deveras tenso. Sente-se aqui e lhe farei uma massagem nos ombros como faço a nosso pai ao chegar do trabalho – oferece, nos deixando boquiabertas. Ainda mais por ele aceitar, sentando-se a frente e de costas para ela, que, de fato, massageia lhe os ombros.

—Meu marido deseja algo? — Felicity pergunta quando este senta-se a seu lado.

—No momento, apenas um pouco de ponche para aplacar a sede...e um beijo – pede, inclinando a cabeça até seus lábios tocarem-se em um contato rápido.

Sorrio, servindo uma fatia de bolo e um pouco de ponche a meu marido, ganhando um sorriso e um beijo rápido também, Laurel encarregando-se de servir o jovem senhor Crumble.

Durante cerca de uma hora e meia permanecemos sentados sob os guarda-sóis, saboreando os quitutes preparados pela governanta dos Queen, bebendo ponche e conversando bobagens. Não lembro ter passado momentos tão agradáveis em companhia de amigos antes.

Quando o sol estava a pino, recolhemos tudo, fazendo o caminho de volta para nossas casas sem pressa.

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Residência Merlin (13:23 p.m)

Narrador

De mãos dadas, Thomas e Caitlin entram em casa, distraídos, notando a presença de Malcom apenas quando se voltam em direção a escada.

—Pai, perdoe-nos a demora. Estávamos com Oliver, sua esposa e alguns amigos em um piquenique – justifica-se Thomas.

—A aia avisou-nos – responde o empresário, olhando-os atentamente – Ainda não tomamos a refeição. Sua mãe está a banhar-se e as aias as crianças. Banhei-me quando cheguei – conta – Entregaram a cama. Está montada. Talvez devam verificar a disposição dos móveis – aconselha.

—Iremos. Aproveitaremos para banhar-nos – Thomas avisa, encarando o pai um segundo – Algo errado meu pai? – quer saber.

—Nada. Vão aprontar-se para a refeição – Malcom ordena, o jovem casal trocando um olhar rápido antes de obedecê-lo.

—Acaso terá descoberto algo, meu marido? – Caitlin pergunta, baixinho, aflita, enquanto sobem as escadas.

—Espero que não – Tommy responde, pensativo – Mas caso o tenham feito, enfrentaremos juntos! – assegura, levando a mão da esposa aos lábios em um beijo casto – Por hora, vejamos nossa cama e a disposição dos móveis – sugere, abrindo a porta tão logo param diante dela, fazendo a esposa entrar antes dele, ambos estancando assim que adentram o aposento.

—Thomas!! – Caitlin exclama, protegendo a boca com as mãos.

—Acho que deveríamos ter escolhido um modelo mais simples – pondera o rapaz, massageando a nuca.

—Devíamos!! – Cait anui, mordendo o dedão – Será que ainda podemos trocar? – indaga, a resposta vinda de outra pessoa.

—Na será preciso minha nora – Malcom adianta-se dizer, parado a porta – Permitem-me entrar? – pergunta.

—Evidente meu pai. Estamos em vossa casa – Tommy libera, pondo-se de lado juntamente com Caitlin.

—Decerto, porém neste espaço – gira o dedo em sentido horário indicando o quarto como um todo – Devemos, todos os demais ocupantes da casa, sim pedir permissão para entrar. É como se vossa casa fosse – compara o empresário, postando-se ao lado da cama, grande demais para o ambiente – O problema aqui dá-se não com o móvel e sim o espaço. Este é um quarto para um jovem solteiro, com espaço para móveis de solteiro. A cama antiga, apesar de casal, era um pouco menor, por esta razão não ocupava tanto espaço quanto esta – indica-a – Mas agora devemos deixar este assunto de lado um segundo — começa, misterioso – Sentem-se – ordena, o tom usado fazendo-os obedecer sem contestar – Pensei deixar esta conversa para depois da refeição –diz , movendo-se em direção a cômoda perto do biombo, Cait e Tommy ficando tensos de imediato – Porém, não conseguiria digerir a refeição com tal pendência ocupando meus pensamentos – afirma, abaixando-se sem aviso prévio, trazendo consigo os lençóis ao levantar – Poderiam explicar-me o significado disto? – inquere, parando a frente deles, exibindo as manchas de sangue, Caitlin baixando a vista, envergonhada, o silêncio se fazendo presente no ambiente por um tempo indefinido – Estou esperando – Malcom cobra, olhando-os atentamente – Não desejo envergonha-la minha nora, no entanto, o significado destes lençóis, salvo um dos dois tenha-se ferido, o que não parece-me haver acontecido, é grave demais para ser ignorado – discursa, desviando seu olhar para a entrada do quarto no instante em que a esposa adentra.

—Julguei que teríamos esta conversa apenas após a refeição, meu marido – Rebecca interroga, fechando a porta, indo postar-se junto a ele – Perdoem-me, mas não pude esconder a seu pai minha descoberta. Como puderam mentir-nos? – inquere, magoada.

—Caitlin em nada é culpada minha mãe. Eu a forcei sustentar minha mentira – Tommy defende-a, Cait reagindo de imediato.

—Não meu marido. A partir do momento que revelou-me a verdade, poderia tê-lo feito a meus pais, por exemplo – afirma, tomando coragem para encarar os sogros – Se não o fiz, foi por temer o que aconteceria a Thomas caso meu pai viesse saber que mentira diante de todos aquela noite, em casa dele – diz, corando, baixando o olhar novamente.

—Não Cait, fui eu quem...- Thomas tenta argumentar, o pai o cortando.

—Ambos têm sua parcela de culpa – Malcom afirma, taxativo – Você mentiu ante não somente os pais de vossa esposa, mas ante meia cidade. Arriscou sua vida caso Dom ou mesmo um dos pretendentes exigisse lavar a honra da jovem com sangue. Seu sangue! – Malcom afirma, passando a mão pelo cabelo, exasperado – Vossa mãe atirou-a em um prostibulo. Faz o idéia o que poder-lhe-ia ter acontecido mesmo que sob a proteção da senhora Smoak?? – interroga, olhando-os novamente.

—Pior: mentiram não somente diante dos homens, mas diante de Deus!! -Rebecca pontua.

—Não diante de Deus minha mãe – Tommy garante, ela enrugando o cenho – Quando meu pai levou-me a casa de ma...senhora Smoak – corrige-se rápido o rapaz – Juntamente com Monsenhor Robinson, confessei-me – revela, deixando os pais surpresos – Como o fiz em confissão, obriguei-o guardar segredo e ele obrigou-me manter longe de Cait até o casamento. Por isto não permitiu-me trazê-la para nossa casa aquele dia – explica.

—Até sermos largados a nossa sorte, eu jamais havia ficado a sós com um homem, excerto meu pai, antes na vida – Caitlin começa, não dando chance Malcom ou Rebecca falar – Já nutria sentimentos por Thomas àquela época e durante aqueles dias apenas se fortificaram e aumentaram – revela, sorrindo pequeno – Quando, uma noite antes de sermos resgatados, nos entregamos, ele e eu, ao que sentíamos, permiti-lhe, levada pelo sentimento, tocar-me de forma mais íntima – diz, corando fortemente.

—Mas não aponto desonrá-la – Tommy adianta-se – Apenas atrevi-me beijá-la de maneira mais ousada e erguer lhe a saia, tocando-lhe as coxas e cintura, nada além disto – assegura, sincero – Deitamo-nos sobre o terreno arenoso e algumas pedras acabaram por machucá-la, causando-lhe dor – conta.

—Fechei meus olhos, envergonhada ao sentir a dor– Cait confessa, ainda mais corada – Como disse, nada sabia sobre como agir com um homem e também como noutro dia minhas vestes estavam manchadas de sangue por conta de minhas regras estarem para descer, mas julguei, por inexperiência, haver-me entregue a ele naquele momento, por isto tomei como verdade o que disse ante todos ao invadir o jantar em casa de meus pais – lembra ela, tomando fôlego antes de prosseguir – Minha mãe havia pego minhas vestes com a esposa do doutor Hollowey e igualmente julgou ter sido o que ocorrera, o que só aumentou minha certeza – relembra a jovem uma lágrima caindo sorrateira – Ficou furiosa, mas ao contrário do que esperava, usou tal fato para afastar-me de Thomas. Ameaçava constantemente contar a meu pai o ocorrido de forma a parecer que fora obrigada ceder, dizendo que o faria exigir lavar minha honra com sangue – revela, deixando Rebecca boquiaberta – Obedeci-lhe, mesmo sofrendo bastante, até a data do jantar, quando Thomas tornou público o que pensava haver acontecido entre nós – diz, olhando-o carinhosamente – Quando revelou-me a verdade, pedindo-me desculpas pelo que tinha feito, pensei correr em casa e contar a meus mais...Mas aí seria obrigada afastar-me dele em definitivo e não apenas sob ameaças de minha mãe. Meu pai decerto não aceitaria tal gesto e me obrigaria firma compromisso com algum dos pretendentes após esclarecer o ocorrido. E ainda havia a ameaça de Thomas ser preso por um longo tempo. Não suportaria – afirma, suspirando – Perdoei-o e decidimos, de comum acordo, sob as bênçãos de Monsenhor....

—Mesmo contrariado – Thomas lembra, esticando os lábios em um riso discreto.

—Sim – confirma ela, fazendo o mesmo – Decidimos manter sigilo e casar-nos – conclui.

—Mesmo a cidade inteira a julgar-nos – Thomas acresce, tomando e beijando-lhe a mão – Prometi a Cait, diante de Monsenhor, que não a tomaria por esposa sem que assim desejasse. Que somente a faria minha quando se sentisse pronta...O que somente ocorreu ontem a tarde – elucida, voltando seu olhar para os pais – Sei que errei...Erramos, em mentir-lhes, mas temíamos vossa reação. Conheço seu caráter meu pai. Sei que não permitiria tal engodo prosseguir mesmo sendo arriscado para nós. Sabia que ao menos aos Snow revelaria a verdade – declara o rapaz – Não considero estar errado, entenda – apressa-se dizer – Apenas...bem, não queria arriscar perder Cait em definitivo – diz, olhando de um para outro – Perdoem-me se fui irresponsável e um pouco maluco, mas o que fiz foi por amor. Não suportaria viver sem Cait – assegura, deixando algumas lágrimas caírem.

—Igualmente eu o apoiei pelo mesmo motivo – Cait garante, emocionada – Amo vosso filho de todo coração, com minha alma. Não seria feliz ao lado de qualquer outro homem e se demorei entregar-me, apenas foi for meus temores pessoais – garante, olhando agora diretamente para o marido – Temia não conseguir fazê-lo feliz ou desapontá-lo a ponto de buscar consolo e satisfação nos braços de outra – confessa, baixando o olhar, envergonhada.

—Amo-te Cait. Demais. Não procuraria outra em hipótese alguma – assegura o rapaz, Malcom baixando a cabeça, rindo escondido.

—Que faço com vocês? – pergunta mais para si mesmo do que propriamente esperando uma resposta.

—Que mais podemos fazer além de perdoá-los e dar-lhes apoio, meu marido? – Rebecca indaga, não escondendo o riso – Agiram errado. Muitíssimo errado, mesmo que por amor – ralha, suspirando – Mas diante do quadro, não vejo muita escolha – afirma, encarando o marido – A verdade os levaria a uma separação sem volta e nosso filho poderia ser preso ou pior, morto, Malcom – argumenta – Não concordo, mas agora, que de fato são marido e mulher, que bem tal revelação traria? – questiona-o.

—Nenhum – sopra o empresário, passando a mão pelo cabelo uma segunda vez, refletindo alguns segundos antes de voltar a falar – Que estes fatos não saiam deste quarto, desta casa, não chegando aos ouvidos de ninguém na cidade – diz, erguendo o dedo, calando a comemoração eminente do jovem casal – Salvo aos ouvidos de vosso pai – aponta Caitlin – Irei ter com Dom e contarei-lhe tudo, inclusive as ameaças feitas por vossa mãe, tão logo a oportunidade se apresente. É pai e merece saber, por mais que vá lhe doer não ter podido entrar na igreja com a filha – avisa – A ele caberá decidir se contará ou não a esposa. Avisar-lhe-ei-o também que sairei em defesa de meu filho bem como da manutenção deste casamento ainda que precise enfrentá-lo – afirma, decidido – Afora isto, ninguém mais, além dos já inteirados, deve saber tais fatos, fui claro? – interroga, franzindo o cenho ao notar a troca de olhares entre Tommy e Cait – O que ainda falta contar-nos? – quer saber, cruzando os braços.

—Hã.... – Tommy hesita, coçando a nuca – Nossos amigos.... meio que descobriram tudo – revela, fazendo com que a mãe abrisse e fechasse a boca, estupefata – Mas não há com que preocupar-se minha mãe. Nada dirão. Nunca – assegura, dirigindo um olhar cúmplice a esposa, está entendendo ser melhor não revelar a contribuição de Donna Smoak naquele momento.

—Há outra escolha que não confiar?? – inquere Malcom, sacudindo a cabeça – A partir de hoje este assunto está sepultado – decreta, entregando os lençóis a esposa – Livre-se disto Beca. Não os ponha para lavar. Mesmo nossos empregados sendo de total confiança, não quero nenhum deles a perguntar-se donde vieram tais manchas – recomenda, puxando o ar para os pulmões – Agora banhem-se para que possamos tomar a refeição. Sua mãe e eu os aguardamos na sala – avisa, sinalizando a esposa ir a frente, acompanhando-a para fora do aposento.

—Sinto-me bem mais aliviada agora que sabem a verdade – Cait afirma, suspirando.

—Eu também – Tommy anui, sorrindo-lhe – Banhamo-nos juntos? – convida num impulso – Digo, se não for a incomodar, evidente – acresce.

—Contanto que sejamos rápidos. Não desejo fazer meus sogros esperarem ainda mais por nós – condiciona a jovem, corando.

—Seremos – promete ele, estendendo-lhe a mão, conduzindo-a para detrás do biombo – Encherei a banheira enquanto despe-se. Entrara antes de mim – avisa, ela anuindo com um gesto de cabeça.

Mesmo ciente que nada aconteceria, Tommy comemora intimamente o fato de ela ter aceito banharem-se juntos, prometendo e si mesmo, mentalmente, manter-se controlado, o que se mostra um desafio e tanto.

Quarenta minutos depois estão ambos, banhados e vestidos, descendo ao encontro dos pais dele, reunindo-se a mesa.

Tomam a refeição em discreto silêncio, uma ou outra observação acerca das diversas invasões ocorridas na madrugada sendo feita por Malcom ocasionalmente, o empresário revelando que o delegado montaria vigilância já a partir daquela noite em toda a cidade de forma a tentar capturar os invasores, todos indo sentarem-se a sala após o término da mesma.

A governanta estava a servir um cafezinho solicitado por seus senhores quando batem a porta, Adissa adiantando-se em atender.

—O que há minha jovem? Está pálida – Malcom comenta quando a garota regressa da porta.

—Está ai o senhor Wilson acompanhado da filha. Deseja falar-lhe – despeja, deixando a todos imediatamente tensos, Caitlin apertando a firme a mão de Tommy – Que digo? – quer saber a jovem aia.

—Que entre – Malcom libera, pondo-se de pé, a jovem fazendo girando nos calcanhares, obedecendo-lhe de pronto – Controle-se Thomas – alerta ao notar a postura do filho, sorrindo cordialmente ante a entrada dos visitantes.

—Boas tardes meu caro Merlin, senhoras, senhor Thomas – cumprimenta aos anfitriões – Perdoe-me interromper vosso descanso – pede, sorridente.

—Não por isso – Malcom responde – Em que posso servi-lo? – inquere, polidamente, mantendo a postura distante e o olhar sobre o homem, indicando-lhe tomar assento com um gesto de mãos.

—Então meu amigo – Wilson começa, fazendo com que a filha sentasse – Minha filha, a propósito, está é Caroline, minha preciosidade! – apresenta-a, a garota enrubescendo ao receber os olhares em sua direção – Como dizia, Caroline veio morar comigo recentemente posto a doença de minha ex sogra – diz, torcendo rapidamente o nariz – Estava acostumada a cidade grande, com muito movimento e atividades como aulas de pintura e piano – prossegue, olhando de esguelha o objeto em um canto da sala – Soube, através de uma das bondosas senhoras da igreja, que vossa esposa dava aulas de tal instrumento quando viviam na Inglaterra. Então pensei se o faria para minha pequena – indaga, olhando do empresário para a esposa – Iria sugerir as aulas serem em minha casa por supor não possuir um instrumento, mas vejo que enganei-me – comenta, indicando o piano com um gesto de cabeça – Evidente que pagarei pelas aulas, caso permita vossa esposa ministrá-las – apressa-se dizer.

—Caso ela assim deseje, não vejo empecilho algum – Malcom condiciona, voltando-se para a esposa – Beca? – inquere.

—Eu....nao sei – hesita a mulher, olhando o piano a suspirar, saudosa – Não toco há tanto tempo! – murmura, não tão baixo quanto pretendia.

—Mas estou certo que não perdeu o jeito senhora. Já dizia minha falecida avó: uma vez que se aprende, jamais se desaprende! – Wilson diz, sorrindo novamente, dirigindo seu olhar mais diretamente a Cait e logo a seguir a Tommy.

—Penso o mesmo – Malcom diz, segurando a mão da esposa – Estou certo de que não perdeu o jeito – afirma – Caso deseje, não vejo por que não o fazer – reitera, beijando-lhe a mão.

—Eu...

—Aceite minha mãe. Assim poderemos voltar a ouvi-la tocar com mais frequência – Tommy sugere, voltando-se para a esposa – E quem sabe Cait anima-se tocar também. Ouvi-a certa tarde em casa de seus pais. Toca lindamente – elogia, fazendo-a corar.

—Não duvido – Wilson corrobora, olhando o casal demoradamente – Mas não quero ser motivo de contenda entre o casal – diz, dando atenção a Malcom novamente – Apenas quis satisfazer o desejo de minha filha – afirma.

—Não será – garante ele, seco – Beca, se desejar, tem minha permissão. Estou certo de que as aias e nossa nora a ajudarão com as bebês – afirma ele, olhando-a nos olhos.

—Certamente minha sogra – Caitlin prontifica-se.

—Neste caso, aceitarei – Rebecca decide.

—Excelente! – Wilson exclama, unindo as mãos – Poderia começar segunda-feira? – pergunta.

—Decerto que sim – responde a senhora Merlin, dando atenção a menina – Traga as lições que já fez até sua vinda para Starling, caso as tenha consigo e montarei um plano de aulas – pede, a garota anuindo com um aceno – Quanto ao valor, pode acertar-se com meu marido, senhor Wilson – avisa, encarando-o, o choro das bebês chamando sua atenção – Dêem-me licença – pede, subindo acompanhada por Adissa.

—Passarei em seu escritório depois que trouxer Caroline. Qual melhor horário? – questiona Slade, encarando Malcom.

—Acredito que no meio da tarde, por volta das dezesseis, esteja bem. Falarei com Rebecca e amanhã, caso nos vejamos na missa dominical, dar-lhe-ei a resposta definitiva – diz o empresário.

—Certo – anui o homem, olhando a volta, detendo-se novamente sobre Cait e Tommy.

—Algo mais? – Malcom questiona, chamando sua atenção para si.

—Nada – responde Wilson, sinalizando a filha que se levanta-se – Obrigado meu caro Merlin, por não impor obstáculos sua esposa ministrar aulas minha filha – agradece, apertando a mão do outro – Até mais ver – despede-se, cumprimentando Tommy e Cait com um aceno de cabeça, dirigindo-se a porta tendo Malcom a acompanhá-lo.

—Que acha meu pai? Podemos confiar não haver nenhuma intenção oculta neste pedido? – Tommy questiona tão logo o pai retorna a sala.

—Não sei – admite o empresário, massageando o queixo – De qualquer forma, ficaremos atentos – diz, suspirando – Irei ter com Rebecca acerca do horário – avisa.

—Subiremos também a fim de fazermos a sesta – Tommy adianta-se, pondo-se de pé, ajudando a esposa o fazer – E pensar numa maneira de desafogar nosso quarto – acresce, os três subindo juntos, separando-se no corredor, indo a seus quartos.

—Não estou com sono Thomas – Caitlin protesta tão logo veem-se a sós – Podíamos ver a disposição dos móveis – pondera, surpreendendo-se quando o marido a enlaça a cintura.

—Ou, podemos experimentar nossa cama nova. Certificar-nos estar bem montada e silenciosa. Que acha? – sugere, roubando-lhe um beijo rápido.

—Acho... que meu marido jamais tencionou dormir!! – exclama ela, envolvendo-lhe o pescoço com os braços.

—Conhece-me tão bem, minha amada esposa! – Tommy responde, erguendo em seus braços, pondo sobre a cama, passando a chave na porta antes de unir-se ela sobre o leito.

“....Boto a mão no fogo por essa paixão;

Pois sei que você me tem no coração;

Eu vejo em teus olhos ao tocar meu corpo, oh,oh,oh;

Amo você;

Eu amo você;

Você tem carta branca nesse meu coração;

Eu amo você;

Estou de corpo e alma entregue em suas mãos;

Quero dizer;

Que ninguém no mundo vai te amar assim;

É tanto amor que esqueço até de mim"

Notas finais
Até breve. Bjnhos flores